//68 – VERONA – ITÁLIA

68 – VERONA – ITÁLIA

 

 

Viajamos sem pressa, paramos várias vezes, admirando toda aquela exuberantes paisagens na beira dos Alpes.

 

Nosso destino era Verona, na região de Vêneto, polo na produção de vinhos e na extração de mármore.  

Verona é banhada pelo Rio Adige, foi fundada pelos celtas, décadas a.C., no ano 89 foi tomada pelos romanos e depois cedida aos monges beneditinos.

 

Alugamos um apartamento muito bom e bem localizado. Fomos recebidos pelos proprietários, que nos deixaram muito à vontade para ocupar nossa nova morada por 10 dias.

Logo pela manhã saímos de casa caminhando, passando pela Porta de Nuova, que mais parece um enfeite no meio de uma praça. É um pequeno castelo fechado e preservado como antiguidade. No meio de uma bela avenida, atrapalha o trafego e não ficou inserido na modernidade da praça.

Rumo ao centro histórico, dentro das muralhas, passamos pelo Portoni della Bra, entrada para a mais famosa praça de Verona, a Piazza Bra, onde ficam vários cafés e restaurantes, prédios importantes como o Palazzo Barbieri, a Prefeitura e a Arena.

 

 

 

Algumas partes da muralha ainda estão preservadas e os portões ficaram inseridos na urbanização, por onde o trânsito flui normalmente.


A Arena de Verona é um coliseu romano em miniatura, terceiro anfiteatro romano do mundo, perto de completar 2 mil anos. Está muito bem preservado e o local ainda é palco para grandes espetáculos. É possível visitar a Arena mas neste dia, estava sendo preparada para um grande show sobre batalhas de gladiadores.

 

 

 

Verona é também conhecida por conta da obra escrita por William Shakespeare, tido como o mais influente dramaturgo de todos os tempos e o maior escritor do idioma inglês.

 

 

Shakespeare deixou um acervo escrito com peças teatrais, sonetos e poemas que encantam multidões e inspiram paixões no passar dos tempos.

Duas de suas obras foram destaques e permanecem vivas até hoje. Hamlet, aquela do “Ser ou não ser: Eis a questão” e, Romeu e Julieta, aquela tragédia de amor que, segundo ele, teria acontecido em Verona com dois adolescentes de famílias inimigas, os Capuletos e os Montescchios.

 

 

Shakespeare não inventou a estória. Ele se baseou em um poema escrito por Arthur Brooke, que por sua vez também se inspirou em outro poeta, por isso, muitos acreditam que Romeu e Julieta nunca existiram, são apenas obras da imaginação de grande escritores.

Se Romeu e Julieta existiram ou não, Verona dita por Shakespeare como local da tragédia, adotou os personagens e explora os amantes até hoje. 

Na cidade tem uma casa onde dizem que morou Julieta, com a sacada onde ela fez declarações de amor a Romeu e decidiram se casar. Mas, como Julieta estava prometida a um príncipe e com ele não queria se casar, com ajuda de um frei, tomou um falso veneno que a fez parecer morta.

 

 

Quando Romeu ficou sabendo do fato, comprou um frasco de um verdadeiro veneno e foi para o local onde Julieta estava sendo velada. Depois de muita confusão no velório, Romeu se aproximou de Julieta e tomou o veneno, tombando morto ao lado de sua amada.  O efeito do falso veneno dado a Julieta venceu, ela acordou e, vendo seu amado morto, pegou o punhal dele e desferiu um golpe fatal contra seu próprio peito. 

Alem de centenas de traduções, filmagens e encenações do trágico amor de Romeu e Julieta, Verona não deixou a história morrer. Preserva um museu com objetos pessoais de Julieta e uma estátua em bronze – a original. 

A cidade levou tão à sério, que até mantém uma cripta que guarda o corpo da fictícia amante em uma igreja no centro da cidade. 

 

No pátio em frente a casa, a todo instante chegam pessoas para fazer uma das fotos mais repetidas de toda a Itália. Ficar ao lado da estátua – a réplica, com a mão no seio de Julieta, que já esta até gasto de tanto apalparem. Tem que ser assim para ter sorte no amor, segundo a lenda e, como gritou um italiano quando viu um rapaz tirando uma foto ao lado da Julieta, sem colocar a mão no seio direito dela: “Per fortuna in amoré deve mettere la mano sulla tetta”.

 

 

Nós também colocamos a mão no seio imortalizado pela estátua de bronze. Eu ainda segurei na bunda dela para garantir o fogo na paixão.

 

 

No pátio o amor escorre pelas paredes. Milhares de bilhetinhos com declarações de amor, cadeados lacrados e, algo que não tínhamos visto: paredes inteiras com chicletes colados, símbolo de um amor mastigado até o doce se acabar. Isto me fez lembrar Vinicius de Moraes: “…infinito enquanto dure”.

A cidade tem até uma promoção. Todos os anos elegem a melhor carta de amor deixada na caixa de correios de Julieta. O prêmio é três dias, com tudo pago, para visitar Verona.

 

 

 

 

Procuramos também a casa do Romeu e nada de encontrar. Conversamos com alguns moradores e eles disseram que não existia casa de Romeu em Verona, que ele morava em Florença. Mostrei o mapa turístico da cidade que informava o endereço. Eles continuaram dizendo que não existia a casa de Romeu e foram com a gente até o endereço marcado no mapa. Realmente, no local não existe qualquer indício do famoso amante.

Muito provavelmente esta é mais uma estória que de tanto ser contada virou história. A verdade é que, com todos estes fatos e mitos, a cidade ficou eternizada com a narrativa de amor mais famosa de todos os tempos.

 

 

Passamos pelo Museo Lapidario Maffeiano, que bem justifica o nome, “feiano”, com excessão da arquitetura que é muito bela, fica um tanto a desejar.

 

 

Continuamos andando pelas ruas pedonais, visitando lojas e admirando os edifícios históricos. Uma das lojas ainda preserva restos das antigas construções em seu interior.

 

 

 

Muitos edifícios remontam da antiguidade e, em vários pontos, ruínas são preservadas em meio ao fluxo de pedestres

 

 

 

 

O sol foi embora e o frio aumentou muito. Voltamos para casa, margeando o rio, para fazer nosso jantar, tomar vinho e descansar para o dia seguinte.

 

 

 

Dia seguinte, andando novamente pelas ruas onde somente pessoas circulam, chegamos no Castelvecchio, construído em 1355, onde está um museu da arte medieval e uma bela feira de artesanatos.

 

 

 

 

 

 

A cidade e o rio vistos da ponte do castelo, no alto das muralhas, é um espetáculo.

 

 

 

 

 

 

Passando pela feira, vimos um homem fazendo polenta em um tacho de cobre, Ade não resistiu e pediu para mexer. Ele deixou e ainda pousou para foto.

 

 

Andamos pela feira e fomos até um museu que exibe um arsenal de guerra, que não entramos. Logo chegamos em outra feira com produtos artesanais, dentro de um enorme barracão, com peças muito bonitas.

 

 

 

Quando voltamos pelo mesmo caminho, o homem vestido de camponês já estava servindo sua polenta com salame, uma saborosa combinação de gostos. Tinha polenta para todos e cada um pagava o quanto queria, era contribuição espontânea.

 

 

Passamos pelo Portão de Gavi, deixado ali sem maiores explicações, ao lado do Castelvecchio, de frente para o rio.

A cada espaço pequeno, mais uma grande obra arquitetônica, de beleza ímpar. Caminhamos e passamos pela Porta Borsari, uma das mais antigas e principais da cidade.

 

 

 

 

A Basílica di Santa Anastasia, com sua rica decoração interna, vale ser visitada. Em sua paredes estão belas obras de arte. Em frente a Basílica está um sepulcro, não descobri quem é o ou a importante que ali tem seus restos mortais.

 

Ao lado da Basílica, em um dos salões, está uma das mais belas representação da vida de Cristo em miniatura que já vimos. É de uma delicadeza e perfeição encantadora.

 

 

 


Visitamos a Catedral de Verona, Duomo, que fica localizada bem no centro das muralhas, uma das mais belas obras da cidade, mas estava em reforma e pouco vimos.

 

Passamos pela ponte de pedras, a mais famosa e charmosa da cidade, construída no primeiro século a.C.. Apesar de ser um ponte somente para pedestres, ainda resiste bravamente o passar do tempo e do rio que não se cansa de tocá-la com suas correntezas.

 

 

 

 

Depois da ponte, passamos pelas ruínas que ainda restam de algumas das obras edificadas para diversão dos romanos. Era um teatro.

 

 

 

Mesmo cansados dos últimos dias, subimos a colina até o Castel San Pietro para visita-lo e ter a visão da cidade lá do alto. O castelo estava fechado para reforma e uma névoa atrapalhou um pouco a bela visão da cidade, mas valeu pelo exercício.

 

 

 

Atravessamos o rio novamente e encontramos mais uma feira de rua, ou melhor de praça, melhor ainda, de uma das mais belas praças da cidade, a Piazza dei Signori, com vários palácios em seu entorno. 

Muitas barraquinhas vendendo artesanatos e muita comida vistosa. Compramos pão, quentinho para levar para casa, fizemos um lanche e continuamos nossa caminhada de reconhecimento.

 

 

Paramos para admirar um cemitério bem no meio da cidade, onde estão enterrados os membros de uma só família, a Scaligeri, que teve vários de seus membros a governar a cidade, isto explica a exclusividade deles até na morte.

O cemitério exclusivo, uma obra de arte, todo cercado e a entrada é proibida para os simples mortais.

 

 

Voltamos para casa, caminhando pelas ruas movimentadas em plena segunda-feira. Era feriado na cidade.

Em casa, pão, vinho e conversas sobre aqueles que muito queríamos que estivessem com a gente em todos estes lugares maravilhosos que estamos conhecendo. Por isso eu me dedico muito a contar detalhes neste blog, como se fosse uma ponte de nós até vocês. Eu e Ade queremos que curtam um pouquinho do que estamos curtindo, mesmo que somente com nossas simplórias narrativas e fotos amadoras.