//16 – BRUXELAS – BÉLGICA

16 – BRUXELAS – BÉLGICA

De Luxemburgo até Bruxelas, a estrada com três pistas, asfalto impecável é toda iluminada. Achei desnecessário estrada iluminada, mas fica bonito. 
Chegamos em Bruxelas por volta das onze horas da noite e o clarão do dia tinha acabado há pouco.
Em nossa nova e bela casa, um pouco de dificuldade para ligarmos o aquecedor e acabamos todos dormindo sem tomar o banho da noite, justificado até pelo cansaço da viagem.

Logo pela manhã sai para comprar pão e fiquei abismado. Nada estava aberto, poucas pessoas na rua, cidade deserta. Pensei que o povo desta terra gosta mesmo de dormir até mais tarde. Encontrei uma padaria e fiquei sabendo que era feriado na cidade.
Após o café, saímos a pé em busca dos pontos de turismo. Elogiamos muito a limpeza e a beleza da arquitetura da cidade.
Primeira parada, bem perto de nossa casa, foi o Parque do Cinquentenário, com belas obras arquitetônicas, cercadas por um parque com muito verde.


Conhecemos o Museu do Automóvel, com dezenas de modelos de veículos antigos e uma enorme quantidade miniaturas para colecionadores. Meio sem graça o museu.

Depois entramos no Museu da Guerra. Elogios para o acervo e a conservação das peças expostas, mas o ambiente é pesado. Com armas de todos os tipos, uniformes, medalhas, documentos oficiais, filmes, jogos interativos e vários outros detalhes de quase todas as guerras que aconteceram e que teve a participação dos belgas, desde a era medieval.

A Guerra era de morte mas, considerando os detalhes, conseguimos até observar um pouco de arte na confecção das armas, armaduras, uniformes e até os canhões eram ornamentados com desenhos e molduras em ferro fundido.

A Paula entrou e saiu em seguida, a Ade começou a reclamar do clima ruim e eu, que passei por todas as salas, devo concordar com elas. O clima do museu, que remete a fatos horríveis, causam uma mal estar. O cheiro da morte parece estar presente.

Não é bom ver as roupas, armas, bustos e pinturas de homens e mulheres que deram suas vidas ou ceifaram muitas vidas por conta de ignóbios governantes que buscavam o poder eterno. Também não gostei de ver Adolf Hitler, Benito Mussolini e Joseph Stalin expostos como destaques, quando deveriam ser esquecidos, não enaltecidos. 

Achamos que não é necessário ter o trabalho de manter aquele museu, apesar de sua riqueza de peças e pesquisas. Tudo bem, tem gente que gosta.


Passamos pela Rond Point, subimos a Rue de La Loi, onde estão vários prédios administrativos da União Européia. Bruxelas é também um centro administrativo e financeiro da União Européia.


Passamos  por dentro do Parc de Bruxelles e chegamos no suntuoso Palácio Real. O Palácio só abre no verão para visitas e um pouco da história da família real é contada no Museu Bellevue, ao lado do Palácio. Lá está a vida dos soberanos belgas, com muitos documentos e peças da realeza, pouco atrativo.

Passamos por vários museus e galerias de artes, depois deixamos a curiosidade passar e preferimos contemplar mais a arquitetura, gente nas ruas e as vitrines das lojas.
Almoçamos e descemos rumo a Grand Place, centro histórico de Bruxelas, rodeada por ruas cheias de turistas e moradores passeando no feriado, com muitos bares e quase todo mundo bebendo cerveja. Bebida predileta dos belgas.

Pelo caminho a maior quantidade de lojas de chocolate que já vimos. São muitas e cada uma oferece um tipo diferente e em quase todas é possível provar o que está à venda. Compramos alguns chocolates e experimentamos quase todos.

A Grand Place, dizem alguns, é a praça mais bonita de toda a Europa. Eu não conheço todas mas esta é, sem dúvidas, a praça mais bonita que já estive. Apesar de não ter jardins ou fontes luminosas, a fachada dos prédios são a atração. Uma mais bela que a outra é fica impossível eleger a mais linda. 

Nesta praça o turista se desdobra para conseguir aquele detalhe imperdível. Alguns exageram.

É possível ficar horas somente observando os detalhes esculpidos e as estátuas fixadas nas fachadas dos prédios em volta da praça. 

É um local de passagem obrigatória dos turistas que visitam Bruxelas e vale muito a pena ficar algumas horas a perceber a arte na arquitetura do local.

Ao anoitecer, com a luzes acesas, a beleza da praça toma outra dimensão.

Voltamos de metrô para casa. Mais um espetáculo de transporte urbano, comum em quase toda Europa. Destaque para a simpatia no atendimento no guichê, para a beleza e conforto dos trens e estações e, para os horários com curto intervalo e pontuais, informados em painéis eletrônicos.

Dia seguinte passeamos por galerias e por outras praças, observando prédios milenares que são verdadeiras obras de artes e muitos bares servindo cerveja, frutos do mar e batata frita.

Os belgas dizem que foram eles quem inventaram a batata frita, eles que fabricam o melhor chocolate do mundo e que suas cervejas são incomparáveis. Provamos dos três produtos, orgulhos da terra e, nada contra, todos são ótimos independentemente de ser o melhor do mundo ou de quem inventou.

Pelas ruas vimos várias pessoas pedindo esmolas. Abandonados ficam a espera de migalhas. Não são muitos mas a visão impressiona ao ver a miséria de poucos diante da riqueza da maioria. Inaceitável tamanha falta de consideração.
Andamos até encontrarmos o Manneken Pis Fountain, a estátua de um menino fofo fazendo um xixi interminável.

A estátua, de aproximadamente 40 centimetros, já foi roubada e recuperada algumas vezes, sobreviveu a bombardeios de guerra e ganhou tanta fama que é hoje o principal símbolo da cidade.

O Manneken Pis é o souvenir mais exposto nas lojas.  A cada época festiva ele é vestido com roupas comemorativas. Existe até exposição com as roupas do pequeno mijão. São mais de 600 trajes que ele já usou
Em frente a pequena estátua sempre tem gente tirando fotos de recordação. Depois de tanto ver o pequeno mijão em vários tamanhos sendo vendidos como souvenir nas lojas, o tamanho real chega a decepcionar um pouco.

Um outro artista tentou a fama também esculpindo uma menina mijona, exposta a poucos metros do famoso mijão, mas ela não ganhou tanta aceitação.

Em uma das praças que passamos, algo chamou a atenção. Um mictório masculino, sem portas que os homens usam diante dos olhos de todos que passam pela praça. 

Apesar de homens e mulheres usarem o mesmo banheiro em muitos lugares na Europa, este acho que é só para homens.

Logo pela manhã, quando eu estava no banho, ouvi gritos que pensei ser da TV e depois notei que era dentro do nosso apartamento. 

Me apressei e dei de cara com uma belga que invadiu nossa casa e dava bronca na Paula e na Ade que, sem entender nada do que ela dizia com seu idioma regional, permaneciam caladas e assustadas. Ela fazia gestos, nervosa, pedindo para que saíssemos naquela hora. 

Ela não entendia espanhol, inglês e muito menos português e nós quase nada do que ela falava. Ela dizia que iria chamar a polícia e nós tentando dizer a ela que havíamos alugado o apartamento de uma mulher chamada Agnes, pela internet, mostramos o contrato e ela falava: “no, no, no, no, no” e gesticulava para a gente sair. 

Após algum tempo, reproduzindo a Torre de Babel, algumas palavras foram se clareando, os gritos foram se transformando em conversa e, depois de uns 15 minutos, começamos a nos entender por gestos e palavras multidiomas, até percebermos que houve uma falha na comunicação no momento do aluguel do imóvel.
Ao alugarmos o apartamento, o endereço apontava que seria no segundo andar. Foi nos dado o código da porta do prédio e fomos informados que a chave estaria em baixo do tapete. Chegamos, entramos com o código, fomos até o segundo andar, a chave estava em baixo do tapete, entramos, nos instalamos, dormimos duas noites até que a belga invadiu nosso lar tentando nos expulsar.
Na verdade o apartamento que alugamos era no terceiro andar e estava escrito  segundo e, foi por isso que invadimos um apartamento alheio. A belga tinha razão e nós também. O erro estava no contrato que informou o andar errado e na coincidência de as duas chaves estarem em baixo do tapete. 

Nos sentimos invasores, sem teto, só faltou a bandeira do MST.
Enfim, tudo esclarecido, mudamos para o andar de cima, arrumamos a nova casa e saímos a passear novamente. Ufa! Ainda bem que ela apareceu enquanto a gente estava em casa, se não, ela certamente teria colocado nossa mudança na rua. 

Foi neste prédio marrom, onde a invasão ocorreu e quase fomos parar na polícia.

Fomos até o Atomium, outro símbolo de Bruxelas, construído para a Feira Internacional de Bruxelas, em 1.958. A obra representa um átomo de ferro aumentado 200 bilhões de vezes.
Suas esferas de metal são interligadas por escadas rolantes e, em cada esfera uma exposição de móveis, sem muita graça, que numa rápida passada se vê tudo.
No ponto mais alto a quase duzentos metros de altura, se tem uma ampla visão da cidade, enfumaçada, de onde pouco se vê.

A atração é cara e ainda levamos azar de ser um dia de muitas visitas e filas intermináveis. Nós três achamos que não valeu a pena a visita pela pouca atração, pelo valor alto e pelas longas filas para se ver pouco.

Em volta do Atomium é tudo muito bonito, um enorme jardim, onde as pessoas descansam e pousam para fotos aos pés do átomo gigante. 

Depois fomos conhecer a Mine Europa, com maquetes dos principais monumentos e obras da arquitetura do velho continente. Este sim valeu a pena visitar.

Na cidade de  Gramado, no Rio Grande do Sul, existe o Mini Mundo, atração que se equipara em beleza e qualidade das peças expostas aqui em Bruxelas. 

Nos divertimos muito com as fotos e ainda conhecemos a bela arte das perfeitas maquetes. Na saída, jogos interativos testam nosso conhecimento sobre o que vimos e o que sabíamos sobre o velho continente.

A noite saímos para comer e, de sobremesa, o engordante waffer com chocolate e morango, uma das iguarias preferidas dos turistas que circulam pela cidade. 

Depois voltamos para o apartamento, agora sim o nosso. Nem pensar em invadir novamente. A invasão foi tão aterrorizaste que, quando estávamos sendo expulsos, depois de um tempo de discussão, eu pedi para a Ade ir colocar a roupa, pois ela ainda estava com roupas íntimas. Rimos muito depois que passou.