//32 – TOULOUSE E CARCASSONNE – FRANÇA

32 – TOULOUSE E CARCASSONNE – FRANÇA


Pelas curvas da serra, descendo o médio Pirineus, a velocidade é de 60 km/h. São muitas curvas fechadas e alguns motoristas abusam, colam na traseira e ficam provocando para que você aumente a velocidade. 

Na serra vimos um carro que capotou e na TV falam sempre de acidentes que acontecem, não tanto como no Brasil. 


Apesar da pressão dos motoristas que vinham atrás, eu mantive a velocidade segura, às vezes formando filas na minha traseira. Acho que quando viam a placa da carrinha, eles comentavam sobre os portugueses. E assim foi, brasileiro  devagar na serra e português fica com fama de atrapalhar. Me desculpem patrícios, mas eu prefiro prevenir do que remediar.

Depois de uma hora de viagem, começamos a ver novamente o horizonte sem as montanhas gigantes.


Paramos em um estacionamento à beira da estrada para fazermos um lanche. Ade comentou que já estamos pegando o hábito dos europeus. A cada refeição o pão nosso de cada dia está presente. O tal de bocadilho, já está fazendo parte das nossas refeições, só que, com o tempero da Ade, sempre muito bem recheado e com muita salada. Este foi com salada, pão, salame e um pedacinho de queijo holandês.


Continuamos conhecendo as pequenas cidades, passamos por belas estradas secundárias e passamos também por mais duas fiscalização policial, sem parar.


Pelos campos, extensas áreas de agricultura, especialmente milho e girassol, sempre bem cuidada, irrigada, por onde quase não se vê matas nativas. 

Rimos muito com esta foto. Quando nos aproximamos a cancela fechou e me apressei pegar a máquina para tirar foto do trem. Quando ouvi o barulho dele, acionei o clic da máquina e consegui pegar ele passando. Ele passou como uma bala e foi pura sorte ter pego ele passando. Quando a cancela abril, olhamos para ver e ele já tinha desaparecido. Foto do trem passando por aqui, é só na sorte ou de longe.

 


Chegamos em nossa nova morada e, novamente o estresse da comunicação. Franceses que só falam francês contra brasileiro que fala português e arranha o espanhol e o inglês. 

Descarregamos a carrinha, agora ainda mais trabalhoso depois das compras que fizemos de Andorra, e nos instalamos no apartamento com uma cozinha minúscula, um sofá que se transforma em cama e um banheiro confortável.

A internet aqui é gratuita na recepção e paga no apartamento. São 2 Euros por dia o aluguel de um aparelho para ter a internet no apartamento. Já na reserva eu fiz a solicitação do aparelho e quando chegamos não tinha nenhum disponível. 


Duas moças na recepção, nenhuma falava português ou espanhol e não demonstraram o menor esforço para a comunicação. Tentei com meu fraco inglês e elas insistiam falando em francês bem rápido, que me deu a impressão que elas não queriam se comunicar se não fosse no idioma delas, como quem diz, se você veio aqui, fale como nós. Desisti das duas e à noite voltei para a recepção e um rapaz japonês estava atendendo. Pensei, oba, agora resolvo o problema da internet.

Ele conseguiu um aparelho e disse que era só ligar na tomada que já funcionava. Subi para o quarto, fiz o que ele mandou e nada. Ele também só falava francês e eu comecei a ficar com raiva depois da terceira tentativa de fazer o aparelho funcionar. Pensei bem e segui o conselho do sábios. Desisti.

No dia seguinte, fui novamente na portaria e me entregaram um cabo que deveria ser conectado para que o aparelho funcionasse. Ontem ninguém me deu o cabo e sequer falou dele. Fui até o quarto, liguei o cabo e o sistema me pediu uma senha. Voltei na recepção, disse várias vezes que precisava de uma senha, agora comunicando pelo Google Traductor e a madame da recepção insistia que não havia necessidade de senha e não queria falar no Google Traductor. 

Esqueci dos sábios e falei mais alto em português claro: “que merda de atendimento que ninguém resolve um simples problema”.  A mocinha regalou o olho, ficou um pouco com medo do meu tom de voz e da minha afeição de descontente, até que um italiano ouvindo o que acontecia, entrou na conversa e, com um espanhol arranhado tentou ajudar.  Ai sim, entramos na Torre de Babel, com cinco idiomas tentando descobrir uma senha.

Ele falou com a madame em francês, meio que dando uma bronca nela também. Sem falar nada, ela foi para outra sala e voltou com uma senha escrita em um papel. Voltei ao apartamento, coloquei a senha e tudo funcionou normalmente.  Teria sido pirraça por eu não falar o idioma deles?

Dia seguinte fomos nos exercitar, andando por ruas próximas de casa, quase sem pessoas. Chegarmos a um lago de águas verdes, comemos amoras do campo ainda molhadas pela chuva da manhã e continuamos até um enorme shopping, com um supermercado que, acho que foi o maior que já vimos.

 


A noite vimos dois filmes pela internet, aproveitando de uma dica que conheci na rede social, muito bom por sinal e de sinal. Depois da confusão de ontem, a internet respondeu a contento.

Precisamos de mais uma toalha e do pino da banheira que estava quebrado. Fui até a portaria e lá estava um outro hóspede, francês, discutindo com voz alta com a madame da recepção. Esperei acabar a discussão, o cara saiu bravo e eu, calmamente mostrei a tampinha quebrada, sem falar nada. Ela disse que não tinha tampinha. Pedi a toalha, torcendo para não alongar a comunicação e ela sem falar nada, foi para o fundo, meio pisando forte e eu pensei, vai começar tudo novamente. Que nada, ela me entregou a toalha, eu agradeci e tudo bem.

Fomos conhecer o centro histórico de Toulouse, a cidade que tem o codinome de cidade cor de rosa, sem bem que, as cores dos prédios estão mais para o laranja ou cor de abóbora. 

 


A cor vem dos tijolos de barro fabricados na região, mas depois do apelido, outras edificações foram pintadas de rosa.

Estacionamos a carrinha e logo vimos um desfile de carroças e cavalos, que não descobrimos o motivo, que deixou um cheiro terrível por onde passaram. 

É muito difícil pedir informação para os franceses. A gente começa a falar e eles já movimentam um não com as mãos, falam em francês e se afastam. Em várias informações que tentamos obter, a reação deles foi parecida.

Não descobrimos o motivo do desfile.


Logo atrás do desfile, a turma da limpeza veio esparramando o estrume, como se estivessem lavando, fazendo exalar ainda mais o cheiro.

Chegamos na praça do Capitolium, uma grand plaza, cercada de prédios cor de tijolo, que não é rosa, com uma cruz enorme ao centro. 

A cruz, com 18 metros, feita com bronze cravado no piso, tem 12 bolas que representam as 12 horas do dia, os 12 meses do ano e os 12 signos do zodíaco.

A praça é o coração da cidade, onde acontecem manifestações políticas e festivais.


A fachada do Capitolium foi construída em 1.750 e está decorada com estátuas e oito colunas de mármore, que representavam os membros do conselho municipal.

Andamos pelas ruas estreitas, olhando lojas, passamos por uma feira de quase tudo, até que chegamos na Basílica de Saint Sernin, parada dos peregrinos que passam pela cidade rumo a Santiago de Compostela. 

 

A igreja é aberta para visitas e só paga quem quer conhecer as criptas e os relicários que ficam em baixo do altar.  Ali, dentro de arcas em bronze, estão relíquias da igreja católica que não dá para ver dentro.

Algumas peças ficam fora das arcas, expostas em nichos nas paredes, sem muitas explicações.

 

Os santos mais famosos possuem estátuas e são seus relicários que estão guardados na igreja. Na frente das urnas, das estátuas e nos pequenos altares para os santos mais famosos, fiéis e peregrinos chegam para agradecer bênçãos recebidas e pedir saúde e prosperidade. Cada santo tem seu espaço.

A relíquia mais importante e o espinho da coroa de Jesus. Acreditem. Eles fizeram uma capela e chamam o espinho de Santo Epine, é mole, um espinho virou santo.

Eu fiquei muito curioso com a história do espinho que o guia me contou. Ele disse que é o verdadeiro espinho da coroa que feriu Jesus e, como eu não conseguia ver e ele não deixou chegar mais perto, perguntei se ele já tinha visto o santo espinho. Ele enrolou e disse que é possível ver mas é difícil por causa das capsulas que o protegem.

Tentei de vários ângulos e acho que não consegui fotografar o santo espinho, mas ele me garante que está lá. Ele também não soube me informar onde estava o restante da cora de espinho que feriu Jesus e eu também não quero saber. Não concordo idolatrar um espinho que feriu um Cara tão legal. Por mim o santo epine, pode perder sua fama de relíquia, prefiro o Redentor de braços abertos.


Levamos nossa salada e fomos para um parque fazer nosso picnic. Foi muito difícil chegar até o parque, as ruas de Toulouse são complicadas e se errar uma entrada, pronto, mais meia hora para chegar no local. Todo mundo buzina por qualquer coisa, como se fossem os donos da rua.

Há que se tomar muito cuidado com os pedestres. Eles confiam plenamente que o carro vai parar na faixa e entram sem olhar. A regra é, quando ver uma pessoa próxima da faixa, pare, mesmo que ela resolva não passar. 

Até concordo que o pedestre tem sempre razão, mas isto não lhe dá o direito de adentrar uma via sem ao menos olhar se vem carro.


Continuamos andando pelas ruas apertadas do centro histórico, com os edifícios baixos, calçadas estreitas e as paredes cor de tijolo, não rosa.

 

Viajar é muito bom e por isso recomendo que, se possível, façam muitas viagens ainda quando jovem, irradiando saúde. Não que eu e Ade já passamos da hora, mas os sinais começam a aparecer. Hoje foi minha vez de ficar com dores lombares, aquelas de ficar travado, na cama. Foram dois dias de repouso. Com ajuda de remédios consegui me locomover, insistindo e andando devagar, fomos passear no shopping, próximo de casa.

Domingo de manhã, lá fomos nós bater perna no centro de Toulouse. Pegamos algumas informações na recepção do hotel e fomos conhecer feiras.

A primeira era uma feira onde vendem frutas, verduras, guloseimas e roupas, frequentadas quase que somente por alternativos. Roupas largas, tatuagens, cabelos longos, largados mesmo. Deu até uma má impressão com a quantidade de gente parado, tipo zen, tomando cerveja, fumando e esperando a vida passar.

Numa barraquinha, um homem vendia uma coisa espinhenta, assada em brasa e servida em papel de presente. Nos aproximamos para experimentar a coisa estranha e, enquanto ele servia outras pessoas, notamos a total falta de higiene dele. Desistimos de provar a coisa estranha servida em papel de presente.

A Ade ficou indignada com a falta de higiene do vendedor de paella. A panela aberta a todo instante recebia recheios de folhas que caiam das árvores e assim era servida.

Entramos na Igreja Saint Aubin, onde a feira acontece e lá fomos presenteados com a imponente arquitetura, seus vitrais e as belas canções tocadas na flauta, por um músico sozinho e sem platéia. 

 

Na feira seguinte que paramos, foi de repensar nossos hábitos. Sério. Nunca vimos tamanha pretensão ou costume mesquinho como vimos. A feira fica em uma praça e tudo é colocado no chão. Coisas velhas, sujas, quebradas que, sinceramente, não teríamos coragem nem de doar e eles vendem. 

Vimos um pedaço da feira e fomos embora. Depois passamos em outra feira de antiguidade que também não conseguimos ficar para ver. Foi mal nosso dia de feira.

Viajamos até a cidade fortificada de Carcassonne, onde visitamos um enorme castelo que já foi medieval e hoje é comercial.

Dentro das muralhas, muitas lojas, bares, restaurantes, hotéis, museus e tudo que se pode fazer para explorar turistas. Lógico que o turista tem suas compensações. Visitar um castelo desta magnitude nos dias atuais, reviver a história de nossos antepassados e pisar onde nobres, guerreiros e plebeus viviam, é realmente uma emoção.

 

O castelo é na verdade uma cidade muralhada, foi construída por volta do ano de 890, para defender o povoado dos constantes ataques que sofriam, mesmo assim, foi ocupada pelos celtas, depois romanos e pelos visitados  que eram  bárbaros germânicos que penetraram no império romano.

A fortaleza foi construída com dupla muralha na tentativa de inibir os ataques. Possui 59 torres e dezenas de poternas, porta camufladas.  Depois da construção da segunda muralha, o castelo ficou impenetrável, mas sempre que ocorriam os ataques, a cidade de fora era totalmente destruída.


Durante a segunda guerra mundial, a cidade muralhada foi usada como campo de prisioneiros. Após a guerra, o ingleses descobriram a fortaleza, investiram na sua recuperação e devolveram ao povoado para exploração do turismo.

Hoje a cidadela fortificada de Carcassonne é patrimônio da humanidade.

 

 

Durante a nossa visita acontecia uma manifestação que eu e Ade fomos totalmente a favor. Até gritamos a palavra de ordem, junto com jovens e idosos com cartazes nas mãos. 

fomos a favor da manifestação pois, ainda guardamos na lembrança as atrocidades que vimos em Pamplona, com as touradas e o massacre covarde dos touros. 

Nos cartazes, cenas desagradáveis de animais sangrando e de crianças sendo treinadas para tourear. 

Uma fumaça vermelha tomou conta do céu, lembrando o sangue derramado dos touros sacrificado para que alguns desumanos se divirtam. Tem mais é que acabar mesmo. 

Volto a repetir, se os toureiros gostam de matar boi, que arrumem emprego no frigorífico.

Voltamos para dentro das muralhas e a cada cruzamento das estreitas ruas, uma pequena praça, onde algo interessante acontecia. Nós passamos por vários museus e não entramos. Em dois deles, nem pensar. São museus que guardam a história dos assassinatos da inquisição, na idade média. 

Uma turma de artistas apresentavam um espetáculo medieval em plena praça. Depois entramos na igreja onde um coral só de homens cantava música sacra e vendiam seus CDs.


Foram algumas horas, quando tivemos o privilegio de reviver fatos que estão consolidados na história da humanidade. 

Terminamos de conhecer a cidadela fortificada de Carcassonne e depois viajamos um pouco mais e chegamos na praia de Narbonne. O Mar Mediterrâneo parecia uma piscina, sem nenhuma onda.

Depois fomos conhecer as praias e lagoas de Cruissan. Não deu para ficar na areia das praias que visitamos, o vento estava muito forte e as areias em suspensão entravam em todos os buracos e incomodavam. 

A cidade de Cruissan é uma beleza de cidade, toda arborizada, belas calçadas, banheiros públicos limpos e os moradores mais abastados, estacionam seus barcos na porta de casa.


Viajamos de volta, já escurecendo, pelas estradas sem pedágios, que parecem novas, com uma sinalização exemplar, sem a menor economia com a tinta de demarcação e placas de sinalização, sem exageros, útil e os motoristas respeitam os limites impostos. 


Mesmo considerando a enorme diferença de idade entre a Europa e o Brasil, nada justifica a nossa ainda pouca educação no trânsito e esmero com as rodovias. Ser país em desenvolvimento não significa deixar de fazer o melhor quando vai construir, o que nem sempre é o mais caro. 

A tecnologia atual globaliza informações e disponibiliza milhões de idéias para serem disseminadas. Hoje por exemplo, vi uma reportagem na internet sobre uma cidade do Estado de São Paulo, que adotou lixeiras subterrâneas, como sendo uma invenção do século. Aqui na Europa, por onde passamos, quase todas as cidades já adotam este sistema, que fica bonito, economiza no recolhimento e seleciona melhor o lixo. 

Esta é em Cruissan. A foto foi direcionada para barco, mas as lixeiras apareceram e me inspirou este comentário.


Digo mais. Nossos administradores e políticos bem gastariam o dinheiro público se fizessem um plano de intercâmbio para conhecer o que há de bom e que deve ser copiado de outras cidades, pelo mundo e até dentro do nosso próprio País.

Passando novamente por Carcassonne, policiais na rua interditaram a via e deu um trabalho enorme para encontrar outra opção. O GPS dava uma volta e me mandava para o mesmo lugar. Tentei por contra própria e consegui sair bem no final da festa, que acontecia na rua impedida.

Paramos e fomos conhecer a festa. Muita música e todos bem comportados. Barraquinhas vendiam cerveja, refrigerantes, sangria, vinho e champanhe para beber. Para comer, batata frita, linguiça, frango, porco, frutos do mar, tudo sempre acompanhado com pão deles de cada dia, ou melhor, pão deles de várias vezes por dia.


A maneira que eles preparam a comida não nos encantou pela falta higiene, quase não dá coragem. Mesmo assim eu tentei. A mulher suando próxima do alimento, pegou com a mão e nos serviu. Ela mesma pegou o dinheiro e me deu o troco. Chega, fomos embora, nossa janta tem melhor manuseio.

Dia todo de cama, tentando me recuperar das dores lombares, um pouco por conta das subidas e descidas no castelo e de dirigir por 180 km.

Dia seguinte repouso na parte da manhã e à tarde, ainda com dores fomos passear, afinal, como diz meu amigo Luiz Radigonda, “se não aguenta por que veio”.

Fomos a Nueva Cite de L`Espace, ou cidade do espaço. 

Toulouse é um dos lugares com maior know how, nos assuntos espaciais e aeronáuticos  Aqui na cidade estão grandes fabricantes, montadoras, faculdades e museus sobre a aviação e as conquistas espaciais. É aqui em Toulouse que é montado o maior avião comercial de todos os tempos, o A380 da Airbus.

Cite de L`Espace é recheada de objetos, replicas e originais sobre a conquista do espaço. O museu conta a história desde as primeiras descobertas, das explosões provocadas pelo vapor, dos primeiros foguetes, os astronautas, os animais e plantas no espaço, os controles meteorológicos, o mapa das estrelas, os planetas, enfim, quase tudo relacionado ao universo.


A cada sala uma surpresa com jogos interativos, hologramas, imagens em 3D e tudo a gente pode tocar, apertar, subir em cima, entrar, sentar, sentir e ouvir.

Nós vimos rochas de outros planetas, tocamos em minérios que vieram do espaço em forma de cometas e apertamos vários botões para ver resultados de experimentos. Veja a Ade movimentando o veículo que já andou na Lua.

Esta é uma rocha da Lua, bem protegida em uma redoma de vidro.

Esta é uma rocha de Marte, também protegida por uma redoma.


Este é um cometa com 625 quilos, sem proteção, que a gente pode tocar. Outros menores também estão expostos e podemos toca-los. É ferro puro e frio.

 

Este simpático cidadão virtual, que fica sempre com os olhos voltados para quem os vê, explica como será o futuro da conquista espacial. Fala sobre o homo spatile e diz ele que no ano 2.100, teremos um avião suborbital, capaz de voar a 28 mil km por hora e que será completamente autônomo e reutilizável. O avião poderá alcançar pontos ainda nem imagináveis do universo. Poderá decolar de qualquer aeroporto e transportar 200 pessoas de Paris a Tokyo, em 45 minutos. Quero ver.

Em uma das salas nós também podemos aparecer em imagens holográficas, não tão perfeitas.

Na Base de Los Niños, podemos acompanhar passo-a-passo o lançamento de um foguete e até entrar dentro de um deles que esta em exposição. É um original recuperado, com motores, sala de lançamento, capsulas, roupas, comidas e diversos aparelhos originais.

Tem uma balança que mostra nosso peso na Terra, na Lua e em Júpiter. A Ade pesou 50 quilos na Terra, 7 na Lua e 25 em Júpiter. Depois de saber disto acho que muita gente vai querer morar na Lua.


No pavilhão Austrália tem o planetário com uma visão fantástica dos astros e suas principais ou conhecidas características e diversas salas com projeções em 3D.



Aqui está uma das capsulas Soyuz, desenvolvidas pela extinta União Soviética, também usada pelos Estados Unidos e pela Russia. 

É a nave espacial com maior período de uso na história da exploração espacial. É considerada como uma das naves mais seguras e eficiente de todos os tempos. Seu primeiro vôo tripulado foi 1.967. 

A posição dos astronautas é algo impressionante. Eles ficam por dezenas de horas sem poder esticar as pernas.

Outra atração que emociona é a Estação Mir, cujo nome significa paz, mundo e universo. Foi desenvolvida pela extinta União Soviética e foi a primeira estação de pesquisa cientifica habitada permanentemente e a longo prazo no espaço.


A Mir foi construída a partir de vários módulos, permitindo a participação de astronautas de vários países. Ela ficou no espaço de 1.986 até 2.001. 

Durante o período a estação recebeu várias acoplamentos do ônibus espacial. A Mir permaneceu no espaço a 400km de altitude e dava uma volta na Terra a cada 90 minutos. Na estação foram realizados mais de 14 mil experimentos científicos a bordo na estação. O recorde de permanência no espaço foi do cosmonauta Valery Polyakov, que ficou por 438 dias na estação.

 


Não acreditei no que este francês fez com a gente. Chegamos para visitar o observatório, ele nos cumprimentou, logo chegaram mais dois visitantes e ele também cumprimentou e, começou a fechar o telescópio. Eu pedi para olhar e ele disse que já havia encerrado o expediente dele. Terminou de fechar e pediu pra gente sair. 

Tudo bem, eu já aprendi a entende-los, mas não estou conseguindo engolir. Xinguei ele de chato em português e fomos embora.

 

Um dia assisti uma palestra em Curitiba, do primeiro brasileiro a chegar no espaço, o tenente coronel Marcos Pontes e eu fiz uma pergunta a ele. Queria saber como era a preocupação com a segurança do trabalho deles. Ele me deu uma resposta que na hora eu achei ridícula, depois pensando melhor, acho que a resposta foi óbvia. Ele me disse que não é preciso se preocupar com prevenção, tudo já foi pensado antecipadamente. Percebi que a resposta simples dele é na verdade a regra fundamental da prevenção de acidentes.

A exemplo, veja as roupas que um astronauta usa. É algo de espetacular. São dezenas de camadas de tecidos e aparelhos anexados, milimetricamente, confeccionado para total proteção. Existem poucos acidentes (conhecidos) na conquista espacial.

 

Hoje já tem empresas vendendo vôos para o espaço para civis. Um milionário já foi fazer um passeio no espaço, outros estão na fila de espera. 

Tem também uma promoção de viagem gratuita para Marte. Já tem mais de 100 mil inscritos. Uns que querem ir outros que inscrevem outros. A viagem é só de ida, não tem volta. É para povoar e morrer em Marte. Pelas piadas que contam, dizem que a maioria das pessoas que foram inscritas são as sogras, maldade minha.

Tem ainda um jardim com dezenas de peças espaciais, usadas em foguetes, estações, radares e antenas.

 

É preciso um dia todo para visitar o museu. É muito legal. Vale a pena.

Ao sairmos do museu, a carrinha estava estacionada em um lugar de onde se podíamos ver uma rotatória, cheia de plantas bem cuidadas. 

A Ade já tinha visto outras pela cidade e agora fomos lá para conferir. Verdade. Tem uma horta com tomate, pepino, cove, beringela, pimenta, abóbora, brócolis e várias outras verduras e, quem quiser pode colher e levar para casa. 

Veja alguns que Ade colheu.

 


Voltamos no maior supermercado que já vimos e depois entramos na farmácia. A atendente só falava francês, mas foi de uma simpatia tamanha que acabamos nos entendendo e ela me vendeu remédios para as dores lombares. A Ade é muito boa em gestos, quando a fala não dá certo ela faz mímicas, aponta e vai falando em português e as pessoas vão entendendo o que ela quer dizer. Ela usa muito bem o idioma universal dos gestos.

No estacionamento do centro comercial, uma novidade para nós. Além das várias vagas para portadores de necessidades especiais, no estacionamento existem vagas reservadas para família, com carrinhos de bebê.

Voltando para casa, desviamos um pouco o caminho para ver o trem. A velocidade impressiona e a qualidade dos trilhos, com solda entre os trilhos e dormentes de concreto, diminuem muito o ruído. 

Enquanto Ade esperava, como ela comentou, em um lugar onde jamais voltará a sentar, até por que é proibido, eu cantava a música Trem das sete, do Raul Seixas. 

Coincidência, enquanto eu escrevia este trecho, começou a tocar no PC a música Trem das sete, da minha coleção. Foi legal.

 

Hora da partida da cidade rosa, que na verdade é mais cor de abóbora, da famosa França e seus encantos.

Partimos pelas belas estradas, que até agora, são as mais elogiadas de todo trajeto que já fizemos.

No próximos dias, ainda na França, vamos conhecer aS regiões de Provence e  Cote D`azul, terra das flores, perfumes e das belas águas. Nossa morada será em Cannes, a cidade dos festivais de cinema.