//9 PORTO SEGURO – BA

9 PORTO SEGURO – BA

Chegando em Porto Seguro, um guia de motocicleta ofereceu ajuda e nos indicou algumas opções de hoteis e pousadas. Escolhemos um hotel 4 estrelas com preços de baixa temporada.  O hotel é muito bom, novo mas fica longe de tudo. Ficamos 3 dias.

Na Passarela do Alcool, garçons oferecem refeições com desconto de 20% no preço do cardápio. Vantagens de fora de temporada. Para não fazer outro cardápio oferecem desconto. 

Saímos procurar outras opções de hotéis e pousadas. Procurando, descobrimos que em Porto existe uma “máfia”, que eles chamam de associação, de guias e outra de motoristas de taxi. A princípio foi útil a ajuda que o guia nos deu para encontrar um hotel.  Depois descobrimos que os guias e os taxistas cobram do hotel 20 reais de cada diária. Em resumo, o hotel cobra a mais quando você vem indicado por um guia ou taxista, ou seja, o turista paga 20 reais por dia, simplesmente pela indicação do hotel. Os donos dos hoteis cobram do hóspede e repassam aos bandidos. Se não o fizerem eles rechaçam a qualidade do hotel e desviam clientes. Acho que isto é caso de polícia. Vou repetir: se você se hospedar em Porto Seguro com ajuda de um guia ou do taxista, pagará 20 reais a mais por dia que ficar naquele hotel. Se você for direto, sem indicação, o valor da diária é menor. Revoltante.

 

Encontramos uma pousada bem localizada de uma limpeza extrema, com piscina, sauna, ar-condicionado e um atendimento fantástico. O seo Du, jardineiro a 20 anos, plantou Pau Brasil, Ingá, Cajú, Cacau, Cidra, flores, arbustos e a grama na pousada. E cuida de todas com muito carinho. O atendimento de todos é muito bom.

 

 

Outra máfia são as operadoras de turismo, que tomaram conta de Porto Seguro. O hotel disponibiliza as reservas para as operadoras, ela vende em pacotes pelo mundo afora e acabam literalmente tomando conta do hotel. Se você chegar para fazer reservas no balcão, praticam um valor muito alto ou somente aceitam com a reserva das operadoras, que devem ditar algumas regras no hotel inclusive nos valores. Por um lado é bom que as operadoras estão levando muita gente a conhecer o Brasil. Vende pacotes em oferta, a preços módicos, divididos em vezes, sem juros. Por outro lado, muitos não tem dinheiro para comprar no comércio que está reclamando, especialmente em lojas de marca e restaurantes mais sofisticados.

 

 

Fomos até Santa Cruz de Cabrália. Estrada boa, muito bonita a beira mar. Passamos por Coroa Vermelha. Cidades simples de vida pacata. 

 


Coroa Vermelha tem praias bonitas, um calçadão com artesanatos, uma praça enorme e muitos pescadores. Dois garotos nativos informaram que o Tião estava chegando do mar e trazia peixes. Fomos ver e compramos 50 reais de camarão, chegando do mar, que deram para várias refeições e petiscos. 

 

 


 

Passamos no mercado, abastecemos o frigobar com água, cerveja, refrigerante, chocolate, frutas, chá, bolacha e condimentos para cozinhar. Compramos salgados e doces portugueses e fomos comer em casa e depois fazer o fechamento do mês.

No primeiro mês, agosto de 2.012, ficou assim a divisão percentual dos investimentos na viagem:

  •  3% com PASSEIOS (escuna, barco, jipe, ingressos)
  •  6% com TRANSPORTE (gasolina, pedágio, balsa
  • 10% com EXTRAS (correios, presentes, farmácia, gorjetas,taxi, loteria)
  • 30% com ALIMENTAÇÃO (restaurante, lanchonete, bebidas, mercado)
  • 51% com PERNOITE  (hoteis, pousadas, taxas de turismo)

Algumas barracas de praia tem um palco e os dançarinos dão aulas de coreografias para as músicas mais tocadas. Quase sempre axé, as vezes sertaneja. Paramos numa para ver as pessoas que ficam dançando na pista e tem concurso de dança, muito divertido com ajuda dos animadores. Vez ou outra ligam jatos de água e molha todo mundo, agradavelmente.

Caminhada de 10km por areias macias da praia. Atravessamos por um rio que não dava para ver o fundo. Peguei uma vara e fui conhecendo a profundidade. Atravessamos e servimos de guia para outras pessoas que também queriam atravessar.  Um vendedor de queijo frito disse que não dava para atravessar, mas foi atrás. O rio deságua na mar e muda a profundidade de acordo com a maré. É uma atividade de risco, possível de realizar tomando alguns cuidados preventivos: use uma vara como “profundimetro”;

  1. feche bem a mochila;
  2. tire do bolso o que não pode molhar;
  3. passos pequenos;
  4. escolha a menor largura para atravessar;
  5. olhe as condições dos pontos de entrada e saídas do rio.

Almoço com salada e um belo tolete de bacalhau, frito na chapa em um restaurante vizinho. O bacalhau na região é barato e de boa qualidade.

Fomos para Arraial D`ajuda, caminhamos 5 km pelas praias estreitas, inclinadas e com muita sujeira do rio. Pessoas comuns praticamente não tem acesso à praia ocupadas pelos hotéis, pousadas e residências de veraneio.

Na praia central comemos peixe grelhado, mais muito grelhado, perdeu o sabor. Tudo bem, 53 reais em 4 filezinho de peixe, 5 folhas de alface, 3 rodelas de tomates, 3 de cebola, farofa e arroz.

 

A cidade com ruas estreitas, lojas, restaurantes, bares e muito artesanato. A venda de artesanato e tão espalhada que até uma loja de artigos religiosos ao lado da igreja vende santo, rosário, miniaturas de igreja, colares e bonecos em poses sexuais. Misturou.

 

Um artista de rua fez na hora e tentou me vender um colar mas não ficou legal. Enquanto montava o colar ele dizia que ontem fez 42 anos, nunca votou, não paga impostos, tem um bicicleta e viaja com ela pela região, tem dentes podres e é feliz. Ele diz que é e a gente sente que ele é. Compramos artesanato, comemos cupuaçú e açaí e esperamos a noite pra passear na cidade iluminada. Voltamos de ônibus e de taxi, deliciosamente cansados.

Hoje a moto foi para revisão. Bom atendimento, uma limpeza de qualidade, troca de óleo e reapertos. Enquanto isso, andamos pela cidade, sol escaldante, pouca gente e comércio com muitas lojas fechadas. Andamos, sentamos na praça, comemos, compramos, shopping e mercado. 

Um baiano estava sentado na sombra, outro passou e disse: “calor” e ele respondeu: “oh”. Foi economia de palavras por culpa do calor.

As escunas saem do centro de Porto Seguro e param nas praias enfrente as grandes barracas. Numa delas tinham jovens argentinos, todos com a pele muito branca, magros e alguns com cabelos pintados e cortados de formas diferentes, digamos, estranhos. 

Saímos para a corrida matinal e fomos pelas ruas de trás. No trajeto um senhor, Edgar de 84 anos, nos parou e perguntou se eu entendia de computador. Disse a ele que não muito mas ele insistiu para que eu desse uma olhada.  Entramos em sua casa bonita bem decorada com um lago no fundo onde o café da manhã estava servido. O computador antigo e a imagem não aparecia no monitor. Verifiquei toda fiação e nada de anormal. Acho que era um problema com a placa. Foi uma pena depois de quase uma hora  não deu certo.

Ele é um gerente aposentado do Banco do Brasil e morava em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais.  Como não iam visitá-los, resolveram mudar para praia e os filhos, netos e outros parentes começaram aparecer com mais freqüência. Mesmo assim a esposa, que é uma artista plástica premiada, ainda não se acostumou com a cidade e quer voltar.

O Edgar está escrevendo um livro sobre espiritualidade e os segredos da mente.  Fiquei triste em não conseguir ajudá-lo. Recomendei que levasse a um especialista.

Tarde de visitas às belas praias.

 

Conversamos bastante com Tereza, servidora em Brasília que viaja sozinha. Veio até Porto Seguro de avião e viaja para outras cidades da região de ônibus. Parece cansativo mas ela fala com prazer das viagens. Bem esclarecida politicamente, acredita que nos devemos fiscalizar e fazer denúncias de tudo que está errado. Ela acredita que o Estado tem competência.

Com amigo mineiro Anderson e sua bela família, tivemos pouco mais intenso e agradável convívio. Aquela filha deles quando me viu, falou: vovô, tal qual Sophia está falando. Foi profundo.


Dei uma geral na moto colei adesivos e fitas na partes onde a ferrugem começou a aparecer.

Um condomínio fechado ao lado da pousada, tem 15 casas, cada uma com 5 suites e uma área de lazer fantástica.  Os donos são empresários, políticos e praticamente só usam no verão. Tem vigias, cuidadores da parte comum e cada casa tem uma empregada.

Uma das casas foi vendida recentemente e o novo dono está fazendo uma reforma, segundo o vigia, arrumando oque estava bom, a um valor de 160 mil reais. Ele disse que com este dinheiro ele construiria 30 casas na vila dele. A parte comum também passa por uma reforma também desnecessária e cara, segundo o vigia.

Em frente da praia fizeram sua própria lanchonete muito bonita, com madeiras nobres e bem equipada. Lá existem placas escritas que é área de preservação. Só se for a preservação deles por que ninguém mais usa, tem vigia. É a riqueza em excesso. Muito dinheiro é desumano e cruel para aos olhos dos empregados deles, que convivem com necessidades básicas e tem que trabalhar para quem ostenta e desperdiça até o desnecessário.

Embalamos mais uma caixa com chocolates, cocadas, pimentas, roupas, artesanatos e enviamos pra casa pelo correio.

 
 

Fomos conhecer Trancoso. Um mar lindo, esverdeado com piscinas naturais. Na praia aluga-se cavalos para pequenas cavalgas. O vento estava muito forte mas o sol brilhava.

Ficamos numa lanchonete que um garoto nos conduziu desde a cidade em sua bicicleta, acompanhando a moto. A lanchonete dá 10% para o garoto que levou o cliente. É uma máfia surgindo com pedais.

Rimos muito com os guardadores de carro, contando piadas de baiano. A preguiça é o tema. Estavam fazendo um feijão em fogão improvisado com tijolos, igual ao nosso feijão gordo. O  deles chama feijão com tudo dentro.

 
 

Passeamos no quadrado com a igrejinha famosa e uma vista maravilhosa do mar e do rio Trancoso. Lá as pessoas são todas zenZen vontade, zen dinheiro, zen ânimo, esperando a vida passar e assistindo o próprio enterro, como disse um poeta. 


Muitos vendem artesanato mas ficam deitados perto de seus produtos e quem quiser que vá até lá comprar ou ver. Nesta época não tem muitos compradores. 

 

 

 

A estrada bonita reservou surpresas. 

 

 


Surpresas pelos cavalos soltos na rodovia e pelo sítio do seu Manoel, 56 anos, com uma horta muito bem cuidada e bem diversificada.

Lá a planta coqueluche é o Noni, que segundo ele é milagrosa e serve pra tudo. Já curou a diabete dele e até o esporão. Os vizinhos quando tem dor, ou corte, ou quebra de osso, ou dor no estômago, vem até ele para usar a planta que pode ser consumida em forma de chá, com suco de uva, na comida, amassada ou mastigada. Em São Paulo cada folha da planta custa 40 centavos e o quilo chega a 160 reais. Ele tem dois pés da planta que vieram em mudas da Argentina.

Compramos um belo pacote de hortaliças por 10 reais.  Passamos por Arraial e uma chuva forte começou a se aproximar. Fomos embora preparar uma bela salada.

 

 

 

Dia chato. Descobrimos que perdemos o manual da moto. A Ade foi pra cidade sozinha e voltou reclamando que deu tudo errado, não conseguiu fazer nada no banco, demorou pra pegar o ônibus, ainda está com o braço inchado por culpa da abelha que a picou, foi chato mas não deixamos a tristeza reinar, apesar da chuva e sem sol.

 

 

Dia seguinte o sol voltou. 

 
 

Fomos de moto para a cidade conhecer os bairros. Pequenas casas antigas coloridas preservadas e ruas de pedras.  O bairro Baianão, onde mora a maior parte da população de Porto Seguro é longe do centro e das praias, com  estradas cheias de buracos, com intenso trânsito de pessoas a pé, de bicicleta, motos e poucos ônibus.


No Baianão moram grande parte dos trabalhadores do centro turístico. Ganham pouco e moram longe. Que injusto. Quase não desfrutam das belezas da sua cidade.

 

  

Fomos de balsa até a ilha dos aquários, pagamos 50 reais. Na ilha tem aquários grandes com tubarões, raia, caranha feroz e outros peixes enormes e exóticos. Banheiros limpos e lanchonetes por todo lado na ilha. Em cada canto um local de show ao vivo, forro, rock, dancing, axé, voz e violão.

Jovens bebendo, rebolando e azarando o sexo oposto, ou não, para beijar na boca “ficar”. Quanto mais melhor. Não precisa conhecer, beijar na boca tá bom. Uns vinte ou trinta jovens argentinos, vestidos todos de branco, chamavam a atenção pela euforia e  o tom de voz alto. Um grupo de pessoas uniformizadas potencializa a presença.

A ilha é linda, a estrutura é bela e as pessoas se divertem de forma desregrada. É possível ficar no lual ou dançando até o amanhecer.

 

 
 

Nosso vizinho italiano, trabalha com madeiras pelo mundo todo, casado com uma columbiana, vivem na Itália e querem morar na Bahia.


Ele tem um terreno em frente a praia e veio ao Brasil para vender.  Segundo ele os baianos são tão sossegados que não conseguiram agilizar a venda. Ouvi um corretor dizendo a ele que poderia vender, abrir a conta no banco para depositar o dinheiro, que ele encaminharia o cartão pelo correio e a senha pela internet. Ainda bem que ele não confiou em deixar a senha e o cartão com o corretor e foi embora sem vender.


São pessoas boas e agradáveis.

  

A noite churrasco preparado pelo vizinho. O cara entende do assunto.   Comprou, preparou, assou e serviu a carne e a lingüiça no ponto e no tempo certo.  Muito bom.


O Vander, 42, junto com sua esposa Marluze, falou que trabalhava como carreteiro. Muito trabalho, tomava  ribite todos os dias, várias vezes,  para não dormir e conseguir entregar a carga. Resultado foi infecções no fígado, nos rins e problemas no coração que o levou para a UTI e quase o matou. Não fossem o choques que levou no peito teria morrido.


Ele concorda com a nova lei para motoristas de caminhão sobre jornada de trabalho mas acha que e impossível fazer cumprir. Não tem local de descanso nas estradas e não tem caminhões para dar conta do que precisa ser transportado.  Enquanto isto nossos caminhoneiros vão ficando doentes e colocando em risco outros usuários das rodovias.


Mais tarde  argentino Gustavo se juntou a nós e foram longos papos.

 

 
 

Fomos para Belmonte a 68 km. A cidade e pequena pacata e praticamente não tem praia. Faixa de areias muito larga e suja por culpa do rio Jequitinhonha. Passamos por um asfalto ruim mas uma paisagem compensadora. Na cidade paramos em uma barranca, ainda em construção e única na praia, tomamos côco fizemos fotos. O dono disse que ganhou o terreno da prefeitura quando ainda não tinha asfalto. Agora um vereador quer tomar o terreno dele.

 

 


Belmonte é terra de cocos enormes…

 
 

A travessia de balsa e muito linda. 

 
 

Compramos camarão e peixe, votamos para casa e o vizinho capixaba preparou uma muqueca.


O argentino Gustavo se juntou a nós mas não comeu. Disse que não come nada a noite. Ele vive no sul da Argentina, perto da praia. Disse que antes a família trabalhava com importação e com a crise tiveram que mudar de ramo. Hoje são donos de hotéis que ele administra pela web. Disse que o governo confiscou o dinheiro deles e agora eles não confiam nos bancos. Preferem receber o dinheiro comprar imóveis e viajar. Ele esta no Brasil pela quinta vez e usa os reais que recebeu dos brasileiros que se hospedam em seu hotel. Reclama muito das decisões do governo de seu pais. Fala 4 idiomas e viaja de formas econômicas. Gente boa. Trocamos várias idéias nos dias em que convivemos juntos.

 
 

Por indicação da Adenilza, irmã da Ade, fomos até um restaurante a 25 km para conhecer suas formas diferentes e sua comida de fogão a lenha.


Chegamos num estacionamento forrado com pó de serra, coqueiros, jardim bem cuidado, com placas e potes com água em vários pontos. Tem um banheiro ecológico mesmo. O banheiro não tem portas nem paredes e o vaso sanitário fica ao vento.

 
 

A noite participamos de um churrasco com vizinhos paulistas, mineiros, goianos e nós paranaenses. Durante as horas que ficamos conversando, foi notório alguns nuances bem diferentes na cultura e nos costumes, como, frases populares, sotaques, nomes das coisas, o que bebem e comem, as piadas, os comentários, ou seja, diferentes formas de viver,  a poucas centenas de km dentro do mesmo pais.

 

O mineiro quando esta feliz fala “a riqueza me pegou”.

 
 

Caminhamos 5 km pela praia para visitar os efeitos da maré baixa que expõe até 200 metros mar adentro.  São corais que ficam expostos misturados com área e piscinas de águas quentes e transparentes.

 
 

Vizinhos tristes por conta de um amassado no carro. Deu ré e bateu na árvore. Ficou com raiva da árvore e do garçom que fez ele mudar de lugar no estacionamento.


Há que se ter prevenção em tudo que envolver seus pertences durante uma viagem. Um amassado no carro, o roubo de uma bolsa ou de qualquer outro objeto pode te dar raiva, preocupação e toda uma tratativa não desejada  que pode estragar as férias. Importante:

  • Carregar o necessário. 
  • Ter copias de documentos números de telefone, avisos  em outro local;
  • Procurar conhecer os perigos mais comuns da região; 
  • Evitar horários e locais impróprios;
  • Planejar o trajeto e perguntar o caminho para diferentes pessoas;
  • Vez ou outra olhar para os lados e para traz;
  • Ensaiar estratégias de reação. 

Assaltantes não tem biótipos, desconfie e fique atento, ser pender para uma neurose ou deixar de fazer as boas coisas por medo de perder. A perda é evitável ou no mínimo dificultada de acontecer, com ações preventiva e pro-ativas.

 

Eu descanso a tarde e a Ade fica fazendo coisas. Arruma o quarto, lava roupa, come laranja, vai pra sauna, procura gente pra conversar e não demonstra sinais de cansaço.

 
 

Muitas refeições foram por nós saboreadas, sob a batuta da Ade.

 

 


Saladas, muquecas, feijão gordo, feijoada, queijos e salames, carne de sol, além de vários aperitivos feitos pelas mãos abençoadas da Ade na cozinha. Em uma das refeições, que convidamos vizinhos para o almoço, ela foi aplaudida e eu aplaudi também.

 

Fomos até o centro histórico, como todos mau cuidado mas bonito de conhecer. É parte de nossa história.  A maioria de nossos antepassados eram baixos. Dá pra perceber pelo tamanho das casas. São baixas e com paredes grossas. O antigo centro da cidade era ocupado por moradores abastados que viviam próximo da matriz. De lá, uma vista privilegiada para o rio encontrando com o mar, formando diferentes cores nas águas e parte da nova cidade.

 


Voltamos pelos bairros da cidade e encontramos crianças apanhando fruta e fomos participar da colheita, jogando pedaços de pau para fruta cair ou subindo na árvore. A fruta é nova pra nós. Nunca vimos ou ouvimos falar.  Parece com rabanete e se chama ogenia ou eugenia. As mais vermelhas são as melhores.


Durante o trajeto de 12 km que fizemos a pé, comemos castanhas, bananas, cocadas e tomamos coca e água de côco.  Almoçamos um franco a passarinho com arroz e salada com legumes cozidos feitos pela Ade.

 

 

 

Conheci um corretor de imóveis, Aurélio 58 anos, morou em várias cidades. Ele  pega imóveis pra vender e se sustenta com a comissões. Me ofereceu um terreno em condomínio fechado a 200 mil reais a serem pagos em 80 meses na Praia de Taperapuã.  Disse que quando terminar de pagar valerá quatro vezes mais.


Um dia todo de chuva. Fomos no Axé Moi e encontramos um grupo grande de jovens estudantes de São Paulo. Aqui sim, diferente dos jovens argentinos que encontramos dias antes, tem bastante obesos.

 

Sábado com pagode, caipirinha e feijoada, na agradável companhia da Paula e do Girlei.

 

Um vizinho que trabalha com fogos de artifício me deu uma aula de fabrição  de bombas e detonou uma bomba “in door”.


Ele inventou um aparelho que  pode detonar o artefato sem perigo. Ele patenteou o invento mas outras empresas já copiaram.


Disse que fogos de artifício não tem mais datas de tradição. Todo momento tem clientes. Casamento, festa de barraca de praia, hotéis, shows. As principais bandas setanejas e de axé são clientes dele. Ensina alguém da banda a espalhar o artefato e aciona o detonator electronico à distancia. Fazem o pedido e ele entrega.


Mora numa cidade de Minas Gerais que tem 70 fábricas de fogos. Disse que existe uma boa lei, de responsabilidade do exército, mas os soldados não são preparados para fiscalizar. Conhece muitos acidentes que aconteceram na fabricação mas não é divulgado, até porque a explosão da pólvora dilacera a pessoa, praticamente não sobra nada do corpo. O show pirotécnico exclusivo foi encantador pela boa vontade dele em nos mostrar seus produtos, sem interesse comercial.

 

Amanhã vamos embora. Arrumamos as malas, programamos o GPS e  consultamos opções da próxima parada. É um momento um pouco chato por  que já acostumamos com o local e com as pessoas e dá vontade de ficar mais.


O que reanima é a certeza que vamos encontrar outros lugares e pessoas maravilhosas.