//20 – GLASGOW – ESCÓCIA

20 – GLASGOW – ESCÓCIA

 

O trem elétrico é mesmo fantástico e eu gostaria muito que o Brasil contasse com centenas deles circulando por todo País. Na rede férrea que passamos, possui três pares de trilhos. Um vai, outro vem e o terceiro é para serviço. 

As poltronas são confortáveis, tem mesinha entre os bancos e quase todos os passageiros trazem seus lanches para a viagem, se bem que tem lanchonete no comboio. 

Durante o trajeto de Liverpool para Glasgow, deu tempo para apreciarmos a bela paisagem, lanchar e até trabalhar um pouco no blog.

 

Chegamos a Glasgow e a primeira impressão foi ótima. A terra do whisky é quase toda coberta com prédios marrom escuro. A estação de trem é uma obra de arte e lembra um pouco o velho oeste americano.

Andamos, perguntamos, até que chegamos no hotel que alugamos pela internet.  A impressão inicial não foi tão boa mas depois até que gostamos do hotel, que fica muito bem localizado, limpo e tem um ótimo café da manhã. É sempre uma surpresa alugar hotel pela net, mas hoje é praticamente a única opção. 


No café da manhã serviam feijão e como eu estava há tempos sem comer um dos nossos principais alimentos, pedi para ser servido. Surpresa. O feijão tem um ótimos aspecto mas…, é doce. Não consegui comer. Mas olhem a fartura.



Mochila nas costa e vamos conhecer Glasgow. A mochila é para levar os documentos, máquina fotográfica, água e frutas que compramos pelo caminho.

Cidade bonita, com calçadas perfeitas, todas as faixas de pedestres estão no mesmo nível da calçada e, a principal beleza, são seus edifícios marrons.

Erguidos com blocos de pedra arenito, quase todos enfeitados com esculturas feitas na própria pedra, nas cores que variam do bege ao marrom escuro. O arenito para a construção da cidade é extraído na própria região. São várias obras de arte pela cidade.

 

Pichadores ainda não chegaram por aqui e, somente em alguns poucos muros, notamos verdadeiras obras pintadas com sprey. A prefeitura define os espaços que podem ser pintados e doa as tintas. 

Esta arte foi feita em baixo de um viaduto que ficou meio sem graça. Até por que, foi gasto muito dinheiro na sua construção e não ficou bom. Teve que ser reformado e a arte veio para amenizar as falhas da obra.


Enquanto Ade e Paula entravam de loja em loja, extasiadas com os preços que encontravam, fiquei observando as pessoas que passavam pelas ruas. Me chamou a atenção a beleza juvenil da mulheres. São adultas mas tem o rosto de adolescentes. Usam maquiagem, bem vestidas e muitas com saias ou shorts muito curto. Não fotografei os shorts mas, disfarçadamente retratei alguns belos rostos. São muitas belas mulheres e homens, mas os homens não ficam bem na foto.


Em Glasgow quase não se vê turistas. Identificamos poucos pelas ruas. Certamente ainda não descobriram que Glasgow é um verdadeiro paraíso para as compras e uma cidade muito bonita para conhecer, especialmente neste mês, início de verão, quando o comércio liquida seus estoques.


Roupas, sapatos, alimentos, relógios, óculos, cristais, dentre outros, com um valor extremamente convidativo. Muitas lojas estão fazendo ofertas que chegam a menos da metade do valor da etiqueta. Diamantes e pérolas, compensam o investimento. 

As meninas ganharam presentes. Olhem os sorrisos. Pagamos tão barato nos diamantes que fui a uma outra joalheria confirmar, tudo bem, a joalheira confirmou ser diamante de boa qualidade e criticou o preço do concorrente, alegando que eles não podiam competir.

Fomos a uma galeria de artes onde a principal, ou mais bela arte é o edifício que abriga a galeria. As obras expostas deixaram um pouco a desejar, mas tem uma escada com um teto bonito 

 


Em frente a galeria, existe uma estátua que se tornou um centro de visitação por um motivo bobo. Na cabeça do soldado, colocaram um cone de sinalização. Além de ter ficado feio, estragou a obra exposta. Dizem que foram rapazes bêbados que tiveram a idéia.

O cone já está lá há anos e constantemente é substituído. Acreditem, enquanto estávamos visitando a galeria, apareceu um rapaz fazendo poses para fotos, mostrando a tatuagem que ele mandou fazer do soldado com o cone na cabeça.

Para assistirmos a abertura da mundial de futebol FIFA 2014, fomos para um bar, onde quase todos estavam torcendo para a Croácia. A Ade, a Paula e mais uma brasileira, torceram tanto que pouco depois já haviam vários torcedores vibrando a cada gol dos canarinhos. 

Elas estavam tão felizes que, teve um momento de reprise de um gol, que elas vibraram como se fosse outro.

Comemos Fish & chips e fomos para casa, bem próximo do bar que assistimos o jogo. Aliás, quero destacar o efeito da copa também aqui em Glasgow. Bandeiras do Brasil, enfeite nas cores verde e amarela, Brasil escrito por todos os lados, até no ônibus que circulam pela cidade. 

Dia seguinte, depois de outro farto café da manhã, uma chuva fina não nos impediu de passear por Glasgow. 

Fomos até a Queen Street Station para comprar passagens, depois ficamos um tempo na Praça George Square, onde existem 12 estátuas de heróicos cidadãos escoceses. O monumento central foi previsto para a estátua de um Rei. Como ele perdeu uma batalha antes de terminarem a praça, às pressas, resolveram homenagear um escritor de menor expressão, cuja estátua já estava pronta, e o Rei derrotado ficou no esquecimento.

 

Esta é uma das pontes mais famosas da Escócia, pois, uma das principais emissoras de TV do País, transmite diariamente um telejornal com a ponte que passa sobre o River Clyde ao fundo.



Ainda no tempo das carruagens, foram construídas duas torres e um túnel entre elas. A carruagem entrava na torre e era abaixada até o nível do túnel, atravessava por baixo do rio e subia pela outra torre. As Rotundas, como chamam as torres, foram adaptadas para o comércio e o túnel foi abandonado.

Ainda nas margens do Rio Clyde, ficam modernas edificações utilizadas para eventos de grande porte e também onde fica o Centro de Ciências de Glasgow. As construções é agora um centro de visitação para os turistas e de passeio para os moradores que frequentam os parques em sua volta.

 

Logo à frente, paramos para conhecer o Riverside Museu, considerado em 2.013 como o melhor museu da Europa. Lá estão expostas centenas de peças relacionadas ao transporte. Desde um carrinho de bebê até um enorme navio que fica ancorado no rio.

 

Tem um espaço no museu onde reconstituíram uma cidade antiga, inclusive lojas e bares onde você pode entrar e se sentir como a 200 anos passados.


A cada tipo de peça exposta, uma tela mostra os detalhes de forma interativa. Você define o que quer ler e quais as fotos que quer apreciar. 

O fusca estava lá, como peça de museu. Pela Europa quase não vimos o fusca circulando. Em três museus de automóveis que visitamos, ele estava exposto. Por aqui já virou peça de museu, literalmente.

Depois conhecemos o bairro onde esta a Avenida Byres Road, uma das mais movimentada da cidade, com diversidade comercial. Era neste bairro que moravam os ricos da cidade, hoje é o modismo da classe média, mas ainda preserva grandes casarões, quase todos edificados com arenito, a pedra da cidade. Os principais casarões foram transformados em museus, escolas ou órgãos do governo.

A maioria das casas foram construídas com dois andares. No andar de cima moravam os donos e, no debaixo, os empregados.

 

Na real, Glasgow tem poucas atrações para os turistas. A cidade, desde a idade da pedra, sempre se voltou para o comércio, se destacando na indústria do fumo, depois dos tecidos, depois dos alimentos e hoje grande centro financeiro da Escócia.

 


Existe um costume que já observei em alguns países por onde passamos. Toda pessoa, cujo trabalho é feito na rua, usa um colete refletivo. Inclusive quando o motorista tem que trocar um pneu de seu carro, ele usa o colete. Quando comprei a carrinha em Portugal, já veio com o colete no porta luvas. 

Este trabalhador com o colete fez esta sujeira no asfalto em frente ao nosso hotel, depois deixou tudo limpo.

Outro destaque que observei em Glasgow, foi que as placas de sinalização de trânsito são iluminadas, apesar da cidade ser bem iluminada.


Ficamos um pouco decepcionados por que só vimos um homem de saia e era um artista de rua. Nas vitrines várias lojas vendem o traje completo.

Enquanto eu procurava homens de saia (brincadeira), Ade e a Paula foram as compras. Ficaram encantadas com a qualidade das roupas e sapatos e quase afundaram nosso cartão de crédito, mas ficaram muito felizes. Mulheres.

Compraram uma mala que gerou excesso de bagagem que pagamos 32 Euros para o vôo de volta, pago pela internet, no dia do vôo é ainda mais caro.

Vários mendigos, pessoas ainda saudáveis, ficam sentados nas calçadas com cara de dó, pedindo esmolas com um copo na mão. A novidade é o copo que eles usam para angariar as moedas.


Paramos em uma loja especializada em whisky. Obaa! Provei algumas bebidas direto dos barris onde são conservadas por anos. É muito bom mais eles colocam sabores diferentes e, às vezes, nem parece whisky, considere que eu não sou um bom bebedor, mas estava bom.

Antes de finalizar o dia, sóbrios é claro, ainda deu tempo e restava fôlego para subirmos uma ladeira para fazer estas fotos, onde parece que a rua se encontra com o céu. 

A Catedral de Glasgow é incrível. Talvez a catedral mais interessante que já vimos. Pé direito alto, escura com o arenito envelhecido, piso com pedras enormes já bem desgastadas pelo tempo e pelo uso. Em cada janela, uma obra de arte nos vitrais.

 


Os movéis são cuidados em detalhes e, na própria madeira, esculturas enfeitam cada móvel. Durante nossa visita haviam quatro pessoas lustrando a madeira. O púlpito é uma linda águia de meio metro.


Dentro da igreja, com dezenas de colunas enormes, tem vários altares e capelas. Em algumas realizam milagres com rezas que curam pessoas.

Muitas portas estão fechadas e ficamos imaginando o que já se passou nestas salas. É uma igreja, mais em alguns cantos, ela é meio tenebrosa.

 

Passar por estes lugares com vida milenar, chega a dar um certo arrepio, não de medo mas de emoção ao imaginar quantas decisões aqui já foram tomadas em épocas quando a igreja era o poder. Próximo da igreja tem calabouços, uma forca e um o local onde já esteve uma guilhotina. Certamente não eram operadas pela igreja.

Atrás da Catedral está a necrópole, cemitério onde estão enterrados ilustres desconhecidos de todos os tempos. 


Interessante a crença dos seres humanos para com seus mortos. Observei aqui na Europa e também no Brasil, que os cemitérios ficam localizados, quase sempre, na parte alta da cidade. Talvez para que os mortos fiquem mais próximos do céu. Só que, quando chove e a água escorre, provavelmente arrasta restos mortais para o asfalto, esgotos, águas fluviais… Em Paranavaí, noroeste do Estado do Paraná, depois de uma grande chuva, alguns caixões foram parar nas ruas da cidade, me lembro das fotos nos jornais da época. 

Pelo menos, para aqueles que visitam os túmulos de seus entes queridos nos cemitérios que ficam no alto, como em Glasgow, tem uma ampla visão da cidade. Quem mora lá eu acho que não vê nada. 

Em Glasgow estava acontecendo uma campanha separatista organizada. A Escócia deseja estar separada das garras da Rainha e um dos cartazes espalhados pela cidade alertava que, se não acontecer, 100 mil crianças viverão em situação de pobreza. Pela cidade existem postos para que a população vote contra ou a favor de um plebiscito. O movimento é para Escócia ficar nas mãos dos escoceses.



No calçadão um ótimo artista de rua tocava seu violino em corda bamba. O cara é bom no equilíbrio e na qualidade musical.


Hora de deixar Glasgow, paraíso das compras, da bela arquitetura, da limpeza generalizada, dos rostos bonitos e das melhores calçadas por onde passamos. Malas prontas, e pesadas, rumo a estação de trem.