//85 – MAFRA – PORTUGAL

85 – MAFRA – PORTUGAL

Mafra tem indícios de habitação desde o período Neolítico, tempo da pedra polida, aproximadamente 3 milênios a.C.. 

O nome pode ter vindo de um culto à fecundidade feminina ou de uma palavra árabe,  cujo significado seria cova. 

A cidade também já foi cercada, restando hoje poucos vestígios da muralha.

 

 


O povoado começou a evoluir a partir de 1717, quando o Rei D. João V lançou a primeira pedra na construção de um palácio, que mandou edificar em agradecimento à cura de uma grave doença que o acometia e ofereceu de morada para 17 frades. Com suscetivos aumento da área construída, acabou por abrigar 300 frades  .

 

 

 

 

 

Logo após a conclusão do palácio, com os frades já habitando o local, as tropas de Napoleão tomaram conta, com suas atrocidades costumeiras, fazendo ali uma das principais bases de suas em terras portuguesas.

 


Em uma das alterações no projeto, o Rei decidiu construir aposentos para abrigar a corte durante o período de caça, completando seus quase 40 mil metros quadrados. 

Durante a construção, chegaram a trabalhar na obra em torno de 50 mil pessoas em um mesmo ano. Isto tudo aconteceu, graças ao ouro que chegava aos montes, vindo do Brasil.

 

 

 


O castelo foi construído de forma simétrica, ficando um lado na parte da frente aos aposentos do rei e, no outro lado, os aposentos da rainha. Quase 300 metros separam os aposentos dos monarcas.

 

 

 

 

No meio da construção fica uma Basílica, ricamente decorada com pinturas e esculturas religiosas dos mais renomados artistas da Europa do século XVIII.

 

 

 

 

Uma vez por ano, o órgão de tubos na Basílica é tocado por renomeados artistas. Como o espetáculo seria duas semana depois, compramos os ingressos, mas no dia do não foi possível voltarmos a Mafra e deixamos de apreciar.

 


Somente uma pequena parte do palácio é aberta para visitação. Durante nossa visita uma funcionária nos contou histórias que aconteceram naquela local, como orgias e mortes com a participação da corte e do clero. 

Disse que muitos segredos ainda estão enterrados no subsolo. O que ela contou foi muito horrível e eu não vou repetir, mas tem haver com o nome da cidade, descrito no segundo parágrafo deste post.

 

 

É muito legal visitar o palácio, além do direcionamento por cordas e das simpáticas mulheres guias, os móveis e objetos originais ficam bem próximos e podemos até tocar em alguns.

 

 


Caminhando pelas salas fomos descobrindo relíquias do passado, como a sala dedicada ao martírio de seis padres franciscanos que tentaram evangelizar os muçulmanos. Suas cabeças foram cortadas e expostas ao público. 

 

 


Outra sala guarda os instrumentos e ferramentas que foram utilizados na construção do monumento. 

A pura engenharia utilizava mais as habilidades dos trabalhadores do que propriamente das ferramentas.

 

A sala de música, a sala de jogos, da caça, das gravuras, várias de refeição, dos berços e muitas outras salas, ainda guardam sua decoração original.

 

 

 

 

 

 

São seis cozinhas exclusivas para peixes, saladas e carnes, cada uma com sua estrutura para servir os frades e a corte, quando vinham em férias.

 

 

Passamos pela enfermaria, muito gelada, que Isa até comentou “se o doente não morresse da doença, morria de frio neste lugar”. Depois descobrimos que o aquecimento era provido pelas cozinhas, estrategicamente construídas para aquecer a enfermaria e quase todo o palácio.


Pelas paredes e no teto, estão várias obras de arte concebidas por renomados artistas da Europa.

 

 

 

 

 

 

Dentro da palácio está uma das mais importantes e belas bibliotecas portuguesas. Cerca de 40 mil livros guardam relíquias da música, medicina, saber, geografia, teologia, literatura, matemática, ciência, arte, leis e diários, com a história de Portugal, do novo e do velho continentes.

A biblioteca ocupa a mais nobre e vasta de todas as salas do edifício, com 85 metros de comprimento e 9,5 metros de largura.

 

 

 

 

Muitas salas estão em recuperação, mas o que é possível visitar já vale muito. O Palácio de Mafra é um dos monumentos mais bonitos e agradáveis por onde passamos em Portugal.

 

O complexo tem também belos jardins e, um deles, foi cedido para a falcoaria, uma arte ancestral de treinar aves de rapina para a caça, isto há séculos passados. Hoje, aqueles falcoeiros de mentira estão mais para exploradores da natureza, mantendo aves presas em correntes para turistas pousarem para fotos em troco de dinheiro. 

 

 

Saímos do Palácio e passeamos sem pressa pelas ruas, procurando uma confeitaria tradicional e famosa, que fabrica o doce de feijão, típico da região. 

 

 

Foi mais um dia maravilho que eu e Ade contamos mais uma vez com a companhia da nossa querida Isa, incansável também para passear, de uma boa vontade exemplar e muito agradável de convívio.

 

Voltamos já era noite, a luz dourada do sol já havia partido, mas a luz prateada da lua tomou conta.