//40 MOSQUEIRO – PA

40 MOSQUEIRO – PA

 

 
Saímos de Belém rumo a praia de Mosqueiro, a principal área de veraneio do povo do Pará.  Areias escuras, água de rio escura, ondas pequenas e todo infraestrutura de uma praia.
 
Chegamos num domingo, final de feriado e os hoteis ainda estavam lotados e praticando preços absurdos pelo pouco que ofereciam.  Um deles, com diária de 150 reais, certamente, não deveria ser alugado pelo estado péssimo de conservação.  Indicaram uma casa onde o dono aluga quartos e também era horrível.  
 

Finalmente alguém nos indicou um hotel fazenda com uma boa estrutura e preços módicos. Fomos conhecer e ficamos na Praia do Paraíso.

 

Com a maré baixa, desponda uma faixa de areia margeada por um calçadão, onde as pessoas se reúnem para o bate papo, paquera ou fazer exercícios.

 

 

 

Voltamos ao centro da cidade passear pela feira tipo paraguaizinho e fazer um lanche na tapiocaria com várias bancas, com cozinheiras uniformizadas, um bom aspecto de limpeza e uma boa tapioca de queijo.

 

Na beira rio, dezenas de carros com som potente disputam o poder de barulhos ensurdecedores, onde cada um decide o estilo de música que quer tocar, sem se importar com o estilo ou a potência do carro ao lado.
 


Meninas com roupas sensuais e meninos afeminados dançavam de tal forma que se os pais ou avós os vissem, certamente e imediatamente, os mandariam direto para casa. A policia observa todos os cantos.

 

Voltando para o hotel, fomos parados por uma vistoria policial. Deu ordem para que parássemos, pediu os documentos, conferiu o número da placa e disse que o licenciamento estava muito atrasado e que eu estava com um problemão. 

Eu disse a ele que o documento estava em ordem e que ele se olhou no ano de fabricação da moto e não do licenciamento para fazer o comentário. Depois de esclarecido, o policial ficou meio sem graça que sequer pediu para ver minha habilitação e os documentos pessoais. Elogiou a moto e liberou para que fossemos embora.

 

A praia fica cheia de detritos da própria natureza, vindos pelas correntezas dos rios. São troncos de árvores, folhas, raizes e semente de várias espécies.

 
Uma breve colheita  a Ade encheu a mão com sementes de diferentes espécies, grande e médias.

 

Pela manhã fomos para uma aventura, tentando chegar até uma pequena ilha, possível de ir caminhando com a maré baixa. 

 
Quando chegamos notamos que a água subia muito rapidamente e já não dava para ir até a ilha. 

Ficamos contemplando a beleza do lugar e quando percebemos, já havia dificuldades para voltarmos por onde fomos.  Andamos pela água e escalamos algumas rochas para encontrar novos caminhos até a praia.

No trajeto encontramos uma enorme árvore com três troncos saindo de uma mesma raiz. A força da maré está deixando a gigante sem chão.

As pedras não são lisas para o caminhar e algumas formações são maleáveis e com liga que facilitam o artesanato de figuras e vasilhames. Ficamos um tempo fazendo bonequinhos e vasinhos de barro.

 
A força da maré do rio, ou seria rioré, chega a alcançar 3 metros de variação, destruindo quase tudo na praia. Árvores com raizes expostas e caídas interrompem a faixa de areia e deixam expostas raizes que nos permitem ver árvores de baixo para cima.  
 


As barracas de praia foram destruidas em menos de um mês com as águas grande de março, como chamam por aqui.  As emissoras de televisão fazem reportagens mostrando a desgraça e o lamento dos proprietários, fazendo críticas ao descaso dos governantes. 

 
Falei a um repórter que filmasse e falasse também das lanchonetes de madeira que resistiram aos efeitos do rio e ainda permanecem em pé, diferente das que foram construídas com tijolos e concretos que desabaram. Pedi a ele que falasse da melhor qualidade da madeira para a reconstrução. Alem de resistir ao rio, fica mais integrada com a natureza. 

Ele me pediu para gravar uma entrevista sobre o que eu falei, disse a ele que seria melhor entrevistar um especialista em construções e mesmo assim ele insistiu para que eu gravasse esta observação e eu topei. Pronto, saí na televisão.

O banho e a diversão ficaram prejudicados e perigosos com os galhos e troncos de árvores caídos na faixa de areia e dentro do rio.

A melhor opção para refrescar o forte calor da região eram as piscinas do hotel. Ainda tinham cavalos, quadras esportivas, bosque para caminhadas, auditório e confortáveis chalés, espalhados por uma enorme área na beira da praia.

 

 
Uma enorme torre construída para uma antena de recepção, foi muito bem aproveitada com cinco apartamentos redondos, como se fosse um farol.

 
Fomos até o Correios para enviar mais uma caixa com artesanatos juntados de Belém, Manaus, Ilha de Marajó e da Praia de Mosqueiro.

Saímos da Praia de Mosqueiro, antes do previsto, por que o hotel é enorme, somente nós de hóspedes e um vigia que dormia a noite. Decidimos ir embora também chateados pelo descaso do café da manhã. Como não haviam outros  hóspedes, não houve interesse em servir o café completo. Reclamamos e mesmo assim não fomos atendidos no dia seguinte.
 
Fomos embora e paramos para dormir em Paragominas, que é considerada a cidade modelo do Pará. Foi projeta e fundada por moradores do Pará, de Goiás e de Minas Gerais, dai o nome da cidade. 

 
Eles receberam terras do governo para desenvolver na região a indústria das matas. A idéia era desmatar e montar serrarias para empregar o povo da nova cidade. O negócio deu tão certo que a cidade chegou a ter o título de “a cidade que mais desmata no Brasil”. 
 
Depois surgiram os defensores da natureza e começaram a intervir fiscalizando, criando regras, proibindo, multando, exigindo autorizações, enfim, conseguiram desistimular a indústria da mata e gerar multidões de desempregados.

 
Com a instalação de uma grande mineradora na cidade o progresso voltou, mas logo que a construção ficou pronta, foram embora as tercerizadoras e o marasmo da cidade voltou. 

 

Agora esperam novos rumos com a inauguração do SENAI, que por enquanto ainda só tem cursos voltados para a grande mineradora mecanizada, informatizada que poucos empregam. 

É um grande desafio. Se incentivam a indústria da mata, são rechassados por ambientalistas. As exigências de autorizações para a agropecuária, desinteressam investidores. O comércio é pequeno onde o proprietário cuida. A indústria não se instala por que não tem atrativos. A região não tem turismo, não tem festas religiosas e o que resta é a ajuda do governo com bolsas de incentivos. Aqui descobri mais uma ajuda que se chama Brasil Carinhoso que doa 80 reais para as mães com filhos pequenos. 

Assim criamos uma cultura de dependentes quando deveríamos formar cidadãos que buscam suas próprias soluções, que consideram seus recursos e necessidades, que saiam sozinhos da suas zonas de conforto e se neguem a receber migalhas que caem, especialmente do estado e vindas por caçadores de voto. Como eu disse, o desafio é grande, demorado mas creio que não  é impossível.


A cidade é limpa, o trânsito é educado, as pessoas são simpáticas e não tem gente carentes pelas ruas. 

Depois de uma noite de sono, seguimos por estradas cheias de desníveis, com muito verde, muitas fazendas cercadas e poucos postos de gasolina até  chegarmos em Imperatriz. 

 
Procurando por hotéis já ficamos com vontade de ir embora. Por culpa de duas grandes obras na cidade os hotéis melhores estão lotados e os piores querem praticar valores absurdos. Encontramos uma pousada nova, a um valor também alto, sem cafe da manhã e nos instalamos. Tomamos um banho e saímos passear pela cidade e novamente deu vontade de irmos embora.

Chegamos até às margens do Rio Tocantins, onde a cidade se reúne para a diversão e caminhadas.

 
Por lá existem várias barraquinhas de guloseimas, bebidas, comidas típicas e muito mosquito que pousa em nossa pele, pica muito ardido e novamente ficamos com vontade de irmos embora.

 
Voltamos jantamos em um bom restaurante ao lado da pousada e fomos dormir agora já decidido que vamos embora amanhã. 
 
A cidade não tem atrativos de turismo, o trânsito é caótico e as calçadas são impraticáveis. Passamos por rampas, pisos escorregadios, postes, orelhão e mesas de lanchonete ocupando o espaço e, principalmente, os desníveis  absurdos das calçadas em relação ao asfalto. Sério, encontramos calçadas com o meio fio de meio metro de altura.

 
Imaginamos como sofre na cidade uma pessoa com necessidades especiais,  idosos ou impossibilitados temporários. 

 

Jantamos em um bom restaurante ao lado da pousada e fomos dormir, agora já decidido que vamos embora amanhã. 

Novamente na estrada rumo a Carolina, na Chapada das Mesas, paramos para comer frutas, quando um estrondo chamou a atenção.  Duas motos colidiram, uma ficou sobre a outra e logo uma multidao surgiu para ver mais de perto. Os condutores nada sofreram, conversaram, levantaram suas motos e sairam empurrando sem chamar a polícia por que nenhum tinha documentos dos veiculos.