//6 – PUNTA DEL ESTE – GLAMOUR URUGUAIO

6 – PUNTA DEL ESTE – GLAMOUR URUGUAIO

Chegamos em Punta del Este, passamos pelo centro congestionado por conta do verão e das festas de fim de ano. O balneário é considerado o mais luxuoso da América do Sul, superando Armação de Búzios e Balneário Camboriú.

Diversos famosos possuem casa de veraneio no balneário, dentre eles estão políticos, artistas e jogadores de várias partes do mundo. Na cidade é naturalmente glamourosa, com sua Rambla à beira mar, o maior Hotel Casino da América do Sul, lojas de grife, mansões, altos edifícios residenciais e restaurantes caríssimos.

Buscamos o camping no GPS e fomos nos instalar, ainda não acostumados com os preços em Pesos Uruguaios. Foi um susto quando a moça falou que a diária era de 720,00 pesos. Depois na conversão, ficamos mais tranquilos, seria algo em torno de 90,00 reais, ou 29,00 dólares.

Segundo o gerente do camping, em torno de 70% dos hóspedes eram brasileiros. Estamos em casa. No camping tem o lugar para motorhomes, treilers, cabanas, barracas e muitos alugam espaço para o ano todo. É uma casa de praia a um custo bem menor, já vi esta forma de aluguel em outros campings.

Devidamente instalamos começamos a receber visitas, de brasileiros claro. Alegria, de onde são?, pra onde vão?, quantos dias vão ficar? e as amizades continuaram pelos dias que ficamos.

Caminhamos até o centro mas no final da tarde um vento sul, muito frio desanimou um pouco. Passamos por várias lojas, o cartão de crédito tremeu e Ade se conteve.

Fomos até o porto onde os peixes e frutos do mar congelados são vendidos em barraquinhas, a valores bem maiores que os brasileiros.

A atração do Porto fica por conta dos lobos e leões marinhos que descansam o tempo todo e só se movimentam quando os pescadores jogam comida, depois voltam a dormir.

No final da tarde ficamos esperando o espetáculo do sol se pondo. Foi fantástico. Quando ele sumiu totalmente no horizonte, aconteceu uma salva de palmas, merecida pelo espetáculo.

Último dia do ano fomos caminhando até o centro, 8 km do camping, passando pelas mansões, cada uma mais bela que a outra, com imensos jardins, tudo muito bem cuidado. Dizem que por aqui muitas são de brasileiros. Se a Operação Lava Jato do Ministério Público persistir e resistir, talvez irão aparecer muitas plaquinhas de vende-se.

As casas tem nome e não tem cercas ou muros. Mesmo com esta tradição, na casa da foto abaixo o dono colocou uma porteira, sem a cerca.

Chegamos ao centro bem antes da meia noite e ficamos passeando, perguntando onde teria os fogos de artifícios e cada um dava uma resposta diferente: “não vai ter nada”, “este ano foi proibido”, “cada um solta fogos na sua casa mesmo”. E assim foram aumentando nossas dúvidas e frustração por ter vindo ao centro ver o show pirotécnico e sequer os moradores sabiam informar.

Fomos até o Cassino e não tinha ninguém, isto já por volta das 22 horas. Uma garoa fina quase nos fez voltar, mas resolvemos esperar.

Fizemos novos amigos, brasileiros claro, até que o por volta das 23 horas começaram a aparecer gente de todo lado e a orla ficou lotada.

Poucos minutos antes da virada do ano começaram os primeiros fogos, tímidos ainda. Quando os badalos marcaram meia noite, a orla e a praia já estavam lotadas de gente e começaram a pipocar fogos por toda parte. Realmente não tem um show organizado. É cada um que solta o seu rojão.

As regras de segurança são esquecidas. Cada um solta como quer, na praia, nas ruas e no alto dos prédios. Muito perigoso mas diverte a todos com infindáveis baterias de dinheiro queimado. Ficamos sabendo pelo rádio que um jogador de futebol famoso teve ferimentos por conta dos fogos e durante a madrugada por varias vezes ouvimos a sirene da ambulância circulando. Mas foi bonito.

Pouca gente com roupa branca, dentre eles, brasileiros claro. Os nossos hábitos de usar a cor específica na virada do ano, conforme o desejo aqui não tem. No Brasil quem usa branco na virada deseja paz, quer dizer que está com problema de relacionamento?. Quem usa amarelo deseja riqueza, quer dizer que está “duro”?. Quem usa vermelho deseja amor, quer dizer que falta parceiro?. Quem usa outras cores desejam somente se divertir na festa e não lhes faltam nada. Será isto mesmo?

Poucos estouram champanhes. Os que vimos eram brasileiros claro, com frisante importado, vindo do Brasil, brindando em chiques taças de plástico. Brincadeira, o que vale mesmo é a festa, a alegria e os desejos de prosperidade que todos costumamos fazer.

Depois dos fogos, sem bêbados nas ruas e sem algazarras, todos voltaram para casa. Uma hora depois ficaram somente os baladeiros e nós em busca de um táxi. Depois de meia hora procurando conseguimos um que nos devolveu ao camping.

Primeiro dia do ano, esperamos o forte sol baixar e fomos para praia com muita gente brincando, outros lagarteando e poucos nas águas geladas.

Ficamos mais dois dias no camping, fazendo amizades, contando histórias e fazendo visitas nas barracas trailers e motorhomes de uruguaios, argentinos, chileno e brasileiros claro, muitos da nossa bela Curitiba.

Ade fez um novo pente fino em nossas coisas e montou um pacote, que um conterrâneo levou para o Brasil. Aos poucos vamos percebendo o que é realmente necessário e o que é supérfluo para a expedição.

Mais um dia nas praias do centro, compras no supermercado, susto com o preço do óleo diesel e até com o lanche da noite. Por exemplo, pagamos 68 Reais cada Chivito, um lanche típico da região, mas era enorme e muito saboroso.

Alguns supermercados de Punta não deixa também de ser uma atração. Tem alimentos de qualidade e preços altos, mas são bons. Na hora do caixa é sempre uma surpresa e saímos comentando “nossa, tudo isso”.

Passeamos sem pressa pelas ruas, tomando um sorvete, que de tão grande deixamos a metade, Ade comeu o Massini, um doce folheado que ela comeu a vez passada que estivemos na cidade e ela nunca esqueceu. Entramos em lojas e seguimos vivenciando um pouco do glomour da cidade que recebe o maior número de turistas em todo Uruguai.

Com tanto glamour na cidade, pela primeira vez, resolvemos dormir na praça, não no banco mas na Caca. Estacionamos ao lado da “La Mano” ou “Los Dedos”, cujo nome real da escultura é “Hombre emergindo a la vida” (homem emergindo à vida).

A obra tornou-se um símbolo de Punta del Este e um dos marcos mais famosos do Uruguai, desde a sua conclusão em fevereiro de 1982, durante um Encontro Internacional de Escultura Moderna ao Ar Livre. Os dedos gigantes que brotam da areia foram feitos em concreto, ferro e plástico, pelo artista chileno Mario Irarrázabal. Mais tarde, ele fez réplicas em Madrid na Espanha, no deserto do Atacama no Chile e em Veneza na Itália.

Para uma foto exclusiva dos dedos, tem que ser bem cedo ou de madrugada. o restante do dia o local fica lotado de gente em busca do melhor clic.

Fomos conhecer mais uma das atrações famosas da cidade. A Casapueblo, uma antiga casa de verão do artista plástico Carlos Páez Vilaró, localizada à beira de um penhasco em Punta Ballena. Lá existe um museu, uma galeria de arte e um hotel.

Lá Vilaró deixou uma homenagem a seu filho, Carlos Miguel, um dos dezesseis uruguaios sobreviventes do Vôo 571, mais conhecido como a Tragédia dos Andes ou o Milagre dos Andes, ocorrido em 1.972. O que marcou o acidente foi, conta a história, que os sobrevivente não tinham comida e nenhuma fonte de calor e, para sobreviver, se alimentavam da carne dos passageiros mortos. Os 16 sobreviventes foram resgatados depois de 72 dias.

Toda obra, reconhecida como uma escultura, lembra um pouco as casas da Ilha de Santorine na Grécia e me lembrou um pouco de longe também, as irregularidades arquitetônicas de Antoni Gaudi, nas suas obras arquitetônicas na cidade de Barcelona, na Espanha.

Foi na beira de um penhasco que conhecemos uma família que, junto com amigos viajam em dois belos caminhões preparados para qualquer terreno. Um é Verde e o outro é Amarelo e esses são os nomes deles.

Segundo eles, quando passam por barreira de fiscalização, a polícia faz continência para o Verde e mandam parar o Amarelo. Família alegre que ainda irão participar da nossa vida mais intensamente.

Depois eu conto.