//3. Inhotim, o maior museu a céu aberto do Planeta

3. Inhotim, o maior museu a céu aberto do Planeta

No caminho para conhecer Inhotim, seguimos antes para Belo Horizonte prestigiar um casal de amigos virtuais, que estavam fazendo uma palestra contando um pouco da vida nômade que escolheram. 

Renato é fotógrafo e a Gloria Tupinambas, repórter, ativos em renomados canais nacionais, resolveram reinventar a vida e saíram pelo mundo registrando fatos e fotos no Projeto A Casa Nômade. Já visitaram 66 países, lançaram 2 livros, fazem palestra e vivem com os recursos conquistados durante a viagem.

De tempos em tempos voltam para o Brasil para rever seus amados e pegam a estrada novamente. 

Renato e Gloria inspiram muitas pessoas que sonham com viagens, mas não viajam. Temem deixar a zona de conforto.

Com patrocínios e reportagens semanais, vivem com o dinheiro que ganham na viagem. Se dizem plenos, vivendo a vida a cada dia, se divertindo com os prazeres, perigos e perrengues que a vida nômade oferece. 

Nos até fomos reconhecidos por alguns participantes da palestra, que nos acompanham no depoisdotrabalho.com e recebemos até aplausos quando Gloria agradeceu nossa presença. 

Seguindo a vida com as oportunidades que ela nos dá, por falta de camping, paramos para dormir em um posto de gasolina. No restaurante do posto uma placa chamou a atenção, escrita no mais puro “minereis”, com diversas formas de dizer a mesma coisa.

Seguimos para Brumadinho, uma pequena cidade famosa atualmente pela tragédia do rompimento de uma barragem que matou centenas de pessoas, mas reconhecida por turistas e amantes da arte de todo mundo, por conta do maior museu a céu aberto do Planeta.

INHOTIM

Conta a história que um empresário da mineração e siderurgia, para amenizar a situação fiscal e para encantar sua esposa, uma artista plástica, investiu na construção do Instituto Inhotim, inaugurado em 2004. Adquiriu quase 800 hectares de uma fazenda em plena Mata Atlântica, cujo administrador, era um inglês chamado Timothy, conhecido por Senhor Tim. Na mais pura simplificação verbal mineira, era chamado de Inhô Tim, por isso a escolha do nome Inhotim.

Dia de sorte. Na quarta-feira, quando chegamos a Inhotim era quarta-feira, com entrada franca. Entramos, pegamos um mapa e seguimos por quilômetros, passando pela mata atlântica preservada e incrementada com belas calçadas, obras de artes nos jardins, lagos, animais nativos, plantas cultivadas, estruturadas galerias de artes e uma ótima infraestrutura para os visitantes.

A arte do homem foi integrada à natureza, formando uma perfeita harmonia da beleza, que encanta os olhos e a alma.

A antiga fazenda do Senhor Tim se transformou em um dos museus mais bem avaliados pelos usuários em todo mundo, por conta da perfeita junção entre a arte contemporânea e o jardim botânico com mais de 4 mil espécies de plantas raras, nativas e exóticas, com mais de 1500 espécies de palmeiras, a maior coleção do mundo.

São 23 galerias de artes contemporâneas, com mais de 200 obras de renomados artistas, expostas em edificações singulares, cada uma com toda infraestrutura, dignas de ocupar espaço em qualquer cidade do mundo.

Parte das exposições são fixas e outras sempre renovadas, abrigando acervos que já ficaram expostos nos principais museus em todo Planeta.

Não vou descrever as obras de cada galeria ou aquelas expostas ao relento. Meu talento como crítico de arte é limitado, mas posso dizer que tudo por aqui é muito lindo.

Algumas galerias expõem fotos, outras esculturas, pinturas, azulejos e muito material reaproveitado. Alguns temas são sensoriais onde você participa da arte, ouvindo música, pisando descalço, assistindo vídeo ou sentindo as superfícies.

Fiquei maravilhado com esta parede decorada com azulejos, que expressa uma perfeita visão de profundidade, apesar ser uma parede plana.

Em 1575, para comemorar o aniversário da Rainha Elizabeth, a primeira, um compositor inglês compôs uma das mais complexas músicas para canto de um coral com 40 vozes. Em 2001, uma artista canadense gravou cada integrante de um coral com microfones individuais e transmite dentro da galeria com uma caixa de som para cada voz. Fantástico.

Jardins, obras de artes, praças de alimentação e espaços para descanso, estão estrategicamente distribuídos pelo parque, com destaque para os 98 bancos de madeira, espalhados pelos melhores recantos.

São tantas as obras que na portaria vendem pacotes para até 4 dias de visita. As distância de uma atração à outra não é tão grande, mas ao todo, cálculo  7 km de caminhada. É possível comprar um passaporte e pegar carona nos carrinhos elétricos que fazem às vezes de um ônibus dentro do parque.

Quase acreditei!

São tantas as obras espalhadas em meio à natureza que `quase pensei’ que o andaime era parte das exposições. Na verdade era uma obra, mas não de arte. Era para a obra de reforma na galeria.

O parque é também uma atração para quem gosta de fotografar. As plantas, os espelhos d’água, os pequenos animais, a arquitetura e, obviamente, as obras de arte, são colírios para as lentes.

Encontrei um fotógrafo solitário, que já frequenta o parque há muitos anos, captando novos ângulos com seus equipamentos de primeira linha. Ele me mostrou algumas de suas fotos, dignas de elogios. Perguntei se ele vendia seu trabalho e ele respondeu que era apenas um hobbie e que arquiva em seu acervo pessoal.

Dei uma bronca nele.

Disse que ele não tem o direito de colher tão belas imagens da natureza e manter somente arquivado. Tentei incentivá-lo a divulgar seu material. Ele disse que não é um artista, não entende muito de internet ou de comércio de fotos, mas vai pensar.

O fotografo solitário é sim um artista e tomara que encontre formas para compartilhar suas obras e afloreça cada vez mais seu talento fotográfico.

Em uma das obras a céu aberto, dava para avistar uma das muitas barragem de dejetos da mineração, igual aquela que rompeu em 2019 e matou mais de 300 pessoas na cidade de Brumadinho.

Ao fundo, no alto da montanha, dá para ver uma das barragens. Não precisa nem do monóculo exposto para perceber o risco.

Conversei com um senhor que cortava a grama em volta do monóculo e ele me disse que perdeu vários parentes e amigos na tragédia. Disse que seu sobrinho largou o emprego no banco da cidade por que tinha medo de morrer em assalto. Foi trabalhar em uma empreiteira mineradora e acabou morrendo na lama de dejetos de minério que cobriu dezenas de casas e os próprios escritórios da empresa. 

Tragédia prevista

Segundo ele muitos sabiam dos riscos da barragem que rompeu, só não imaginavam quando iria acontecer. Ele também trabalhou no canteiro. Disse que a tragédia foi ainda maior do que contam os jornais. Um amigo bombeiro disse-lhe que o número de mortos passaram de 500 pessoas, sem contar animais, vegetação e os rios que ficarão sem vida por dezenas de anos. 

Existem várias outras barragem que oferecem perigos constante em toda região. Queira Deus que nada mais aconteça com aquele povo simples e desprovidos de apoio para exigir a fim dos riscos.

Inhotim fica em Brumadinho. O Brasil e o mundo ficaram comovidos com a tragédia e o portal da cidade ficou assim, depois da negligencia de quem sabia o que poderia acontecer e nada fez para impedir. 

O Instituto Inhotim, que quase foi atingido pela lama, continua lindo esbanjando cultura ao nossos olhos e sentimentos. Vale muito uma visita para conhecer uma das maiores concentrações de artes em todo mundo. 

Veja mais algumas das muitas fotos que Ade e eu tiramos das terras do Senhor Tim, Inho Tim para os mineiros.

 

 

Mauricio Rocco, nascido em 1957, casado com Adenilde Sousa Rocco em 1983, pai e avô, emprego formal por 35 anos na área de Recursos Humanos, acredita que os sonhos levam à realização, amante do novo, da viagem, do sabor e do prazer, adora uma boa conversa, esquece fácil o passado e sua opinião não é para sempre, dedicado às habilidades manuais e sua filosofia de vida é ajudar o próximo a se tornar cada vez melhor.