//56 – BARI – ITÁLIA

56 – BARI – ITÁLIA

Chegamos em Bari e fomos direto para o porto comprar passagens para o nosso próximo destino.

Passagens compradas, fomos descansar em um belo hotel que encontramos com ótimas ofertas, com uma bela visão do mar.

 

Domingo, depois do café da manhã, fomos caminhar e conhecer o centro histórico de Bari, civilizada a mais de 2500 anos.

 

Havia uma corrida de pedestres e atrapalhou nossa intenção de estacionar fácil num domingo pela manhã.

O centro histórico de Bari já foi cercado por um muro e guarda as edificações do começo da cidade, que mais parece um labirinto, onde moradores alegres falam alto e gesticulam, até parecem estar discutindo.

 

 

 

 

Na entrada da velha cidade, pescadores oferecem aos gritos seus peixes e mariscos, fresquinhos, muitos ainda vivos, onde você pode provar ali mesmo algumas espécies, como o ouriço do mar, que não sabíamos que é possível comer, com pouca carne, coloca limão e come como se fosse ostras.

 

 

 

Passamos pela “Piazza Ferrarese”,  com uma bela vista para uma das marinas. A praça era uma das portas de entrada de mercadorias que seguiam para a “Piazza Mercantile” para serem comercializadas.

 

 

 

Andamos pela romântica Via Veneza, de onde é possível enxergar o mar e os becos da velha cidade.

 

 

Dali vimos mais pescadores batendo forte contra as pedras e fomos ver o que estava acontecendo. Eram polvos fresquinhos que primeiros colocam em um balde e ficam mexendo como se fosse balançando o berço de uma criança. Depois batem eles contra as pedras como se fossem lavadeiras lavando roupa no rio.

Um senhor pescador queria que a gente provasse o polvo cru e nós rejeitamos. Ele disse “na vida tem que provar de tudo, se não, não vale a pena ter vivido”. Mesmo assim preferimos não provar o crustáceo cru.

 

 

Voltamos para dentro dos muros e chegamos na “Basilica de San Nicolas”, fundada em 1087 para guardar os restos mortais do santo que, de certa forma, é o mais amado de todos os santos. 

 

 

Conta a história que Nicolas era um arcebispo que atuou, faleceu e foi enterrado na Turquia. Ele costumava ajudar anonimamente quem estava com dificuldades financeiras, colocando moedas de ouro na chaminé dos necessitados ou pendurando presentes nas árvores, próximas dos carentes.

 

Sua bondade de entregar presentes ficou conhecido por todos e, na Alemanha, foi transformado em símbolo natalino, que perdura até hoje, em todo mundo. Como símbolo, criaram uma figura um pouco diferente do real, mais gordinho, com barbas brancas, usando um trenó puxado por renas. Definiram que seu escritório fica na Lapônia, norte da Europa. 

Apesar de tanta imaginação na transformação do personagem, os fatos reais de bondade sempre fizeram parte da história do Arcebispo Nicolas.

 

 

Bari sempre teve a principal ligação da Itália com a Turquia, os pescadores italianos de Bari, aproveitando uma guerra e queda da cidade de Myra, onde estava enterrado Nicolas, roubaram seus restos mortais, trazendo para Bari. A partir deste fato, Bari se tornou um grande centro religioso em toda Europa.

Muitas outras lendas foram incrementadas aos seus feitos, mas seu exemplo de bom velhinho entregador de presentes, permanece até hoje encantando corações e motivando o comércio em épocas de natal em todo mundo.


Foi assim, que descobrimos que Papai Noel, apelido de San Nicolas, magro, esbelto e sem barba, foi roubado da Turquia e hoje descansa em paz, bem guardado numa bela cripta, muito visitada, na cidade de Bari, sul da Itália.

 

 

O povo continua fiel aos ensinamentos de San Nicolas, carinhosamente apelidado de Papai Noel e jogam moedas em alguns dos altares que existem dentro da basílica.


Passamos pelas estreitas ruas enfeitadas de flores e varais de roupas penduradas, até chegarmos na “Cattedralle de Bari”, construída no mesmo local onde existiu uma pequena igreja do século IX.

Visitamos o muito bem cuidado Museu Diocesano, que hoje fica no subterrâneo da igreja, com passarelas de vidro que nos permitem circular pelas ruínas de paredes, pinturas e mosaicos da época.

 

 

 

“Cattedralle de Bari” foi dedicada a San Sabino, que já velho e cego, fez previsões contrariando a corte e o clero. Tentaram envenená-lo com uma taça de vinho mas ele descobriu a armadilha e, por este fato, tornou-se o santo protetor contra os venenos.

Curiosamente, os navios no porto de Bari foram tragicamente destruídos durante a segunda grande guerra e um deles, estava carregado com o gás mostarda. Com a explosão do navio, centena de pessoas morreram na sequência, vítimas de feridas na pele e asfixia. Ironicamente, a terra do padroeiros santo contra o veneno, foi a única cidade européia a experimentar os efeitos dos venenos da guerra química.

A “Cattedralle de Bari” tem o mesmo estilo da “Basilica de San Nilolas”.

 

 

Depois passamos pelo Castelo Svevo, um dos mais importantes monumentos de Bari, mas que cobra caro a visita, mesmo estando em obras no seu interior. Não entramos.

 

Do Castelo seguimos a via onde esta o Arco Basso, também conhecida como “Pasta Street”. 

Pela pequena viela, senhoras fabricam e vendem suas massas, especialmente, o “oricchiete”, feito na hora mas, infelizmente, é somente para levar. Bem que elas podiam vender pequenos pratos para o turista provar.

 

 

 

Pelos becos da cidade velha existem vários pequenos altares nas paredes das casas, todos bem cuidados e decorados pelos moradores, que fazem reverencia ao passar em cada um deles.


Observei umas senhoras fritando algo na rua, em frente suas casas e fomos lá para ver o que era. Fomos recebidos com sorriso, fizeram pose para fotos e depois ainda nos deram um bolinho de alcachofra delicioso, frito na hora, pra gente experimentar. Elas não estavam vendendo, era só para o consumo da família.

 

 

Chegamos na “Piazza Mercantile”, que era o centro comercial na época medieval. O destaque da praça é a “Coluna della Giusticia”, um pelourinho onde eram amarrados os devedores de impostos. Na base da coluna um leão tem uma inscrição no peito “Custódio Iusticiae” ou guardião da justiça.


Procuramos pela “casa natale de Niccolò Piccini”, mas estava fechada, não deu par ver os enfeites de natal que eles fabricam e vendem para turistas.

Andamos pelas ruas da cidade nova de Bari, muito bem organizada, limpa, belas calçadas mas quase tudo fechado no domingo à tarde. 

 

 

 

 

 

Fomos até um shopping para almoçar e fazer compras para viagem de amanhã. No restaurante houve um verdadeiro esforço do dono e das funcionárias para nos atender. Ninguém falava inglês, português ou espanhol e até uma cliente tentou ajudar. No final conseguimos pedir uma saborosa refeição.

Visitamos um exposição dos veteranos de guerra, onde os próprios pracinhas ficam na rua convidando turistas para conhecer suas medalhas, armas, uniformes e documentos da segunda grande guerra.


Depois fomos para o porto apreciar os gigantes navios de passageiros, fazer nosso check-in e embarcar, nós e a carrinha, para nosso próximo destino, Patras, 16 horas de travessia pelo Mar Adriático, já na Grécia, com destino a Atenas.

 

 


Bari até agora, foi a melhor cidade que passamos na Itália, recomendamos uma visita. Nos dias que ficamos teve sol e momentos de muito frio, lojas bonitas e relíquias da antiguidade, belos monumentos e saborosos alimentos, terra de gente simpática e alegre.