//92 – NOSSA MORADA EM LISBOA – PARTE II

92 – NOSSA MORADA EM LISBOA – PARTE II

 

Em nossa aventura pelo Velho Continente, paramos um tempo maior para viver a vida como europeus e escolhemos provar o cotidiano na bela Lisboa.

 

Portugal foi por escolhido, não somente pela qualidade de vida ou pelo idioma, mas especialmente pelas atrações que o País oferece, com uma cultura e arquitetura milenar preservada em muitos pontos diferentes, suas delícias culinárias e sua gente hospitaleira.


 

Lisboa já pertenceu a vários povos, existe indícios de civilização desde a.C., já foi devastada por um terremoto seguido de tsunami em 1755, recuperada e preservada, guarda na memória historias de amor, de valentia, de heroísmo, de religiosidade e de descobertas.


 

 

 

 

Foi Julio Cesar, Imperador romano, quem concedeu o primeiro título de município à cidade de Lisboa. Alem dos romanos, a cidade já pertenceu aos fenícios, aos celtas, aos germânicos, aos mouros e aos visigodos. Somente em 1147 foi conquistada por Afonso I, fundador do reino de Portugal.



Lisboa hoje tem menos de 600 mil habitantes mas, incluindo a Grande Área Metropolitana, chega a cerca de 3 milhões de pessoas, quase 30% da população do País. 

Lisboa é a sétima cidade mais visitada da Europa e recebe mais de 3 milhões de turistas por ano.


Popularmente, os naturais ou habitantes de Lisboa eram chamados de alfacinhas. Conta a lenda que o nome veio por conta dos cercos que a cidade foi alvo, quando os habitantes só tinham o alface de suas hortas para se alimentar. Hoje quase ninguém fala em alfacinhas, são chamados de lisboetas e a culinária se tornou uma das melhores do mundo.

A cidade evoluiu, adotou o modernismo em sua configuração urbana a partir de Exposição Mundial em 1998, com a construção do Parque das Nações, ao lado do Rio Tejo.


 

 


Mas a antiguidade na cidade predomina. Edifícios centenários, monumentos, ruínas, castelos, muralhas e o charme da cidade que são os bondinhos, símbolos da antiguidade, que circulam no centro histórico. 

 

 


Até no sub solo Lisboa guarda sua história. Uma galeria, esquecida por muito tempo, foi construída pelos romanos e ainda há controvérsias sobre sua real finalidade. Uns dizem que eram cisternas, outros dizem que era rota de fuga, outros que era para armazenamento de cereais e também tem a teoria que diz que as galerias foram construídas para sustentação dos edifícios na superfícies.

Tivemos a sorte de visitar uma parte das galerias romanas, que são abertas ao público durante dois dias a cada dois anos. Ainda existem muitos quilômetros a serem desvendados.


A galeria foi descoberta somente em 1755, após o grande terremoto que abalou Lisboa.

 

 

 

 


Lisboa é uma metrópole bastante segura. Acontecem poucos acidentes de trânsito, assassinatos são raros e os inimigos do alheio que assaltam, são raros. 

Tranquilo e seguro, mas não completamente. Depois da abertura das fronteiras, como reclamam os lisboetas, bandidos de outros países da Europa entram em Portugal, fazem suas barbáries e voltam sem medo de ser abordado. Por conta desta invasão de bandidos importados, muitos portugueses já exigem a volta dos controles nas fronteiras.

Falando em segurança, em Lisboa acontece todo sábado, a Feira da Ladra. A feira já existe há muito anos e dizem que começou por conta dos pequenos roubos que aconteciam, onde os ladrões se reuniam para vender os objetos subtraídos do alheio.

 


O nome Ladra foi mantido, mas na feira vendem de tudo, objetos usados, novos, antiguidades, artesanatos, alguns talvez roubados. 

A feira é ideal para caçadores de relíquias, muitos expositores procuram a feira para vender objetos que pertencem às famílias.

 


No local onde a feira acontece também existem várias lojas que vedem produtos variados e um barracão onde acontecem exposições. Quando visitamos, acontecia no barracão uma exposição com a história dos pratos. Eu jamais pensei que alguém se preocupasse em contar a história dos pratos, interessante.


O prato feito a partir da porcelana surgiu com os chineses por volta do 600 a.C. e, por muitos séculos era um objeto que somente abastados podiam adquirir.   Somente no final do século XVII, os pratos se popularizaram na Europa.

 


Normalmente de formato côncavo e circulares, os pratos tem diferentes tamanhos e destinam-se a usos específicos. Os mais comuns são o prato fundo, ou de sopa, prato raso, de frutas e de sobremesa. Há também pratos para pão, salada, peixes, entre outros. São fabricados com porcelana, madeira, metais, de plástico e até de papel.

 

 

Artistas tomaram os pratos como base de suas artes e nele transcrevem belas pinturas, frases e piadas. 

No início da popularização dos pratos, fabricantes só aceitavam encomendas de pratos estilizados, mas a procura foi tanta que iniciou-se a produção popular deste objeto.

 

 

A arte também é presente na arquitetura de Lisboa, que guarda dezenas de palácios construídos por famílias nobres, que deixaram também uma bela contribuição artística como patrimônio, como o Palácio Marquez da Fronteira, com seu belo jardim e grande acervo de azulejos e estátuas.

 

 

 

O belo conjunto arquitetônico e paisagístico do século XIX é um dos melhores exemplos de uma casa nobre da época em que Portugal ainda se abastecia dos recursos vindos do Brasil. 

Ainda bem que podemos pelo menos visitar, pagando ingresso é claro.

 

 

 

 


A história milenar de Lisboa também pode ser contemplada pelas centenas de igrejas distribuídas por toda a cidade. São belas e relatam a história com sua arquitetura e obras de arte que imortalizam fatos e lendas. A grande maioria dos lisboetas são religiosos, principalmente católicos, mas nem todos são praticantes.



O catolicismo com suas igrejas, que são verdadeiras obras de artes, alem da preciosa arquitetura, brindam a humanidade com peças esculpidas, pintadas e incontáveis objetos e relíquias. Certamente muitas ainda guardam tesouros que desconhecemos, mas o que está expostos encanta os olhos de turistas e religiosos, apreciadores da arte.

 

 

 

 


A Catedral da Sé em Lisboa é a mãe das igrejas católicas em Portugal, a Igreja de Fátima é a mais famosa e a mais bela… é difícil eleger.


Destaco a Igreja de Santo Antônio, edificada no mesmo lugar onde o mais famoso santo de Portugal nasceu e viveu por muitos anos. 


Antônio foi um excelente orador, professor e estudioso de temas religiosos. Morreu antes dos 40 anos e foi canonizado por sua obra e pelas dezenas de milagres e ele atribuídos. A prova final de sua santidade foi sua língua, que permaneceu intacta após sua morte, considerado como prova de que sua pregação era inspirada por Deus.

 

 

Ele foi um verdadeiro intelectual da Idade Média, um dos santos mais amados no mundo todo. No Brasil, venerado pelas solteiras que procuram um pretendente e na Europa ajuda a encontrar objetos perdidos e empresta seu nome para o Pão Bento de Santo Antônio, que deve ser guardado em um recipiente dentro de casa para não faltar alimentos. 

Muitos que nasceram no dia 13 de junho, foram batizados com seu nome, inclusive meu pai, Antônio Rocco. Em homenagem ao Santo, acontece uma das principais festas populares em vários países, no dia 13 de junho.


A Igreja de Santo Antônio, reformada após o grande terremoto que abalou Lisboa, guarda relíquias do Santo, incluindo sua cripta.

 


A arte e religiosidade do povo também é preservada após a morte, nos cemitérios, onde encontramos, melhor dizendo, eu encontrei, por que a Ade nunca entra na casa dos mortos, a beleza na arquitetura das centenas de mausoléus imponentes e jardins arborizados. 


 

 


Sei que muitos não se sentem bem visitando um cemitério, mas eu garanto que, se você consegue dominar os receios, encontra no cemitério um museu a céu aberto, especialmente os mais antigos, que guardam preciosidades da arquitetura, peças esculpidas, vitrais e mensagens gravadas como homenagens.

 


Sem querer ser macabro ou “papa defuntos” ou, muito menos desencorajar quem pensa em visitar um cemitério, aviso que alguns fatos ou visões podem aflorar o medo, como um túmulo negro ou outro aberto, como eu encontrei.


 


Ricos ou famosos são destaques nos cemitérios, mas todos tem um lugar reservado.


Quando sai do cemitério, com sede, entrei em um bar em frente e comprei uma água. Quando cheguei em casa, observei o nome da água que comprei, tudo a ver.



Os mais famosos que viveram em Lisboa, depois de mortos, não foram para o cemitério, foram para o Panteão Nacional, um monumento de grande expressão arquitetônica que guarda restos mortais de ilustres lusitanos.


 

 

 


É preciso grandes feitos para ficar eternizado no Panteão Nacional e cada novo túmulo ali colocado é sempre muito discutido pelos governantes e pela população. Agora por exemplo, a discussão está em torno do famoso jogador de futebol, Eusébio para ter lá o seu lugar eternizado. 

Apesar da forte concorrência com grandes nomes, o túmulo mais famoso é o da cantora Amália Rodrigues.


 


Amália Rodrigues, dentre tantos famosos portugueses é a mais querida. Amália conseguiu levar o nome e a cultura lusitana através do fado, música típica e exclusiva de Portugal.  

Os portugueses eternizam a cantora nas suas músicas que tocam o tempo todo, inclusive em Lisboa tem a Rádio Amália, minha preferida. Tem uma praça com seu nome, existe Museu Amália Rodrigues, nome de ruas, lojas e monumentos em sua homenagem.


 

 

Visitamos o Museu Amália Rodrigues e, nesta foto que fiz, estão quatro estrelas, mas só é a verdadeira. 

Seria a amável Isa à esquerda? Seria  a delicada Ade à direita? Seria a voz de ouro Amália Rodrigues na foto ao fundo?. 



Nenhuma das três, apesar de todas merecerem créditos de estrelas, a verdadeira estrela é a senhorinha de cabelos brancos ao centro. Ela é a Dona Estrela, de uma simpatia sem igual, assessora que viveu com Amália Rodrigues durante 48 anos. 

Ela nos contou detalhes da maior personalidade de Portugal, sempre repetindo que a humildade e a simplicidade de Amália, chegava a incomoda-la. Amália não se achava a melhor, fazia suas próprias roupas, sempre ligada à família e dizia sempre que os outros são os mais importantes.

 

 

Amália da Piedade Rodrigues, nasceu em 1920, com 15 anos começou a cantar o fado para amigos, familiares e em alguns festejos regionais. Sua linda voz foi tomando corpo e seu carisma conquistando cada vez mais público e interessados em divulga-la. 

“A Rainha do fado”, gravou 170 álbuns, que venderam mais de 30 milhões de cópias em todo mundo.
 

 

A jovem Amália impressionou a todos durante sua carreira, cantando com intensidade dramática, fazendo a plateia sentir o fado com emoção. Em uma de suas frases que ficaram eternizadas, Amália disse que “… o fado não se canta, acontece. O fado sente-se, não se compreende, nem se explica”.

Amália é considerada a supremacia do fado, aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Também foi compositora e atriz levando o nome de Portugal aos mais importantes e requintados palcos em todo mundo.

 

Amália frequentava muito o Brasil, cantou com vários de nossos artistas, gravou seu primeiro disco no Rio de Janeiro em 1945 e casou-se com um engenheiro luso-brasileiro em 1961, com quem viveu até que a morte dela os separaram. 

No dia 6 de outubro de 1999, morreu Amália Rodrigues, aos 79 anos, dentro de sua casa na Rua São Bento em Lisboa, onde hoje está o Museu e a sede da Fundação que leva seu nome. 

 

Portugal chorou copiosamente em todos os recantos. Foi decretado luto nacional. Nunca uma multidão à solta teve tanta grandeza. Centena de milhares de pessoas foram para as ruas prestar homenagem àquela mulher de hábitos simples que, segundo Dona Estrela, levou a mágoa de não ter sua própria vida nas mãos.

Ainda hoje e talvez para sempre, Amália Rodrigues e o nome mais falado em todo mundo, quando o assunto é Portugal. Sua casa, preservada com objetos pessoais é ponto obrigatório para quem visita Lisboa.

 


Nossa vida de moradores de Lisboa foi muito agradável, quase todos os dias saíamos para passear, provar novos sabores, sempre direcionados para os belos recantos da cidade ou simplesmente para andar pelas ruas, com a cabeça tão despreocupada, que às vezes até nem aparecia na foto.


 

 


Lisboa é preocupada com a qualidade de vida de seus habitantes e mantém uma bela estrutura de utilidades espalhadas pela cidade, em parques, praças e ruas. 

 

 

 


Houve um tempo, antes do saneamento básico, que Lisboa era suja e malcheirosa. A limpeza era feita pelas Calhandreiras, mulheres escravas que recolhiam as imundices nas casas e jogavam no Rio Tejo. 

Hoje Lisboa é exemplo de limpeza e cuidados coletivos com o saneamento básico, o Rio Tejo é despoluído, cheio de peixes, as ruas e calçadas são lavadas, os coletores de lixo são separados e, de certa forma, as Calhandreiras, ainda existem, um pouco diferentes. Hoje são homens que trafegam pelas calçadas com pequenas motos, sugando as imundices de cachorros com um aspirador. Seriam os Calhandreiros em nova versão?


 

 


O comércio oferece lojas especializadas em roupas usadas com preços irrisórios e, mesmo assim em vários locais, existem coletores de roupas usadas para os menos favorecidos.


Em muitos pontos da cidade, existem banheiros públicos limpos e higienizados. As portas abrem em troco de uma moeda.

 

 

A cultura é parte constante da cidade. Nos principais cruzamentos de avenidas e nas praças, estátuas relembram ilustres e fatos históricos. 


A cultura pelas ruas também podem ser observadas nas gravuras gigantes que cobrem paredes lisas dos edifícios.


 

Nas estações de metrôs e nas praças existem bibliotecas, acessível a todos os interessados, que emprestam o livro, lêem depois devolvem.

 


Existem quase 30 museus em Lisboa, muitos deles gratuitos, que guardam a história do azulejo, da arte, do traje, das carruagens, do fado, da eletricidade, da ciência, militar, marionetes, crianças, música, dentre tantos outros. Boa parte deles nós visitamos. Os museus de Lisboa estão muito bem conservados e organizados e fomos muito bem recepcionados em todos.

Os vários shoppings espalhados pela cidade e região metropolitana são ótimas opções de passeios, compras e alimentação. 



Visitamos feiras de motocicletas, de barcos, de roupas, de artesanatos e de culinária, com muita degustação e atividades interativas.


 

 

 


Durante nossa morada em Lisboa, tivemos a honra de receber alguns amigos brasileiros que visitavam Portugal. José e Vani de Campo Grande, Dilma e Alcione de Curitiba, Jurandir e Adenilza de Maringá e Thiemechi com sua esposa e um casal de amigos, que também vieram de Curitiba.

 

Nossa amizade e relacionamento com o casal Ribeiro foi melhor a cada dia. Nos reunimos para um almoço, para um lanche da tarde, um banho de piscina ou simplesmente para jogar nossa divertida canastra, ora na casa deles, ora em nossa casa.




 

 

A casa de Victor e Isa se tornou nossa segunda casa, onde sempre fomos muito bem recebidos por eles, pelos empregados e até pelos animais. 

Alem de tudo, ainda levávamos para nossa casa, ovos, frutas, verduras e frangos caipiras oferecidas pelo Seo Neves, responsável pela manutenção da Quinta do Centeio

 

 

 

 

O casal Ribeiro fez nossa alegria também com suas amizades. Seus amigos se tornaram nossos amigos. Sempre havia uma surpresa, a mais especial foi no meu aniversário e da Ade, quando ganhamos festa na beira da piscina, com bolo personalizado, bexigas e presentes.


Nosso agradecimento ao Victor por sua ótima receptividade e, especialmente a meiga, elegante, atenciosa, agradável, graciosa, atenciosa, amiga, companheira e linda Isa. 


Não temos como descrever ou gratificar, a não ser pelo nossa eterna amizade.



Isa e Victor fizeram nossa aventura pelo Velho Continente ser ainda muito melhor.