//11 ITACARÉ – BA

11 ITACARÉ – BA

Itararé com calçamento irregular conforme as outras cidades da Bahia aspecto de rústico. Só ouvimos falar bem da cidade mas, as ruas tem um calçamento  irregular, a maioria sem asfalto e com poeira. Sofri para pilotar a moto.  Mesmo assim, desde a chegada você sente que a cidade é especial.
 
 

Muitas pousadas uma do lado da outra que até dificulta a escolha. Os preços ficam entre 70 e 320 e as diferenças não são tão aparentes. Alugamos um chalé muito bem cuidado com cozinha, sala, banheiro e um quarto.

 
 

 

 

O quarto fica no mesanino, onde sobe por uma escada inventada por Santos Dummont, na casa dele em Petrópolis. Dizem que ele tinha preconceito de começar subindo uma escada com o pé esquerdo e projetou uma que só pode começar com o pé direito.

 

 

 

No jardim pratinhos de comidas atraem pássaros de rara beleza.

 
 
 

No mercado outra surpresa.  Certamente foi o mercado mais desorganizado que já vimos e os empregados não foram simpáticos. É a lei da atracão ambientes ruins atraem empregados ruins, Os ruins se atraem. A insatisfação produz ambientes ruins e ambientes ruins geram insatisfação.

Depois um passeio pelas pedras com paisagens que fascinam.

 

 

 
 

Fomos comprar peixe e conhecer os passeios da região. Tem muitas opções, preços e agentes de turismo.  São praias desertas, cachoeiras, trilhas, rafting, rapel e tiroleza sobre o mar. Andamos pela cidade vasculhando lugares.

 

 

 

A cidade é encantadora a noite com uma variedade enorme de restaurantes, lojas de modas e barracas de artesanato.  As lojas abrem as cinco horas da tarde e ficam abertas até tarde da noite.

 
 
 

Encontramos um casal de namorados de Brasilia, nossos vizinhos, que pretendem morar aqui. Ele é fotógrafo e viveu muito tempo no Japão e nos contou muitos detalhes da vida por lá. A Jaqueline disse que nossa viagem é também um sonho de consumo deles.

 
 
 

Sempre que alguém gosta do que estamos fazendo digo para que façam uma previdência privada, para ter a condição depois dos 55 anos. Praticamente somente empregados de grandes empresas fazem previdência privada.

Os guias de rua andam a pé e correm para mostrar as opções da cidade. Eles correm na frente dos carros. Aqui os guias tem características próprias também.  Em Prado são crianças correndo a pé, em Trancoso são crianças de bicicletas, em Porto é a máfia de moto e taxi.

A Praia da Concha tem variedade de comidas e de belas barracas. Os garçons te abordam com o cardápio, mas não são chatos ou insistentes. Corrida pela areia e por dentro das águas do mar.

 

 

 

A noite falamos com a Sophia Bruna e Hugo e a vontade de segurar a Sophia aumentou ainda mais. A Paula insistiu muito para que fossemos para San Francisco, na Califórnia, mas decidimos não ir agora. Ela fez todo um roteiro da viagem de 15 dias pela costa oeste dos EUA mas fica postergada esta viagem.  

Fomos  conhecer as praias ao sul da cidade com caminhada por uma trilha na mata atlântica, de médio desafio. Mata fechada por montanhas e muitas bifurcações nos caminhos.  Oa trechos mais difíceis tem côco no chão para ajudar nos passos.

 

 

 

 

 

Os guias que pedem de 20 a 50 reais por pessoa, procuram desencorajar os turistas que não querem seus serviços, dizendo que tem assalto. Um deles, mais sincero, disse que haviam dois anos que não se ouvia falar em assalto.

Fomos  pela trilha sem guia e encontramos várias pessoas e grupos pela trilha, alguns com guia. Em um trecho da mata fechada dois homens com enormes facões andaram meio próximo da gente. Tivemos que caminhar mais rápido para alcançar um grupo mais a frente. O guia nos disse que eram garotos apanhando fibras para fazer artesanato   Mas assusta. É sempre  bom  cercar-se de cuidados e informações. Chegamos na prainha ao final da trilha, com águas mornas  e areia macia, onde atores Globais tem casas nas montanhas de frente pro mar.

 
 

Mesmo que de longe no caminho vimos uma baleia, muito comum nesta época do ano na região. A prainha é muito linda, mas não mais ou menos bela que uma dezena de outras praias da região.

Fomos jantar em um restaurante de comidas vegetariana da Indonesia, servidos por um japonês surfista que mora no brasil a 4 anos. Comemos sentados em almofadas com mesa baixa, tomamos suco  de limão com hortelã e gengibre,  ouvindo rock que tocava em outra lanchonete na rua.

 
 
 

Dia chuvoso, as vezes sol, passeamos pela cidade e em todo canto o assuntos é eleição e quase sempre o assunto é roubo, corrupção, desvios, compra de votos, tal qual em qualquer outra cidade. Incrível como nos sabemos que políticos roubam e somos omissos. Penso que deveríamos acabar a profissão de político e ensinar política na escola. Se todos soubessem o que é e como praticar política, provavelmente teríamos gestores e fiscais voluntários para cuidar das partes publicas.

Pela manhã observei alunos que iam para escola pública em Itacaré. Muitos de chinelo ou descalço, sem mochila, levam apenas um caderno e um lápis. Como pode, ainda no Brasil? Coincidentemente alguém mandou esta ilustração pelo Facebook.

Se isto for, que pena.

 
 
 

Em plena quinta-feira, nativos participavam de uma procissão carregando a imagens de São Francisco, com banda, cantoria e fogos de artifícios rumo a uma igreja minúscula onde acontecia uma festa.

 
 

Fomos de canoa até uma cachoira que foi comprada por um branco, dos negros de um antigo quilombo. Contam que foi meio comprado, meio tomado. Hoje o dono cobra 10 reais a entrada, sem uma merecida infraestrutura. Recebe entre 50 e 80 visitantes por dia, na baixa temporada. O dono tem empregados no local e vigia quantidade de visitantes sentado o dia todo no cais do porto. Paga somente o INCRA e nada para a prefeitura.  Deixando a espertice do dono de lado, o local é lindo.

 
 

A canoa com um pequeno motor de poupa segue vagarosamente pelo rio com águas limpas e mornas,  cercado por diferentes espécie de árvores e pássaros. A entrada no mangue por um pequeno riacho, onde o motor é desligado e segue a remo, um silencio seprucal, avistando centenas de carangueijos  vermelhos com garras amarelas e outros maiores azuis quase cinzas.

 

  

 

Chegamos na cachoeira. O canoeiro mostra o local e deixa a gente a vontade o tempo que quiser, contemplando e aproveitando as piscinas naturais e quedas d’agua  relachante.  É possível encontrar pequenos encaixes nas pedras e se deliciar com a massagem das águas.

 

 

 

Piscinas naturais com águas quentes e transparentes.

 
 

Na volta uma bela e fria chuva brindou nosso passeio mostrando gotas prateadas quando batiam na água.  Um arco íris também abrilhantou o belo passeio.  Já no cais ganhamos uma vagem de ingá, de uns 40 centimetros, que o baiano mandou a gente “trocer” pra abrir e comer os caroços.

 

A noite fomos comprar um novo visual para a Ade e paramos numa gostosa roda de samba.

 

A musica estava ótima, bom repertório dos músicos amadores que quase não desafinam, até que, derrepente, houve uma debandagem geral. Os músicos e alguns pessoas saíram rápido do local e um deles já de longe gritou “alguém comeu um sanduíche de urubú”. Isto mesmo. Um “pumm” espalhou a roda de samba. Depois de risos e piadas o samba voltou.

Esta cidade não segue muito as leis do Brasil. Fazem o que querem das calçadas, não tem contramão, não impedem o trânsito por nada, não usam capacete, tem barulho depois das dez, vendem bebidas no dia antes da eleição, fumam drogas em qualquer lugar, toca o sinal na escola e as crianças continuam jogando bola, a eleição é amanhã e continuam fazendo campanha.

Dia de eleição e a cidade que já é pacata  se  multiplica na forma de ser. O vizinho jovens viajando com sua namorada tem férias prolongadas e está a procura de ondas para surfar. Eles pesquisam onde estão as melhores ondas e as seguem. É um hobbye que ajuda a conhecer lugares. Quando saíram, deixaram um bilhete carinhoso de despedida em baixo de nossa porta.