//9 – A ENCANTADORA PIRIÁPOLIS

9 – A ENCANTADORA PIRIÁPOLIS

Piriápolis fica depois da curva onde o mar vira rio. As águas doces do Rio da Plata nem sabem se é ou não um mar. Tem areia na orla e tem ondas nas águas, tal qual se fosse um mar, mais não é.

Aqui é uma praia quase que exclusivamente dos uruguaios. Se vê poucos argentinos ou chilenos e os brasileiros parece que ainda não descobriram este encanto.

Uma multidão chega aqui nos finais de semana do verão, mas cabe todo mundo. As areias são separatas por diques de concreto, formando um espaço para cada porção de banhistas.

Tem um comércio farto, com as mais variadas comidas, lojas para todos os gostos, praça de artesanato, cinema, cassino e não falta lugar para estacionar.

Tem calçadão com espaço pedonal e pista para esportistas , limpo e espaçoso que percorre toda a orla. Tem chuveiro e fica uma pessoa responsável pela limpeza em cada banheiro químico espalhados pela orla.

Falando em loja, este chapéu que Ade provou mas não gostou por que é duro e feio, virou moda por aqui. A todo momento uma pessoa passa usando o chapéu, que não é de palha, parece um plástico.

Ficamos em um camping por dois dias a três quadras do mar. Depois descobrimos uma gentileza da prefeitura que oferece um local em frente ao mar, ou melhor, ao Rio, com vigia diuturno, não que seja perigoso é só para organizar o estacionamento, bem ao lado do vistoso Hotel Cassino Argentinos.

Ali ficamos mais dois dias.

Conhecemos um casal de idosos que viajam de casa rodante por toda América do Sul. Hoje ele tinha que voltar para Montevideo para se enternar no hospital por 15 dias para tratar um câncer e depois pega a estrada novamente. Já são cinco anos nesta rotina. De tempos em tempos ele volta faz o tratamento intensivo e volta para estrada. Eles venderam a casa compraram outro terreno construíram um galpão para guardar o motorhome quando ele vem para o tratamento.

Acho que eles também sofrem com outro transtorno, que nossa bela amiga lusitana Maria Isabel Ribeiro, descobriu e publicou em seu facebook. Maria Isabel também sofre deste transtorno, nós também e muitos de vocês que estão agora lendo este post, talvez também sofram com o TOV.

Piriápolis não tem prédios altos. O maior deles é o vistoso Hotel Argentino, que aos finais de semana, oferece atrações para os hospedes e para quem quiser assistir. Na noite de sábado vimos uma dança com a participação do público e no domingo, uma orquestra provocou muitos aplausos e diversos “bis”, ao término da apresentação.

De manhã a gente saia de Caca, fazia alguns passeios e estacionava em uma rua próximo ao Porto. Dali avistava toda orla, muitas pessoas passeando ou fazendo exercícios e peixes pulando a todo instante para fora da água, sob os olhares despreocupados das gaivotas que, pela fartura de comida, descansam tranquilas, cada uma estacionada na sua pedra.

Ali mesmo preparávamos o almoço, fazíamos a siesta e acordávamos com uma visão maravilhosa.

A siesta é um costume comum aos que vivem ao sul da América do Sul. A origem do nome siesta, sesta em português, vem dos romanos, que dedicavam a sexta hora do dia para guardar repouso e silêncio. Por ser o horário mais quente do dia, por volta do meio dia, faziam a refeição e descansavam para facilitar a digestão e esperar o calor amenizar.

Ao anoitecer, voltávamos para o estacionamento, onde sempre acontecem novas amizades. Desta vez destaco um senhor, talvez com uns 80, 90 anos, que treme muito por culpa do Parkinson mais ainda é aventureiro. Ele com a esposa e sua velha casa rodante, são guardados por um enorme cachorro manso, segundo ele, mas assustava. Ele se mostrou interessado na Caca, perguntou quanto custava, eu falei quanto foi nosso investimento, mas que não estava à venda. Então ele disse que queria ver no outro dia, para fazer uma igual, mas foi embora bem cedo sem conhecer nossa casa.

Fomos conhecer o Cerro Pan de Azúcar, a terceira maior montanha do País com 423 metros de altura, com uma cruz de concreto com 35 metros de altura no topo da montanha, que é um dos orgulhos dos moradores. Para chegar no topo somente escalando a pé.

Há um século o fundador de Piriápolis, Francisco Piria, mantinha uma pedreira na encosta da montanha que fornecia granito para construção da cidade.

Nos pés do Cerro Pan de Azúcar, o senhor Piria construiu um castelo, onde ele morava e também mantinha uma vinícola. Ele era o maior empregador da região e tudo por ali se desenvolveu por conta dele. Sua luta foi dura, tinha que competir com os ingleses que comandavam o porto e exploravam tudo por ali e não só por ali, mas por toda região sul da América do Sul. Levaram nossas riquezas e deixaram suas sucatas.

Engraçado!

Os britânicos aparecem pouco na história da América do Sul na época dos descobrimentos, mas sempre influenciaram seus quase súditos descobridores, ou navegadores, ou piratas mesmo, portugueses, franceses, holandeses e tantos outros. Até hoje os britânicos tem o hábito de comando à distância, como se fossem um controle remoto.

Hoje o castelo pertence ao Estado e fica aberto para visitas gratuítas, com alguns móveis da época e obras de arte de pintores regionais. Merecia uma manutenção mais apurada para manter a história do Senhor Piria, que tanto fez pela cidade. É obvio que a cidade ficou com seu nome, Piriápolis.

Depois de tudo que Piria fez, deixando bonito o Balneário, por volta dos anos de 1.900, os gestores seguintes começaram a promover a cidade para os turistas. Facilitaram a construção do Hotel Argentino e alguns praças públicas como Virgen de los Pescadores, Fuente del Toro e a Fuente de Venus, que visitamos.

Ainda tem o bondinho, que não encaramos, parecia perigoso e o morro que ele subia era baixo, quase nada para ver.

Bom mesmo em Piriápolis é a orla do rio que pensa que é mar.

No final da tarde fomos assistir à final do torneio de vôlei feminino onde a mesma equipe dos três anos anteriores se sagrou campeã, sem muita empolgação a não ser do locutor que se perdia na narração e colocava culpa no microfone. Quando ele se perdia batia no microfone mas tudo era transmitido. As vezes ele falava baixinho e derrepente se empolgava e até assustava a plateia com seus gritos. Ao final ele largou o microfone, entregou as medalhas e ainda queria sair em todas as fotos. Uma figura.

Além das trapalhadas do locutor atrapalhado e a disputa da final no jogo de vôlei, tinha o pôr do sol esbanjando categoria, entranto no rio que pensa que mar, como faz todos os dias.

Na corrida de rua somente para mulheres, pena que Ade não se inscreveu, ficamos um tempo assistindo à chegada das atletas só para curtir a emoção de quem completa uma prova. Não importa o lugar que chegou ou o tempo que demorou. A emoção é visível. Pena que colocaram um tapete para cobrir o marcador do chip e vimos três mulheres caírem na chegada. O tapete da cor do asfalto e com uma pequena protuberância ficou perigoso. Saímos para não ver mais as atletas, que tanto correram, cair na chegada.

No domingo fomos saborear uma paelha típica uruguaia. Chegamos tarde no restaurante e os atendentes queriam ir embora e nos atenderam de cara feia, mas a comida feita na hora estava muito boa. Um prato para dois, comemos à vontade e sobrou. Pedimos para levar e ainda deu para mais uma refeição à noite.

A foto não ficou boa mais lembrei do Caco Antibes, que dizia:

“pobre não pode comer uma comidinha melhor que já quer postar”.

No estacionamento gratuito onde estávamos instalados não tinha água mas a companhia de água do Uruguai oferece uma torneira a poucas quadras do local. Abastecemos a Caca e partimos da encantadora Piriápolis, seguindo pela costaneira, com vontade de entrar em todos os balneários, fotografando até a sombra.