//32 LENÇÓIS MARANHENSES – MA

32 LENÇÓIS MARANHENSES – MA

 

 

Chegamos em Barreirinhas, principal cidade dos Lençóis Maranhenses, onde deparamos com dezenas de paus de arara por todos os lados. A cidade é pequena e muita gente por todos os lugares. Fica às margens do Rio Preguiça, que tem este nome por conta de suas águas com correntezas mansas que cortam o Maranhão e deságua no mar, formando parte do Delta das Américas.

Bem no meio da cidade tem um duna enorme que escorre no rio, formando uma praia de água doce. Do centro também saem os barcos que fazem passeios pelo Rio Preguiça e os paus de araras que levam os turistas e moradores da região.

 

 

Na chegada fiquei aborrecido por que fui enganado por um guia turístico. Foram dois deles na verdade. Um nos seguiu de moto desde o inicio da cidade por um bom tempo, mesmo depois que eu disse que não precisavam dele. 
 
Outro deu um golpe certeiro que só depois eu fui perceber. Ele estava me seguindo de longe e na saída de um hotel que visitamos, deu o golpe. Ele ouviu nossa conversa e falou que sabia onde tinha um chalé com cozinha, wi-fi e piscina, do jeito que estávamos procurando. Aceitamos a ajuda, mesmo tendo restrições de guias, por que já tivemos vários problemas com eles.

Pedi para ele nos levar numa determinada pousada e ele falou mau da dona, do local e do valor da diária. Depois descobrimos que a pousada não paga propina, que eles exigem que é de 12% do valor da diária. 

 

 

Ele nos guiou com sua moto até uma pousada que não era o que estávamos procurando e depois levou em outra ainda mais ruim e eu o dispensei mas ele não saia de perto, mesmo depois de eu lhe dar 5 reais pela gasolina que ele gastou da sua moto atrapalhando a nossa vida. 
Volto a insistir na necessidade de uma organização no trabalho de guias, agências de turismo e donos de pousadas, para que trilhem os caminhos da honestidade, e tratem o turista como rei e não o bobo da máfia. Bobo da máfia? Não éra bobo da corte? A história fala do bobo da corte mas como eles fazem imposições para obter lucro,  o turista acaba mesmo o bobo da máfia. 
Achamos a pousada que fica em um terreno enorme, com galinhas, cachorros, cavalos e plantações que muito lembram um sítio. Os apartamento foram construídos recentemente, novos e muito bom para habitar.

 
Na cozinha da pousada tem um chefe de cozinha, que já trabalhou em grandes restaurantes e não gosta de conversar. Ele preparou para nós uma galinha caipira, acompanhada de arroz, salada e um pirão com receita própria e exclusiva. O segredo está na farinha que ele mesmo prepara. 

A galinha caipira dele só perde para a da Ade, que é invencível no tempero. Foi um belo jantar com a galinha mais cara que já comemos. 
 
Convidamos o vigia da pousada que passou e parou um pouco para conversar e ele aceitou. Sentou, comeu e conversou com se fosse tudo da casa.  
 

Numa caminhonete pau de arara, únicos veículos autorizados a entrar, fomos conhecer os grandes lençóis maranhenses, no Parque Nacional.

Atravessamos o Rio Preguiça em uma balsa, exclusiva de cada agência de turismo, onde cabem duas caminhonetes e seus passageiros.

 

Quase todas as caminhonetes são ToyotasNovos ou antigos, foi a maior concentração que já vimos de bandeirantes ou hilux, sempre Toyota. 

 

 

Por trilhas de areia, cercadas de vegetação fomos sacolejando por quase uma hora até um ponto de parada próximo às dunas e o restante fomos caminhando.

Dunas enormes e extensas, mostrando uma beleza diferenciada, com muitas lagoas verdes e azuis, com águas quentes e transparentes. 

Apesar do sol a areia não é quente.

 

 

O parque forma um ecossistema de mangue, restinga e dunas. Os Lençóis Maranhenses abriga em seu interior aproximadamente 90.000 ha de dunas livres e lagoas interdunares de água doce, além de grandes áreas de restinga e de costa oceânica. A faixa de dunas avança, a partir da costa, de 5 a 25 km em direção ao interior.

 
O clima é sub-úmido seco, com temperatura média anual de 26 graus centígrados. Apesar da aparência desértica da área do parque, o clima da região tem duas estações bem definidas: uma chuvosa, que eles chamam de inverno e vai de janeiro a julho, e outra seca, que eles chamam de verão e vai de agosto a dezembro. Primavera e outono não se fala por aqui.

 
As chuvas contribuem para o controle da umidade da região e formação de lagoas. Entre dezembro e janeiro os lençóis maranhenses ocasionalmente secam, fazendo com que as lagoas azuladas ou esverdeadas desaparecem.

 

 

 

O Parque, visto de cima, se assemelha a um grande lençol jogado ao vento, dando origem ao nome do Parque. Visto de cima com uma visão melhor, seria de avião.
 


A beleza do local, literalmente, é de arrepiar.

 

Do alto de algumas dunas é possível ver paisagens dignas de um bom fotógrafo. O meu amigo Carlos Borba e minha amiga Sinara, dedicados fotógrafos de paixão, com suas potentes máquinas, fariam maravilhosas artes da paisagem natural deste lugar. Eu até que tentei.
 
 
Só é possível visitar o parque com guias. Tenho que falar do guia novamente. Ele leva o grupo, quase sempre a maioria são estrangeiros, por onde ele quer e muitas vezes deixa de mostrar belezas que eles vendem nos pacotes. Preguiçosamente nosso guia sentou na sombra e esperou por mais de uma hora, enquanto nós ficamos dentro da lagoa verde, muito bom por sinal, e depois chamou todo mundo para voltar para o carro, por que achou que iria chover. 
 
A Ade perguntou onde ficava a lagoa azul e ele disse que era longe e já éra tarde. Nós exigimos que ele nos levasse. A lagoa é linda, azul, de águas límpidas, que os turistas dos outros guias perderam de ver, por que ele não os guiou. 

O guia estava tentando nos levar embora, antes mesmo do crepúsculo, alegando que tinha uma núvem enorme e que não daria para ver o sol se pôr no horizonte.

 

Eu disse a ele que iríamos esperar, até para descansarmos um pouco. Todos concordaram, ficamos um pouco e logo em seguida ele saiu chamando todos para retornarmos para o veículo. Como a maioria concordou, voltamos.

 

Pelas trilhas de volta, já anoitecendo, percebemos que as núvens saíram da frente do sol e ele proporcionou um belo espetáculo, que não vimos sentados nas dunas, por culpa de um guia preguiçoso, enganador e sem preparo para guiar. 

Ele ficava com o fone de ouvido o tempo todo e quando queríamos falar, ele não ouvia ou fingia não ouvir.  Eu pedi para tirar o fone e ele disse que era para não entrar areia no ouvido. Eis ai um novo EPI. 

No caminho, pelo menos, vimos o também belo espetáculo da lua surgindo na travessia do Rio Preguiça.
 


Antes de atravessar o rio de volta, paramos para comer tapioca e tomar um café.

 

Dia seguinte, fomos passear nos pequenos lençóis a bordo de um barco, que eles chamam de voadeira, navegando pelo Rio Preguiça até onde ele deságua no mar. O local é paradisíaco.

 

Por várias vezes o barco pára e o barqueiro vai contando sobre as particularidades da região. Mostrou árvores de cupuaçu, dende, açai, manga, ciriguela, bacuri, carnaúba, palmeira  juçara, buriti e outros nomes que não me lembro, nativas ou plantadas em meio às restingas e matas ciliares.

 

 
Os rio se divide várias vezes passando por caminhos onde existem uma diversidade de pássaros e plantas. 
 
Em baixo de uma árvore o guia tirou uma vagem e, como se fosse um artesão, produziu um bela flor natural, diante de nossos olhos, descascando a vagem. 
 
 
Depois repetiu a magia e produziu outra de um botão que tirou da água, descascou e surgiu outra flor tão bela quanto a primeira.
 
 
Veja as duas flores que jamais encontraríamos não fosse o conhecimento do guia.
 

 

A fauna também é muito rica por esta região e a todo momento é possível avistar aves e animais que normalmente só víamos em fotografias ou nas telas.

 



 

 

 

Na comunidade de Mandacarú, um dos pontos de parada do passeio, visitamos um farol, com 54 metros de altura, de onde se tem uma visão inigualável do Parque. 

Chegando ao farol, crianças nos recepcionaram oferecendo-se de guias e cantando músicas para ganhar moedas.

 

 

Subimos os 160 degraus do farol de onde se tem uma visão espetacular da pequena vila e do encontro do rio com o mar, cercados de dunas. 

No grupo de turistas estavam também uma senhora com idade acima dos 65 anos e outra obesa. Nestas condições o passeio fica altamente prejudicado por que não conseguem caminhar, subir degraus ou subir as dunas para ver a beleza do local de pontos estratégicos. Cansam com facilidade e não aproveitam todas as opções, portanto, fica um lembrete: procurem ficar magros e viajem muito até os 60 anos, antes que o teu corpo te proíba.

 

Continuamos descendo o rio até Atins, um maravilhoso refúgio onde tomamos banho no rio com águas passando de doce para salgada. 

 

Enquanto a comida ficava pronta, fomos andar pelas dunas, ver lagoas e a praia, pilotando um quadriciclo alugado no local. Com a tração 4X4 acionada, ele sobe as montanhas de areia de forma radical e emocionante.

 

 
Almoçamos um peixe com camarão, pouco, gostoso e caro, depois descansamos preguiçosamente nas redes para clientes. 

Neste gesto da foto, a Ade não queria dizer que a comida era toda dela. Ela deixou eu comer também.

 

Fizemos vários amigos durante o passeio. As pessoas ficam encantadas com nossa viagem e quando falamos que fizemos um blog querem imediatamente o endereço e nós passamos a todos. São mais pessoas que também estarão viajando com a gente e conhecendo lugares sob a nossa ótica.
 

 

Acordamos cedo,  lá fora sem vento algum e as muriçocas atacando sem perdão. Decidido.  Arrumamos as malas e fomos embora para São Luis do Maranhão.