//40 – GÊNOVA – ITÁLIA

40 – GÊNOVA – ITÁLIA

 

Partimos agora para desvendar a região de Gênova, ainda na região da Ligúria. Fomos pela estrada litorânea e percebemos que os italianos são especializados na escavação de túneis e cortes nas montanhas. 

Até agora, uma amostra muito boa da Itália, especialmente das pessoas.

Passamos por várias pequenas cidades que parecem todas iguais, especialmente na chegada e na saída. Uma descida cheia de curvas até o nível do mar, uma avenida com calçadão, praias de pedras, praias privadas, casas nas montanhas, às vezes um castelo e muitas igrejas.

 

 

 

Paramos algumas vezes para descansar das curvas e apreciar a paisagem.

 

Nossa carrinha já tem um pouco de cada coisa de uma casa, agora foi adquirido também uma planta, são ervas finas plantadas em um vaso. Tempero caseiro.

Chegamos na comunidade de Gênova e fomos procurar nosso hotel. Que dificuldade. O hotel tem um nome no local e outro no site de vendas. A rua indicada não foi localizada pela nossa portuguesa GPS e restou lembrar daquele velho ditado, que abrasileirado ficou assim: “quem tem boca vai a Roma”.

A dona do hotel, Olga, nos recebeu muito bem, mostrou nossos aposentos, que fica isolado do prédio maior, com toda a infraestrutura que precisamos.

Fomos conhecer Gênova e para estacionar a carrinha, conversamos com um senhor que cuida da regulamentação do estacionamento e ele perguntou se eu falava italiano, disse que não e ele disse que falava francês e inglês. Na Europa é assim. Os mais simples trabalhadores são poliglotas. Nos enrolamos no inglês e consegui deixar a carrinha estacionada de forma regular, a 2,50 Euros por hora.

Saímos a pé e logo em seguida encontramos o memorial da vitória, um enorme arco, como tantos que existem na Europa.

Ao lado do monumento, um belo jardim com flores formando desenhos de caravelas e âncoras, muito bem cuidado.

 

A cidade é de altos e baixos. Por um bom tempo andamos por cima, olhando os prédios pelo teto.

 

 

Em um dos prédios foi construído uma piscina com a borda voltado para um paredão de concreto onde, certamente, as brincadeiras ficam restritas. Nem pensar em deixar as crianças sozinhas.

Entramos na Igreja San Stefano, a mais antiga da cidade, onde um senhor e uma senhora, de forma muito carinhosa nos contou sobre a relíquia da cidade. Atrás do altar tem uma cripta que guarda restos mortais de santos sem muita expressão, mas eram santos.

Subimos pela Via XX Settembre, pelas calçadas coloridas e protegidas da chuva e do sol, com lojas e restaurantes para todos os gostos.

 

Passeamos pelas ruas do centro Histórico, na verdade a cidade toda é histórica, com seus milhares anos de existência. A cidade foi fundada pelos Gregos, no século IV a.C., mas o porto é ainda mais antigo. A cidade foi destruída em 209 a.C., depois reconstruída pelos Romanos.

As vielas do centro histórico, onde carros não circulam, ficam desertas na hora do almoço, mas logo começam aparecer gente de todos os lados.

A Catedral de Gênova é dedicada a São Lourenço, foi fundada no século V e destruída pelo fogo em 1.296. Sua reforma foi concluída em 1.312.

Paramos para tomar mais um delicioso sorvete e seguimos até encontrarmos as atrações na marina.

Ao lado do aquário, um empresário teve uma boa idéia. Comprou e, mais ou menos, reformou o navio pirata. Resolvemos entrar para viver a emoção de pisar onde os piratas navegavam. O dono nos disse que ele comprou o navio, construído em 1.672, reformou e agora cobra ingresso dos visitantes.

O navio pirata Neptune tem 62 metros de cumprimento por 17 de largura. Pesa 1.500 toneladas e uma vela de 4.500 m2. Quando os ventos não estavam a favor, dezenas de escravos remavam às custas de chicotadas.

Notei que muitos dos materiais usados na construção, não eram da antiguidade. Pensei que foram adaptados na reforma. Depois fiz uma pesquisa sobre o navio e descobri que ele nunca pertenceu aos piratas. É apenas uma réplica, usado como cenário para um dos filmes de Roman Polanski. A construção da réplica foi na década de 80, durou 2 anos e custou por volta de 8,2 milhões de dólares. Enganador, anuncia uma coisa e na verdade é outra.

 

Paramos para comer a comida dos pescadores, um saquinho de papel com peixes, camarões, lula, polvo e pão, tudo frito na hora.

Passamos pelo Palazzo Ducale, palco para um museu, um teatro e exposições temporárias. Este palácio é um dos principais edifícios de Gênova. 

O palácio foi reconstruído em 1.778, um ano após ser destruído por um incêndio, que causou um grande tumulto. Todos temiam que o fogo alcançasse o depósito de pólvora que, se explodisse, destruiria a cidade.

Neste palácio, em 2001, foi instituído o famoso G8, com os oito países de economia mais abastadas.

Em Gênova tem 42 palácios classificados como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e outros 71 que não são reconhecidos. É uma cidade de Palácios, famílias enriqueceram muito depois do século XII, quando os genoveses partiram para as cruzadas, trazendo ricos saques como sedas, pedras preciosas e as especiarias culinárias mais requisitadas na Europa.

Em frente ao Palazzo Ducale, uma fonte de águas e, nesta época, esta jorrando água cor de rosa, em homenagem ao Outubro Rosa, manifestação mundial de alerta ao câncer de mama.

Depois fomos conhecer o monumento que homenageia Cristovan Colombo, em frente a estação de trens, que também já foi um palácio. Colombo, que usava o porto de Gênova como um de seus portos seguros, tem grande reconhecimento na cidade. No centro da cidade está preservada sua casa de veraneio, que hoje é um ponto para visitação de turistas.

 

Gênova tem um longa tradição religiosa e, na cidade, já nasceram 4 papas: Inocêncio IV (1.243 a 1.254), Adriano V (um mês em 1.276), Inocêncio VIII (1.404 a 1.406) e Bento XV (1.914 a 1.922).

Saímos conhecer as cidades da região até chegarmos em Recco, com praias privadas de pedras, mas com boa estrutura. Os banhistas sofrem para entrar no mar, são muitas pedras e machuca os pés. Eles vão de chinelo até a água, jogam o chinelo nas pedras, fora da água e na saída, vem “pisando em ovos” até alcançar os chinelos novamente.

Interessante, os banhistas tem uma prática de trocar de roupas usando a toalha para se cobrir. Vimos um mulher que chegou com roupa normal, tirou a blusa, o sutiã, a calça e a calcinha, depois vestiu o maiô. Um pouco sempre aparece. Depois vimos um homem e outra moça fazendo o mesmo. As crianças, até os dez, doze anos ficam peladas para se trocar.

Voltamos pelas curvas que deixam para trás as curvas da estrada de Santos. Aqui, mesmo pensando no meu mundo, não dá para pisar mais fundo, talvez não dê tempo de corrigir num segundo e o abismo está ao lado.

Dia seguinte ficamos em casa, curtindo o clima da montanha, a rede e as deliciosas comidas que Ade prepara.

Saímos novamente pelas curvas e partimos para conhecer pequenas comunas no interior, todas de séculos passados, que ficam afastadas do mar. Os nomes não importam por que elas são todas muito parecidas. Vem de muitos anos, poucos habitantes, sempre tem uma igreja enorme e outras menores, às vezes um castelo, quase sempre uma ponte e ruas apertadas.

Os carros que não podem entrar nas ruas, ficam estacionados fora da cidade em espaços apropriados. O lixo também fica em coletores fora da cidade. Cada um leva teu lixo nas lixeiras.

 

 

 

No outro dia voltamos para beira mar, conhecer La Specia, uma cidade maior que vive em função do porto, do turismo por ser a porta de entrada da famosa Cinque Terre.

Andamos pela cidade e não vimos qualquer atração que valesse a parada e voltamos para casa.

 

 

Hoje foi dia de caminhada pela montanha. Caminhamos 15km pelas montanhas próximas do hotel, passando por pequenas vilas com construções antigas e todas com uma igreja com sino que badala a cada meia hora.

Em uma das comunidades conhecemos um morador que vive na cidade nos finais de semana. Ele nos contou várias histórias da região, desde o tempo da guerra quando os moradores abandonaram suas casas com medo dos invasores e quando voltaram encontraram suas casas destruídas. Reconstruíram quase tudo, muitas ainda estão em ruínas.

Ele nos mostrou um pé de castanha com mais de cem anos, que produz um fruto que, como diz ele tem uma lenda, serve para disfarçar o odor do corpo e afastar os animais. Basta usar uma semente no bolso. Via das dúvidas, como estávamos caminhando na floresta, andei um tempo com a semente no bolso.

As árvores da parque tem uma função muito importante na ida dos moradores, especialmente no inverno. O corte e o replantio é constante, nunca falta madeira. 

Pelo caminho encontramos outra curiosidade com uma das árvores, que estava engolindo uma placa. 

Continuamos nossa caminhada, passamos por outra comunidade onde vivem apenas 4 pessoas, mas tem uma igreja.

Pelo caminho ficamos na dúvida quando haviam duas opções. Escolhemos uma e erramos, andamos 40 minutos a mais, depois voltamos para o caminho que levava ao topo.

Chegamos ao topo da montanha, de onde dá para ver o mar e as espetaculares cadeias de montanhas, descansamos um pouco e iniciamos a descida, agora pelos estradas conhecidas.

Voltamos para casa, como publicou a Ade em seu feceboock, “os donos destas botas estão morridos de canseira”.

Dia todo em casa, curtindo a paz das montanhas, com um silêncio que somente os pássaros interrompem. O oxigênio tem um sabor de sobrevida que os pulmões agradecem a cada inspirada.

Durante nossa permanência no hotel da montanha, fizemos uma grata amizade com a proprietária Olga e com sua mãe de 93 anos. A Ade ficou muito amiga das duas, trocaram receitas, conversaram muito e, lembre, a Ade não fala italiano e nem elas falam português, mas se entenderam muito bem.

Estou percebendo nesta viagem que, com a espontaneidade da Ade, o idioma não é uma barreira como tantos pensam. Ade já conversou em português brasileiro com os portugueses de Portugal, com espanhóis, com franceses e agora com italianos. 

Para se estabelecer a comunicação, mesmo com idiomas diferentes, basta simpatia, boa vontade, paciência e muitos gestos que a conversa flui.

Antes da nossa partida, fomos até a casa da nona para nos despedir. Ela ficou muito feliz, nos ofereceu licor de rosas, tiramos fotos e fomos embora alegres com a simpatia de uma senhora idosa que ainda lustra toda a sua casa sozinha e caminha pela vila na montanha.

Saímos da comunidade de Gênova, passando novamente pelas 120 curvas nos 8 km do hotel até a estrada principal, a Ade contou.