//49 – ROMA – ITÁLIA

49 – ROMA – ITÁLIA

 

Roma será agora a nossa base para conhecermos um tanto ainda maior da história da Itália, um dos berços da civilização.

Nosso hotel fica na região metropolitana, onde a tranquilidade prevalece. A rua aqui tem o mesmo nome, mas não é a mesma rua. Nossa amiga portuguesa GPS nos levou para uma rua que não era a do hotel. Perguntamos primeiro para um jovem, que falou muito rápido e não deu para entender direito.  Estávamos bem perto do hotel e ele nos mandou para longe. Perguntamos para uma moça e ela ria bastante mas não sabia onde era o hotel. Depois um senhor nos informou um lugar errado, ainda mais longe. Pedimos ajuda novamente para a portuguesa e ela nos levou novamente no lugar de antes. Perguntamos mais uma vez e estávamos ao lado. Todos foram bastante solícitos, apesar de imprecisos. Só a portuguesa estava certa.

A confusão se deu por conta do comércio onde está o hotel. Na verdade é um club, com quadras, piscinas, academia, restaurante e um hotel.

Fomos recebidos muito bem, a moça da recepção nos levou até o apartamento, de boa qualidade, que nos abrigará pelos próximos dias.

Ade preparou um belo risoto com lula, polvo e camarão, jantamos saboreando um vinho italiano, regado por um belo azeite, parmesão esparramado e tabasco para apimentar um pouco, legal né?

Dormimos numa cama confortável e acordamos tarde no domingo. Tomamos café e saímos passear pelo centro de Roma.

 

 

Chegamos no Vaticano, no centro de Roma, estacionamos a carrinha bem próximo, domingo não paga estacionamento, e partimos a pé conhecer a região vizinha do Santo Papa e de muitos santos.

 

Quando chegamos o Papa já havia aparecido na janela, como faz todo domingo às 11 horas em ponto. Sempre uma multidão fica aguardando a aparição.

O papa Francisco, quando ainda era cardeal, morava em um apartamento, junto com outros cardeais, do outro lado da morada oficial, onde ficam as janelas que ele aparece para saudar o povo. 

Após eleito, papa Francisco preferiu continuar morando junto com os cardeais, mas quase todo domingo ele atravessa o Vaticano para saciar um gosto dos fiéis.

 

Andamos despreocupados pela Praça de São Pedro, observando tudo e todos. São quase todos os países representados pelos seus turistas fiéis ou não, que chegam sozinhos, acompanhados ou em grupos de excursão.

 

Entramos em uma fila enorme para entrar na maior igreja do mundo. Foram por volta de 30 minutos até chegarmos na porta da bela catedral.

Na fila um casal, já com idade, cortou fila em nossa frente, disfarçando como quem estava com vergonha mas eram certamente sem vergonhas. Resolvemos não falar nada por que era uma fila para visitar um local santo e eles estavam pecando na entrada, tirando proveito na cara dura.

Ao passarmos pelo detector de metal, que não detecta nada. Passei com meu canivete suíço. O guardião parou a Ade, pediu para ela sair da fila, depois outra garota também foi impedida de entrar por que estavam com os ombros à mostra. Ade, sempre prevenida, tirou um lenço da bolsa e cobriu os ombros, entrou.

Ade se preocupou com a garota que ficou retida e, como ela, duplamente prevenida, estava com uma blusa na bolsa, voltou e ofereceu sua blusa para a garota, que pode entrar junto com seu namorado. Acabamos ficando junto durante a visita. A garota é espanhola e o rapaz é italiano, ele já havia visitado o Vaticano e nos contou detalhes que ele conhecia. Ficamos o tempo todo juntos dentro do santuário.

A igreja, maior do mundo, é muito bonita, com símbolos, estátuas e telas que tomam todas as paredes.

 

 

 

 

Na dota abaixo, uma tampa de bueiro que leva subsolo, onde guardam segredos que sequer imaginamos. Dizem que existem muitos túneis em baixo do Vaticano, que guardam segredos e relíquias que somente alguns já tiveram acesso.

Subimos até a cúpula da catedral. São 551 degraus, mais de 40 escadas e corredores estreitos que uma pessoa um pouco mais robusta não passa, são realmente estreitos e algumas paredes são inclinadas.

Chegamos no topo e a visão de quase toda Roma é fantástica.

 

 

Do alto da cúpula, também é possível observar o centro administrativo do Vaticano e o belo jardim, muito bem cuidado, cheio de obras de arte, arvores diferentes e muitas flores. Só faltaram pessoas tomando proveito de toda aquela beleza, não se via ninguém.

 

 

 

Descemos da cúpula, nossa já amiga devolveu a blusa da Ade e saímos a passear um pouco mais pela enorme Praça de São Pedro, sobe o olhar do Pedro, com as chaves na mão.

 

Interessante a mistura de costumes. A guarda do Vaticano, que mais parecem arlequim, fazem continência quando uma eminência passa, não tenho nada com isso, mas achei estranha a continência. Penso que a igreja não precisa desta similaridade com o exercito, pois são extremos, enquanto um existe e treina para matar se necessário, o outro treina e existe para dar vida a todos que necessitam.

Detalhe, a eminência não bate continência, somente o arlequim, digo guarda papal, ou melhor, Guarda do Vaticano.

Deixamos o menor país do mundo, voltamos para Itália, passando por várias lojas onde o comércio é dominado pelos indianos, que vendem de tudo que fazem lembrar a religiosidade. Os preços até que são módico. Tem de tudo, desde um rosário até um avental de cozinha com o belo sorriso do simpático papa Francisco.

Até os pedintes exploram a religiosidade. Vimos alguns deles pedindo esmolas como se estivessem rezando, inclusive com um rosário no copinho de moedas.

Paramos para um lanche e voltamos pegar a carrinha que já estava longe. Passeamos por mais umas duas horas mas estacionar foi praticamente impossível. 

Algumas fotos da noite romana, fizemos de dentro da carrinha. Resolvemos deixar para conhecer mais atrações nos outros dias.

Fomos conhecer o castelo onde aconteceu um dos casamentos de Ton Cruise, na pequena cidade de Bracciano. 

No horário que chegamos já estava fechado e só vimos de fora onde o glamour do casamento parou a cidade e ainda é um dos principais fatos acontecido. 

A igreja estava aberta.

 

A pequena cidade fica a beira de um enorme lago de águas mornas e transparentes, com uma bela estrutura para o banhista com calçadas, restaurantes, lanchonetes, barquinhos de aluguel e mergulho.

Voltamos para o centro histórico de Roma e entendemos o por que não ir de carro. Andar de carro é como em qualquer cidade grande. Agora, para estacionar é um caos. Nas ruas nem pensar. Encontrar uma vaga é quase impossível. Grande parte delas são reservadas para moradores e eles não tiram o carro do lugar.

Os parques para estacionamento são poucos e os centrais lotam já pela manhã. O valor fica em torno de 18 Euros por dia. Foi mais de uma hora até que conseguíssemos estacionar.

Começamos o passeio pela “Piazza di Spagna” e certamente uma foto na boca do leão, onde muitos param para fotografar.

Na “Scalinata di Trinità dei Monti”, sempre uma pequena multidão fica sentada. Turistas descansando, desocupados e estudantes em alegres conversas.

 

 

Depois andamos vagarosamente. Fui pedir uma informação para um ambulante e ele tentou me vender um mapa por 2 Euros. Logo em seguida entrei em um hotel e ganhei o mapa. Durante todo nosso passeio, encontramos apenas um escritório de turismo.

Passamos pela “Via del Corso”, uma das principais ruas de comércio de Roma, com praticamente todas as melhores marcas mundiais da moda.  A Via cruza o centro histórico e vai da “Piazza Venezia” até a “Piazza del Popolo”.

 

 

Passamos pelo Templo Adriano, construído para homenagear o Imperador Adriano, que hoje é um edifício comercial, já bastante modificado.

Até o gladiador que estava em frente ao monumento foi modernizado, falando ao celular.

Encontramos o Panteão, construído em 27 a.C., ainda em bom estado de conservação.  Desde que foi construído está sendo utilizado. Primeiro como templo dedicado aos deuses, depois como templo cristão e agora como importante ponto de visitas em Roma.

 

Na época da construção o exibicionismos era também estampado nas fachadas com escritas. 

Na fachada do Panteão a escrita significa: “construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul”.

O interior de mármore e as portas de bronze, guardam restos mortais de ilustres personalidades italianas, como religiosos, pintores renomados, arquitetos, reis e rainhas.

Por toda a sua volta, no interior da igreja, estão nichos com altares, dedicados às divindades.

 

O Panteão é famoso por sua bela cúpula, com 43 metros de altura, a mesma medida do diâmetro da base.

O Panteão influenciou várias gerações de arquitetos que, mesmo após séculos ainda copiaram sua estrutura na construção de auditórios, universidades, bibliotecas e igrejas, em várias partes do mundo.

 

Chegamos na brasileira “Piazza Navona”, uma das mais celebres praças de Roma. Ela fica em frente ao “Palazzo Pamphili”, propriedade da Republica Federativa do Brasil, sede da Embaixada Brasileira.

A praça foi projetada para facilitar os exercícios, manejos de armas e desportos, por ondem do Imperador Domiciano, que pediu que o local pudesse abrigar até 20 mil pessoas para assistirem a força do poder imperial, constantemente exibidos.  Na sua criação o nome era “Circo Agonístico”, passou por várias atualizações das traduções, até o nome atual, Navone, que coincidentemente, também significa “grande navio” na língua italiana.

 

Passamos pelo “Campo de`Fiore”, campo das flores, uma das poucas praças que não tem igreja em Roma. No meio da praça tem uma estátua de 1.881, em homenagem a um filósofo, queimado vivo naquele local, por ter afirmado que a terra girava em torno do sol, assim como fez Galileu Galilei.

Continuamos andando pelas ruas apertadas, com pouca orientação geográfica, mas com o mapa nas mãos em busca de novas atrações. Roma é mesmo interessante até onde não é famoso. Do nada podemos encontrar belas construções, igrejas, museus, exposição de artes e monumentos que não estão escritos no roteiro principal.

 

 

Paramos um pouco para descansar e apreciar as ruínas do “Largo di Torre Argentina”, uma praça onde estavam alguns templos da República Romana  e o Teatro de Pompeu. Estou escrevendo que lá existia tudo isto por que pesquisei, por que, na verdade, lá só tem pedras sobre pedras e esparramadas com mato crescendo.

No local já foram, literalmente, descobertos 4 templos que já estavam soterrados. Ainda existem evidências de outros monumentos no local, que não podem ser escavados por que a cidade já está em cima.

O nome da praça não tem qualquer relação com a sulamericana Argentina, mas sim com a cidade de Estrasburgo, cujo nome era “Argentorato”. O arquiteto que a construiu no século III a.C., colocou o nome de uma das torres de Argentoratina, em homenagem à terra onde nasceu. Hoje a chamam de “Largo di Torre Argentina”.

Chegamos na gigante “Piazza Venezia”, considerada o centro de trafego citadino. Ali é talvez o pior local para se atravessar uma rua em Roma. As ruas são largas, existem poucas faixas de pedestres, a maioria não tem semáforo e os motoristas não gostam muito de parar. É preciso estar atento para atravessar.

A praça está no Monte Capitolino, uma das sete colinas de Roma e abriga o imponente monumento “Vittoriano”, também conhecido como  “Monumento do Soldado Desconhecido”, vigiado o tempo todo pela guarda nacional, ilumindo por eternas chamas em duas piras.

Máquina de Escrever, Bolo de Noiva e elefante Branco, são apelidos que o edifício ganhou ao longo do tempo.

O edifício já serviu como fortaleza, prisão e local de assassinato de criminosos políticos, que eram atirados do alto para morrer nas pedras afiadas do desfiladeiro. 

No Império Romano foi ponto de observação dos generais e foi onde Julio César sofreu um grave acidente seis meses antes de ser assassinado. 

O palácio foi remodelado por Michelangelo, já foi sede papal, palco de aflamados discursos de Benito Mussolini e sede do governo municipal.

Atualmente abriga museus e duas igrejas superpostas. No alto a Igreja de “San Giuseppe del Falegnami” e em baixo,  a “San Pietro in Carcere”, datadas do ano 616 a.C..  A igreja guarda muitas obras de artes nas paredes e túmulos pelo chão.

Ainda  abaixo das igrejas era a prisão “Mamertina”, onde provavelmente estiveram detidos os Apóstolos Pedro e Paulo.  Nesta prisão ficavam somente presos importantes que ficavam ali antes de serem desfilados e sacrificados em público.

No altar da capela inferior, onde o público não está tendo acesso, fica uma cruz invertida, retratando a forma que São Pedro teria sido crucificado.

 

No espaço entre os palácios, ficam dezenas de pequenas estátuas, a maioria de homens nús, em homenagem aos deuses menos considerados. Os mais considerados foram homenageados com enormes estatuas. Todos tinham pintinhos pequenos, apesar disto, dizem os italianos, não se deve dar as costas a nenhum deles.

Passamos também “Trevi Fontain”, a fonte mais famosa de Roma. Enfrentamos uma enorme fila para passar por uma passarela, ouvindo os guardas gritando para que a fila andasse mais rápido.

Naquele local existia a única fonte de água potável em Roma. A praça foi destruída e depois reurbanizada com esculturas enormes. Durante nossa visita a Fonte estava em reforma, cheio de tapumes, não vimos quase nada da obra de arte consagrada. 

Os depósitos de água estão secos e mesmo assim os turistas se aproximam para jogar uma moeda na fonte seca. Conta a lenda que quem joga uma moeda na fonte, um dia irá retornar a Roma. O povo é esperto, querem voltar jogando apenas moedinhas de 1, 2 ou 5 centavos de Euros.

 

Pesquei uma foto da internet de quando a fonte não estava em reforma.

Assim foi nosso dia e ainda passamos por outras construções e ruínas famosas, mas o legal também em Roma e andar pelas vielas sem medo de se perder.

Entramos em várias lojas e passeamos pela “Via del Corso” até a “Piazza del Popolo” e voltamos para a “Piazza da Spagna”, com chuva, cansados, pegar a carrinha e voltar para casa.

 

 

Ficamos o dia todo em casa, comendo e navegando na net. A tarde assistimos um pouco de uma partida de pólo aquático na piscina do hotel. Apesar do hotel ter um bela estrutura para exercícios, não aproveitamos.

Novamente para o centro de Roma, agora mais espertos com o transito, fomos direto para um estacionamento e não teve o estresse do outro dia. Dirigindo a carrinha em Roma, já aprendi que os romanos não olham no retrovisor, param onde querem, não sinalizam suas intenções, buzinam muito e entram na sua frente como se fosse sempre a vez deles.

Paramos bem próximo e fomos visitar a igreja “Santa Maria in Cosmedin”, onde fica uma máscara, provavelmente uma tampa de esgoto do passado, esculpida em mármore, batizada como a “Bocca dela Verità”, boca da verdade.

No local uma fila de maridos e namorados esperam para fazer o teste com suas esposas e namoradas. Algumas ficam meio preocupadas, querendo saber mesmo se é verdade, se já aconteceu antes…, sei não. Outras querem que seus maridos também façam o teste, se bem que a lenda conta que só valia para as mulheres.

Na Idade Média era usada para testar a fidelidade das mulheres. Os maridos levavam suas esposas até a Boca e as obrigavam a colocar suas mãos dentro dela. Conta a lenda que se elas fossem infiéis, a boca se fecharia decepando suas mãos.

Ade fez o teste e pediu para que eu também fizesse. Tremi na hora. Pensei, vai que ela confunde minha mão com a de um infiel. Brincadeira, passei no teste. 

É engraçado na fila observando as brincadeiras com a fidelidade.

 

Brigitte Bardot é uma das figuras famosas que fizeram o teste e também não perdeu a mão. 

Uma mulher comentava depois da foto com o marido, “isto é tudo mentira”. Acho que esta tinha culpa no cartório.

Entramos na igreja para conhecer a cripta onde existe um altar em homenagem a Hércules, o deus da força. Hércules era identificado com uma pele bronzeada, forte, viril, mulherengo e grande lutador, defensor dos fracos e oprimidos.

O deus Hércules ficou conhecido em todo planeta, por conta de vários filmes que reinventaram suas peripécias.

Passamos pelo “Circus Maximus”, um enorme parque, hoje em fase de recuperação para integrar o espaço no urbanismo romano atual. 

Antigamente, pelo menos dois séculos a.C., o circo era onde aconteciam os festivais, corridas de bigas, combate entre gladiadores, entre animais e martírios de cristãos. Chegou a reunir até 385 mil espectadores.

O Imperador Domiciano construiu seu novo palácio sobre o monte Paladino para assistir aos espetáculos de suas varandas. O monte Paladino era o centro da cidade e, conta a lenda, foi onde Roma começou.

Também no monte Paladino, estão as ruínas do Fórum Paladino, em homenagem ao deus dos pastores. Neste local foi edificada a cidade quadrada de Rômulo.

Vestígios arqueológico nesta área, comprovam ruínas de muitos séculos a.C..  Conta a lenda que a deusa Reia Silvia engravidou do deus Marte e gerou dois irmãos, Rômulo e Remo. Como punição do Rei Amulio, que queria que Reia fosse dele, mandou jogar as crianças no Rio Tibre. Como um milagre, o cesto onde estavam as crianças encalhou e uma loba os acolheu, amamentou e cuidou até que um pastor os resgatasse.

Os irmãos viveram uma boa vida, tornaram-se guerreiros, partiram para novas conquistas e mais tarde, voltaram para a região onde foram abandonados e fundaram sua própria cidade, no monte Paladino, em homenagem aos pastores que os criaram. 

A nova cidade foi batizada de Roma, em homenagem a Rômulo, que ele mesmo escolheu. Hoje restam apenas ruínas de uma rica história.

 

 

Ali também existiu o Fórum Romano, uma extensa praça retangular tomada por ruínas. O local era o centro de Roma, onde aconteciam as cerimonias triunfais, de eleições, discursos públicos, processos criminais e confronto de gladiadores.

 

 

Dizem que ainda existem vestígios do passado enterrado no local, que perde um pouco a originalidade por conta das várias ferragens usadas como passarelas e para sustentar paredes e colunas. Tem que caprichar na foto para não aparecer o moderno no meio do antigo.

O local abrigava outros foros, várias igrejas e monumentos de homenagem aos deuses, reis e imperadores. Cada um queria uma obra mais vultuosa que o outro. Muitos monumentos foram destruídos para que outros fossem construídos, como acontece ainda hoje, quando um político abandona ou destrói obras de seus antecessores.

 

 

 

Ali também fica o Coliseu, um anfiteatro construído nos anos 80 d.C., para 90 mil espectadores que se reuniam para assistir espetáculos de gladiadores, execuções e outros entretenimentos de massa.

 

O local onde está o anfiteatro era um enorme lago e uma casa dourada, que Nero mandou construir. No local também Nero mandou esculpir uma estátua dele, com 16 metros de altura. Esta estatua, dizem que está no museu do Vaticano. Tudo foi destruído pelo incêndio de Roma provocado pelo próprio Nero em 64 d.C.. 

O também Imperador Romano Vespasiano, aplicando a famosa política de pão e vinho, mandou destruir o que restou do palácio e do lago de Nero e construiu o anfiteatro para diversão do povo. 

Com o passar do tempo, vários outros reis e imperadores  destruíram e reconstruíram o grande anfiteatro. Conta a lenda que o local é sagrado e nunca foi totalmente destruído por que é protegido pelos deuses. Eu acho mesmo que ele ainda não ruiu por completo, por conta de suas enormes colunas de sustentação.

 

Além dos combates entre gladiadores, na arena também aconteciam caças aos animais importados da Africa, como rinocerontes, hipopótamos, elefantes, girafas, crocodilos e avestruzes, mas especialmente leões e panteras. No ano de 404 foram proibidas os sacrifícios de humanos, sendo apenas massacrados animais, que às vezes matavam os caçadores, só assim, no combate, era permitido o sacrifício de humanos.

O anfiteatro foi constuido com lugares separados para os nobres, para a classe média e, os lugares mais afastados, eram destinados para a plebe e para as mulheres.

O coliseu é o maior símbolo da cidade de Roma e um exemplo de arquitetura.  O local é um dos pontos turísticos mais reconhecido e visitado do mundo.

Continuamos nossa caminhada, paramos para um sorvete. Pode pedir qualquer sabor, todos são deliciosos, mas é bom perguntar qual o vendedor recomenda. O  sorvete pequeno é enorme e você pode escolher dois sabores. Fica em torno de 2 Euros.

Tomamos o sorvete admirando a fantástica “Basílica San Giovanni in Laterano”, considerada a mãe de todas as igrejas.

Está foi a igreja mais bonita que eu e Ade já vimos. Ela é imponente, alta, cheia de belas obras de arte. Nas paredes do salão principal estão esculturas em mármore, finamente esculpidas, com três metros de altura, dos Apóstolos de Jesus.

 

Na Basílica também está o Trono Papal, o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Existem vários papas e santos que ali tem seus restos mortais depositados. Em um deles, os fiéis costumam jogar moedas e fazer pedidos. Fontes de água que jogam moedas eu já vi várias. Jogar moedas no túmulo é a primeira.

Tudo na igreja é muito bonito, as paredes decoradas com mármores, colunas enormes com pedras de mármore, três órgãos lindos de tubos, vários altares finamente decorados e uma porta enorme na entrada.

Do lado de fora da Basílica, está o “Obelisco Laterano”, maior de Roma com pouco mais de 45 metros de altura, construídos pelos faraós no Egito, trazidos a mando do Imperador Constantino.

A família Constantino gostava mesmo das obras do Egito. A matriarca da família, mandou trazer a escada que Jesus subiu para falar com Pôncio Pilatos, antes da crucificação. 

A “Scala Santa”, escada santa, está em um edifício vizinho à “Basílica de San Giovanni”, onde as pessoas sobem de joelhos em promessas ou pedidos de milagres.

Quase não dá para ver a escada de tantas pessoas que sobem de joelhos. 

Se em Toulouse na França encontramos o espinho santo, aqui a escada é santa. Tudo bem, objetos santos também induzem a fé em muitos fiéis.

Estatuas em mármore mostram algumas cenas da condenação como o beijo de Judas e a cara de “lavo minhas mãos” do Pôncio.

Vivemos mais um dia de grandes histórias do passado, muito legal poder estar onde os fatos aconteceram. Voltamos para o estacionamento, pegamos a carrinha, passamos no supermercado, achamos muito caro a nossa pouca compra e fomos para casa, mais um vez cansados de tanto andar, subir e descer escadas.

Dia seguinte fomos procurar o cemitério de San Calixto e quem disse que encontramos. Nossa portuguesa GPS nos levou duas vezes para longe de onde queríamos. Por três vezes parei para perguntar e cada pessoa me dizia um jeito diferente de chegar. Não chegamos, mesmo depois de duas horas de busca.

Depois descobrimos que o cemitério não faz parte da rota turística de Roma, está mal cuidado, fica longe e poucas pessoas conhecem o lugar. Desistimos de conhecer o local que, dizem, encanta pela simplicidade, onde vários papas se refugiavam para se esconder do inimigo ou para fazer suas orações.

Voltamos ao centro de Roma, admirando as belas pontes sobre o Rio Tibre, passeando pelas ruas até o escurecer.

 

Pelas ruas onde a boêmia sobrevive, encontramos noivos com seus convidados, curtindo uma tradição na cidade. O novo casal desfila pelas ruas acenando para todos que, no Brasil chamamos de “pagando o maior mico”, mas eles se divertem.

Esta é a igreja de “San Rocco”, que fica no “Largo de San Rocco”. Eu que nem sabia que existia um Largo e muito menos um santo na família Rocco.

Paramos novamente na “Piazza di Spagna, observar a grande quantidade de pessoas que se reúnem para fazer nada, só esperando o tempo passar e muitos na fila para serem fotografados ao lado do barco. 

Não sei por que mas todos colocam a mão na bica que jorra do barco furado.

Dia seguinte voltamos ao Vaticano, domingo pela manhã, uma maratona dificultou nossa chegada, com vários desvios, mas chegamos e conseguimos estacionar bem próximo de onde queríamos.

Chegando na “Piazza San Pietro”, nos assustamos com a grande quantidade de pessoas que lá estavam. Muitos religiosos, pessoas de todo canto e em todo canto.

Fomos para ver o Papa que quase todos os domingos aparece para um tiauzinho em uma das janelas voltadas para a praça.

Mas tinha muita gente, policiais revistando bolsas e sacola e nós fomos entrando até chegarmos no meio da praça em meio a multidão.

Puxando imagens pelo zoom da máquina, depois com o binóculo, desconfiamos que o Papa estava na praça a celebrar uma missa. Perguntamos e descobrimos que era mesmo o papa Francisco e mais, Bento XVI também estava na praça, junto com 200 Cardeais, muitos Bispos, padres, freiras e coroinha também, na presença de dezenas de milhares de pessoas.

Ficamos agradecidos de estarmos naquele lugar em dia de grande importância. Era o encerramento do Sínodo sobre a família e beatificação de Paulo VI.

Paulo VI , nasceu em Brescia e foi líder da Igreja Católica durante 15 anos até sua morte em 1978. Em seu pontificado melhorou a relação entre os católicos, ortodoxos, anglicanos e protestante por meio de vários acordos bilaterias. Foi o primeiro papa da igreja considerado moderno.

Durante seu pontificado, o papa Paulo VI sofreu um atentado, em 1970, quando foi apunhalado duas vezes no aeroporto de Manila, na Bolívia.

O processo de beatificação foi iniciado em 1993 e concluído pela papa Francisco em 2014. O papa emérito Bento XVI, que estava presente, foi nomeado Cardeal por Paulo VI.

O papa Francisco anunciou que a partir de agora Paulo VI sera chamado de Beato e instituiu o dia 26 de setembro como dia do novo santo.

Ainda completando o presente de Deus que ganhamos, conhecemos em meio a multidão, o padre Antônio, um brasileiro que vive na Itália e nos contou vários detalhes da cerimônia e da igreja, que foi muito legal saber. 

Depois nos separamos e novamente nos encontramos no final da cerimônia, em meio a dezenas de milhares de pessoas. 

Mais um pouco de conversas e despedidas, quando recebemos seus votos para que Deus nos acompanhe nesta viagem e também desejamos que Deus continue iluminando os caminhos dele por onde passar e muito sucesso no seu trabalho de apoio a 900 crianças às quais ele se dedica.

Do lado direito do papa Francisco estavam todos os Cardeais, do lado esquerdo as autoridades convidadas e em sua frente uma multidão emocionada com evento de tão grande importância para a igreja católica.

Depois da cerimonia papa Francisco cumprimentou cada um dos Cardeais e saiu em carro aberto em meio a multidão. A emoção toma conta de todos.

 

Felizmente vimos o papa, como se diz no Brasil “de nada vale ir a Roma e não ver o papa”. Nós vimos.

Depois da cerimônia, a multidão de pessoas vindas de muitos países, saíram em busca de conhecer Roma como segunda opção da viagem, enquanto os santos no alto das colunas do Vaticano, esperavam o novo santo para tomar seu lugar, com sua imagem também cravada no mármore.

 

Passeamos pelas cidades em torno de Roma, na Via Tuscolona, antiga estrada romana. São vilarejos construídos na encostas do “Vulcano Laziale”, extinto a milhares de anos, que hoje tem sua profundidade tapada pelo belo “Lago Albano”, numa altitude de mais de 900 metros. 

Foi interessante, nós subimos para chegar no lago, no Brasil a gente sempre desce até o lago.

Há séculos que os nobres de Roma, os altos funcionários do Vaticano e o papa, buscam refúgio, nesses morros forrados de carvalhos e castanheiros.

Passamos por Frascati, Túsculo, Grottaferrata, Rocca di Papa e a bela Castel Gandolfo, onde o papa tem sua residencia de verão.

Ade entrou em uma das lojas que vende antiguidade, onde uma freira atendia e colocava os preços na hora. Ade perguntava o valor, ela pensava e decidia na hora quando valia cada peça, nada de muito caro, apesar de relíquias de muitos anos.

 

Em Rocca di Papa muitos carros pela Estrada, estacionando longe da cidade, subindo a pé e nós continuamos com a carrinha até que encontramos uma vaga preciosa bem ao lado da grande festa na cidade. 

Era a festa da Castanha, que acontece todos os anos para comemorar o início da colheita.

 

Voltamos para casa cansados mas felizes por mais este presente de Deus em nossas vidas. Conhecer Roma com toda sua história, nos levou ao passado e aos encantos da mitologia. Conhecer suas igrejas e estar presente na sede do catolicismo, junto com suas autoridades máximas e assistir uma cerimonia de beatificação, é mais do que suficiente para ficarmos eternamente agradecidos.

Nosso destino agora é a Costa Amalfitana, outro paraíso da Itália.