//84 – ÉVORA E MONSARAZ – PORTUGAL

84 – ÉVORA E MONSARAZ – PORTUGAL

Évora, a cidade museu, foi nosso destino do dia. A cidade muralhada é mais uma herança deixada pelos povos que por aqui se revezaram há mais de 3 mil anos.

 

 

 


O centro histórico de Évora é um dos mais ricos e preservados de Portugal. O templo romano, na parte mais alta da cidade, foi criado em homenagem ao Imperador Augusto e, mais tarde, passou a ser conhecido como Templo de Diana, a deusa da caça.

 

 

 

Na Acrópole de Évora, onde está o Templo de Diana, também estão belos edifícios, uma praça e o Palácio dos Duques de Cadaval, e uma imponente Igreja dos Lóios, que guarda ainda muitas relíquias dos portugueses. Pelo Palácio já passaram 11 gerações e atualmente pertence à Duquesa Diana Álvares Pereira de Melo.

 

 

 

Entramos para conhecer a Fundação Eugénio de Almeida, com legado familiar de princípios e valores que orientam a obra filantrópica. A família Eugénio de Almeida acumulou muitas riquezas e foi das mais poderosas e influentes de Portugal. 

A Fundação tem a preocupação de informar por meio de um vasto calendário de cursos anuais, a formação de voluntários. Dentre outras obras de arte e filantropia, a Fundação mantém a fabrico do famoso vinho Pêra Manca, um dos melhores de Portugal.

Entramos para conhecer o museu com uma coleção de carruagens, mantido pela Fundação.

 

 


As carruagens foram preservadas ainda do século XIX, quando a Europa vivia a vertigem do progresso industrial, quando as carruagens ditavam o “chic” nos meios de transporte,  fazendo a viagem social dos poderosos. Foi destaque até a chegada dos automóveis, que deu fim às carruagens e iniciou as novas viagens, que ainda hoje não findou seus limites.

 

 

 

 

Além das carruagens, o museu guarda alguns pertences dos nobres da época que possuíam objetos que poucos tinham o privilegio, como uma raquete de tênis, uma mala armário, marmitas, bengalas, chapéus e até uma das primeiras máquinas fotográficas da historia da fotografia.

 

 

Uma senhora nos mostrou cada peça do museu, com seu jeito típico português, muito franca e, às vezes até grossa na maneira de falar. Ela deu várias broncas na gente. Um hora não podia tocar, outra não podia tirar fotos, outra ela mandava a gente ficar quieto e prestar atenção, mas finalmente se rendeu ao jeito brasileiro de conquistar e mostrou até detalhes que não mostra para outros. 

Ficou muito feliz quando pedimos para ela pousar conosco para uma foto.

 


Saímos do museu e entramos na Sé Catedral de Évora, consagrada e 1204, construída com granito e ornamentada com exuberantes peças de mármores. 

Nesta igreja foram benzidas as bandeiras da frota de Vasco da Gama, antes da saída para desvendar novos mundos.

 

 

 

 

 

 


Enquanto a gente estava fazendo a visita da igreja para depois conhecer o claustro, outra gentil senhora portuguesa convidou a todos para saírem por que já era horário de almoço e os funcionários tinham que almoçar, mas convidou a todos a retornarem após o almoço, não voltamos mais.

 


Passamos pela Praça do Giraldo, que mais abaixo eu conto quem foi, e fomos ao um restaurante típico da cidade, para comer um delicioso cordeiro, recomendado e reservado antecipadamente pelo Victor e Isa. Restaurante pequeno, muito premiado com seus diplomas expostos e uma delícia de refeição.

 

 

 

 

Após o almoço caminhamos um pouco e depois entramos na mais bizarra de todas as igrejas que já vimos. 

 

 


A Capela dos Ossos, isso mesmo, ossos de humanos cobrem todas as paredes da Capela. Conta a lenda que os ossos ali colocado foi como um convite para a reflexão sobre a transitoriedade da condição humana. Muitos dos ossos que ali estão são de vítimas dos ataques das tropas de Napoleão e tantos outros desenterrados dos cemitérios.

 

 

 

 

 


Na entrada da Capela tem uma frase que diz: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Saímos fora, olhamos rapidinho e fomos embora. Brincadeira, admiramos tudo. Tinha até ossos de reserva, dentro da tumba.

 


A Capela dos Ossos e a Igreja de São Francisco estão em restauração, só não sei se os ossos que estão faltando serão repostos.

 
Um poema em um pedestal, explica o sentimento na construção da Capela:
 
“As caveiras descarnadas
São a minha companhia
Trago-as de noite e de dia
Na memória retratadas;
Muitas foram respeitadas
No mundo, por seus talentos,
E outros vãos ornamentos,
Que serviram à vaidade.
E talvez… na Eternidade
Sejam causa de seus tormentos!”
 
Na frente da Capela dos Ossos está a Casa do Capítulo, decorada com um lambril de azulejos e um pintura com cenas alusivas à Paixão de Cristo.

 


Saindo de Évora, paramos na cidade de Redondo, em festa, com três carros alegóricos desfilando pelas ruas históricas e quase toda a população reunida, assistindo o desfile e fazendo fila para comprar o gorduroso churro enrolado.

 

 

 

 


Passamos por Reguengos de Monseraz, com sua bela igreja e ruas desertas.


Depois paramos em Monsaraz para conhecer um castelo no alto de uma colina, na fronteira com a Espanha, que serviu de sentinela para vigiar os constantes ataques dos povos vizinhos, vindo principalmente de Castela.


A ocupação do local remonta da pré-história e já foi habitado por romanos, visigodos e muçulmanos. 

 

 


O primeiro a conquistar o castelo foi o legendário Geraldo Sem Pavor, que deu o nome à praça que eu citei acima, era um nobre aventureiro que se ofereceu como voluntários para retomar a região que estava ocupada pelos mouros, liderando um bando de proscritos, salteadores e aventureiros. Ele próprio costumava decepar a cabeça dos inimigos. Mais tarde, perdeu tudo que conquistou.

A região foi definitivamente incorporada a Portugal, sob o comando D. Sancho II, com o auxílio da Ordem dos Templários, em 1232.

 

 

 

O pacato castelo guarda poucas relíquias, alem de suas casas de pedra, sua muralha, suas torres, o palco da arena e sua igreja construída com paredes de até 1 metro de largura. 

 

 

 

 


O castelo é cercado por dezenas de lagos da Barragem de Alqueva, formando um lindo espelho d’água. Esta é o maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental.

Antes da partida visitamos a única loja dentro da vila muralhada, com um simpático proprietário que muito nos encantou com sua simpatia.


O findar de tarde proporcionou um momento fantástico, com sol se escondendo no horizonte, deixando o dourado cobrir a planície em volta do Monte de Monseraz, na região do Alto do Alentejo.