//23 NATAL – RN

23 NATAL – RN

 

 
Arrumamos as malas e fomos para a nova batalha de encontrar o melhor lugar e o menor preço para o pouso. Novamente encontramos um flat em hotel de qualidade, na Praia de Ponta Negra, com tarifas negociadas, alugado diretamente com o proprietário, sempre com pagamento em dinheiro. 

A opção foi boa e ficamos no apartamento equipado, usando a estrutura de hotel e uma bela visão do do mar e do Morro do Careca, cartão postal da cidade. 
  
 
Natal é uma bela cidade com um sol ameno e vento refrescante 24 horas. Ruas, avenidas, calçadas espaçosas e trânsito bem comportado.  Existem pistas exclusivas para ônibus e existem muitos deles correndo por toda a cidade. No mar se formam lindas piscinas naturais propícias para uma boa diversão na água.
 
 

Fomos ao supermercado extra, estacionamento coberto, câmeras espalhadas, empregados do mercado por todo lado e, mesmo assim, um desalmado arrombou o baú da moto com uma chave de fenda. Estragou a mala, não levou nada e deixou o prejuízo. Por azar dele, levamos os capacetes no carrinho do mercado. 
 
Reclamei e o empregado do mercado já foi me dizendo que eu teria que registrar boletim  de ocorrência na polícia, para mandar o processo para São Paulo, que a diretoria do mercado iria analisar, que sempre acontecem furtos no estacionamento e que eu teria uma resposta em 30 dias. Naquele momento, tomei uma decisão não recomendada para formação de uma cultura honesta. Fui embora sem lutar pelos meus direitos de cliente que teve um prejuízo dentro de um estabelecimento que se propõe a guardar um bem e não guarda. Incompetência ou má vontade, tanto faz. 

Fui arrumar o estrago, encontrei no local um porteiro que também estava arrumando seu baú arrombado, nas mesmas características e na mesma região que o meu. Dele, o desalmado levou o capacete e uma capa de chuva.
 
A cidade está abandonada pela administração pública e pelo público. A prefeita misturou as contas do município com a sua particular, foi destituída, em menos de dois meses já teve 3 prefeitos diferentes, os empregados e fornecedores não recebem e tudo isto é ruim para os funcionários, moradores e para os turistas. 
 
 
O público muito contribui para a sujeira e o desconforto na cidade. Jogam tudo no chão, restos de construção na calçadas e terrenos baldios. As lixeiras ficam lotadas em frente a restaurantes, hotéis e a sujeira está nos cantos, bueiros, calçadas e ruas. 
 
O calçadão de Ponta Negra é mais uma beleza da cidade, detonado por falta de manutenção. A solução de engenharia foi pobre para o calçadão, as ondas batem forte na parede de concerto e nos sacos de areia e periodicamente tem que ser refeito. A cidade cresceu no encontro de um morro com o mar, tem pouco espaço e necessita de soluções inteligentes, caras e de difícil execução. 
 
 

 

O lixo aqui tem historias de falcatruas e de falhas no sistema de colheita. Não se vê lixeiras pelas ruas, os coletores enormes são ridículos e ficam na calçada, atrapalhando o pedestre e é difícil de jogar e colher o lixo nele. 

 

 

 

 
A prefeitura não tem sobras de dinheiro para arrumar o calçadão de Ponta Negra?. Por lá existem vários tipos de hospedagens e quem se hospeda é turista que usa a infraestrutura, portanto, quem devería pagar parte da conta seriam os turistas, certo?. 

Em Foz do Iguaçú no Paraná os hotéis cobram uma taxa de turista e repassam para a prefeitura. Todas as cidades poderiam fazer esta cobrança, haja vista, o turista pagar seu IPTU somente onde mora.
 
Caminhamos pela praia de Ponta Negra com centenas de côcos jogados na areia e moradores de rua que se instalam onde bem entendem fazendo seus próprios lar com restos.
 

 

 
Encontrei este cartaz colado em um carrinho de catador, estacionado em local impróprio, expressando um alerta e um pedido de socorro sem poder interceder.
 
 

 

Conheci um senhor, hospedado no hotel, 73 anos, do interior de São Paulo, ele contou que estava maravilhado com a viagem que estava fazendo e que poderia ter pago muito mais pela felicidade que ele está sentindo. Apesar de ter dinheiro, não costuma viajar. 
 
Ficamos por mais de uma hora conversando na beira da piscina. Falei da nossa viagem e das experiências que estamos vivendo de moto pelo Brasil e ele ficou encantado. Se despediu três vezes e, na última, falou compassadamente para eu poder gravar na memória: seu nome, sua cidade e como encontrá-lo. Disse que tinha certeza que um dia ainda iríamos nos encontrar novamente.  

Eu e Ade sempre que aparece uma oportunidade, contamos nossa experiência. É legal falar sobre como foi programado, por onde já passamos, há quantos dias estamos na estrada, que somos de Curitiba e das impressões que tivemos. A gente tenta não ser chato contando nossa vida, procurando falar o que ocorreu de útil, de bonito ou emocionante nesta viagem. Normalmente ficam encantados e ai a gente passa o endereço do blog. 
 
G  O  T  A     M  A  L  V  A  D  A 
 
Um dia de cama sem colocar o pé no chão e doendo o tempo todo. Foi a primeira vez que me deu esta dor e ela é horrível, nem queira experimentar. Fiquei 24 horas com uma dor malvada no tornozelo direito. Ela se instalou e latejou o tempo todo. Fiquei o dia todo na cama, com um belo sol e belas opções ao alcance da minha visão. 
 

Liguei para o meu irmão Benevides e conversei sobre a malvada dor que ele e o meu outro irmão Sérgio também tem. Ataca eles uma vez por ano e agora acontece também comigo.

Seria por culpa de herança genética ou de uma alimentação desbalanciada ou falta de alongamento e reforço muscular. A malvada dor tem que ser combatida com medicamentos, repouso e pensamentos positivos, reforçando o tempo todo que vai parar de doer, que vai sarar, que daqui a pouco eu já vou andar e que logo tudo passa. Com remédios, bons alimentos e conforto para o corpo em repouso severo, a dor sara em dois dias. Na recuperação foi importante ter a Ade ao lado, dando apoio e servindo o tempo todo. Sorte do doente que tem uma Ade por perto. 
 
O garçom do hotel perguntou por que eu estava mancando e eu disse que era gota. Ele perguntou que é isso? Eu disse que eram cristais produzidos no corpo que se depositam na junção dos ossos e ele disse “aqui não tem disso não”.

Olha a minha cara e jeito de dor. Um pouco é manha para aumentar o carinho. O bastão cajado que usamos para fazer trilhas, serviu de bengala, ajudando no apoio
 
 
Fomos de moto pela bela estrada que leva para as praias do sul, até onde esta plantado o maior pé de cajú do mundo, constatado pelo livro dos recordes. O cajueiro desdobra-se formando uma verdadeira floresta, com quase 8,5 mil metros quadrados de área. 

É muito bom passear nos caminhos que ficam entre seus galhos.  Quem achar um cajú maduro pode pedir que os empregados do local colhem e entregam para quem achou.  Tem poucos cajús maduros.  Cobram 4 reais por pessoa para andar entre os galhos, tomar suco de cajú a vontade e olhar de um mirante, o gigante pé de cajú. 

 

 

 

 


Estes são os galhos do cajueiro que cresceram apoiados no chao e formando novas raízes, todos de um mesmo tronco.
 
 
 

 

Visitamos uma base do Ministério da Defesa, comando da aeronáutica no centro de lançamento da Barreira do Inferno. Lá devem ser usados recursos milionários da federação  com testes em foguetes para a conquista do espaço. 
 
Se ainda não podemos ir até a lua e não temos guerra para lançá-los, pelo menos servem como auxílio na análise e interferencias no clima.
 
 
Na Praia de Ponta Negra, passamos por dois homens cortando galhos de uma árvore e eu já desconfiando da tamanha ignorância, perguntei por que estavam cortando o galho e um deles confirmou minha suspeita. Sua barraquinha de camelô estava no escuro, por que já haviam 3 meses que pediu para a prefeitura colocar lâmpadas no poste ao lado e ainda não atenderam. Conclusão idiota. Ele deu um facão para um rapaz e mandou cortar os galhos da árvore para iluminar sua barraquinha de camelô. Disse que iria cortar somente os galhos e que também era para proteger o turista de assaltos naquele pequeno pedaço escuro.

No meio da escuridão é possível ver o inconseqüente cortando os galhos para que o facho de luz ilumine sua barraquinha de camelô. Quando fui bater a foto ele gritou lá de cima, com um enorme facão “não ao deixa tirar foto não”.  Com esforço, você pode notar o antiecologico, com facão na mão, cortando os galhos e o facho de luz que eles buscavam.
 

Vendo que ele não iria parar, fui embora e ainda fiz a última tentativa avisando e pedindo que o porteiro do hotel em frente, interviesse. 

 

 

 

Quando voltamos, passando pelo local, o mandante do crime ecológico se justificou me dizendo “tá vendo ficou mais claro agora”. Ele não tinha a menor noção do desastre natural que estava causando, diminuindo a sombra, tirando a beleza, enfraquecendo a estrutura natural da planta e cerceando várias outras utilidades de uma árvore frondosa. Certamente ele não tinha conhecimento do valor de uma árvore, descrito abaixo, mas sabia que era errado, por isso fazia à noite.
 

Ele somente queria iluminar sua inexpressiva barraquinha de camelô. Será maldade ou ignorância?  Veja o estrago que eu fotografei no dia seguinte.

 

 
 
Assistimos um lual com músicas gospel em ritmo de rock. Músicas com letras pífias e perfeitas para dançar, bater palmas e cantar refrães. Uma lástima para o rock e uma benção para os fiéis que se deixam fluir pela dança. 

Eu sempre pensei em músicas angelicais para meditar sobre Deus. Ainda prefiro uma calma melodia para pedir, agradecer e conversar com Deus. O gospel está se adaptando  aos ritmos regionais e a gente pode ouvir axé, forró, rock, sertanejo, ópera, clássica, bolero, vanerão e todos os outros ritmos, com temas da bíblia. 

Considerando a felicidade estampada no rosto da platéia, acho muito salutar a música gospel. 
 
 
Fomos conhecer as praias do norte com lagos, praias e dunas paradisíacas. Por lá existe um grande comércio de guias e bugueiros, que vendem passeios com e sem emoção, mas você pode fazer alguns passeios sem eles. 
 
 
 
 
Fomos até a Lagoa de Miriú e, na passagem, ficamos um tempo na Praia de Genipabu. Vimos os dromedários que um empresário trouxe para o Brasil e ficam expostos ao sol com uma focinheira até que um turista resolve pagar 40 reais por uma volta de 10 minutos. Não sei se estes animais estão acostumados com tamanho calor e sol a pique, mas da dó.
 
 
 
Pilotei a moto em estradas de areia e a tensão foi muito forte. A moto custom não foi feita para andar na areia, como todos sabem, mas se comportou bem. 

Seguindo as recomendações abaixo, não tivemos nenhum susto: 
  • Usando marchas adequadas à velocidade
  • Mantendo as pernas abertas e esticadas, como pêndulo
  • Mantendo o equilíbrio, procurando os melhores trajetos
  • Concentração total. 
Ficar na base do Morro do Careca olhando o movimento das areias é muito bonito. A visão da cidade e das dunas é privilegiada.
 
 
 
Recebemos a visita de antigo amigo, vizinho em Curitiba, que estará mudando para Natal  e pretende passar o Inverno nesta cidade, onde ele nasceu e tem familiares, e o Verão continuará morando no Paraná. 

Nosso amigo é o Demário, recém aposentado, de conversa agradável, alegre e muito amigo no jeito de ser. Fomos almoçar juntos, depois conhecemos o seu novo apartamento com uma visão maravilhosa da Ponta Negra.
 
 
Fomos ao Shopping, enfeitado para o Natal, com aquele movimento típico dos dias que antecedem as festas de fim de ano. Passeamos, fizemos o lanche e, na saída, a motocicleta não queria mais ir embora. Ficou empacada sem funcionar, acionei o seguro, veio um mecânico e não resolveu e tive que apelar pela carona do guincho para levar nós três para casa, por volta das 23 horas.  Foi um problema com o sistema elétrico que não foi detectado pelas concessionária Suzuki de Aracajú, que deveria ter detectado quando da revisão, recomendada pelo Manual do Proprietário.
 
 

Mesmo com o arrombamento da moto, mesmo com a dor no tornezelo  que  eu  tive,  mesmo com a cidade abandonada, mesmo com a  moto  que  nos  deixou de guincho, ainda assim, decidimos não ficar bravos nem  magoados.    Foi o Trecho onde mais aconteceram contratempos, mesmo assim, decidimos  não ficar bravos e não ficamos. Apesar dos atrapalhos, nós três estamos bem. Eu, Ade e a moto.

 
Voltamos para um queijos e vinhos em casa.
 
 
Caminhamos 10,2 km pelas ruas da cidade, passando por calçadas boas, médias e ruins.  A região tem uma bela estrutura com bares, restaurantes, shopping, feira de artesanato, hotéis, tudo bonito. Muitos prédios com mais de 40 andares e vários com torres gêmeas.
 
 
Com a cor da nossa pele mudada pelo bronzeado do constante sol nordestino, deixamos a moto na garagem do hotel, pegamos um vôo para Curitiba para passar férias com a família e retornaremos no final de janeiro de 2013, para continuar a nossa aventura do roccomotobrasil,  com novos Trechos.
 
 

 

 

 

 

Em resumo, finalizamos nossos índices de acompanhamento e do investimento após 141 dias de viagem. 
 

 

 
AGOSTO
SETEMBRO
OUTUBRO
NOVEMBRO
DEZEMBRO
TOTAL
 
 
 
 
 
 
 
TRANSPORTE
7%
6%
6%
4%
4%
5%
EXTRA
9%
13%
19%
25%
16%
17%
ALIMENTAÇÃO
31%
30%
25%
21%
21%
26%
PERNOITE
53%
51%
51%
50%
59%
52%
 
 
 
 
 
 
 
Km PERCORRIDOS A PÉ
183
162
225
148
102
820
HORAS DE PILOTAGEM
45
30
37
51
34
197
Km PERCORRIDOS DE MOTO
2.749
1.025
1.725
1.259
906
7.664
 
Relacionamos abaixo, uma lista com o que mais gostamos e o que menos gostamos, nesta primeira etapa, por onde passamos em S ação Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe Alagoas, Pernambuco, Paraiba e Rio Grande do Norte.
 
O que nos gostamos:

 

  • Andar de Moto
  • Conhecer diferenças
  • Estar presentes em lugares paradisíacos
  • Hospedar em boas estruturas
  • Comer em casa com alimento e tempero regional
  • Conhecer pessoas de todos os cantos
  • Conhecer nativos
  • Caminhar pelas praias, trilhas e ruas das cidades
  • Assistir espetáculos
  • Conhecer e conviver com a cultura regional
  • Café da manhã
  • Fazer exercícios e se refrescar nas piscinas
  • Da temperatura das águas
  • Do necessário ar condicionado
  • Serviço de limpeza de casa
  • Colher e comer cajú e manga no quintal dos outros 
  • Parar na banca de frutas e comer o que quiser
  • Comer abacaxi na praia
  • Tomar água de coco
  • Acordar de manhã com sol
  • Acordar cedo
  • Ver o mar
  • Da nossa convivência de marido e mulher, de cumplicidade, de apoio, de alegria, de carinho, de passeios
  • Provar comidas tipicas
  • Fazer o blog
  • Dos mais de 4.400 acessos ao nosso blog
  • De manter as novas amizades com aqueles que conhecemos em cada Trecho

 

 

  1. De ficar na preguiça (poucas vezes)
  2. De ver Paula, Hugo, Bruna e Sophia pelo computador
  3. De voltar para casa ao final da primeira etapa. 
 
Não gostamos:

 

  • Das calçadas, na maioria das cidades
  • Das pessoas que não tem perspectivas e não cuidam de suas heranças de vida
  • De procurar pouso
  • Da sujeira, da falta de capricho e na virtude
  • Do coronelismo de políticos em micros regiões de comando
  • Da quantidade de pessoas abandonadas pelas ruas
  • Preguiça prolongada de muito nativos
  • Da concentração demasiada de estrangeiros em algumas cidades
  • Da violência, principalmente da massificação da violência na mídia. São poucos casos e muita divulgação
  • De ficar sem notícias de nossos filhos por mais de dois dias.

 

 

 
Para encerrar esta primeira etapa, lembro um trecho de José Saramago, falando que nunca uma viagem termina e que quem vive uma experiencia deve  narrar as boas coisas, para servir de inspiração para quem ainda pretende ir e para nós mesmos retornarmos um dia e ver tudo diferente no mesmo lugar.
 
‎”A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais que ver, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”
 

Até a volta e um ano de 2.013 cheio de planos e realizações.