//33 – ANDORRA A-VELHA – PRINCIPADO DE ANDORRA (verão)

33 – ANDORRA A-VELHA – PRINCIPADO DE ANDORRA (verão)

Pelas belas estradas entre as gigantes montanhas dos Pirineus, deixamos a Espanha e adentramos o polêmico país cravado entre a Espanha e a França, chamado Principado de Andorra. 

 


A cadeia de montanhas começa na Espanha, cobre toda a Andorra e vai até a França, com paisagens que encantam os olhos, impressionam a mente e alegra a alma. Agradecemos e nos sentimos felizes por estar ali, vivendo um momento lindo.

 

 


Muito movimento nas estradas por ser feriado na Catalunha, verão, férias escolares e quase todo mundo saindo de casa para passear. Este é o final de semana mais movimentado do ano nas estradas da região. Na TV fala-se em 6,5 milhões de veículos a mais circulando. 

Em alguns trechos ficamos até no engarrafamento, mas entre as belas montanhas o estresse do transito parado não incomodou. 

 

Passamos por vários pequenos municípios e a vida tranquila dos moradores, parece que anda ainda mais devagar no feriado. 


Paramos para visitar um armazém de antiguidades, paixão da Ade, e conhecemos peças e obras de arte dignas de elogios. São telas de artistas espanhóis, objetos de decoração em porcelana, madeira, ferro e bronze, que dá vontade realmente de levar para casa.

Entramos no Principado de Andorra, ainda encantados e assustados a cada nova visão de uma montanha gigante. São tantas as visões lindas que até parece que estamos naqueles lugares onde tiram fotos para calendários de dias do mês, que no interior do Brasil chamamos de folhinha de datas.

A Ade leu na internet que entrar no Principado é fácil. Na saída eles revistam tudo. Entramos sem revista ou apresentação de documentos.

O Principado de Andorra é um paraíso fiscal. Aqui milionários depositam dinheiro lícito e ilícito e ninguém controla. Agora por exemplo, um ex-presidente da Espanha, esta sendo massacrado pela mídia espanhola pelos milhões de Euros que desviou para Andorra. Apesar dos insistente pedidos do Governo Espanhol, Andorra não abre o jogo, não mostra as contas do ex- presidente. Acaba tudo ficando na dúvida.

Andorra é o sexto menor país da Europa, maior apenas que Malta, Liechtenstein, São Marino, Mônaco e Vaticano. A população andorrana tem uma das maiores expectativas de vida do mundo, com média de 83,52 anos.

As principais atividades econômicas são o turismo e o comércio. O turismo especialmente pelas dezenas de estações de esqui no inverno e as trilhas nas montanhas no verão. O comércio se destaca pela isenção de impostos para as marcas internacionais. 

Chegamos no hotel, estacionamento lotado, mas encontramos um bom lugar na rua, onde largamos nossa carrinha. Descarregamos as malas, subimos para o apartamento e ficamos felizes pela boa estrutura. Tem dois quartos, sala, cozinha, banheiro com banheira e calefação, é claro.


Da sacada uma visão encantadora de mais uma montanha gigante, com vista parcial da cidade. Nossa casa é no alto, quase na metade de outra montanha gigante. Todas próximas de mil metros de altura.

O clima no meio das montanhas é bem ameno, apesar de estarmos no verão, aqui é terra de neve na maior parte do ano. 

Fomos ao supermercado abastecer nossa nova casa e ficamos encantados com os preços. Sem impostos, os produtos ficam com preços que dá vontade de encher o carrinho. Não compramos muito por que o mercado é pequeno e achamos que vamos encontrar preços melhores ainda nos grandes mercados.

Em casa Ade preparou um belo almojanta e, com fuso de 5 horas, fizemos a refeição com a Paula, com transmissão ao vivo pelo Skype. Foi muito legal o almoço em família, virtual. Eu fiz um foto aqui e Paula fez outra em Curitiba.

Descansamos da viagem, especialmente os olhos que viram tantas gigantes pelo caminho. Depois de falamos com os filhos, fomos renovar energias para engrossar nossas panturrilhas nas subidas e descidas de Andorra.

Passeamos pela cidade, subimos e descemos por ruas íngremes, visitamos algumas lojas e entramos em três supermercados para saber dos preços e das coisas que eles comem e bebem por aqui.


Na praça as pessoas descansavam depois de saborear o arroz da montanha, que foi servido gratuitamente por uma entidade, lá no coreto ao fundo. 


Foram 3 horas de caminhada pela pequena cidade de Ecamp, região metropolitana da Capital. Passamos por várias ruas que ficam em um vale, entre as montanhas.

Um rio passa pelo centro da cidade, de águas limpas e geladas que vem da montanha. Paramos para fotografar monumentos, entrando em todos os lugares onde era permitido, até assistimos uma partida de um torneio de tênis de mesa no ginásio de esportes, quando o gordinho massacrou o magrinho.

 

No Principado de Andorra, as casas são quase todas recobertas com pedras, com telhas pretas e chaminés. Alguns bairros possuem ruas tão estreitas que certamente quem as planejou não sabiam que um dia existiriam carros. 

As flores estão por todas as partes, nas praças, nas sacadas e até nos postes de iluminação pública. A rede de energia elétrica na cidade é toda subterrânea.

Dia seguinte, saímos por volta das onze horas, calçamos nossas botas, pegamos nossos bastões, separamos água e bananas, pegamos o bondinho e subimos a montanha.

O bondinho, funicular, se desloca em torno de 20 minutos até chegar no topo da montanha, há 2.502 metros de altura. 

No caminho, deixando a cidade cada vez menor, paisagens que fazem suspirar.

Durante o trajeto, um grupo de jovens fizeram muita bagunça, falando alto, fazendo gestos obscenos, tomando nossa frente, não respeitando um casal de idosos que estavam no mesmo bonde (eu e Ade). 

Adivinhem a nacionalidade deles. Se pensou franceses acertou.  Ainda no bondinho comecei a refletir e decidi que tenho que mudar meus pensamentos. Já estou ficando com preconceito das pessoas só por que são franceses. Vou me corrigir, ninguém pode ser assim. Farei de tudo para me encantar com eles.

No alto da montanha nosso pulmão estranha. O oxigênio chega a marcar o trajeto pelas vias respiratórias. Fizemos uma visão geral da estação, com pistas de esquis para todos os lados, e descemos rumo a dois lagos que avistamos. 

 

Com passos pequenos para não escorregar e usando o bastão como apoio, começamos a descer. Nos primeiros dez minutos muito frio depois muito calor.

Paramos para ver pedras, matos, pequenos animais que vivem nas alturas e, para fazer fotos.

 


Em um dos lagos, uma simpática guia nos contou a história dos pastores que viviam na montanha, cuidando de ovelhas.

Suas casas eram de pedras empilhadas, sempre muito baixas para ter o menor contato possível com os fortes ventos. Os telhados eram recobertos com toceiras de grama para escoar a água da chuva. Por dentro, camas de pedras e um canto para cozinhar e manter um fogo acesso para aquecer o ambiente.

 

Do lado de fora uma ordenhadeira cercada com pedras, por onde as ovelhas passavam e onde era retirado o leite para fazer queijos para alimentá-los e vender na comunidade. 


O leite era guardado numa pequena cabana, também recoberta com pedras e grama. A cabana parece pequena vista de fora e tinha que ser assim para que o vento não a derrubasse, mas por dentro é enorme, coube um grupo grande de turistas que vieram do Peru visitar Andorra, mais a Ade. 

Ainda hoje sentimos o cheiro de queijo dentro da cabana.

 


Os cães ajudavam no alinhamento das ovelhas e serviam como fieis companheiros para os pastores. O senhor e a moça, hoje guias, são descendentes dos pastores que habitavam o local. Ainda tem dois cães no local, que servem para companhia e para sair na foto de turistas. Mas se aparecer algum intruso, eles atacam e defendem o patrimônio com a própria vida, se preciso for, segundo o senhor descendente de pastores me disse.


No lago as trutas serviam como alimento, assadas no fogo e defumadas pelo sol durante o verão. As defumadas, ou fumadas como eles chamam, eram reservadas para épocas em que o lago ficava congelado.


O lago congela até hoje no inverno, mas os pastores moram na cidade. Agora as ovelhas ficam confinadas, o leite é tirado com ordenhadeiras e o queijo é feito no laticínio. As trutas ainda estão no logo.

Depois de explicações detalhadas da vida naquele espaço, a guia nos ofereceu um pedaço de queijo e um gole de vinho, simbolizando um pouco dos alimentos e da bebida que consumiam, imitando a maneira como eles faziam.

Depois tiramos foto com a guia, que adora ser fotografada, e continuamos nossa  exploração.

 

Continuamos nossa exploração pela montanha, nos encantando com a altura das montanhas e com as várias pistas de esqui, muito bem cuidadas para quando o inverno chegar. Só faltou mesmo a neve.

Seguindo o conselho do poeta espanhol Antônio Machado, que um dia escreveu: “Caminantes, no hay camino, se hace camino al andar”, lá fomos nós saindo das trilhas e fazendo caminhos pela montanha. 


A estação fica lá no alto, naquele pontinho escuro, há uns dois km de distância e a uns 300 metros mais alto.


Foram 4 horas de caminhada por desníveis que muito fortaleceram nossas panturrilhas. 

Conseguimos chegar na estação do funicular, cansados mas felizes pela bela caminhada, pelo oxigênio puro e por toda a beleza da região.

 

Mais vinte minutos descendo pelo bondinho, apreciando a paisagem exuberante, agora vendo a cidade se aproximar. Chegamos e fomos para casa, a poucos metros da estação, tomar um belo banho, um delicioso jantar, internet e cama.

Dormimos até às 10 horas e saímos rumo a Andorra-a-Velha, capital do principado e paraíso das compras. Pegamos algumas dicas na recepção do hotel e preferimos ir de ônibus até o centro da cidade.

Andamos sem compromisso, apreciando as belezas urbanas da cidade, que muito tem para servir de exemplo.

 

Andorra-a-Velha é na verdade, um vilarejo antigo, que vem da era cristã, que se tornou capital do principado. A história do lugar é um pouco confusa, mas a beleza é enorme e a qualidade de vida é exemplar.

Reparem nesta calçada feita de asfalto, onde não existem meio fios. A rua é cercada por pilares de plástico sinalizados e o pedestre tem toda preferência. 

Neste dia estava 32 graus no meio do dia. Para um país de neve, até que o verão abusa. Pela manhã, ao entardecer e durante a noite, o clima frio de montanha prevalece. 

A cidade situa-se a 1.409 metros de altitude, na parte baixa das montanhas gigantes.

Andorra-a-Velha é o principal centro comercial do País e suas poucas ruas, formam uma imensa galeria ao ar livre, onde se pode encontrar artigos exclusivos e as últimas novidades, com preços imbatíveis. Não são muito de abaixar o preço da etiqueta, mas as promoções chegam a 50%. 

Andamos para saber os preços para depois escolher o que comprar. É sempre bom, quando se tem tempo, fazer uma pesquisa. Por exemplo, encontramos um produto de 300 Euros que deu diferença de 80 Euros de uma loja para outra.

Nas ruas pelo menos 70% das pessoas passam afoitos olhando tudo e com sacolinhas nas mãos. São mais de 500 lojas, de muitas marcas, quase todas em uma única rua. 

 

O Rio Vallira, que passa pelo centro da cidade, todo cercado por pedras e enfeitado por flores, faz uma paisagem ainda mais bela da cidade.
 

Paramos para assistir um pouco do festival internacional de músicas, que estava acontecendo em uma praça, com cadeiras para os ouvintes. Neste dia uma banda cubana fazia seu show apresentando um repertório de salsas para fazer turistas e moradores se balançarem nas cadeiras.

 

Paramos para comer um bolo e tomar um café, depois fomos esperar o ônibus para voltarmos para casa. 

Quase tudo por aqui é muito bonito, bem cuidado, menos o transporte coletivo. 

Os ônibus urbanos não são adaptados para andar pelo centro, são grandes, altos, corredores apertados, parecem com aqueles nossos que fazem viagem intermunicipais. Que bom se Andorra copiasse o modelo de transporte urbano de Dijon, ou de Glasgow, ou de Genebra, ou de Amsterdam, ou de Valência, ou de Bordeaux, ou até de Curitiba. Por onde já passamos o transporte urbano são para elogios, menos em Andorra, até agora.


Dia seguinte, pegamos a carrinha e subimos o morro para chegar até o início de uma trilha entre as montanhas. Chegamos até onde o asfalto leva, com subidas que somente em primeira marcha é possível transpor. Curvas em cotovelo e muita paisagem de encantar.

A gente não entende muito bem o gosto de algumas pessoas. Constroem suas casas em lugares assustadores, na encosta da montanha ou sobre rochas gigantes. Ficamos pensando na probabilidade de um desmoronamento ou uma avalanche de neve.

 

 

Paramos para fazer a trilha e chegar até um lago que fica no alto de uma montanha. A trilha é muito bem cuidada, com 8 km ida e volta, passando por túneis, florestas, abismos, cachoeiras e paisagens exuberantes.

 


A flora é um destaque. As flores da montanha são lindas e cultivadas pelo caminho. É muito bom parar para observar algumas espécies. 

 


Chegamos no enorme lago, incrustado entre as montanhas, com uma bela infra-estrutura para receber os visitantes. Tem dois restaurantes, bancos para sentar, brinquedos e caminhos muito bem cuidados.

 

Voltamos para casa, enchemos a banheira e ficamos um bom tempo na água quente. Nossa rotina por aqui está sendo um dia de passeio nas lojas da cidade, outro dia caminhando pelas montanhas.

Andorra é o segundo país mais alto da Europa, logo depois da Suíça. A montanha mais alta chega a 2.946 metros e a média das montanhas ficam em 840 metros de altitude. 


Como quase tudo por aqui, o litro do diesel é o mais barato que já pagamos por onde passamos, 1,12 Euros. Fomos a um centro comercial que fica na divisa com a Espanha e realmente dá vontade de comprar tudo. É aquela mesma sensação de quando vamos no Paraguay fazer compras. 

Paramos em um outlet e os preços novamente encantaram. Aproveitamos para comprar roupas de inverno que ali estavam em liquidação, com descontos que chegavam a 50%. Ainda bem que não compramos antes.

Na volta subimos a montanha para conhecer os parques da Naturlandia. São dois parques. Um na cota 1.600 e outro na cota 2.000 metros de altitude. 

No primeiro parque um espetáculo de limpeza, opções de diversão e de infraestrutura. Tem cavalinhos, mini motos, bugie, mini golf, tiro ao alvo, lanchonete, restaurante, lugar para quem levou seu lanche, alem de banheiros e vários outros brinquedos.

 


Fazer arvorismo é muito bom e sempre existe a polêmica sobre a preservação ambiental. Aqui tem a solução. O arvorismo foi montado em um edifício feito em madeira com todos os obstáculos, medindo mais ou menos, 20x20x20 metros. As pessoas sobem passando pelos obstáculos e descem com a tirolesa.


No segundo parque, há 4 km montanha acima, outro espetáculo de estrutura. Lá fica o zoológico com dezenas de animais selvagens, aves e até animais domésticos, todos em ambiente natural.

A atração principal são os ursos. Cada um deles pesa mais de 350 quilos e chega a assustar quando o guia informa que outros deles ainda vivem soltos pela região. Ficamos um bom tempo observando do mirante.

 


Depois dos ursos, a atração são os lobos, que também ainda vivem soltos pela região. Para observar os lobos tem vários mirantes, com salas e corredores que adentram o pátio reservado aos animais. Cada sala é ilustrada com cartazes, fotografias de caçadores, lendas, armas e armadilhas.

Às vezes é possível ficar muito próximos deles, separados por um vidro, é claro.

 

O que não faltam são motivos que ativem nossa imaginação em nossas aventuras. Imaginei encontrar uma cena assim durante as trilhas que estamos fazendo pelas montanhas. Se a gente encontra-los e for possível fazer amizade com eles, tudo bem, se não for, reze para que eles não tenham fome.

O animal que mais me encantou foi o lince. Foi muito difícil localiza-lo em seu espaço. Não é uma jaula, é um espaço que reproduz parte do ambiente natural de cada animal. O lince é lindo, com suas orelhas com pontas e seus olhos que encantam.

Fique por uns 15 ou 20 minutos tentando a melhor foto. Ele até me olhou com seus olhos de lince (claro), mas não saiu do lugar e voltou a dormir.

O zoológico é um exemplo de segurança. Aqui com certeza um animal não arranca o braço de um garoto como aconteceu em Cascavel, no Paraná. Além dos animais viverem em ambiente amplo, muito perto do natural, os visitantes ficam seguros por uma cerca de madeira, uma de metal e uma elétrica. Em vários pontos existem vidros para melhor apreciação.

Acho que o perigo aqui é aparecer um animal selvagem que vive na região. O zoológico é no alto das montanhas, cercado de matas, ambiente natural de bichos selvagens, apesar do espaço ser todo cercado.

Domingo de sol, saímos cedo para passear. As lojas estavam quase todas abertas e aproveitamos para mais algumas compras, agora que já sabemos o preço e onde são os melhores lugares para comprar. 

Enquanto Ade visita uma loja, eu na rua a esperar, como sempre, uma senhora me pediu para responder uma pesquisa do Governo de Andorra. Eu disse que sim e ela começou um questionário, que durou uns 15 minutos. 

O objetivo da pesquisa era para avaliar os sentimentos dos turistas com relação ao atendimento, alojamento, pontos turísticos, guias, transporte, infraestrutura, país de origem, quanto gastou, como descobriu Andorra e outras perguntas, sempre buscando feedback sobre o País. 

Eu dei nota 10 para quase todas as questões e deixei duas sugestões. Uma para melhorar os veículos de transporte urbano e outra para que eles façam marketing do País no Brasil. Disse que nem imaginava e nunca ouvi falar que o Principado de Andorra era tão bonito, cheio de opções para passeios e paraíso das compras. 

Ela me disse que existem dois grupos de turistas em Andorra. Um dos ricos que chegam no inverno para esquiar e outro dos outros que chegam no verão para fazer compras. Quando ela terminou, me presenteou com uma sacola oficial do Principado de Andorra.

 

Pegamos um caminho rumo ao norte e fomos por onde a estrada nos levava. Paramos para o almoço, comida leve, para depois fazer a Trilha do Caminho do Ferro. 

Uma trilha muito bem cuidada, quase sempre ao lado de um belo rio, com nível de dificuldade fácil. 

 

 

Pelo caminho, esculturas contam a história do auge da extração de ferro na região e homenageiam os trabalhadores das minas.

 


Existe uma mina para visitar, mas já estava fechada e, ainda bem, por que eu não gosto muito de entrar em ambiente fechados. O túnel é longo e estreito. Acho que mesmo que estivesse aberta eu não entraria. A Ade sim, mas eu não.

Pelas pedras que formam a montanha, o líquido manchado pelo metal escorre em um belo espelho cor de ferrugem.

 

Pegamos a carrinha e continuamos pela estrada asfaltada, sempre subindo montanhas, com belas paisagem e trechos que assustam quando passam ao lado de enormes precipícios.


Chegamos até o restaurante mais alto de Andorra, há 2.500 metros de altitude e a estrada de asfalto acabou.

Como percebi que outros carros estavam subindo por uma estrada com pedregulhos, resolvi subir também. A Ade ficou com medo mas concordou. Na ida foi tenso, mas na volta até paramos para fotografar.

Subimos mais 520 metros, em uns 5 ou 6 km, com subidas onde não se deve subir fumando para evitar cair cinzas nos olhos, exagero meu. Chegamos no fim do mundo, ou melhor, no fim da estrada. Lá tem uma caverna para visitar e uma visão impressionante das pistas de esqui, sem neve e das montanhas vistas de cima.

É muita coragem dos esquiadores descerem por aquelas pistas.

 


Voltamos e fomos parando em quase todos os mirantes que encontrávamos. Em alguns sentamos e passamos alguns minutos aproveitando aquela bela visão.

De quase todos os mirantes saem trilhas pelas montanhas. Aqui em Andorra acho que tem uma trilha a fazer por dia, o ano todo.

Descendo da montanha, descobrimos um novo caminho para voltarmos para casa e lá fomos nós. Estrada estreita, com subidas íngreme, até o topo, onde quase não tem árvores por conta da qualidade do oxigênio. Algumas montanhas ainda guardam o gelo do inverno passado.

Paramos em alguns mirantes e começamos a descer, também por curvas que quase dava para ver a placa traseira da carrinha. Outro exagero meu.

Lá no topo, antes de começarmos a descer, paramos para apreciar o sol se escondendo por traz das montanhas gigantes.

A cada 5, 10 km, existe uma vila e casas isoladas no meio da montanha, todas muito bonitas, com muitas flores, quase todas recobertas com pedras.

 

Em uma das cidades vimos uma placa indicando Palácio de Gelo, fomos conhecer e na verdade é um ginásio esportivo com piscinas e uma quadra de esportes. A diferença é que a quadra é de gelo e até ficamos um pouco assistindo uma partida de Curlling, mas era muito gelado e fomos embora. 


Cansados de mais um belo dia, voltamos para casa saber as novidades da família e descansar. 

Ouvir a voz da Sophia pedindo para comer o bolo da tia Nice foi de dar muita saudade. A tia Nice fez um bolo e postou no WhatsApp. A Sophia viu e falou com uma vozinha de dar dó, que queria comer o bolo da tia Nice, até eu quero comer aquela delícia.

Hora da partida. Arrumamos a carrinha e saímos rumo a França e terminar de transpor os Pirineus.

Logo à frente paramos em um centro comercial onde ficamos por mais de duas horas, por conta das tantas opções que tem no local.


Tem uma destilaria, onde são produzidos vinhos e álcool, onde é possível fazer degustação dos vinhos. Tem uma fábrica de perfumes, com um agradável perfume, onde em todo ambiente e a cada canto o cheiro fica diferente, sempre agradável.


Tem um supermercado encantador. Tem panelas, objetos de decoração em ferro, em madeira, roupas, bebidas, alimentos e degustação de quase tudo.

Ali provamos azeite de oliva, dezenas de queijos, salames, presuntos, bolachas, vinhos, licores, enfim, foi possível conhecer os sabores de Andorra e de várias partes do mundo. 

Todos podem provar à vontade e se você se interessar por um outro produto que não está sendo servido, eles abrem para que você experimente. Os preços e a qualidade são bastante convidativos. Olha a Ade provando azeites, deliciosos por sinal.

 

Olhem o que eu encontrei na prateleira. Nossa cachaça, vendida com o mesmo valor dos whiskys escoceses. Um JB, por exemplo, custa 9,50 Euros.


Chegamos na divisa com a França, na cidade de Paes de La Casa, onde é o paraíso das compras para o outro lado de Andorra. Na capital Andorra-a-Velha, o paraíso é para os portugueses e espanhóis. Em Paes de La Casa é do povo que mora da França até a Rússia.

São centenas de lojas vendendo de tudo a preços sem impostos que atraem turistas de todas as partes. 


Quando ví alguns preços muito baixo, perguntei se eram falsificados e o dono de uma das lojas me explicou que aqui não tem produtos falsificados. Disse que a lei é muito dura para quem falsifica alguma marca, no entanto, a lei permite que se vendam produtos similares, ou seja, parecidos. 

Por exemplo, você pode comprar um óculos original Ray Ban, por 100 Euros ou um similar Rey Ban, por 5 Euros. Você pode comprar também um telefone hiphone, um cinto Diesei ou uma camiseta Naike. Não é bem uma enganação. Os nomes são ligeiramente diferentes e os preços são absurdamente inferiores, comparando com os originais.


Fizemos algumas compras, por que a Ade não é de ferro, e por que alguns produtos de qualidade com excelentes marcas, realmente precisam ser comprados.

Seguimos viagem até que paramos na fila da Duana, com dezenas de carros parados, onde uma revista geral acontecia. Quando chegou nossa vez, adivinhem, o policial virou as costas e nem deu bola pra gente. 

Seguimos a viagem, passando ainda pelos Pirineus e por dezenas de pequenas cidades, levando na eterna lembrança, os momentos inesquecíveis que passamos um pouco mais perto do céu, no alto dos Pirineus.


Venham todos conhecer o Principado de Andorra, nós voltaremos.