//34 – CANNES E SAINTE MARIE – FRANÇA

34 – CANNES E SAINTE MARIE – FRANÇA

Deixamos Toulouse e fomos rumo a Cannes, nossa nova morada, continuando nosso zig zag pela Europa, ainda no território francês.
Sempre por belas estradas e velocidade controlada por todos os motoristas,  fomos parando onde havia algo bonito e que nos chamava a atenção.
Os franceses são os mais adeptos da bicicleta de toda Europa. Nas cidades nem tanto mas nas estradas, a todo momento precisamos desviar de um deles. Viajam sozinhos, em casal e em grupos, com bicicletas de vários modelos. 

Todos os motoristas respeitam e esperam sempre o melhor momento para ultrapassa-los. Eles andam na rodovia, bem do lado direito. Muitos somente no exercício mas muitos também seguindo viagem com bagagem e tudo.
 

 

Paramos em um lagoa enorme, onde as pessoas alugam pranchas para navegar nas águas calmas e Ade foi testar a temperatura da água e não queria mais sair.

 

Depois paramos para o nosso almoço, preparado em casa, às margens de um canal por onde vários barcos ficam aportados ou navegando a passeio.  

Muitos barcos são residências permanentes, com toda estrutura de um lar.

 

Fizemos nossa refeição e seguimos viagem apreciando a bela paisagem onde, em poucas distâncias, a terra muda de cor com tons de branco, amarelo, laranja, cinza, muito diferente do que já vimos. São terras do pré alpes, com pequenas montanhas que seguem crescendo rumo aos Alpes, que está a menos de 200 km desta região.
Paramos para comer doces e depois paramos em uma frutaria na estrada, por conta de uma propaganda enganosa. O rapaz, que a todo tempo ruía as unhas, foi quem nos atendeu e explicou que os melões de 1 Euro eram outros, pequenos, já passados e não aqueles que estavam ao lado da placa.

 

Comemos uma fatia de melancia e compramos melão por 4 Euros e ameixas. Ade pediu para provar uma ameixa e o rapaz que ruía unhas, que tinha um pedaço de cada fruta para os clientes provarem, pegou um pedaço com as mão, que não saiam da sua boca, e nos serviu. Por educação pegamos e comemos, mas deu vontade de devolver. As ameixas estavam deliciosas, mesmo com, provavelmente, um pouco da baba do rapaz que ruía unhas.
Chegamos em nosso novo lar, fora do horário, portão fechado, mas havia um envelope com meu nome, as chaves, um mapa e as instruções.

Entramos e adoramos nossa nova casa, que fica em um camping, fora do centro urbano.

 

A casa é bem confortável para modelos de camping. Entramos, conferimos os utensílios, descarregamos a carrinha e ficamos felizes preparando nosso jantar. A única reclamação é que na casa não tem sinal da internet. É preciso ir até a piscina para navegar, literalmente, na internet.
Jantamos ouvindo músicas do PC, conversamos sentados na varanda, tomamos um banho quente e fomos dormir.
 

Dia seguinte fomos, como sempre, abastecer nossa dispensa, no mercado lotado de gente.

No mercado presenciamos uma cena nada agradável. Vimos uma mãe, parecia desalmada, dando uma bronca em seus dois filhos, sacudindo, falando alto que me deu vontade de intervir, mas não devo fazer isto por que na França é diferente.
Está não foi a primeira cena de tratos enérgicos com crianças que presenciamos na França. Ade comentou que leu uma reportagem em que um analista dizia que as crianças francesas são infelizes. 

Depois da cena no mercado e do que a Ade me disse, fui pesquisar um pouco sobre a criação de filhos na França e descobri uma grande verdade que todos os pais deveriam considerar sobre educação dos filhos.

Estes dois que levaram a bronca.

 

Segundo a escritora norte americana que viveu na França, Pamela Druckerman, que revela tudo em um best-seller sobre o segredo do jeito francês de educar, a educação deve começar ainda no berço. A obediência precisa ser imposta na infância para que se mantenham na adolescência.

Os pais franceses preservam os direitos paternos criando seus filhos como parte de um plano e não como um projeto. Eles consideram que um dia os filhos irão crescer e os abandonarão para formar suas próprias famílias, enquanto os pais continuarão juntos.

 
Ela diz que a principal responsável pela boa formação é a mãe. A mãe francesa não vive em função dos filhos e nem os tratam como pequenos reis. Elas não toleram birras, não negociam e nem passam horas com seus filhos no parquinho. Elas não abrem mão de sua vida adulta em função dos filhos.

A criança francesa é educada para cumprir suas obrigações. Carregam suas próprias sacolinhas, cumprimentam os adultos, pedem licença, dormem na hora certa e comem o que os pais determinam.


Os horários de refeição devem ser respeitados e o ensinamento é como saborear e apreciar a comida. O objetivo é passar mais tempo à mesa do que preparando a refeição. As crianças precisam ter uma alimentação saudável e comer o necessário. O bom paladar deve acontecer antes da generalidade. 

É preciso entender uma criança como ela é, por exemplo, é inútil longas explicações para os filhos pequenos. Até os 5 anos, a criança sequer  entende longos argumentos, basta dizer “não”. Se a criança não aceitar, a mãe deve dizer de forma enérgica, “eu sou sua mãe e sei o que é melhor”, impondo o respeito da hierarquia familiar. É na adolescência  quando já entendem os argumentos, que as conversas precisam ser esticadas. 
 
No modelo francês, as crianças não são sobrecarregadas com atividades para estimular. Eles acreditam no ócio criativo, deixando a criança aprender a se divertir sozinha, inventando suas própria brincadeiras.

 

O bom exemplo francês na educação dos filhos, deve ser copiado ou, pelo menos, considerado por pais e mães do mundo todo. Concordo quando pensam e agem, cuidando de seus filhos, sem sacrificar suas vidas, ao contrário das mães brasileiras que, quando os filhos nascem, seu mundo passa a girar em torno deles.

Precisamos urgente rever nossa forma de criar filhos e aprender um pouco com os franceses. Criamos uma lei no Brasil, que não se pode corrigir um filho na base da “surra”, com palmada, cinta, chinelo ou varinha de marmelo, no entanto, no relatório da Unicef 2014, o Brasil ocupa posição vergonhosa, ficando em segundo lugar em violência contra a criança. Acabamos com a educação com base na hierarquia familiar e na necessária imposição do respeito e não conseguimos acabar com a brutal ignorância de maltratar uma criança de forma violenta. 

Hoje, adultos com mais de 50 anos, ainda reconhecem e até brincam nas redes sociais, como nesta foto.

Sou do tempo da palmada para corrigir um comportamento, do tempo que ainda ninguém jogava uma criança contra a parede ou a matava de tanto bater. Ver ou saber que uma criança sofre violência me revolta. Sou sim, a favor da palmada na hora de impor valores. Proibimos a palmada dos pais e não inibimos ou sequer punimos a verdadeira violência.

Muitos lutam para deixar um mundo melhor para os filhos e esquecem como criar um filho melhor para o mundo. Alguém já disse algo parecido.

Sem nossos filhos em nossa casa no camping, mas sempre lembrando deles, fizemos almoço, descansamos um pouco e fomos brincar na bela piscina

Esta é a melhor piscina que já entrei. Nela tem jatos de águas por todo lado, duchas de massagens, corredor de água corrente, escorregador, água muito limpa e ainda tem salva-vidas.
 

 

Dia seguinte, fomos andar a pé pelo centro de Cannes, brincando de procurar artistas. O glamour mora e se hospeda por aqui.

 

 

O calçadão tem cadeiras e bancos espalhados por todo lado e o piso da calçada é emborrachado. Vou repetir. O piso do calçadão na praia é emborrachado, macio, muito bom de pisar.

 

A quantidade de iates chega a impressionar e os helicópteros passam a todo tempo, cortando a cidade de lado a lado.

 

As praias são divididas por trapiches e os grandes hotéis reservam seus espaços e colocam até tapetes para chegar até a água.


Os guarda-sóis coloridos separam os espaços reservados, pelos hotéis ou restaurantes.

O restante dos banhistas, menos ilustres, também tem seus espaços definidos, com pouco menos de requinte.

 

 

Uma feira de iates impediu parte do calçadão, com seus estandes cheios de atração, que ainda estavam sendo montados. 

Paramos para ver as mãos dos artistas cravadas nas calçadas em frente ao Palácio de Feiras e Congressos, na Esplanada Georges Pompidou, onde acontecem os festivais de cinema. 

Famosos passaram por aqui e pelas ruas sempre pode acontecer de encontrar com algum. Talvez até encontramos mas não reconhecemos.

 

Os hotéis luxuosos na avenida principal, que recebem as celebridades, são imponentes. É comum encontrarmos paparazzis em frente ao hotel à espera de uma boa foto.
Subimos uma ladeira, por ruas estreitas, cheia de restaurantes esbanjando muito glamour na decoração e nos preços.

 

Chegamos até o Museu De La Castre, de onde se tem uma visão fantástica da cidade, com a baia quase que tomada pelos iates e os telhados que cobrem os abrigos de grandes astros e anônimos. 

As paredes de algumas casas estão ilustradas com cenas de cinema. 

 

 

Fotografei esta gaivota a menos de 50 centímetros dela. Ela ficou imóvel, parecendo fazer pose para a foto. Acho que ela é artista ou incorporou o gosto pelos clics da fama.

 

Andamos pelas ruas entrando em algumas das poucas lojas que estavam abertas e, na Igreja Notre Dame de Bon Voyage, assistimos um concerto tocado em um órgão de tubos, com um som que preenche toda a igreja e nas notas mais altas, chega a tremer nossa carne. Foi muita emoção. 

Consideramos mais um presente que Deus nos deu. 

 

 

 

Passamos por várias ruas, quase todas com decorações que remetem ao cinema. Nas lojas de roupas de marca, algumas peças passam facilmente de 2 mil Euros.

Os carros que circulam pelas ruas fazem outro espetáculo. São muito, das melhores marcas, desfilando muito luxo e glamour, com seus condutores, cada um parecendo mais artistas que os próprios artistas, ou são artistas mesmos.

Até o carrinho de bebe desfila em alto estilo. Veja a marca.

 

 

Paramos para um lanche da tarde, com pompa de artista, depois pegamos a carrinha 2.004 e voltamos para nosso casinha de camping, felizes pelo belo dia na terra do glamour.

 

 

Passeamos pelo litoral, no sudoeste da França, onde encontramos paisagem dignas de cartão postal. A cada vaga de estacionamento em mirantes, nos paramos e fomos fotografar e apreciar o presente da natureza. Algumas visões, realmente emocionam.

 

 


São tantas fotos que fizemos que não seria o caso de publicar todas. Escolhi algumas para este post, mas vale o convite. Se vierem para esta região, viajando pelo litoral à direita de Cannes, façam um trajeto sem pressa, parando a cada mirante, que cada um será um espetáculo exclusivo. 

 

 

A maioria das praias são pequenas e cada uma com características diferentes, com sua beleza própria. 

Enquanto uns tomam sol, outros mergulham ou brincam em águas rasas e transparente com fundo de pedras e, os mais abastados, se bronzeiam a bordo de seus iates.

 

A cada parada é legal abrir os braços e agradecer tamanha beleza da natureza, que não poupou detalhes para encantar quem pára para observar.

 

Uma das pequenas praias, cheia de pedras que brotam nas águas, é toda recoberta com folhas secas de árvores e a areia quase não aparece.

Para amenizar a situação das faixas de areia estreitas e curtas, em alguns pontos foram construído diques que adentram o mar e, quando tem muita gente, alguns tomam sol até nas pedras.


Muito cuidado ao dirigir por aquelas estradas. São estreitas, cheias de curvas, subidas e descidas e com grande movimento. 

Durante nossa passagem, tive que frear para não colidir com um maluco que fez uma ultrapassagem incorreta e perigosa. Tive que cuidar para não bater de frente com o maluco e para que o que vinha atrás não colidisse na traseira da carrinha. Por pouco que um acidente não aconteceu.


Interessante que apesar de estreitas e curvas muito acentuadas, notamos que os guard rails, as pedras e as árvores na beira da estrada não tem sinais de barbeiragens ou de acidentes que deixaram marcas.

Voltamos para casa por volta das 10 horas da noite, Ade preparou um lanche para depois do banho, conversamos um pouco sobre as belezas da região, pesquisamos o roteiro do dia seguinte e fomos dormir em nossa encantadora casinha de camping.

 

Acordamos sem pressa, tomamos café, preparamos nosso picnic e saímos rumo ao interior da França, distanciando do litoral, com planos de conhecer os campos de lavanda. 

Pegamos informações erradas com uma francesa fala rápido do restaurante, que nos deu o nome de uma cidade que não era onde queríamos chegar. Nós saímos para ver lavandas e ela nos mandou para região das uvas. Tudo bem. conhecemos novas cidades, novas estradas e passamos por uma forte chuva de verão, que logo se foi e o sol voltou a brilhar.

 

 

Depois que muito andamos, paramos numa vinícola e descobrimos que estávamos no rumo errado. Arrumamos o GPS e partimos pelas estradas estreitas entre as montanhas pré alpes.

 

Chegamos em um belo lago, paramos para conhecer as atrações e seguimos rumo a cidade de Sainte Marie, pensando em descobrir os campos de lavanda.

O Lago é o Sainte Croix, com 2.200 hectares, ele harmoniza o ar, a terra e a água, formando uma paisagem maravilhosa.

 

Ao chegarmos em Sainte Marie ficamos encantados com sua beleza. Muito nos lembrou Montserrat, com construções cravadas aos pés de montanhas gigantes. 

 

Por todos os cantos tem belezas da natureza e das mãos dos homens, que construíram belas casas e pontes magnificas.

 

 

 

Pelas ruas de pedras, muitos restaurantes e flores enfeitando fachadas, postes e pontes.

Como já era tarde e o sol já havia se escondido entre as nuvens, resolvemos ficar na cidade que vive em função do Moustiers de Sainte Marie, explorando o turismo e as peças de cerâmicas, e conhecer os campos no outro dia.

 
A cidade de Sainte Marie é um vilarejo que vem da Idade Média, às portas do Grand Canyon du Verdon, entre o Gorges du Verdon e da rota da lavanda. A pequena cidade é também conhecida mundialmente pelas cerâmicas de decoração única, produzida por vários artesãos, que fazem suas obras em pequenos ateliês.

A Ade visitou várias lojas e ficou encantada com as cerâmicas pintadas à mão, de uma arte espetacular.

 

Entramos em um ateliê onde o artista estava concebendo mais uma de suas obras. Ele não permitiu que eu fotografasse mas, quando soube que viemos do Brasil, ele parou de pintar e começou a conversar e contar sua história. Ele mesmo produz suas peças em cerâmica e depois pinta, formatando obras reconhecidas pelo mundo todo. Nos disse que grandes marcas de luxo compraram suas obras para ilustrar seus produtos.
Ele nos deu um cartão e depois um poster, onde desenhou na hora um esboço da cidade, escreveu nossos nomes e assinou. Eu também deixei nosso cartão para, se um dia, como é da vontade dele, visitar o Brasil, que nos procure. Teremos imenso prazer em hospedar e servir como cicerone para o nobre e simpático artista que não quis sair na foto. Ele disse que um dia vai nos visitar.

 

 

 

Quando chegamos para fazer fotos de mais uma maravilhosa ponte, encontramos um casal de brasileiros e ali ficamos conversando por mais de uma hora.
Ele é empresário no Rio de Janeiro e viaja várias vezes por ano, sempre com curta duração pois não pode ficar muito tempo por conta dos negócios. Nos disse que seu sonho seria fazer o que eu e Ade estamos fazendo.
Falei a ele para colocar seus sonhos em prática, pois, a idade avança e com ela não podemos negociar. Ele disse que vai considerar o que eu disse e tomar uma decisão nos próximos meses, reconhecendo que o tempo deles também está passando. 

Pelo que percebi, dinheiro não é problema para eles para o resto da vida. Disse a ele para dar o primeiro passo e colocar seus sonhos no papel, para não perder o foco.
Depois do gostoso papo com nossos conterrâneos, fomos assistir uma banda tocando rock francês, onde algumas pessoas dançavam de uma forma que ainda não conhecíamos. Homem com mulher, mulher com mulher, rodavam muito no próprio eixo. Eu e Ade até tentamos dançar igual a eles e até conseguimos alguns passos.

 

Voltamos para casa já noite, por estradas estreitas e com muitas curvas, muitas mesmo. Chega a doer o pescoço pela tensão de olhar de um lado e do outro para entrar nas curvas.

Dia seguinte voltamos para a mesma região, com a determinação de chegarmos até os campos de lavandas e navegar com o barquinha pelo canyon, mas foi difícil. Foram muitas surpresas agradáveis pelas montanhas, com lindas estradas e paisagens exuberantes que, com certeza, foram das mais belas que já vimos.

 

 

Na foto tem um casinha ou igreja cravada numa montanha gigante, com um visão maravilhosa. Acho que é uma igreja e a promessa ou sacrifício é chegar até ela.

A estrada tem um bom asfalto mas é estreita, só cabe um carro de cada vez. Quando vem um carro contrário, a gente quase pára, se espreme e sempre consegue passar. 

Chegamos na cidade de Castellane e ficamos com pressa de parar logo para apreciar tanta beleza. O morro gigante com uma igreja no alto chama a atenção e os clics da máquinas fotográficas disparam.

 


Um rio com água azul turquesa, transparente, corre por entre as montanhas e presenteia a cidade com um visual que convida a querer ficar lá para sempre.

 


Fomos na feira, fizemos degustação e compramos verduras e queijos. Os queijos tem um sabor maravilhoso, dá vontade de comprar todos. O dono da barraca é quem faz os queijos e foi muito divertido provar seu produto e conversar com ele. 

Ele disse que gosta muito do Brasil e um dia quer ir conhecer. Ele é uma pessoa da zona rural e mesmo assim, como vários outros pela Europa, quando falam do Brasil, citam Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. Mostram um bom gosto quando lembram de nosso país.

 


Passeamos pela minúscula e maravilhosa cidade de Castellane, com dois ou três hotéis, uma igreja, várias lojas de souvenirs, muitos restaurantes e poucos outros comércios.

 

Voltamos para a ponte para apreciar um pouco mais daquela maravilha.

 


Seguimos viagem, ainda por estradas estreitas entre as montanhas, passando por pequenas cidades que na rua só cabe um carro, os outros tem que esperar. Quando vem um veículo maior, muitas vezes é preciso fazer manobras para que todos passem.


De Castellane a Sainte Marie, o trajeto continuou a encantar cada vez mais. É como um sonho. Às margens do rio cor azul turquesa, precipícios e paredões de pedras nos causavam suspiros de tanta emoção.

 


Pelas estradas vimos muitos motorhome, carros, motos e viajantes alternativos, ou melhor dizendo, realizadores de sonhos. A pé ou de bicicleta, os dois meios de transporte mais baratos que existe, eles seguem devagar, chegando aos mesmos lugares que outros chegam. 

O importante é dar o primeiro passo para uma bela e certamente inesquecível viajem acontecer, não importa o meio.

Em quase todos os mirantes, paramos para apreciar. Alguns com pequenas trilhas. Algumas nós fizemos a pé.

 


Com vistas ao Grand Canyon du Verdon, fizemos nosso lanche e a todo momento pessoas também chegavam para fazer seus lanches. 

Como as pessoas tem o hábito de trazer sua comida, existem poucos restaurantes pelas estradas.

 

 

Depois do lanche, mais caminhadas e mais vistas espetaculares foram solicitando nossas paradas até que chegamos novamente no Lago Sainte Croix, de onde se tem um ampla vista do Canyon, com aquelas águas que parecem que foram pintadas.

 

 

Terminamos de descer as montanhas, passamos novamente pela cidade Sainte Marie e fomos procurar os campos de lavanda. Andamos mais uns 20 km até que começamos a ver as plantações. São muitas lavouras da lavanda, que é usada na fabricação de perfumes, que por sinal, os franceses são mestres.

 

A florada da lavanda acontece no mês de julho e nesta época, setembro, praticamente não tem mais a cor da planta em grande quantidade. 

Nós já sabíamos que não iríamos ver a plantação florida mas queríamos pelo menos ver os campos onde elas florescem e atraem turistas do mundo todo, quando estão assim, no mês de julho.

 

Voltamos ao Lago e novamente os serviços com os barquinhos haviam encerrados, hoje mais cedo por conta da chuva que parecia cair a qualquer momento.

Voltamos a Sainte Marie, o tempo melhorou e subimos até a igreja encrostada na montanha gigante. Foi cansativo, o piso muito escorregadio mas, como bem escreveu Pablo Neruda, “se não escalas uma montanha, jamais poderá desfrutar da paisagem”.

 

 

Passando pelo Lago, rumo a nossa casa, paramos para ver um pouco de sol deixando o dia entre muitas nuvens.

Como não conseguimos navegar de barquinho pelo Canyon, decidimos na viagem de volta que, se amanhã ou depois resolvermos voltar, tudo bem, vamos nos encantar novamente.


Outro belo jantar regado a vinho rose, especialidade da região e, como aperitivo, queijo parmesão maturado por 38 meses, comprado do camponês que adora Tom e Vinícius. 

Ficamos um dia todo em casa, ouvimos música, incluindo Tom e Vinícius, comemos e nos divertimos em uma longa conversa com nosso vizinho, acompanhado pelo delicioso café da Ade. 

Ele só fala francês e nunca saiu da França. Hoje pela manhã ele nos trouxe uvas que ele mesmo colheu de sua lavoura.

Ele mora aqui durante 10 meses do ano, cuidando de suas três lavouras de uva e o restante do ano vive em Marseille. Tem 69 anos, segue uma vida saudável e vive sozinho. 

Apesar de ele não falar nada em português, espanhol e inglês, e nós nada de francês, a conversa foi ótima e divertida. A Ade era a tradutora se comunicando com gestos e fazendo mímicas, e ele entendia.

 

Pela terceira vez, saímos rumo a Sainte Marie, para navegar pelo Canyon. Nas duas vezes anteriores, paramos em tantos lugares bonitos que quando chegamos no lago o serviço de barquinhos já estava encerrado. 

Agora formos direto e nos encantamos muito com o canyon de paredões de pedra e o rio de água azul turquesa ou verde, talvez.

 

 

 

Navegamos calmamente com pedalinhos, parando, acenando para outros turistas e tirando muitas fotos.

 

 

 

Na beira do lago, paramos para um banho nas águas claras e até um cão nos adotou e nos ensinou a jogar o pauzinho para ele pegar. Ele corria pegar e voltava segurando com a boca e demorava a nos entregar, tipo medindo força. 

 

 

Nossa última noite no camping, foi com festa ao lado da piscina, não pela nossa despedida. Enquanto o cantor francês cantava músicas italianas, os franceses dançavam com passos ensaiados e, como nós no Brasil em dia de festas, soltaram a franga, bem diferente do povo que educadamente fala merci, pra tudo.

Levantamos cedo, tomamos café, carregamos a carrinha, nos despedimos dos amigos que fizemos e deixamos a nossa agradável casinha para conhecer novas terras, rumo ao Principado de Mônaco.