//46 BRASÍLIA – DF

46 BRASÍLIA – DF

Saímos de Alto Paraíso de Goiás, num dia muito bonito, andamos 60 km por asfalto ruim e outros 180 km com asfalto muito bom, até chegarmos em Brasília.



Na chegada, ligamos para o João, que junto com sua esposa Cida e sua irmã, ainda em Alto Paraíso de Goiás, nos ofereceram uma kitinet que eles tem em Brasília e pouco usam. 

 
Paramos próximo a um shopping e a Cida foi nos buscar para guiar-nos até a kitinet, no sudoeste, bairro nobre da cidade. A Cida ainda levou toalhas e lençóis para gente se hospedar. Incrível como pessoas que pouco conhecemos, nos ofereceram sua casa, ligaram várias vezes para saber se estava tudo bem, nos levaram em sua casa para um almoço de domingo, apresentaram seus parentes e ainda nos levaram para passear pela cidade. 

Nos instalamos na bela kitinet, agradecidos por pessoas tão boas e de fácil amizade. A Cida e o João, agora aposentados, gostaram da nossa viagem e o João até já fez uma planilha preliminar, a ser planejada com viagens a curto, médio e longo prazo. 

Insistimos para que em um dos roteiros, incluam Curitiba, que estaremos também de braços abertos para hospedá-los e lhes apresentar as belezas da nossa região. 

 

Pela manhã saímos para caminhar no Parque da Cidade, próximo da nossa nova morada. Um parque bonito, bem cuidado, gente bonita fazendo exercícios, churrasqueiras, lagoas, com muitas opções de descanso e lazer.  

Entramos de um lado e saímos do outro lado do parque. A faixa maior do asfalto é para pedestres e a menor para ciclistas.

 

 
Voltamos pelas ruas passando pelo Centro de Convenções, pelo Museo dos Povos Indígenas e pelo Memorial de JK. 

A homenagem ao índio, está em uma construção muito bonita e prática para visitas.  No centro do prédio redondo, tem um espaço para apresentações de danças e rituais. Segundo o vigia, os índios não gostam de vir aqui. Dizem que é muito moderno para os costumes deles.
 

 

 


O Memorial JK foi dedicado ao presidente brasileiro, fundador de Brasília. No local estão seus restos mortais e uma coleção de pertences pessoais e fotografias.

O monumento é uma referência ao símbolo do comunismo, que era uma ideologia do arquiteto e não do então presidente. Somente depois de pronta, a obra recebeu críticas de setores reacionários.

O comércio na região é bem diversificado. As lojas, edificios públicos e residenciais são todos muito bonitos. 

Os edifícios não passam de seis andares e todas as quadras tem locais exclusivos para estacionamento.  

 

Brasília foi concebida para o locomover das pessoas, usando veículos motorizados. Os lugares são distantes, tornando quase impossível fazer toda a rotina do dia-a-dia a pé. 


Um dos locais importantes da cidade que todos tem os mesmos direitos, é a faixa de segurança para travessia de pedestre. Nela, pobres e ricos, estendem o braço e os motoristas param para dar passagem imediatamente, mas é somente nas faixas que eles param.

Passamos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e sentamos para ver uma manifestação sindical, buscando melhores acordos coletivos. Depois, pela cidade, passamos por outras manifestações. 

Os prédios da administração pública do Distrito Federal e da Federação competem entre sí, cada um mais santuoso que o outro.

 

Incrível como os arquitetos conseguiram dar movimento ao concreto, especialmente nos monumentos.

 

 

 

 

Fomos na quadra onde se concentram as concessionárias e oficinas de moto, para lavar a moto. Os motociclistas se concentram ali no sábado pela manhã.

Muitas motos bonitas, motociclistas estilizados, churrasquinho, bebidas e até um bingo beneficente, acontecia para ajudar um mecânico que ficou doente. 


Conheci alguns motociclistas e dentre eles um bêbado. Bem trajado, moto potente, com aquele típico jeitão de quem já havia bebido, logo pela manhã. Disse que gosta de andar de moto quando bebe e disse também que anda de moto o tempo todo, ou seja, bebe o tempo todo. 

Já caiu várias vezes, destruiu várias motos, quebrou vários ossos e gosta de andar em alta velocidade. 

Me disse que a esposa o abandonou e que ele sequer  pode ver os filhos e se afunda ainda mais na bebida. Tentei alguns conselhos dizendo que andar de moto e bebidas não combinam, que ele deveria viajar, conhecer novas pessoas, mas ele não ligou muito e foi embora dizendo que iria para um clube de bebidas, onde ele tem umas garrafas que é só dele. Me convidou para ir junto mas não aceitei. Tentei impedi-lo dizendo que ali estava legal e ele nem ligou. Jogou uma lata de cerveja ainda pela metade, subiu em sua moto cara e foi embora, certamente com seus reflexos alterados, abusando da sorte mais uma vez.

 

Saímos para conhecer mais uma parte de Brasília, passamos pela catedral, cravada na terra, muito bonita e ponto obrigatório de visita dos turistas. 

 

 

As esculturas suspensas deixam no interior da catedral, uma sensação ainda mais celestial. A acústica é impressionante. Mesmo falando baixo o som se propaga com excelente qualidade.

 

 

 
Fomos conhecer o Supremo Tribunal Federal, a verdadeira sala de justiça do Brasil cuja Missão, que alguns políticos atuais por interesses próprios, querem mudar, é.  

 

 

Para exemplificar, cito uma notícia recente veiculada na web, sobre uma das decisões do STF, que votou pela derrubada de uma Lei do Estado de Goiás, que tentava driblar a proibição do nepotismo no serviço público. Este julgamento do STF foi o mais rápido da história e durou 5 minutos. Após a leitura, os juízes riram e votaram à unanimidade pela declaração de inconstitucionalidade da lei.

Por esta e por outras defesas da ordem nacional, querem acabar com os guardiões da nossa Constituição



Na frente do palácio tem uma escultura de 3,3 metros nominada como “A Justiça”. 


A representação da justiça com uma figura feminina, remonta à mitologia de uma deusa grega, Themis e de uma romana, Iustitia, que representam a percepção aguçada, julgamento perspicaz, prudência, fortitude e a temperança, sempre com justiça.  

Os olhos vendado, erroneamente interpretados por muitos, é para demonstrar imparcialidade total. 

Eu penso também erroneamente. Acho que a justiça deveria enxergar todos os lados para exercer a imparcialidade baseada em fatos e evidências, para dar o ganho a quem tem o direito e não somente a quem tem provas.

A Justiça também está na porta da frente, que dava acesso ao plenário, numa escultura em bronze. Que ironia. Como a própria Justiça pode estar lacrando a  porta principal do Supremo Tribunal. Outras entradas estão nas laterais, mas a principal ficou apenas simbólica. Que as deusas mitológicas perdoem nossa inocente falha na abertura da porta principal da casa que as representam.

 

Passamos pelo salão nobre, onde são recepcionados os Chefes de Estado que visitam o Supremo. 


Pelo salão branco que abriga a galeria de retratos dos ex-presidentes do STF,  pelo salão nobre,  pelas salas dos ministros e pelo plenário, onde são feitas as reuniões do magistrado. 

Somente não foi permitida a visita na sala do Presidente do STF.


Apesar de o Brasil ter se declarado um Estado Laico, em todas as salas tem um crucifixo, em local de destaque, projetado pelos arquitetos criadores, mesmo sabendo que o Estado é Laico.

 

Conta a história, que o Presidente da República a época da construção da nova capital, pediu para o arquiteto projetar uma casa de pombos, pois a sua mulher queria algo para preservar as aves no local. 
 

O arquiteto disse que a obra não fazia parte do projeto e que mulheres deveriam ficar em casa fazendo comida e lavando roupas, não dando palpites na construção da Capital do País.  Levou uma bronca do Presidente, que lhe disse que era a Primeira Dama que estava pedindo e que ele deveria atender e projetar a casa de pombos.

 
Maldosamente ele projetou uma casa de pombos em um enorme prendedor de roupas para reafirmar que mulheres deveriam ficar em casa, lavando roupas. 
 
Com tamanho preconceito, não sei como as mulheres ainda não exigiram a demolição do monumento, que está na praça em frente ao Supremo Tribunal. Ele é feio e sujo, mas atendeu ao desejo da Primeira Dama, os pombos moram lá. 

 

 

Brasília é também muito bonita a noite. Paramos em um parque na margem do Lago Paranoá, com belos restaurantes, caminhos, monumentos e lojas, com uma linda vista da cidade iluminada

 
Assistimos uma apresentação de MPB com um som muito agradável de uma banda e suas cantoras de qualidade. 
 

 

 

 

Fomos conhecer a feira dos importados e produtos regionais, que fica em enormes barracões, onde se vendem de tudo, com boa qualidade e preços acessíveis.

 

 

Saímos de moto para passear sem destino pela bela Brasília. Passamos pelos bairros residenciais e fomos ao Parque Nacional de Brasília, onde tem minas que formam piscinas, com águas que se renovam a cada três horas.
 
No Parque os macacos aterrorizam os freqüentadores, roubando alimentos, óculos e celulares. O que não for comida, os primatas chatos e atrevidos quebram. 
 
Quando eles aparecem todos gritam para tomar cuidado e eles enfrentam as pessoas. 
 

 

 

Depois fomos conhecer a residência de veraneio da Presidência, que fica em um bairro chamado Granja do Torto, onde a Presidente atual nunca vai e tem um batalhão de empregados e vigilantes para cuidar de um lugar onde ninguém freqüenta e também não recebe visitas.
 

O exército eficaz, cuida com esmero dos governantes. Fomos entrando até que um soldado trajando paletó e gravata, nos impediu de forma polida e decidida.

 

Depois fomos passear nas ruas onde estão as mansões da cidade e, na frente de uma delas, paramos para comer pitangas e acerolas deliciosas, plantadas na calçada. 
 
 

Fomos no Congresso Nacional e fizemos uma visita acompanhada por um guia que nos mostrou todos os salões, salas e plenários da casa. Passamos pelo Senado e pela Câmara, onde as sessões estavam acontecendo. 


Lá é proibido tirar fotos e existe um forte esquema de segurança. Antes de entrarmos nos plenários, deixamos todos os pertences em uma sala com vários guardas cuidando. 

No Senado haviam 3 senadores, onde deveriam ter mais de 80, e na câmara 5 deputados, onde deveriam ter mais de 500. Isto em pleno dia de trabalho. O guia tentou justificar dizendo que eles estavam atuando nos seus estados ou participando de Comissões Parlamentares.


A Câmara tem tantos Deputados que faltam cadeiras para todos, por isso fica aquela aglomeração no corredor do  plenário em dias de votações de repercussão. Segundo o guia, o arquiteto projetista jamais imaginou que seriam tantos.

No Senado e na Câmara é proibido tirar fotos e existe um forte esquema de segurança. Antes de entrarmos, deixamos todos os pertences em uma sala com vários guardas cuidando. 

Durante as sessões uma autoridade fala, enquanto os outros lêem jornais e falam no celular. Disse o guia que é sempre assim e que eles discursam apenas para registro oficial da fala, mesmo assim, achei uma falta de respeito para com aquele que discursava. 
 

Numa galeria de fotos dos Senadores  atuais, descobri que no meu Estado tem um que eu nunca ouvi falar o nome dele nos processos eleitorais. Ele é apenas um suplente, mas é Senador da República, mesmo sem receber um único voto do povo sequer. 

 
 
Em um dos vários corredores, uma estranha alusão ao desconhecido, representado por um painel com o caractere da interrogação. Ficamos sem entender a mensagem. Sem a Ade brincando no painel, fica apenas a interrogação, justamente na casa onde deveriam ter respostas e não perguntas. O autor da arte deve explicar melhor que eu.

 

Não se alarmem, o Congresso Nacional não estava em chamas. Esta foto eu tirei por detrás do fogo, do alto da pira que fica acesa o tempo todo na Praça dos Três Poderes.

 

 

Fomos até a residência oficial da Presidência, onde um batalhão de repórteres fazem plantão na sombra de uma enorme mangueira, somente para fotografar e tentar entrevistar as pessoas importantes que por ali aparecem. Um deles nos disse que é horrível ter que ficar ali esperando por um flagrante.

 

A Bandeira com o Brasão da República estava hasteada. Ela fica ao lado da Bandeira do Brasil e do Mercosur, indicando que a chefe do poder estava em casa. 


Pedimos para tomar um café com a Presidenta e um dos engravatados do exército que cuidam do local, nos disse que seria impossível, sem a menor chance. Complementou dizendo que as atuais autoridades e seus parentes que passam por aquele portão, normalmente são arrogantes e nem se quer acenam para as pessoas que querem vê-los e tirar uma foto como recordação.

 

 

A noite fizemos o nosso plano de viagem e amanhã vamos para um novo Trecho.
 

Vamos deixar Brasília, uma cidade bonita, moderna, onde a mordomia dos governantes e de seus servidores, formam uma multidão de pessoas abastadas, que exibem suas riquezas pelas ruas e moradias no Plano Piloto da cidade. 

Os servidores dos servidores moram nas cidades satélites, viajam e caminham quilômetros por horas, por que a cidade não foi projetada para aqueles que não possuem veículos próprios, contrapondo o que o imortal arquiteto criador da cidade disse um dia, enaltecendo o prazer de ajudar o outro.