//82 – TORRES VEDRAS E REGIÃO – PORTUGAL

82 – TORRES VEDRAS E REGIÃO – PORTUGAL

 

 

Eu, Ade, Isa, Victor e Neuza fomos almoçar em um restaurante na região de Arruda dos Vinhos, onde são produzidos os vinhos de São Sebastião.

O restaurante, que funciona em uma enorme casa onde já foi uma vinícola, serve um bacalhau na brasa e um cordeiro com divino sabor, em quantias que induzem à gula e, claro, acompanhado de queijos, pães e vinhos São Sebastião.

 

O nome do vinho São Sebastião é em homenagem a um cidadão francês que se tornou santo tentando evangelizar os romanos. Foi declarado traidor e, a mando do Imperador, foi amarrado em uma árvore e atingido por três flechas para sangrar até a morte. 

Antes de morrer ele foi resgatado e, quando já estava bom, voltou a enfrentar o império na tentativa de evangelização. Foi novamente condenado, sacrificado e espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto para que não fosse venerado. 


A galhardia de São Sebastião, serviu de inspiração para os avicultores de fé de Arruda dos Vinhos, que gostam de chamar sua produção de néctar dos deuses.

 

Depois do almoço fomos para Torres Vedras, onde acontece o melhor carnaval de Portugal. Segundo o repórter, ninguém fala de Torres Vedras o ano todo, mas no carnaval, a cidade é tomada por turistas de todo Portugal.

Os mascarados, como eles chamam os foliões fantasiados, ficam circulando para todo lado. Usam fantasia elaboradas e alguns usam até uniformes de trabalho para ir a festa. 

 

 

 

No desfile, carros alegóricos e foliões desfilam suas fantasias em blocos carnavalescos, todos uniformizados e quase sempre com uma mensagem de humor ou de protesto.

 

 

 

 

 

O que realmente faltou no melhor carnaval de Portugal, foi a alegria. As pessoas pareciam tristes, não dançavam, não cantavam as músicas, simplesmente andavam normalmente como outro dia qualquer, só que fantasiados, mesmo quando tocavam as alegres marchinhas brasileiras.

 


Sorrisos largos apareciam quando os desinibidos brasileiros entravam em cena.

 

 

Em outro dia, fomos com Isa levar Neuza para conhecer Fátima, Batalha e Nazaré, que já conhecemos e detalhamos em outros posts.

Chegamos em Fátima com Ade, Isa e Neuza vestindo azul, novamente dispostos a conhecer o belo santuário, num belo dia de sol.

 

 

 


Fátima, a cidade das orações, é emoção, beleza e comoção de pessoas em orações ou pagando promessas. Neuza ficou emocionada, rezou, agradeceu, fez pedidos e pousou para muitas fotos.

 

Almoçamos em Batalha, cidade que produz vinhos de boa qualidade e muito artesanato de cortiça. Mas Batalha é mesmo conhecida pelo seu imponente mosteiro, um dos mais importantes na história de Portugal.

 


A cortiça é extraída da casca do sobreiro e Portugal é o maior produtor mundial, com mais de 700 mil hectares ocupados pela nobre árvore. Cortar uma destas árvores por aqui é cadeia e multa na certa.

Sua casca fornece uma fibra versátil, usada principalmente para a modelagens de rolhas que tapam os melhores vinhos e champanhe do planeta, alem de servir como matéria prima para acessórios de moda, vestuário, objetos utilitários, calçados e bijuterias.

 

 

Neuza se desdobrou, queria ser duas para olhar tudo e comprar uma peça de cada jóia vegetal.


O Mosteiro de Batalha foi construído a partir de 1386 a mando do Rei João I, como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na batalha de Aljubarrota. Demorou dois séculos para ser concluído, durante o reinado de sete reis de Portugal, exemplo da arquitetura gótica, considerado uma das maravilhas do País.

 

 

O Mosteiro guarda histórias de grandes personagens cravadas em seus túmulos, são dezenas deles. Sua fachada é capaz de nos prender horas a observar seus detalhes entalhados em gesso e pedra de arenito.

 

 

 

Depois passamos por Nazaré com suas belas praias e sua história secular, com imponentes montanhas que protegem a cidade e proporcionam uma bela visão.

 

 

 


Encontramos novamente as mulheres de sete saias, que desta vez, em frente à igreja, mostrou só um pedacinho de suas sais. Disse ela que os moradores denunciam quando mostram as saias em frente a igreja, é proibido.

Ela ergueu as saias tão rápido que Neuza nem teve tempo de sorrir para a foto.


Seguimos pelo litoral, com seus enormes penhascos, onde as ondas encantam surfistas, passando por Peniche, Ericeira e chegamos ao Cabo da Roca.

 

 


Cabo da Roca é o ponto mais ocidental da Europa, onde está um belo farol sobre uma torre quadrada de alvenaria forrada com azulejos. 

Camões descreveu o local como “Onde a terra acaba e o mar começa”.


No local também fica a praia mais ocidental da Europa, a Praia da Ursa, uma das mais belas do País, mas com difícil e perigoso acesso. Não fomos até a praia por que já estava anoitecendo. 


O destaque da praia é um enorme rochedo que guarda a lenda de uma ursa que desobedeceu as ordens dos deuses, recusando-se a migrar para o norte com seus filhotes quando o gelo que cobria a Serra de Sintra começassem a derreter. Iradas, as divindades transformaram a ursa e seus filhotes em pedras.

Lenda é lenda, na verdade o rochedo nem parece com uma ursa.