//Final da Expedição depoisdotrabalho pelo Sul da América do Sul

Final da Expedição depoisdotrabalho pelo Sul da América do Sul

Completamos nossa terceira expedição nômade depoisdotrabalho pelo sul da América do Sul, à bordo da Caca, nosso lar-doce-lar. Durante 167 dias, rodamos mais de 24 mil quilômetros pelas estradas e carreteiras do Brasil, Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai.

Neste último capítulo da expedição, um resumo da nossa viagem, sem a pretensão de sugerir roteiros ou custos, mas principalmente, inspirar um pouco mais quem sonha com viagens de longa duração.

Ao final da expedição, podemos dizer que atingimos em torno de 80% dos nossos planos iniciais. Quase tudo que estava previsto aconteceu e ainda foram acrescentadas muitas atrações que surgiram pelo caminho.

Medindo para não ficar à deriva.

Durante toda viagem, atualizamos planilhas de acompanhamento diários dos investimentos. De forma geral, o investimento é a grande preocupação de quem gosta de viajar passeando. Sem dúvidas, é preciso ter uma reserva suficiente, considerando outras experiências.

Alguns sites informam que o mínimo para se viver como nômade seria de 50 dólares por dia para um casal, vivendo com o necessário. Acho pouco, mas tem gente que consegue.

É importante estimar quanto dinheiro será necessário e acompanhar com anotações diárias. Nosso plano previa até 100 dólares por dia para duas pessoas. Ao final, consumimos 91,78 dólares por dia, que foram assim destinados:

Os pernoite foram prioritariamente em campings, com vigilância e conforto. Mas dormimos também em postos de combustíveis, na beira da praia, em estacionamentos de hotéis, em ruas no centro da cidade e até nas matas em camping selvagem.

A alimentação foi muito mais com supermercados do que com restaurantes. Só frequentamos restaurantes quando conveniente ou quando a comida é recomendada e típica. A maior parte das refeições fizemos em casa.

O extras ficaram por conta dos ingressos, presentes, gorjetas, farmácias, telefones, guias e outros pequenos valores.

A maior parcela ficou por conta do transporte. Alem do combustível, foi feita revisão mecânica e apenas um pneu furou durante toda viagem. O consumo de combustível ficou em média 8,6 km/l de diesel.

Nossa casa-carro ou carro-casa, a Caca, com 14 metros cúbicos, nos ofereceu segurança, conforto e esbanjou beleza. Muitas pessoas ficaram encantadas, pediram para entrar, tiraram fotos, elogios e desejos ter uma igual.

 

Nossa casa inspirou pessoas.

A Caca, se manteve em ordem a maior parte do tempo. Tivemos problema com a fiação elétrica, com o aquecedor a gás e, por duas vezes, romperam os encanamentos das caixas d’água, reparos rápidos e baratos. Parabéns para a Mercedes-Benz pela qualidade do carro e para a Delka, pela qualidade da casa.

Em dias de seguir viagem levantamos acampamento e seguimos pela estrada até encontrarmos um belo quintal para desfrutar de nossa porta.

Nossa casa é pequena, mas o quintal é grande

Diante de esplêndidos quintais, preparamos um belo café da manhã, um almoço ou o café da tarde. Vejam alguns quintais, foram muitos.

Trafegamos por estradas de asfalto, de chão batido, de areia, de pedras, por vias rurais, na areia da praia, na neve e sobre o sal.

Passamos pela natureza como ela se impõe.

Engolimos poeiras, quase caímos com os fortes ventos, quase congelamos no gelo, escorregamos na neve, sentimos calor, frio, medo dos vulcões, das montanhas e prevenimos riscos inerentes a trânsito e roubos.

A Caca é versátil, potente e de fácil mobilidade na estrada e na cidade.

Por quatro vezes precisamos embarcar em navios para cruzar rios e oceanos.

Sempre definimos um destino para dormir, no entanto, não descuidamos do caminho, que sempre oferece atrativos que não podem passar despercebidos. Para não perder nada é importante conversar com as pessoas nos restaurantes, lanchonetes, postos de combustíveis, barreiras policiais e, especialmente e nos escritórios de turismo para conhecer a região.

 

Conhecer a história onde ela aconteceu

A América do Sul conta bem contada a história do século XIV até hoje. Pula alguns milhares de anos e conta com maestria a história até milhões de anos passados.

Conta uma lenda que os chineses viveram por aqui bem antes dos europeus, mas não deixaram indícios. Um Imperador era um grande desbravador e chegou na América a bordo de embarcações. Após o final daquela dinastia, um novo Imperador mandou destruir todas as informações, por que temia que seu povo partisse para novos mundos.

Bem antes dos chineses, a história é contada e registrada pelos cientistas, paleontólogos, arqueólogos, geólogos e outros que desvendam o passado longínquo.

Histórias de milhões de anos passados

Visitamos florestas petrificadas, dinossauros, montanhas coloridas, formações rochosas, geleiras, vulcões, múmias, cavernas, ossadas de animais e muitas outras evidências do que ocorreu ao longo de milhões de anos.

Mais ainda eu fiquei com vontade de aprender mais sobre os acontecimentos na América do Sul, por volta da Idade Média, Império Romano, Dinastias Orientais ou na época de Jesus. Será que os olhinhos puxados de muitos sul-americanos vem dos chineses?

A natureza conta a história

Na maior parte do sul da América do Sul, as pessoas possuem características europeias, exceção ao Povo Andino, descendentes de índios, que preservam características e costumes dos antepassados. O Povo Andino, são parecidos, independente da nacionalidade. Em comum, vivem na Cordilheira dos Andes.

Foram milhares de fotos durante o trajeto. Em algumas regiões, foi difícil reproduzir com fotos, toda beleza que se despontava. Por mais que tenhamos caprichado, certamente não conseguimos espelhar todo encanto que desfrutamos ao vivo.

A topografia e o clima mudam a cada região. Passamos por muitos lugares belos, como praias, lagos, geleiras, estradas, florestas, montanhas, cachoeiras, cavernas e cidades, cada um com encantos exclusivos, que emocionam e fazem valer o investimento.

Nossas imagens foram feitas com uma máquina fotográfica, um drone, uma goopro e com os celulares, meu e da Ade. Quase todo tempo se tem motivos para registrar. Não contei quantas fotos e filmes fizemos, mas garanto que não economizamos clics.

Novos velhos amigos

Fizemos muitas amizades que, mesmo considerando o pouco tempo de convivência, pareciam velhos amigos. Agregamos muitos e agradáveis amigos presentes e nas redes sociais.

A informática foi grande aliada, especialmente o watsapp e a internet, que proporcionam alegrias, emoções e informações úteis para quem está na estrada.

De alguns amigos presentes, guardamos recordação também em fotos. Gente de todos os lugares do Planeta que tem no sangue a sede de conhecer o novo e se descolaram da zona de conforto.

Abaixo está um alemão que viaja com sua esposa por toda a América, à bordo de seu caminhão adaptado para qualquer terreno. São médicos aposentados e já estão há mais de dois anos na estrada. Não pensam em voltar tão cedo.

Este é o dono de um restaurante onde jantamos e ele deixou a gente dormir no seu jardim, em frente ao Rio da Plata.

Convivemos alguns dias com este casal de suíços. Ele fabricava casas e vendia na Suíça. Ganhou muito dinheiro e resolveu ser nômade. Foram para os Estados Unidos, compraram um trailer e uma caminhonete e saíram  percorrendo a América. Estavam na estrada haviam dois anos e meio. Ele me disse, “o dinheiro acabou, vou voltar, construir mais casas e voltar para estrada”.

Esta família de gaúchos, encontramos nas Águas Termais de Arapey, norte do Uruguai. Ajudamos eles a comer um carneiro que foi assado inteiro ao estilo do Rio Grande do Sul.

Os jovens saíram equipados para realizar o projeto de percorrer os cinco continentes. Querem fazer da vida nômade uma profissão, com fotografias, filmes e traduções.

Um final de tarde com amigos de camping, que chegaram de mansinhos, se aproximaram e logo se aportaram, sentaram, tomaram um café e ficaram um bom tempo para trocar conhecimentos.

Lua de mel do casal que sonham em viajar de motorhome.

Desviamos nossa rota para conhecer uma amiga virtual, de família argentina, que Ade cultivou pelo watsapp. Valeu muito o desvio. Conhecemos pessoas simples, alegres, amigas, que também sonham em ficar o mais tempo possível conhecendo o mundo.

Igual a esta bela moça francesa que janta com a gente no camping, encontramos várias outras viajando de mochila, sozinhas, de carona, alimentando o vício de viajar, não importa como. Interessante! Encontramos várias mulheres viajando sozinhas, homem poucos. Será mesmo a mulher mais corajosa?

Estávamos em pleno camping selvagem, dormindo em meio as montanhas, florestas e riachos dentro do Parque Nacional no Ushuaia, quando apareceram estes vizinhos que saíram dos Estados Unidos, cada um por um caminho e se encontraram na estrada. Construíram uma casa numa kombi e esbanjam felicidade por estarem nômades.

Esta turma de jovens argentinos viajavam com mochila, de carona, dormindo em barraca durante um feriado prolongado. Chegaram em casa para pedir água quente para cozinhar uma massa e Ade ofereceu mais. Emprestou panelas, talheres, temperos e ainda ajudou preparar.

Ficamos até a madrugada conversando sobre tudo e nos deliciando com as lindas vozes de três delas, que são cantoras. Foi emoção pura ouvir um belo tango em vozes tão doces.

Este casal seguem nômades desenvolvendo suas profissões. Um fotógrafo e outro repórter, gravam vídeos interativos e vendem para instituições governamentais de apoio à cultura.

Muitos amigos jamais voltaremos a encontrar, mas os poucos momentos de amizades ficarão gravados para sempre. Amizade de nômade deve ser intensa no momento que acontece. Muito provável que jamais nos reencontraremos, mas se acontecer, já seremos velhos amigos.

 

Sabores que provamos

No trajeto procuramos provar sabores diferentes e típicos de cada região.  Quando cozinhamos em casa, procuramos usar ingredientes tradicionais e frescos da região.

 

 

Alem da comida, provamos azeites, cervejas regionais, destilados, licores e especialmente vinhos. Influenciados pelos hábitos locais, disponibilidade e qualidade do néctar dos deuses, quase todos os dias, brindamos com uma garrafa de vinho.

O prazer de ser nômade é estar descolado do tradicional e se ocupar com o novo a cada dia. Um novo amigo, uma nova estrada, uma nova cidade, um novo costume, uma nova história, uma nova paisagem e novos pequenos problemas.

O desapego da rotina costumeira, abre oportunidades para o novo, o inesperado, para conquistas e prazer de estar livre para voar e pousar onde quiser, dono do próprio tempo.

Para ser nômade é preciso perder o medo do novo e desapegar um pouco da saudade que, certamente, são os maiores desafios.

A família, quase toda, sempre nos apoiou em nossas aventuras. Mesmo depois da nossa terceira expedição, alguns ainda acham que é loucura e que nós não deveríamos nos expor a correr riscos que podem ser evitados. Respeitamos as opiniões, tentamos de toda forma amenizar, mas não desistimos de nossos planos.

Eu e Ade, os moradores

Tivemos muito mais tempo para conversar e ficar grudado um no outro 24 horas por dia. Procurei sempre fazer da melhor forma e Ade foi parceira, esposa, companheira, alegre, inteligente, simpática, atenta, de iniciativa, bonita, bondosa, excelente nos temperos e ainda por cima amante.

Com esta aparência, saímos de viagem em dezembro de 2017.

Foram infindáveis selfies tentando nos inserir nas belas paisagens. Ade fez uma coleção enorme de selfies. Aqui estão algumas.

Com esta aparência retornamos para o Brasil, em junho de 2018, doentes.

Acho mesmo que estamos doentes e cada nova viagem esta doença se impregna mais e mais em nossa mente e no nosso corpo. Não sabíamos que estávamos doentes até que encontrei esta foto na internet. A partir dai descobrimos que adquirimos, com muito prazer, o TOV.

Para concluir este último capítulo, queremos agradecer a Deus por inspirar nossos desejos; agradecer aos nossos parceiros  Moka Clube de Cafés Especiais, que nos forneceu café para viagem toda e à SkillSim Mobile, que nos ofertou sinais de internet por onde passamos; Agradecer os inúmeros comentários em nossos posts e as milhares de curtidas, especialmente,  às mais de 19 mil visitas no blog depoisdotrabalho.com.br, em seis meses.

ATÉ A PRÓXIMA