//10 – A NOVA VELHA MONTEVIDEO

10 – A NOVA VELHA MONTEVIDEO

Partimos rumo a Montevideo, seguindo pela Ruta Interbalneária, passando em várias praias e pequenas vilas, até que paramos por dois dias em Atlantida, um dos mais importantes balneários do Uruguai. A cidade possui uma boa infraestrutura para receber turistas que chegam em busca das águas temperadas, areias macias e piscinas naturais que se formam na praia.

As praias de Atlantida são longa e convidam para uma boa caminhada. Foi caminhando que encontramos a famosa águia de pedras, que nossa filha Paula havia recomendado no roteiro.

Caminhamos por 4 km pela praia e almoçamos na cidade, andando pelas ruas bem arborizadas e muitas opções de compras, lógico, depois da siesta quando o comércio volta a abrir .

Na volta uma frase na barraca de praia chamou a atenção e eu fotografei. Gostei do estilo que a frase propõe.

 

Chegamos em Montevidéu, a maior cidade do Uruguai abriga a metade da população do País. É uma cidade antiga que vem se modernizando rapidamente e, ao mesmo tempo, preservando a história desde a colonização. É a cidade latino-americana com melhor qualidade de vida, onde vive um povo simples num lugar seguro.

Em 1.520, quando em expedição Fernão de Magalhães se aproximou do local onde fica a cidade, avistou um monte parecido com um chapéu, um de seus contramestre gritou:

“Este monte vi eu”

Provavelmente foi assim surgiu o nome de Montevideo. No local já haviam índios, imigrantes das Ilhas Canárias, depois os navegadores espanhóis ocuparam, os portugueses tomaram conta, os argentinos tentaram ocupar, e o Brasil chegou até registrar a cidade como patrimônio verde e amarelo, até que, com muita resistência, em 1.828 conquistou a independência dos chupins estrangeiros. O grande herói da conquista de Montevideo foi José Gervasio Artigas. Ele libertou a cidade do domínio espanhol e ainda queria conquistar toda a bacia do Rio da Plata, tudo em volta daquele rio que pensa que é mar.

Ainda teve a Grande Guerra, na disputa pelo poder entre direita e esquerda, que só terminou com uma intervenção dos mesmos chupins que queriam ser donos.

Montevideo é a maior cidade do estilo gaúcho, onde ninguém vive sem o mate e sem a carne. Dá para incluir também o queijo e o doce de leite.

Nós chegamos e rodamos por duas horas com a Caca, passeando e procurando um lugar para estacionar. Encontramos um local excelente, bem no centro da cidade velha. Fomos a uma casa lotérica e pagamos o estacionamento, que você pode pagar para quantas horas desejar. Cada hora custa 35 pesos.

A cidade não oferece muitas atrações para o turista mas vive cheia deles. O tempo todo se vê turistas caminhando simplesmente olhando tudo e tirando fotos, como nós fazemos. Toda vez que paramos a Caca, tiramos uma foto do local para, se precisar, ajudar a encontra-la.

A velha Montevideo também fica em mais uma punta do Uruguai, como várias outras que já passamos. É bem na punta que está o Porto, onde surgiram as primeiras habitações.

Bem no centro da velha Montevideo está a Plaza Independência com o imponente Artigas montado num cavalo, no alto de um pedestal, cercado de prédios por todos os lados. Acho que ele merece estar ali, depois de ter libertado a cidade dos chupins europeus e vizinhos.

Atrás do Artigas ainda está preservado um dos portões da muralha que cercava a cidade. As pedras da muralha, toda desfeita, serviram para edificar vários centros culturais da nova cidade que surgia.

Na praça também está o Palácio Salvo, um edifício emblemático, o mais fotografado da cidade, desenhado por um arquiteto italiano, inaugurado em 1.928, com 100 metros de altura. O edifício é classificado como monumento histórico do Uruguai. O edifício tem um irmão gêmeo em Buenos Aires, na Argentina, o Palácio Barolo, construído pelo mesmo arquiteto.

Ao lado da Plaza Independência, fica o Teatro Solís, o mais importante do Uruguai, construído para ser um pequeno teatro e para atividades comerciais. A construção teve influencia da arquitetura italiana, que inspirou um pouco nos teatros de Milão, Génova e Florença. Também é passagem obrigatória dos turistas que visitam Montevidéu.

Passando pelo Portão preservado da antiga cidade muralhada, começa uma rua pedonal que leva até o Mercado do Porto, ou mercado das churrascarias, outro ponto obrigatório para turistas.

No caminho paramos na Catedral Metropolitana para agradecer a Deus tudo que estamos vivendo e a oportunidade de compartilhar com mais pessoas.

No Mercado do Porto tem duas ou três lojas de lembrancinhas e o resto é churrascaria, que exibem seus assados atiçando os clientes para uma boa parrilhada.

O garçom mais simpático nos convenceu a sentar e saborear uma boa refeição. Claro que o prato principal é a parrilhada, mas ela nem sempre é servida com carnes nobres. Para provar o melhor sabor das carnes do Uruguai, famosas e respeitadas em todo mundo, é melhor pedir as carnes em pedaços. Uma picanha, um chouriço, um baby beef, uma morcilha e um pedaço de porco é suficiente para estragar o passeio da tarde.

Ade não resistiu a comilança e deitou no banco da praça, tentando amenizar o pecado cometido pela gula. Brincadeira, ela come pouco, agora eu não, cai de boca, literalmente.

Na cidade não tem camping mas tem lugares onde os motohomeiros estacionam para passar a noite. Fomos num lugar muito bonito, bem de frente ao rio, mas o rio estava muito revoltado, provocando ondas enormes, jogando água fora. Alguém precisa dizer a este rio que ele não é mar.

O vento aqui também não é fraco, que o digam as árvores que cedem à sua força, pendendo para lado do continente.

Procuramos outro lugar, no Iate clube, onde fomos bem recebidos pelo vigia, que nos deixou à vontade para ficar. No meio da conversa ele pediu para eu estacionar no pátio do clube por que ali onde eu estava era muito perigoso. Perguntei por que e ele respondeu: “os jovens vem aprender dirigir por aqui e podem bater na sua caminhonete”. Eu perguntei se havia acontecido algum acidente ele disse:”Não”.

Que bom estar num país onde o perigo é apenas uma possibilidade.

Alguns motociclistas estacionaram suas motos em local proibido e o policial veio imediatamente dizer que ali não era permitido. Um deles disse que só iriam tirar umas fotos no letreiro da cidade e o policial disse que tudo bem. Ele deixou, mas disse que era proibido.

Este é o letreiro de Montevideo, que virou moda no mundo todo, onde quase todo turista acha que tem que ir. No Brasil a moda ainda não pegou. Eu só vi em Balneário Camboriú, mas logo cada cidade vai ter seu letreiro, pode apostar.

Passamos pelo shopping e seguimos para o Estádio Centenário, com capacidade para 65 mil espectadores, o maior do País, onde joga a seleção nacional. Fomos até lá fotografar em homenagem ao nosso cunhado Moisés Cândido, um dos grandes administradores de futebol no Brasil.

O futebol é paixão por aqui também é o que ainda hoje se comenta, com tristeza no Brasil e com alegria por aqui, é o fato ocorrido em 1.950, quando aconteceu a derrota do Brasil, de virada e o Uruguai sagrou-se campeão mundial, comemorando no nosso tapete lendário do Maracanã.

Passeamos mais pela cidade rodando quase sem rumo com a Caca, passando em frente a vários prédios históricos e centros comerciais, sem parar, tirando uma foto quando o transito parava ou as ruas estavam desertas. Passamos pelo poço abandonado onde os amantes prendem seus cadeados para não perder seu amor, pelo obelisco, pela prefeitura…

Como disse não há muito que se ver e a cidade grande não condiz com nossos propósitos de viagens. Partimos margeando o rio que pensa que é mar.

Pelo caminho vimos várias placas indicando cidades balneárias. Entranos em uma delas e paramos ao lado de uma lanchonete. O simpático proprietário, Luis, nos recebeu tão bem que resolvemos estacionar melhor e ficar uma noite. Valeu muito. Depois do jantar fiquei horas conversando com o Luis, um sábio, conhece muito da vida e da história do seu País. Obrigado Luis pela conversa e pela receptividade.

Ao entardecer fizemos uma caminhada pela praia de água doce, alternando caminhadas forçada com alguns piques de corrida. Estamos levando à sério nosso preparo físico, já pensando nas longas caminhadas pelo gelo ao sul da Argentina.

Pegamos o trecho, passando por estradas rurais observando que tudo está muito bem cuidado e muito bem mecanizado. Há 15 anos, quando estivemos no Uruguai, dava pena de ver quase tudo sucateado, depois houve um tempo de melhoras e agora o povo começa a reclamar novamente. Me disse o Luis que um escândalo das estatais está para estourar.

Trafegando pela rodovia, Ade gritou:

Para! Para!

Levei um susto. Era só para comprar queijo de cabra. Parei, retornei, entramos numa bela casa onde a família produz e vende variados tipos de queijo de cabras, provamos, gostamos, compramos e continuamos viagem rumo a histórica cidade de Colonia do Sacramento.