//38 – VALPARAISO, A TERRA DO POETA MAIOR

38 – VALPARAISO, A TERRA DO POETA MAIOR

Deixamos a metrópoles de Santiago e seguimos para o litoral do Oceano Pacífico, na região de Valparaíso, terra do poeta maior Pablo Neruda.

No caminho é impossível não entrar nas vinícolas. São muitas e ficam chamado a gente para conhecer a produção do néctar dos deuses. Entramos em algumas onde produzem vinhos e espumantes da melhor qualidade.

Seguimos por uma bela estrada pedagiada, tomada pelo trânsito intenso por conta de um feriado prolongado, cercada de vinhedos e montanhas.

Como de costume, chegamos na cidade e percorremos as ruas principais com a Caca para decidir depois onde estacionar e passear a pé.

Não tem estacionamento na cidade.

Saímos da beira mar, lugar plano, entramos pelas rua apertadas, cheias de becos, carros estacionados, sem condições de retorno e a Caca se espremeu para conseguir passar. Depois de muitas manobras que pareciam impossíveis, conseguimos encontrar uma saída para a região plana da cidade.

Ade já estava apavorada e todos ficavam olhando minhas manobras para poder sair daquela enrascada.

Teve momentos muito tenso até sairmos daquele beco, passando a 1 centímetros do poste, quase riscando o outro carro, subida, curva, descida, se eu cometesse uma pequena falha, seria um belo prejuízo, na certa.

Até nosso mascote, o Enchufe, ficou de olhos arregalados com as manobras que foi possível fazer com a Caca.

A cidade não tem praias badaladas, o porto fica no centro da cidade e a vida noturna acontece nas ruas estreitas entre os morros urbanos.

Valparaiso é uma galeria com pinturas coloridas enfeitando paredes, muros e até as pedras viram telas para obra de artes.

Quando se olha para os morros, as casas coloridas completam a obra de arte que se desenha na cidade.

Valparaiso é a terra que Pablo Neruda adotou para viver enquanto estava no Chile. O poeta maior foi casado com três mulheres e acabou a vida vivendo com um amigo, médico, chamado Sebastian.

Seria Pablo, Pablito?

Maldade minha. Seu amigo com quem dividiu a casa em Valparaiso, foi homenageado pelo poeta, que batizou sua casa com o nome dele, porem no feminino.

Seria Sebastian, Sebastiana?

Mais uma maldade minha, mas a casa se chama Plaza La Sebastiana, esta escrito na placa de entrada, mas deixa pra lá, o que realmente importa é que Pablo Neruda foi de grande influencia para o Chile e para a literatura mundial. Espalhou contos de amor por todo mundo e foi reconhecido com o Prêmio Nobel de Literatura em 1971.

Subimos um enorme morro até chegarmos na casa onde viveu o poeta, que estava fechada para nós e outros vários turistas que chegavam a todo momento.

Pablo Neruda foi um comunista declarado, eleito senador e indicado cônsul do Chile na Espanha. Foi pré candidato à presidência, mas desistiu para que Salvador Allende vencesse. Depois veio o golpe militar, em 1973, liderado por Augusto Pinochet, que destituiu Allende e perseguiu Neruda. Uma das versões sobre a morte de Neruda, alerta que ele foi envenenado a mando de Pinochet.

A irmã de Allende escreveu em seu livro que Pablo morreu de tristeza e os médico afirmam que foi câncer de próstata, que fez sucumbir o maior poeta do século XX, em 1973, logo após o golpe militar.

Rodamos muito pela cidade tentando encontrar um lugar para estacionar e não conseguimos. Parei numa praça para conversar com um policial e ele me assustou dizendo que eu não deveria deixar o carro sozinho.

Apesar da polícia ser bem equipada e estar por todos os lados, observamos muitos cacos de vidros quebrados no chão e muitos carros com vidro tapado com plástico, destruído por ladrões oportunistas, sinal claro de que o roubo por aqui é comum.

Quando me viram tirando fotos, esses três inocentes pediram para sair no retrato diante da força bruta dos veículos de combate ao crime.

Todos falavam para tomarmos cuidado. Diziam para não deixar o carro sozinho, para não mostrar o celular em público, para carregar a bolsa na frente do corpo, para cuidar da carteira, dos óculos e não deixar nada à vista.

Neurose de ser roubado.

Pelo menos noventa por cento de todos que conversamos, tanto em Santiago como em Valparaiso, nos deram estas recomendações. Mesmo sem perguntarmos, eles nos alertavam, inclusive os policiais.

Povo assustado com seu semelhante.

O policial me disse que quando prendem um ladrão, levam para delegacia, registram o fato é soltam imediatamente, sem qualquer prejuízo ao meliante. Eu perguntei ao policial por que vocês não dão uma surra neles. Ele disse que os ativistas dos direitos humanos ficam de olho o tempo todo tentando encontrar algum mal trato para poder denunciar e aparecer na mídia.  Bom seria se…

…os direitos humanos fossem para humanos direitos.

Encontramos um canto no pátio de um supermercado e, mesmo ressabiados, deixamos a Caca sozinha. Passeamos a pé pela cidade, almoçamos, fizemos compras no mercado e voltamos para o camping no final da tarde para degustar um delicioso churrasco em nossa pratica e econômica mini churrasqueira.

O cachorro na foto caminhou com a gente durante um bom tempo, sempre perto da Ade, nos protegendo e nos guiando pelas vielas íngremes e sem saídas, na encantada Valparaiso.