//91 – TOMAR – PORTUGAL

91 – TOMAR – PORTUGAL

 

Há muitos séculos, durante a Idade Média na França, surgiu uma confraria secreta que muito deu o que falar por toda a Europa e ainda hoje seu nome é lembrado.

Formada por homens que faziam votos de castidade e se despojavam de todos os seus bens, tinha o propósito inicial de proteger os peregrinos cristãos que caminhavam até Jerusalém, quando estes eram atacados por radicais muçulmanos. 

Seus membros eram considerados monges e usavam mantos brancos e o símbolo era uma cruz vermelha.

O movimento tomou corpo e se espalhou por várias regiões da Europa. Receberam o apoio da igreja católica e dos soberanos, que faziam doações para paramentar o grupo, com terras para edificação de mosteiros, fortalezas e confecção de armamentos.

 

 

A força de combate do movimento aumentou à medida que se organizavam para as Cruzadas, que eram as guerras proclamadas pelo papa em nome de Deus, travadas como se fossem uma iniciativa do próprio Cristo para recuperação das regiões cristãs invadidas pelos muçulmanos.

Resumidamente, foi assim que surgiu e tomou força a Ordem do Templo, uma sociedade secreta, formada pelos Cavaleiros Templários.

Os Cavaleiros Templários treinavam para o combate e também se ocupavam em tratar de doentes em seus mosteiros e fazer caridade aos pobres. 

Apesar das mulheres não participarem diretamente da Ordem, ajudavam no auxilio aos necessitados.

 

No auge da existência, com muita riqueza acumulada, a Ordem já não sofria qualquer tipo de interferências do rei ou do papa, tornando-se independente, assumindo novos objetivos e foi se desviando da missão inicial, que era de proteger e liberar os caminhos dos peregrinos. 

 

Em Portugal, uma fortaleza dos Templários foi edificada em 1160, na pequena cidade de Tomar, no centro do País, como apoio estratégico do avanço cristão para o sul, durante o reinado de D. Afonso, onde os muçulmanos já haviam tomado por completo.

 

A fortificação de Tomar revelou soluções de grande modernidade para o seu tempo. Foi construída absorvendo estruturas de um núcleo populacional do séculos IX a XII, quando os islâmicos ocupavam a região. Seus paredões inclinados dificultaram em muito as tentativas de tomar a fortaleza de Tomar.

O Aqueduto dos Pegões foi também obra de notória engenharia, edificado para abastecimento de águas para a fortaleza. Ele tem um percurso de 6 quilômetros e um total de 180 arcos.

 

A fortaleza guarda na sua história um memorável cerco, que durou 6 dias, com a morte de centenas de pessoas. Com a derrota, os islâmicos bateram em retirada e a paz voltou a reinar.

De suas fortalezas, os Templários gerenciavam uma vasta estrutura econômica,  inovando sempre suas técnicas financeiras. Foram os Templários que construiriam os primeiros passos para formação do que é hoje o sistema bancário.

  

 

Na noite da Sexta-feira, 13 de março de 1314, a Ordem foi extinta a mando do Rei Felipe da França – O Belo, e do Papa Clemente V. 

Eles mandaram o líder da Ordem ser sacrificado em uma fogueira, dando início a uma perseguição sem precedentes aos Templários por toda a Europa. Um a um, quando dominados, eram queimados em praça pública, sob a alegação de heresia, sem muitas explicações. 


Contam que na verdade os monarcas e a própria igreja, acabaram com a Ordem para se apoderar dos bens acumulados pelos Templários (terras, edificações, dinheiro, ouro, obras de artes e os recebimentos de empréstimos monetários que eles faziam). 

A falta de informações concretas sobre a o julgamento dos Cavaleiros da Ordem, motivou lendas e opiniões próprias de historiadores e muitas sociedades secretas se proclamam “herdeiras” dos Templários, como a maçonaria, por exemplo. 

Livros e filmes como “Ivanhoe”, “O Código Da Vince”, “A Lenda do Tesouro Perdido” e até Indiana Jones, também apresentaram suas versões.

Em 2007, com a descoberta de novos fatos em pergaminhos arquivados, o Vaticano declarou a vontade de dar inocência aos Templários.

Em Portugal, devido a necessidade de continuar defendendo a fronteira no sul do País, ainda com o apoio do Papa, foi fundada a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ordem de Cristo, formada pelos poucos guerreiros monges que sobraram dos Templários e por militares ordenados pelo Rei, herdando todo o patrimônio da Ordem, extinta também em Portugal. 

A nova Ordem voltou às suas origens religiosas, se ocupando principalmente com a caridade. Com a riqueza herdada, financiou grande parte da caravelas que partiam de Portugal para novas descobertas, incluindo o Brasil. As naus levavam o símbolo da cruz e era estabelecido à Ordem de Cristo, o direito espiritual sobre todas as terras descobertas, a partir de 1454.

Séculos depois, em 1834, a Ordem de Cristo também foi extinta e seus bens foram expropriados, vendidos ou anexados ao patrimônio nacional, ficando somente o título de “Ordem Militar da Ordem de Cristo”, como referência de funções de soberania no País. 

Ficou também um patrimônio ainda bem preservado da era dos cavaleiros Templários.

 

Hoje a fortaleza em Tomar é aberta para visitação e ficou com o nome de Convento de Cristo, classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO e uma das maravilhas de Portugal.

 

 

 

 

 

 

 


Por dentro ainda ficaram relíquias da época, com grande acervo e o mistério dos  túneis que ainda tem partes a desvendar. 

Alguns historiadores acreditam haver no local, um grande tesouro escondido pelos Cavaleiros Templários.


Dentro da fortaleza, que sofreu várias alterações a cada novo reinado, tem uma das janelas mais famosa de todo mundo, devido a sua riqueza de detalhes. A Janela do Capítulo, na nave manuelina, construída por ordem do mestre da Ordem de Cristo, D. Manuel, que mais tarde veio a ser coroado Rei de Portugal.

 

 

 

Na cidade ficou a tradição de se construir janela diferentes, como as janelas de canto, muito comum na pequena Tomar.


A pequena cidade de Tomar, cortada pelo Rio Nabão, que já movimentou a economia da região fornecendo toda a energia para o funcionamento de uma grande fundição, guarda também uma bela infra-estrutura para a diversão da população.

 

 

 

 

A cidade tem muitas obras de artes da arquitetura e uma que se destaca é Igreja de São João Batista, na praça da República, em frente a câmara municipal, antigo palácio onde viveu D. Manuel, antes de se tornar Rei de Portugal.

 

 

 

A Igreja é o ponto alto da maior festa de Tomar, uma das mais importantes de Portugal, a Festa dos Tabuleiros, quando a cidade recebe milhares de visitantes e turistas do mundo todo.

 

 

 

A Festa acontece de 4 em 4 anos, anima as ruas durante uma semana e os meses que antecedem são de intensa preparação. 

Cada um enfeita sua janela com bandeiras, tecidos e flores de papel crepom, sempre com muito colorido.

 

 

 


A população se une para enfeitar as ruas da cidade, com temas diversos, sempre com muitas flores de papel colorido.

 

 

 

 

 


O alto da festa acontece no domingo, com o desfile dos Tabuleiros. A plateia traz seu barquinho e espera pacientemente o início do desfile, que começa com os fotógrafos se posicionando com sua potentes máquinas e os policiais abrindo o caminho em meio a multidão.

 

 

 

Em seguida desfilam as autoridades, depois as Freguesias seguem representadas com suas bandeiras e coroas e a animação, não muito animada, fica por conta da banda militar.

 

 

 

A grande emoção acontece quando passam as mulheres transportando na cabeça um ornamento no mesmo tamanho de sua altura, que pesa em entre 12 e 22 quilos, os famosos Tabuleiros, símbolos da fartura e da boa colheita.

 

 

 

 

Algumas das quase 700 mulheres que desfilaram no percurso de 5 km pelas ruas da cidade este ano, mostravam no rosto o peso dos Tabuleiros. 

A maioria desfila sorridente e feliz por fazer parte da festa de maior tradição da cidade, em homenagem à deusa da colheita Ceres e ao Espírito Santo. 

 

 

 

Os Tabuleiros são confeccionados com flores e pães, sustentados por varas de bambus.  

Ao lado de cada mulher, desfila um homem que, a princípio é impedido de carregar o tabuleiro e, só o faz, quando a mulher perde o equilíbrio ou quando ela já não aguenta mais.

 

 

 

Um carregador vai servindo água fresca aos astros durante o desfile, com uma tina de barro.

 


Passam os carros de boi e os escoteiros que encerram o desfile, após quase duas horas.

 

 

Depois de tudo, Ade e Isa foram sentir o peso e a responsabilidade das mulheres que carregam os Tabuleiros. Reclamaram sorrindo do peso e ainda mais, quando os rapazes pediram para elas dançar com o Tabuleiro na cabeça.

Este é um ônus que nossas mulheres pagam por serem brasileiras fora do Brasil, sempre pedem para dançar o samba. Elas dançaram com muito orgulho, charme e delicadeza, apesar do Tabuleiro.

Esta foi mais uma das memoráveis visitas que fizemos pelos recantos que encantam em Portugal. Continuo agradecendo sempre a Deus, pelo privilégio de me permitir participar da vida como ela é no Velho Continente, sempre em excelente companhia. 

Victor, Ade e Isa são dádivas.