//65 – WURZBURG – ALEMANHA

65 – WURZBURG – ALEMANHA

 

 

Ainda na República Tcheca, rodamos por estradas parecidas com as brasileiras, quase todas necessitando de manutenção. Paramos para almoçar e as dificuldades na comunicação, como sempre, foram muito divertidas. Abastecemos a carrinha com o valor mais baixo até agora na Europa, 1,05 Euros por litro do diesel.

Passarmos pela fronteira com a Alemanha e derrepente tudo ficou mais bonito, as pequenas cidades, a agricultura e principalmente as estradas secundárias, maravilhosas e sem pedágios.

 

 

 

 

 

Saímos das estradas secundárias e, para trafegarmos na Autoban, precisamos comprar um pedágio válido para 10 dias.  A Autoban é muito bem sinalizada e, existem placas indicando o início e o término da velocidade controlada, nos demais trechos, a velocidade é liberada. Alguns carros passam a velocidades incríveis, muitos além dos 200 km/h. Até a nossa carrinha chegou a 160 km/h.

A cada 10, 15 quilômetros um espaço de descanso com mesas para o lanche e banheiros limpos. Em cada posto de abastecimento, belas lanchonetes servem e disponibilizam quase tudo que um viajante necessita.

 

 

 

Chegamos em Würzburg, cidade da Baviera, bem no centro do País.  

No hotel uma novidade. Uma máquina faz o chek-in. Depois que é feito o pagamento, a máquina emite o código para abertura da porta na recepção e da porta para entrada no apartamento. Talvez, mais uma profissão em extinção, recepcionista de hotel.

Würzburg  é uma bela cidade que parece antiga, com centenas de anos, mas de certa forma é recente, reconstruída quase que totalmente após a Segunda Grande Guerra.

 

 

No dia 16 de março de 1945, um bombardeio que durou 17 minutos, destruiu 90% de Würzburg. Quase todos os homens morreram ou foram presos tentando defender seu patrimônio. A retirada dos entulhos e a reconstrução da cidade foram feitos por mulheres e crianças, durante anos de trabalho árduo.

Hoje a cidade está reconstruída, muito parecida com o que era antes. Tem um povo alegre, em paz, longe de imaginar ouvir novamente as sirenes que avisavam os bombardeios.

 

 

A Ponte Alte Mainbrücke, sobre o Rio Main, inaugurada em 1543, também foi reconstruída e ornamentada com estátuas de santos com 4,5 metros de altura, é o  charme da cidade, por onde só passam pedestres que chegam ou saem do centro da cidade.

 

 

 

 

Logo depois da ponte já é possível admirar a Rathaus, uma bela torre que servia como centro administrativo da cidade, com seu antigo relógio do sol, muito comum em toda região

 

 

 

As edificações mostram o trabalho bem feito pelas mulheres e crianças, parecem antigas mas são recentes, dando aquele ar de antigo falso, com moldes antigos e materiais recentes.

 

 

 

Passamos pela igreja vermelha, a Marienkapelle, que demorou quase 100 para ser construída, inaugurada em 1480.

Hoje, igreja guarda um série de réplicas de grandes obras que já guardou no passado. Continuam originais as belas esculturas em arenito e os numerosos túmulos dos Cavaleiros de Francônia e de celebridades que viveram na cidade.

 

 

 

Chegamos na Catedral de Würzburg, a St. Kilian, quarta maior catedral romântica da Alemanha, construída a partir de 1045, demorou séculos até sua conclusão. Foi destruída por um incêndio e reconstruída, novamente destruída pela guerra e agora está novamente imponente, conforme seu modelo original com duas lindas torres a vigiar a cidade.

 

 

 

Por dentro, quase toda branca, guarda artefatos de muitos séculos, muitos retirados dos escombros depois da guerra. Dizem que a cada nova peça encontrada era uma alegria, muito comemorada.

Muitos dos principais artistas alemães, deixaram um pouco de suas obras nesta igreja.

 

 

Hospital aqui também é atração turística. Tem dois famosos por suas particularidade. Um é o Bürgerspital, que possui uma vinícola e produz seu próprio vinho da Francônia para gerar renda, e o Julisspital, hospital de caridade, que também produz vinho, com um belo acervo arquitetônico e farmacológico, instalado em um belo edifício com duas frentes, uma atrás da outra.

 

 

 

Seguimos caminhando pelas ruas, com um frio intenso, observando a bela arquitetura reconstruída e os monumentos espalhados nas praças.

As torres são as edificações mais altas do centro histórico.

 

 

 

 

 

De quase todos os pontos da cidade é possível avistar a fortaleza Marienberg, ainda em recuperação desde os bombardeios de 45.

A edificação tem indícios de existência do ano 1000 a.C.. Hoje é toda cercada por enormes plantações de uva.

O fortaleza servia de residência para bispos e príncipes da cidade, até que os bispos resolveram construir outra sede para sua morada, mais abaixo da colina, que chamaram de Residens.

 

 

 

O Residens é um imponente edifício, com belas arquitetura e jardins em sua volta, tudo muito bem conservado, nem parece que também foi destruído.

 

 

 

 

 

 

Voltamos para o centro, entramos em algumas lojas para esconder um pouco do frio, visitamos mais uma feira na praça e saboreamos comidas típicas.

 

 

 

 

 

 

Pegamos a carrinha no estacionamento e fomos conhecer mais alguns pontos turísticos, um pouco mais distante. Subimos a colina para chegar na Kappele, um linda igreja que olha de cima, toda a cidade.

 

 

 

 

 


A igreja encantou pela bela via sacra, pela visão da cidade e pelo órgão de tubos, um dos mais bonitos que já fotografei e olha que eu fotografo todos, tenho paixão por eles.

O órgão de tubos é considerado o rei dos instrumentos, como costumava dizer Mozart. É um dos instrumentos mais antigos da humanidade, inventado no século III a.C., provavelmente por Arquimedes. Utilizado para acompanhamento de vozes e para solo, teve muita aceitação por parte das igrejas. As principais igrejas em todo mundo tem seu exemplar. O som emitido pelo órgão é considerado uma oração para Deus e, conta a lenda, que a arte de tocar não é mérito do artista e sim um dom dado por Deus.

O maior órgão de tubos está em Atlantic City, nos Estados Unidos, com mais de 33 mil tubos. 

 

 

Voltamos para casa, cansaço pelos vários dias que estamos caminhando muito e motivados pela boa temperatura do quarto do hotel.

Depois de dois dias na cidade, partimos pelas rodovias secundárias, após um demorado planejamento para definir quais as cidades visitar e onde dormir no dia seguinte na Rota Romântica, a “Romantische Strabe”, que fica para o próximo post.