//45 CHAPADA DOS VEADEIROS – GO

45 CHAPADA DOS VEADEIROS – GO


Saímos de Palmas pensando em dormir em Paranã, metade do caminho até Alto Paraíso de Goiás. Como a Estrada estava boa e a viagem agradável, resolvemos seguir. 

Como pelo caminho não tem boas opções de pouso, decidimos rodar 600 km até o próximo destino. Tudo bem, não fosse a surpresa que veio na segunda metade da viagem.  Um asfalto ruim, cheio de buracos pequenos e grandes, em péssimas condições. 

Passando por uma cidade que tem Belo no nome, mas na verdade não tem nada de belo.  Deu vontade de xingar o prefeito e eu xinguei baixinho. Asfalto com buracos posicionados de tal forma que você sai de um e cai no outro. 
 

 

Os moradores também são culpados, pois deveriam exigir uma decência na conservação da cidade. Os buracos menores continuaram por uns 80 km e a forma menos terrível de conduzir a motocicleta, foi em velocidade acima 80 km/h, tornando a viagem mais perigosa e menos desgastante para a moto, eu e Ade. 
 
Apesar da estrada ruim a beleza do caminho merece destaque. Montanhas, falésias e veredas de vários tamanhos e cores. Passamos por elas com o sol se pondo, e chegamos em Alto Paraíso de Goiás,  porta de entrada da Chapada dos Veadeiros. 

 

Procurando por pouso, paramos em um hotel todo decorado com motivos extraterrestre e a Ade já dispensou dizendo que iria ficar com medo. Achamos uma pousada toda com motivos medievais. A construção em forma de castelo, a decoração com escudos, espadas, brasões, castiçais, bandeiras, portas, jardins, nome dos quartos, trincos, tudo relacionado ao tempo dos Cavaleiros Templários. 

 

Depois de uma bela sauna, fomos jantar em um restaurante com um cara tocando um violão daquele jeito fácil e bonito, com excelente repertório. Artista de qualidade agradável. A comida do restaurante é produzida por eles mesmos, sem carnes.
 
Conhecemos a gerente do restaurante e seu esposo, que é o gerente da pousada que estamos hospedados.  Conversamos por um tempo.
 
Voltamos para nosso castelo para uma noite de reis, em um belo apartamento.  Pela manhã, apreciando o ótimo café, o gerente nos disse que ele estava oferecendo um upgrade nos nossos aposentos. Passou nos de um apartamento simples para uma suite master, por pura gentileza. 

 

 

Aceitamos e agradecemos. Deixamos o apartamento com o nome de Brunor, que foi um grande lutador, cujo brasão significa força, coragem e ação, para o que leva o nome do Rei Arthur, que foi o grande conquistador que dominou 13 reinados, reconhecido como um guerreiro brilhante e idealista. O Rei Arthur, durante seu reinado entre o ano 500 ao 550, manteve seu ideal através da ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda. 

Em cada apartamento e no salão do café, cartazes na parede contam o história da idade média.

 

Saímos a pé para uma caminhada de 16 km, ida e volta, para conhecer as Lóquinhas. Mais de uma dezena de cachoeiras, nascentes e poços com águas frias e transparentes. 

Os caminhos até chegar aos atrativos são sinalizados e vez ou outra avistamos pássaros, borboleta, macacos, camaleão e árvores gigantes.  O local é muito organizado e limpo. Na portaria tem banheiros, água de filtro e local para descanso. As trilhas são calçadas com madeira e direcionam para cada um dos vários poços e cachoeiras. É quase impossível distinguir o local mais belo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por aqui, existem as casas normais na cidade e casas excêntricas na zona rural e em grandes terrenos.


Pela cidade e nos locais de passeio passam muitas pessoas diferentes. Pertencem a um clã de alternativos. 

 

Os alternativos são pessoas místicas, vestem roupas largas, tem cabelos e barbas cumpridos, usam sacolas, sandálias, muito coloridos, tatuados e até com cajado de madeira vimos pessoas circulando. 

São dois povos diferentes que vivem no mesmo espaço e praticamente não se relacionam, os nativos e os alternativos. 

Contam que aqui também vivem alternativos nobres como a filha de uma princesa, o neto de um grande inventor do passado, o filho de um dos principais acionista de uma empresa mundial, artistas, escritores e atores famosos. 

 

 

 

 

Esta é a cidade que não iria acabar com o fim do mundo em 21/12/2012, como previam os Maias.  Neste dia, contam os moradores, foi uma invasão de pessoas de várias religiões e seitas de todo planeta. Muitos a espera de serem abduzidos por seres de outro planeta. 

A cidade virou uma babilônia com rituais de orações, cantos e danças. A praça central foi pequena para tantos desejos. Muitos dos que vieram para o fim do mundo ficaram por aqui, outros foram embora no dia seguinte decepcionados por que o mundo não acabou.

 

Várias pousadas são místicas e muitas luxuosas. Entramos em uma toda decorada com motivos extraterrestre, outra com uma suite de 280 metros quadrados com tudo que há de mais requinte para um alternativo, outra com apartamentos em formato de disco voador e a que ficamos toda decorada com motivos medievais. 
 
Nos restaurantes tem comidas para os normais e comidas para os alternativos que, diga-se de passagem, é muito saudável e saborosa. 
 
Fomos conhecer o Vale da Lua onde tem uma seqüência de corredeiras e estruturas tipo caldeirões, presentes ao longo do ribeirão São Miguel.  A área é composta de pedras de cor cinza-esverdeado, esculpidas pelas força da água ao longo de milhares de anos. 

A área é perigosa e, apesar de cobrar a entrada, pouca benfeitoria foi feita para facilitar e tornar o passeio mais seguro. 

 

 

 

 

 

Por aqui sempre morrem pessoas ou ficam paraplégicas por falta de orientações. No ano passado foram dez acidentes graves.

Caminhando em áreas de pedras altas, buracos, cachoeiras e, especialmente, mergulhos em piscinas naturais e poços de água é importante lembrar: 

  • Use calçado adequado;
  • Muita atenção onde pisa e onde segura;
  • Verifique sempre a profundidade do local de mergulho;
  • Não mergulhe em águas com menos do dobro de sua altura;
  • Entre na água colocando primeiro os pés;
  • Não mergulhe em águas turvas;
  • Saltos de pontes, árvores, barrancos ou pedras aumentam o risco de acidentes;
  • Crianças devem sempre estar acompanhadas por adultos responsáveis;
  • Se ingerir bebidas alcoólicas, não mergulhe;
  • Fique sempre atento com a presença de insetos e animais peçonhentos. 


O caminho até o Vale da Lua foi tenso. Um trecho de 22 km sem asfalto, foi um desafio para o piloto, carona e para a moto. Areias, pedras pequenas e grandes soltas, buracos de tamanhos variados, valetas, subidas, descidas e poças d’água, fizeram do percurso uma aventura, por paisagens maravilhosas. 


Na volta encontramos com um grupo de motociclistas e um deles ainda estava tremendo com a queda que acabara de sofrer. Andar na terra como moto feita para asfalto até é possível, mas não recomendável. Se tiver que ir, mantenha velocidade baixa, use preferencialmente o freio traseiro e sempre suavemente.  Nas descidas mantenha a primeira marcha e nunca freie a roda dianteira em curvas ou passando por buracos, areia ou pedras soltas.

 

Passamos por um organização não governamental que se ocupa em ajudar crianças e disseminar a sustentabilidade e ensinar formas alternativas para moradores da região. 

Lá tem restaurante, horta, trabalhos manuais e atividades de produção de alimentos e plantios. Fomos para comprar verdura e a cozinheira preparou um café produzido por eles, acompanhado de um pão que acabara de sair do forno. O prazer de estar naquela cozinha rústica e organizada e saborear aquele alimento saboroso é indescritível. 

 

 

A noite fomos para a casa do gerente da nossa pousada, a convite dele e de sua esposa,  onde a Ade preparou um jantar que ficou delicioso. 

Eles vieram conhecer a cidade e não mais pretendem voltar para a vida agitada de São Paulo, onde viviam como professores. Foi uma noite digna de guardar na memória pela eternidade. 

 

Ficamos curtindo a pousada pela manhã e depois fomos almoçar no seu Waldomiro. que prepara o Matula, uma comida muito saborosa com feijão, farofa, abóbora, carne de lata conservada na banha, salada de tomate, arroz e pimenta.  

Antes da refeição tem uma degustação dos licores que o Waldomiro prepara.

 

Um amigo do Waldomiro fez uma homenagem aos licores e mandou fazer este cartaz.

 

Durante a estadia no restaurante conhecemos um casal de cariocas a passeio bate-volta e um rapaz goiano que já se aventurou pelo mundo pedalando sua bicicleta. Contou da pouca roupa, de dormir no mato, de fazer sua própria comida, da falta de banho e de muito se parecer com um mendigo para evitar ser roubado. Agora encontrou Alto Paraíso, alugou uma chácara e se estabeleceu. É mais um alternativo na cidade.

 

Na volta paramos em uma casa aos pés de um morro que muito parece com uma baleia gigante. O nome da montanha é baleia. Lá mora um artista de qualidade, que ainda faz suas obras, mas saiu do comércio das artes e não se intitula um artista, por que agora suas obras são somente para a posteridade,  para ficarem expostas naquele lugar onde mora, que ele chama de santuário. 

 

Sua arte é de alta qualidade e muitas criadas no passado, ao valor de um automóvel popular, decoram hotéis, palacetes e salões de eventos no mundo todo. 
 
O local onde mora é muito bem cuidado, sua casa em estilo rústico, com jardins e arborização planejados. Um pouco mais abaixo, com vista para um grande vale e ao fundo a montanha baleia, fica uma construção rica em detalhes, com salas de aula, dormitórios, banheiros, cozinha e um templo de oração. 

A energia elétrica e eólica, a água é de poço e as construções foram feitas para aproveitar a luz do dia. Suas belas obras ficam espalhadas pela casa e no quintal.

 

Dentre as várias peças que vimos, ele apresentou duas que ainda não quer divulgação. Uma delas, pediu para não tirarmos fotos e só mostra para poucos. Para nós ele mostrou e explicou como irá funcionar uma escultura em aço, ouro, pedras semipreciosas, cristais e fibra de carbono, que é um captador de energia cósmica. Ao mostrar impediu que a gente sequer tocasse na obra.
 
A outra obra, que ele já divulgou parcialmente, tem quase  3 metros de altura e foi concebida com teoremas e geometria para que a obra ficasse em equilíbrio. Esta é a obra da sua vida e já fazem 25 que ele começou e ainda não concluiu. É uma peça de rara beleza visual que causa emoção ao observar. É perfeita nos detalhes, no acabamento, na pintura, no minério nobre usado e no equilíbrio perfeito que ele conseguiu. É um cavalo alado na posição empinado, apoiado somente na pata traseira esquerda, numa perfeita harmonia.  Ainda faltam as asas do cavalo que ele nos contou como será, mas pediu segredo por enquanto.

 

Pediu para a empregada fazer um café e depois, mostrando mais obras, contou-nos várias passagens de sua vida. Abandonou os grandes centros e escolheu Alto Paraíso de Goiás para ficar na eternidade.


Ele nos fez um convite especial, pediu para que adiássemos nossa viagem, para participar de um evento no belo templo em seu quintal. Um importante líder espiritual, virá com a missão de resgatar pessoas especiais para o céu verdadeiro, esquecido e escondido dos humanos por eras de civilização. 

Repetiu por várias vezes o convite e disse que nós não paramos ali por acaso e que estávamos com a oportunidade de aprender os três segredo que nos levará para a vida eterna no céu verdadeiro. 

 
Eu adorei todo aquele misticismo, conceitos novos de vida, estilos diferentes de pensar, comer, vestir e dormir, valores morais e crenças voltados para o puro respeito e amor ao próximo. 
 

Depois de uma tarde transcendental, voltamos para casa e a Ade me disse que ficou com receios e não quer voltar para receber os três segredos de entrada para o céu verdadeiro. Respeitando seu pedido, não voltamos.  Espero que uma outra oportunidade apareça para que eu receba os três segredos sagrados.

 

Na estande da pousada tem livros com títulos que remetem aos grande clássicos, como Vidas Amargas, Ulisses, Tocaia Grande, O Nome da Rosa, O Palácio dos Desejos, Sagarana, Memórias do Cárcere, Olga, O Perfume, A Grande Travessia e tantas outras grandes obras literárias, a disposição dos hóspedes. 
 


Os detalhes da construção parece que teve a ajuda de um verdadeiro Cavaleiro Templário. Por vários lados tem bandeiras e cartazes contado fatos da idade média e apresentando diversos brasões e personagens da época. 

 


O nome Camelot é homenagem ao castelo onde se reuniam, duas vezes por ano, os Cavaleiros da Távola Redonda, para contarem suas fantásticas peripécias. 

O Rei Arthur comandava o grupo de guerreiros que tentavam unificar a Inglaterra e expulsar os saxões. Muitos ainda duvidam se realmente o Rei Arthur existiu ou foi uma lenda que ainda perdura. O fato é que até hoje, seguidores, descendentes ou renascidos Cavaleiros Templários da Ordem de Cristo, deixam suas marcas com este belo castelo onde estamos hospedados. 

 

Pela manhã os filhos do gerente vieram na pousada e tivemos horas de convívio agradável, com o garoto de 5 anos e a menina de 2 aninhos, que acalmou um pouco a  saudade da nossa Princesa Sophia. Foi muito bom o carinho que recebemos. Foi aniversário do garoto e ele disse que gostava de pedra amarela. Procuramos na cidade e o presenteamos com uma a pedra que ele queria.
 
Fomos conhecer a cachoeiras no Vale de Cristal, onde caminhamos por 800 metros, por trilhas de acesso difícil mas que a natureza deixou degraus de pedras e raízes e corrimões nas árvores. No chão vamos pisando em dezenas de pequenas pedras de cristais.  Mesmo com degraus naturais é indispensável os cuidados a cada passo para não perder o equilíbrio. 

 

Pelo caminho entradas nos levam até o leito do rio com águas límpidas, com corredeiras e quedas d’água, cada uma de beleza exclusiva. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na recepção um empregado nos contava que depois daquele morro, moram os alternativos milionários do mundo todo, em enormes mansões e cada um com seu próprio heliporto. Disse que por aqui muita gente já viu luzes estranhas circulando pelo céu mas nunca viram um ser extraterrestre.

 

Depois do jantar tipicamente alternativo, uma salada com verduras, legumes, castanhas, queijos e flores, muito bem temperada pela Ade, ficamos tempo observando uma raridade da natureza. 


Foi muito legal ficar olhando, fotografando e tentando descobrir como aquilo acontecia. Pena que as fotos não ficaram boas e não será possível mostrar.

Seria uma grande nave espacial estacionada atrás da lua? Seria um reflexo dos cristais da região, haja vista ser esta a cidade mais brilhante do planeta visto do espaço? Seria excesso de energia emanada das mentes brilhantes que vivem por aqui? Na verdade acho que foi um simples alinhamento de nuvens, umidade e claridade da lua cheia, que desenharam um belo e redondo arco-íris com todas as cores circundando a lua. Foi lindo ver um arco-íris redondo.
 
Pela manhã saímos pela cidade comprando roupas e produtos que os seres alternativos usam. Numa loja de pedras o dono se propôs a me ensinar a lapidar e fazer jóias se eu fosse trabalhar com ele.  Pronto, já tenho até emprego na cidade dos alternativos.

Passamos no Alemão do mel para provar e comprar na pequena loja mas com uma diversidade do produto impressionante. Jamais havíamos visto tantos sabores de mel e tanta qualidade dos produtos.

 

Alto Paraíso de Goiás pertence ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, está a 1.300 metros de altitude, clima tropical de montanha, seco e frio no inverno, ameno e úmido no verão. Ararás, Anús, Tucanos e muitos gaviões com seus vôos maravilhosos vivem aos montes na região.

 

Esta cidade é mesmo diferente. Conhecemos um pouco das idéias e formas de vida dos seres alternativos que vivem por aqui. 

O brilho dos cristais, as águas cristalinas, as belas cachoeiras, o clima agradável e a variedade de mentes ilustres, acabam dissipando energias que provocam uma vontade de ficar mais. Postergamos duas vezes a nossa partida.
 

Não saímos nesta nossa viagem de moto pelo Brasil para encontrar opções de vida, como deduziu o artista galáctico que conhecemos na montanha da baleia. Nós saímos para conhecer tudo que existe, sem querer ficar longe de nossas pessoas, por isso vamos para Brasilia nosso próximo Trecho. 

Um pouco antes de deixarmos a pousada, o filho do gerente ligou e pediu para falar comigo. Agradeceu o presente, a pedra amarela, e desejou uma boa viagem, que nós fossemos com Deus e ofereceu sua casa para quando voltarmos. Seu pai e sua mãe também já haviam oferecido a casa deles para quando voltarmos.