//2. Angra dos Reis, a cidade das ilhas

2. Angra dos Reis, a cidade das ilhas

Lá vamos nós rumo a Angra dos Reis, um município  no Estado do Rio de Janeiro, originalmente habitada pelos índios, antes da chegada dos portugueses em 1502.

Angra significa uma enseada largamente aberta, com costas próximas e altas. A cidade foi batizada pelos portugueses, que chegaram no dia dos Reis Magos, por isso, Angra dos Reis.

A cidade apresenta um contraste econômico enorme entre os frequentadores. No Continente, nos morros e nos mangues, ficam várias favelas onde vivem cerca de 36% da população. A cidade está em décimo lugar nesse tipo de aglomeração urbana, dentre as cidades brasileiras.

O medo impera nas favelas.

Segundo alguns moradores que conversei, que moram no morro, contam que os fora da lei dominaram o espaço e são eles que dão as ordens. Por exemplo: não pode haver briga de marido e mulher, ou briga de rua, ou roubos dentro da área dominada. Tudo que pode atrair a polícia é rigorosamente proibido, sob pena de altos castigos para os infratores. Recentemente bateram muito em um homem que brigou com sua esposa e ele acabou morrendo em decorrência da surra.

Os condomínios (ainda) não apresentam riscos de controle dos bandidos, pois estão bem vigiados e protegidos por cercas e vigilantes 24 horas.

Nas ilhas e nos condomínios de luxo, vivem os ricos em mansões sem muros, habitadas por artistas e atletas famosos, políticos, ricos emergentes, famílias com pedigree de fortunas declaradas, e, certamente, alguns com fortunas não declaradas, talvez até, na mira do Sérgio Moro.

A Caca não conseguiu entrar, mas nós ficamos muito bem hospedados em companhia de brasileiros e portugueses, que ficarão em nossas lembranças para sempre e que já deixaram saudades quando partiram.

As fotos são rotinas de quem veio a passeio e as poses deixam as pessoas ainda mais bonitas e elegantes. A garota Valentina, quase uma artista profissional, posou para minhas lentes de quase um fotógrafo amador.

Todos os dias a mesma deliciosa rotina. Um belo café da manhã, ou pequeno almoço como dizem os portugueses, arrumar tudo para levar para o barco, seguir para marina e embarcar para uma das dezenas ilhas onde o barco fica ancorado, em águas claras, calmas e quentes.

Cada dia para um lugar diferente. Praia do Dentista, Enseada, Laboratório, Lagoa Azul, Pingo D`água, Paquetá, Saco do Céu, Ilha Grande, dentre tantas outras belas opções para jogar a ancora e se divertir na água.

A Praia do Laboratório tem as águas mais quentes e a Praia do Dentista é sempre a mais frequentada. Mercadores dos bares e restaurantes flutuantes navegam vendendo sorvetes, bebidas e comidas, para aqueles que não fazem seu próprio churrasco à bordo. Os pedidos podem ser feitos via rádio.

Para quem não quer serviço dos garçons aquáticos, basta acender a churrasqueira do barco e fazer seu próprio churrasco. O dia todo a fumacinha invade a paisagem.

De barco navegamos por toda região, com viagens de até uma hora para chegar. Uma das opções e chegar em Angra dos Reis pelo mar, com direito a aportar em frente ao Shopping.

Angra dos Reis é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros e estrangeiros por conta do encanto de suas águas. A cidade é famosa também (e temida pelos moradores) por abrigar as duas únicas Usinas Nucleares do Brasil.

Para quem interessar, fotografei o anúncio de uma casa à venda em um dos vários condomínios fechados à beira mar, com direito a morar bem perto do simpático e atencioso apresentador de TV, Rodrigo Faro.

O interesse pela região com as belas paisagens em suas 365 ilhas, vem desde o descobrimento. Conta a lenda, que o então governador e capitão Martim Afonso de Sousa, fez doação de uma das ilhas a um amigo, registrado em uma carta do ano 1.559.

Veja um pequeno trecho da carta:

“…eu hei por bem fazer mercê ao Dr. Vicente da Fonseca, morador em Lisboa, de uma ilha que está na boca de Angra dos Reis, a qual se chama Ilha Grande, e assim das águas da dita ilha, para poder fazer engenho nela, para ele e todos os seus herdeiros que após dele vierem, fora de todo o tributo, e somente o dízimo a Deus,…”

A Ilha Grande é uma das maiores do Brasil. Foi um belo presente.

Depois a Ilha Grande foi saqueada pelos ingleses, já serviu de centro de triagem e quarentena, já abrigou sanatórios e presídio político. Lá ficou preso Graciliano Ramos, onde escreveu Memórias do Cárcere.

Neste post, longe de comparações, deixamos escrito nossa memória dos dias maravilhosos que passamos em Angra, em companhia de pessoas felizes, agradáveis e dispostas a passear. Isa e Victor, nossos amigos vindos de Lisboa, nos receberam em sua casa brasileira, com tamanha receptividade que não arrisco palavras para definir nosso encanto.

Agradecer seria pouco, fiquem com nosso amor.

 

Mauricio Rocco, nascido em 1957, casado com Adenilde Sousa Rocco em 1983, pai e avô, emprego formal por 35 anos na área de Recursos Humanos, acredita que os sonhos levam à realização, amante do novo, da viagem, do sabor e do prazer, adora uma boa conversa, esquece fácil o passado e sua opinião não é para sempre, dedicado às habilidades manuais e sua filosofia de vida é ajudar o próximo a se tornar cada vez melhor.