//57 RESUMO DA VIAGEM

57 RESUMO DA VIAGEM

 
 

GENÉRICAS  IMPRESSÕES
 

Em nossa aventura, viajando de motocicleta pelo Brasil, conhecemos os lugares turísticos mais recomendados e descobrimos tantos outros, cada um com beleza inigualável, que é possível até imaginar que o céu explodiu e muitos pedaços caíram no Brasil. 


A cada 300 ou 500 quilômetros de distância, deparamos com riquezas diversificadas, com notórias diferenças culturais e geográficas. Somos um País rico.


Com a publicação deste Resumo da Viagem, queremos deixar as nossas genéricas impressões, concluindo o nosso blog roccomotobrasil. O Resumo da Viagem é para registrar algumas impressões coletivas dos caminhos que passamos, da exuberante natureza, do transporte, de onde nos hospedamos, do investimento, da tecnologia embarcada, da cultura, dos costumes, da culinária e da arte que vivenciamos. Lembrar também das aventuras que curtimos, das amizades que cultivamos e deixar uma reflexão sobre a derradeira idade para realização dos sonhos pessoais que incluem aventuras.

 
Somente vivendo cada momento que vivemos, do começo ao fim da viagem, para se ter uma noção e sentir o prazer de vivenciar a grandeza de nosso País.

Em resumo:
  • A viagem foi de agosto de 2012 até junho de 2013, quase 11 meses;
  • Passamos pelas 5 regiões geográficas, nas capitais e principais cidades de 20 estados, litoral e interior;
  • Utilizamos 4 passagens aéreas, para visitar a família na metade do roteiro e de Belém para Manaus;
  • Rodamos 19.067 km de motocicleta e andamos 1.271 km a pé;
  • Foram aproximadamente 375 horas de pilotagem e a motocicleta fez uma média de consumo de 17,8 km/l;
  • Publicamos 59 textos no blog e, de outubro/12 até agosto/13, foram mais de 26 mil visitas.

Passamos por todos os lugares definidos no planejamento inicial e os desvios  foram por acréscimo de mais lugares bonitos e pelo tempo, que inicialmente seria de 10 meses. O investimento financeiro ficou um pouco abaixo do total planejado.


Esta foi a rota que seguimos no mapa. Fomos pelo litoral e voltamos pelo interior do País.
 

 

 

 

NATUREZA 
Cachoeiras, montanhas, florestas, rios, piscinas, animais, praias, mangues, dunas, lavouras, lagos e lagoas, dignos de inspiração. Foi de um enorme prazer e de um agradecimento profundo ter vivenciado grande parte do nosso tesouro natural.

Nosso litoral tem beleza de sobra. São tantas águas de cores diferentes, areias com texturas exclusivas e uma boa infraestrutura para atrair turistas de todo mundo.


Os animais se concentram em uma enorme diversidade nas regiões Norte e Centro Oeste. Em muitos pontos de turismo existe uma convivencia natural com o ser humano que alguns animais atendem pelo nome. Por todo País existem projetos e iniciativas de preservação de espécies em extinção.


Os rios formam cachoeiras de tamanha beleza e proporcionam banhos inesqueciveis. Do Norte até o norte de Goiás, encontramos águas quentes nas cachoeiras. Mais ao Sul as águas ficam geladas. Quentes ou geladas, o banho de cachoeira e sempre revigorante. Com certeza, conhecemos mais de 100 cachoeiras.



Muitos lugares possuem uma energia especial, que emociona a gente por estar presente. Aquele amanhecer, o entardecer, a lua, a brisa, o vento, a chuva e até aquele sol de rachar, também ficarão cravados em nossas lembranças.

Não rara vezes paramos para observar as belezas da natureza. Passamos a beira mar, no meio de florestas, entre dunas de areia, em pontes sobre rios de belas águas e pontes sobre rios que secaram. Passamos por montanhas, vales, com vegetação seca, calor intenso, chuva e algumas vezes, um pouco de frio.

 

INFRAESTRUTURA 
 
Como já conhecíamos muitos caminhos e cidades  das regiões Sul e Sudeste, ficava uma expectativa enorme sobre a infraestrutura para a qualidade de vida que iriamos encontrar, especialmente no Nordeste. Ficamos surpresos de forma positiva e descobrimos que não é totalmente verdade o que a mídia apresenta. A impressão que tinhamos era de pobreza e miséria e ao passarmos pelas cidades percebemos que a região é, na verdade, muito rica, com pessoas saudáveis, com frutas, verduras, legumes, grãos e carnes em abundância. Asfalto para quase todos os caminhos que levam para as cidades, ruas asfaltadas, belas praças, arborização, parques, rios, esgotos não aparentes, energia elétrica em quase todos os mais longínquos cantos, água tratada para quase todos e, especialmente, a diversidade de pontos turísticos. 
 
Em muitos lugares por onde passamos, a impressão negativa ficou por conta da falta de higiene e da preservação da história. 

Nas ruas, em muitos lugares onde servem alimentos, em grande parte dos Mercados Municipais e até mesmo em alguns pontos de turismo, a falta de esmero para com a limpeza e o lixo jogado a esmo, chamaram a atenção de forma desagradável. 


A maioria do nosso patrimônio histórico de igrejas e casarões, apesar dos títulos concebidos, estão se degradando. O patrimônio histórico, que atrai turistas de todas as partes, não recebem recursos para uma perfeita manutenção.

 



Na rotina das pessoas é evidente a falta de capricho, de prevenção, de  segurança, de conforto a da pouca vontade de fazer bem feito o que precisa ser feito. Na maioria das cidades, os recursos e edificações destinados para saúde, escolas, transporte, segurança e serviços públicos, deixam a desejar. 
 
O governo é lembrado sempre pelos políticos e pelas falcatruas do poder. Cada Estado tem o seu político maior, o que mais manda, o mais influente e o que mais se ajusta às custas da gestão pública. Normalmente ele é o senador, que continua o papel do antepassado coronel, dono do poder na sua região. Mesmo quando massacrados na mídia por improbidades diversas, grande parte do povo ainda os idolatram.
 
Comparadas a Curitiba, reconhecida e de fato a melhor cidade de médio e grande porte do Brasil e uma das melhores do mundo, as demais cidades brasileiras necessitam muito ainda de melhorias no planejamento urbano e nos investimentos em qualidade de vida. 

 

Mesmo assim, considerando o que vimos de ruim, podemos dizer que está muito melhor do que esperávamos e que, apesar da aparência simples, sem sofisticação, a felicidade estampada no rosto de nosso povo é quase sempre notória. 
 
Somos um povo feliz, gostamos de música, de futebol, de religião, de churrasco, de pescaria, de praia, de bebida e de estar reunido em grupos ou festas.


TRANSPORTE
 
Durante o caminho usamos vários meios de locomoção em viagens e a passeio. Andamos de 4×4, caminhão, ônibus, pau-de-arara, bugie, quadriciclo, avião, taxi, barco, escunas, lancha, balsa, navio, carroça, cavalo, búfalo, carro alugado, motocicleta e a pé. 

 



Conhecemos várias pessoas que também viajam pelo Brasil, usando como meio de locomoção carro de passeio, motorhome, ônibus de linha, motocicleta, bicicleta e até a pé. A maioria em viagem de férias, quase sempre de curta duração. 
 
A motocicleta foi o nossa grande emoção trafegando pelas rodovias e pelas ruas das cidades. Nós escolhemos a motocicleta como meio de transporte, por conta da aventura, do prazer da adrenalina no corpo e da sensação de liberdade que ela proporciona. 
Todo cuidado envolvendo a motocicleta, seguiram uma ordem de prioridades:
  1. Segurança – todos os itens indispensáveis, tanto na máquina como na escolha da estrada, na velocidade, no respeito à sinalização, nas roupas de proteção e na aplicação das técnicas preventivas e corretas de pilotar, foram priorizados.  Revisão na motocicleta a cada 3 mil km e inspeções de rotina, antes de cada viagem, nas paradas para abastecimento, observando a máquina, as nossas condições físicas e o acondicionamento da bagagem;
  2. Conforto – bancos, roupas, botas, capacetes e luvas confortáveis, velocidade compatível, forma correta de pilotar, respeito à ergonomia com a posição de sentar e as especiais paradas a cada uma ou duas horas de pilotagem;
  3. Beleza da motocicleta – lavagem, cera, amaciante de couros e desingripantes,  periodicamente, sempre com a intenção de manter a mais perfeita ordem também na aparência. É bom que as pessoas achem a motocicleta bonita e até se inspirem em conquistar uma parecida.
 
As estradas e rodovias foram sempre bem escolhidas. Antes de decidir qual o  caminho a seguir, uma breve passada pelo google maps e uma consulta na previsão do tempo. 
 

As consultas pessoais foram quase sempre muito útil, descobrindo detalhes com hóspedes do hotel, policiais e pessoas que encontrávamos nas paradas para o lanche ou abastecimento. Explorávamos sempre muito bem as informações da via, considerando as condições do asfalto, velocidade permitida, serras e pontes. Considerar as informações sobre animais que cruzam a pista e buracos. Importante sempre considerar o tempo da viagem e não somente a quilometragem. 


Pelos 19.067 km rodados, destaque para a boa qualidade de nossas vias. A grande maioria, talvez 90%, estão em bom estado de conservação. Com exceção das regiões Sul e Sudeste, no restante das rodovias do País, não se cobram pedágios. 



 

ESTADIA
 
Resort, hotel, pousada, motel, chalé, apart-hotel, bangalô, flat, navio, apartamento, iglu, suite, hotel fazenda e até em barraca nós dormimos. 
 
A decoração nos locais de hospedagens é uma atração à parte. Ficamos em lugares decorados com peças e arquitetura de um navio inglês do século XVI em Ilha Grande, dentro de um bosque em Guarapari, um com aspecto assombrado em Conceição da Barra, outro como a casa da vovó em Itacaré, outro com piso de areia na beira do mar em Porto Seguro, outro com um parque aquático em Ilhéus, outro em forma de iglu em São Luiz, outro com peças antigas em Carolina, outro como um castelo medieval na Chapada dos Veadeiros e outro sobre palafitas no Pantanal. As outras podemos dizer que são normais, mas mesmo assim, cada com a decoração planejada. Foi muito agradável observar e viver por alguns dias em vários estilos diferentes. 

 



No início da viagem fizemos algumas reservas antecipadas em hoteis mas houve decepções ao chegar no local e ver que era diferente do que vimos na internet. 

Um ou dois dias antes da próxima viagem, fazíamos uma pesquisa no Google, escolhíamos um local de pouso e mapeava outros. Colocávamos o endereço no GPS da moto e ele nos levava até o local escolhido. Sempre entrávamos em três ou quatro para conhecer e saber o valor da diária. A escolha era baseada em limpeza, conforto, localização, atendimento, opcionais disponíveis e no valor da diária. De preferência que tivessem piscina, ar condicionado, bom café da manhã, cozinha individual ou coletiva e especialmente um bom sinal de internet. 


 

Em várias cidades, especialmente no Nordeste, conseguimos alugar flat, dentro de hoteis de boa qualidade, sem ser hóspede do hotel. O aluguel é feito diretamente com o proprietário, a preços bem menores, utilizando a estrutura do hotel, como piscina, sauna, café da manhã, limpeza, garagem e a segurança.

 

 



INVESTIMENTO
 
O investimento total diário durante a viagem, ficou em 293 reais por dia, em torno de 145 dólares, para duas pessoas. O pernoite ocupou a maior parte do investimento por que escolhemos pouso de qualidade.
 
O custo com alimentação contemplou a comida típica de cada região e pelo menos uma refeição nos melhores e tradicionais restaurantes das cidades. Algumas vezes apenas um lanche e boa parte de nossas refeições fomos nós mesmos que preparamos, priorizando alimentos leves e saudáveis.
 
Este é um quadro com a divisão do investimento.
 
INVESTIMENTO
%
O QUE
TRANSPORTE
5%
combustível, pedágios, estacionamento e balsas
ALIMENTAÇÃO
21%
restaurantes, lanchonetes, frutarias, supermercado
PERNOITE
40%
pousadas, hotel, apart hotel, resort, hotel residence
PASSEIO
18%
canoas, barcos, chalanas, navios, bugues, quadriciclos, safari, ingressos, passagens aéreas, guias turísticos
EXTRA
16%
farmácia, correios, artesanato, roupas, presente, gorjetas, loterias, taxi, manutenção da moto
 
 
Importante lembrar que, ao calcular o valor de uma viagem é preciso considerar o custeio do lar-doce-lar que permanece, assim como, os valores que deixamos de gastar estando no lar-doce-lar. Percebemos que a médio e longo prazo, uma viagem acaba por ser mais econômica, quando calculado o investimento diário. 



TECNOLOGIA
 
Facilidade, precisão, segurança, roteiros, ganho de tempo e dinheiro foi proporcionado com o uso de aparelhos eletrônicos. Fixado na moto, um GPS. Para uso pessoal, dois celulares, um noteboock, um Ipad, fones de ouvido, capacete com intercomunicador, pen drive, HD externo, uma extensão de tomadas, cortador de cabelos e máquina fotográfica com duas baterias e dois cartões de memória.
 
A internet nós usamos para fazer o blog, navegar nos mapas, manter contato pelo faceboock, falar e ver pelo Skip, encontrar endereços, pesquisar valores, ler notícias e manter contados com amigos e com família quase todos os dias. 
 
Na internet conhecíamos as alternativas de caminhos e navegávamos um pouco pelo próximo destino, conhecendo os pontos turísticos, o centro da cidade, o sentido do trânsito, endereço de hotéis, temperatura local e previsão de chuvas. 

 

Toda manhã eu escrevia no celular um resumo do dia anterior, mandava pelo email e editava em um arquivo word que chamei de story board. 

A máquina fotográfica estava sempre junto por onde quer que fossemos. As fotografias foram também feitas com os celulares e com o Ipad. Após cada Trecho, o trabalho era colar o texto no blog e ilustrar com as fotos. Havia uma preocupação em baixar as fotos para o noteboock quase todas noites, evitando um prejuízo maior em caso de perda ou roubos das máquinas. Todo material ficava gravado no computador e no HD externo.
 
Apesar da grande utilidade dos eletrônicos, foi preciso um arsenal de cabos para carregar cada um deles nas tomadas, toda noite um ou outro aparelho tinha que ser carregado.
 
No geral, pelos caminhos que passamos, os sinais de internet e da telefonia foram satisfatórios.

Contamos também e prontamente com o Correio. Juntávamos uma caixa e despachava a um valor médio de 30 reais por caixa. Foram 8 caixas e todas chegaram em perfeitas condições.


 
CULTURA
 
Em cada região é possível distinguir claramente diferenças na cultura e nos costumes, tanto na forma de falar, de vestir, de fazer as coisas, como na própria compleição física das pessoas.
 
No falar, além das gírias regionais, incorporam-se sotaques que, em alguns lugares, quando falam entre eles, fica até difícil de entender. 

Diferente do Sul e do Sudeste, a maioria das vestimentas são simples, de baixo custo, coloridas e sem muitas marcas famosas. É possível dizer que cada pessoa tem pelo menos uma camiseta, um short e um chinelo. O boné é muito usado pelos homens e vários estados tem um chapéu característico.
 

A forma de fazer as coisas também se difere. No Nordeste as coisas de rotina são feitas sem muita qualidade, sem se importar muito com o acabamento ou com a limpeza. Enquanto no Sul os pais ensinam aos filhos que “não se deve deixar para amanhã o que pode ser feito hoje”, por lá o ensinamento segue rumo contrário, tipo assim, “não precisa fazer hoje o que pode deixar para amanhã. Amanhã talvez nem precise mais ser feito”. 


No Norte e no Centro Oeste, até por que o calor é intenso, após o almoço, costumam dormir. O nome é diferente. Sonequinha, pelego, peléca, descanso ou dormidinha, são alguns dos nomes que usam para definir o hábito. Quase todos aproveitam em torno de uma hora para dormir, com exceção dos baianos que dormem mais durante o dia. Dormem na cama, na areia, nos bancos, no ônibus, na sombra de uma árvore ou nos canteiros de obra. O baiano gosta muito e até enaltece a preguiça, faz parte da cultura do povo. É comum observar cenas de rotina das pessoas, onde a preguiça é priorizada. Piadas e brincadeiras ajudam a reforçar a cultura e os costumes de preguiça no baiano, que aceitam e provocam muito bem este chavão. 


A compleição física ainda guarda a influência da colonização e das recentes imigrações. O destaque fica por conta dos argentinos no norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo até o Sul da Bahia. Especialmente em Salvador, ainda os negros africanos vindos como escravos, predominam. Do norte da Bahia, passando pelo Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, existe ainda uma forte influência dos italianos que vieram bem depois do descobrimento. Os holandeses deixaram muito de suas riquezas na técnica de pescar, nas rendas e nos conceitos de cooperativismo. O europeu deixou também suas características na compleição física que, misturadas aos nativos, fez surgir pessoas com olhos claros, de pequena estatura e com a pele mais escura.

No Norte, a descendência francesa ainda guarda suas influências, exaltando grandes nomes de militares e exploradores que viveram na região. Americanos dos Estados Unidos também estão presentes, pensando e agindo como quem tem a responsabilidade na preservação da Amazônia, pulmão do mundo. Venezuelanos, bolivianos, chilenos, haitianos e paraguaios, se infiltram em nossa rotina apenas para a sobrevivência. 


Mais ao centro do País, ganham forças as influências de italianos, japoneses e alemães, que se destacam na agricultura, quase todos vindos do Sul para ganhar dinheiro, representantes da segunda geração de verdadeiros tratores pelo tanto que trabalham, desbravando e produzindo riquezas da terra. 


Dos portugueses, descobridores por reconhecimento, quase nada restou a não ser histórias de batalhas de quando tentavam manter o direito à propriedade. Ficaram com seus nomes enaltecidos por conta do sistema de ensino que decidiu cravar na mente do nosso povo, o nome de heróis que sequer tiravam a bunda de seus gabinetes luxuosos, decorados com o ouro, colhido com o suor de nossos nativos ancestrais. 


A miscegenação de raças é talvez o grande diferencial do povo alegre, versátil e feliz que é o brasileiro. Este é o nosso maravilhoso País, que na sua grande extensão, conserva e nos reserva uma riqueza cultural que espelha os costumes e hábitos de grande parte do mundo todo.




CULINÁRIA
 
A diversidade na culinária é também algo especial. Em todos os estados e em muitas cidades ou regiões, encontramos um prato regional. Provamos quase todos. Muqueca, acarajé, comida japonesa, chinesa, italiana, tailandesa, refogado de cáctos, banana verde frita, galinha de capoeira, buchada de bode, guisado de bode, pato a tucupi, cuscuz, chambari, arroz puxá , manissoba, tacacá, tartaruga, file de búfalo com queijo, comida campeira, comida alternativa, exagero da comida goiana, guisado de pescoço de perú, pamonha no pote, sobá e jacaré, além de algumas outras que já não lembramos o nome. 

 

A Ade sempre muito comedida na alimentação, a maioria das vezes se arriscou em provar os pratos típicos. Eu sempre encaro tal qual a tradição do local. Nenhuma fez mal algum.
 
Destaque para a criatividade e pelo sabor das comidas preparadas pela Ade. Ela tem uma competência inigualável de dar sabor aos alimentos. Sempre com muita boa vontade, ela escolhia os cardápios e, sempre que possível, nos hospedávamos em lugares onde tinha uma cozinha que ela pudesse usar. Em muitas vezes, nosso alimento era divido com outros hóspedes e com os empregados e proprietários de hotéis ou pousadas. Os elogios eram frequentes, especialmente quando cozinhava uma galinha caipira. Cada salada feita por ela era uma dádiva no sabor e na beleza dos ingredientes, sempre frescos e muito bem higienizados.

 

Durante boa parte de nosso trajeto, carregamos um kit cozinha com dois pratos, talheres, faca de corte, azeite, sal, pimenta, açúcar e pequenas sobras de alimentos que eram possíveis de serem transportados até o próximo Trecho.


 
ARTE
 
O que vimos da arte produzida no Brasil foi uma beleza à parte. São tantas e tantos detalhes artísticos, que podemos dizer que aqui se produz de tudo. Música, pintura, escultura, dança, jóias, bijuterias, bordados, edificações e poesias, contam histórias emocionantes, de qualidade, de originalidade e de respeito aos princípios preservados por séculos. 
 


Encontramos artistas que preservam as condições de nossos antepassados, como os nativos da Ilha do Marajó, que produzem peças de barros feitas com ossos de animais e visionários como um grande mestre na Chapada dos Veadeiros que produziu uma obra de arte, digna de reconhecimento, projetada para captar energias cósmicas e um cavalo alado de mais de 3 metros de altura apoiado em uma só pata, feitas com metais nobres e pedras preciosas. 

 
Conhecemos artistas esculpindo em madeira, em pedra, em metais, em barro, trançando fibras naturais, tramando linhas de seda e de algodão, desenhando, direcionando letras e colorindo nas mais diversas cores. 

A dança e os instrumentos musicais possuem características próprias em cada região.


 

A decepção ficou por conta do descaso para com os artista de nosso País. A grande maioria vivem na simplicidade, no pouco conforto e no drible das necessidades habituais. A grande parte dos lucros ficam com atravessadores que, se não existissem, a arte não sairia da própria rua. O melhor seria se o lucro da arte fosse dividido por igual entre o artista e aqueles que levam a arte aos grandes centros para serem vendidas.
 
No sertão nordestino as rendeiras, sentadas nas varandas de suas casas simples, produzem uma arte encomendada a preços módicos para serem vendidas a alto valores nos shoppings e lojas especializadas. Pelos nossos cálculos, uma peça de renda vendida pela rendeira a 15 reais, na loja especializada, passa a valer em torno de 300 ou 400 reais. 



 
AVENTURA


Durante a viagem aproveitamos para participar de várias aventuras radicais organizadas por agências de turismo com roteiros programados e muitas que descobrimos por conta.


A natureza fez da Ade uma verdadeira aventureira, alcançando lugares que assustam, mas foi tudo com muita segurança, apesar dos perigos iminentes.  





AMIZADE
 

Foram tantos amigos que fizemos, que seria impossível lembrar o nome de cada um.  Todas amizades curtas mas quase sempre ricas em informações  e confissões. 

 
Algumas perduram por email ou faceboock. Muitos pareciam conhecidos de tempos e o que importava era a troca de palavras, risos e emoções. Diálogo aberto a respeito dos mais diversos assuntos, desde assuntos familiares, passando pelo turismo, religião, formas de vida, piadas, fatos acontecidos e política.

 

Provocamos muitas amizades e fomos provocados muitas vezes, ouvimos e falamos palavras que enalteceram. Fazer amizades era parte de nossa rotina diária. Quase todos os dias a amizade teve participação especial, foi uma atração especial de nossa aventura.
 


Muitos dos que conhecemos, nos disseram palavras que ficarão marcadas em nossos corações para sempre. A garota de uma lanchonete de estrada no Espirito Santo, uma recepcionista de hotel na Bahia, a gerente de uma pousada no Alagoas, uma bancária de São Paulo no Amazonas, uma enfermeira de Campo Grande no Jalapão e alguns outros que ainda hoje querem saber como estamos, seguindo nosso blog e mantendo contatos pelo faceboock. 


Os presentes que ganhamos de um casal chinês em Manaus, o colar de cacique  na Chapada das Mesas, o convite de aniversários de 15 anos que recebemos dos proprietários de um hotel no Maranhão, a hospedagem gratuita que ganhamos em Brasilia, o jantar na casa do gerente da pousada na Chapada dos Veadeiros, o jantar com os empregados da pousada em Pirinópolis e tantas outras que nos encantaram.


 

Depois de uma bela e longa conversa no dia anterior com um casal de Campo Grande, eles fizeram questão de ir até nosso apartamento antes de viajarem, para nos abraçar. A mulher me disse uma frase emocionante: “vou agradecer muito a Deus por ter conhecido vocês”. 

De tudo que valeu a pena, as amizades que fizemos é motivo suficiente para querermos fazer tudo novamente.


 
MELHOR ÉPOCA
 
Todos almejamos repouso e desejamos folgas dos assuntos que ocupam nossa rotina de trabalho. A esperança do ócio e de viver para sí mesmo é um desejo e sonho da grande maioria dos seres humanos.  Em qualquer parte da vida podemos fazer isto mas, nem sempre é possível e um bom limítrofe a ser considerado para a realização dos sonhos que envolvam aventuras, é dos 55 aos 70 anos.
 
Antes dos 55 nem sempre é possível realizar alguns sonhos, por que podemos ter dinheiro e vigor, mas falta o tempo, consumido pelo trabalho. Dos 70 em diante podemos ter tempo, às vezes dinheiro, mas o vigor degrada rapidamente. 

Dos 55 aos 70 é a melhor e derradeira de todos as fases na vida para aqueles que querem realizar sonhadas aventuras,  especialmente aquelas que exigem esforços físicos. O tempo não volta e quanto mais passar dos 55, o vigor torna-se concorrente e até determinante e poderá impedir a realização dos sonhos de aventuras.
 
A vida está relacionada diretamente com o tempo e o tempo não para, não se negocia, não se prorroga, não volta, segue em frente e jamais se adianta. Dos 55 aos 70 é o espaço da última chance para a realização dos sonhos e evitar a frustração de ver a vontade engolida pelo tempo. Dos 55 aos 70 é preciso concentrar na realização dos sonhos pessoais. 

 

Antes dos 55 é tempo de realizar os sonhos financeiros e comerciais, fazer uma previdência e de acumular o suficiente  para gastar depois. Hoje, uma provisão orçamentaria de 300 reais por dia para um casal, dá uma sobrevivência padrão entre 3 e 4 estrelas, uma nota entre 7 e 8, numa escala até 10, no que se refere a conforto, segurança, transporte, alimentação e gastos extras, ou seja, uma boa qualidade de vida.
 
A maior parte dos mortais queixam-se da Natureza, reclamando que nosso tempo de vida é muito pouco. Para muitos o espaço de tempo que vivemos, ocorre tão veloz e rápido, que quando percebemos o tempo passou e muitos dos sonhos se esvaíram. 
 
Não é curto o espaço de vida, desde que a realização dos sonhos aconteçam. Sem a realização dos sonhos, pode acontecer o arrependimento ao perceber que o tempo passou despercebido. Muitos se intitulam tolos por não viver o tempo certo e percebem quão inútil foi ter o que não desfrutaram. Somente depois que o tempo passou, percebem que ficaram ocupados em nada fazer para a conquista dos sonhos, que é plenitude da vida.
 
Por mais que a idéia pareça absurda, passamos a vida toda aprendendo a morrer, quando deveríamos viver intensamente. Muitos se concentram na busca de mais bens e se esquecem do tempo. Na hora do  perigo de morte, quando o tempo já passou, imploram na esperança de salvação, dispostos a gastar tudo que ganharam para continuar a viver. Ocupados em ganhar, deixam a vida passar, apressada rumo a morte, queiramos ou não. 
 
Para quem se percebe deixando o tempo passar sem a conquista da plenitude, lembre-se:  entre os 55 e 70 anos, estão as últimas sanches de realizar os sonhos de aventuras.
 
Um roteiro e um planejamento deve ser elaborado, contemplando as necessidades e os sonhos. Coloque no calendário os sonhos a serem realizados  entre os 55 e os 70, está a última chance.



AGRADECIMENTO
 
Primeiramente a Deus que nos guiou com toda segurança e direcionou emoções fantásticas em nossas vidas e a todos que nos incentivaram e curtiram a viagem junto com a gente.



 
OBRIGADO E ATÉ A PRÓXIMA AVENTURA