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12. Restaurante Paraíso, no paraíso


Nosso destino foi Itacaré, famosa pela beleza natural de suas praias e um centro histórico charmoso, que atraem turistas de todo mundo, muitos surfistas.

Itacaré é também um berço dos pescadores. Nas peixarias e direto nas casas dos pescadores, encontramos peixes, camarões e lagostas, frescos e a preços atrativos.

A vida tranquila na cidade, mesmo sem muito dinheiro, espelha o clima de calma e constante festa, especialmente no mês de São João, quando algumas fogueiras ficam acesas o tempo todo.

As fogueiras servem para homenagear o Santo e preparar a comida.

A vida do baiano de Itacaré espelha o comportamento tranquilo, não preguiçoso, segundo eles. Dizem por aqui que o baiano divide o dia em três partes: 8 horas para dormir, 8 horas para o lazer e 8 horas para o trabalho. Se somar o lazer e o sono, dá-se a impressão de que o baiano fica folgado a maior parte do tempo, o que não é verdade.

Uma música regional, explica bem o motivo do baiano ser um pouco mais lento ou não ter pressa.

“Se avexe não, que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada…”

O único camping que abriga motorhome, estava fechado. Por conta da baixa temporada, provavelmente, as 8 horas para o trabalho foram eliminadas. Dormimos uma noite no estacionamento de uma das muitas pousadas alternativas da cidade, com água e luz, mais o local não era adequado.

Passeamos por algumas praias, onde já estivemos há quatro anos, e andamos pelo centro histórico, onde tudo acontece somente a noite.

A Bahia é mesmo encantadora, por onde se passa é preciso estar atento aos pedaços de paraíso espalhados pelo Estado, especialmente no litoral. No caminho entre Itacaré e Ilhéus, encontramos o Restaurante Paraíso, que também é um camping, somente para motorhomes.

A praia é Uruçuca, na Vila Sargi, aos pés da Serra Grande. As areias brancas e as praias quase desertas, guardam uma beleza recomendável a todos que amam o litoral.

O Restaurante Paraíso, além da boa comida e da boa área de camping, fica em frente ao mar, numa das praias mais agradáveis que já ficamos.

O Dimitri é o proprietário sempre presente que, apesar do nome e da aparência, confessa ser um baiano da “gema”. O Marcelo é o responsável pela manutenção, muito bem cuidada.

O Marcelo me contou sua história e de como ele veio trabalhar no Paraíso. Seu pai dividiu a fazenda que tinha entre os dois filhos, que trabalharam duro, esperando ganhar dinheiro e um dia ir morar na cidade grande. Quando já estavam com a terra lavrada, mecanizada e produzindo, vieram os índios e expulsaram suas famílias, alegando que a terra sempre foi deles.

Na mesma época, os índios tomaram 198 pequenas fazendas na região entre Ilhéus e Itacaré.  Marcelo e seu irmão recomeçaram a vida, um morando e organizando o pátio do Restaurante Paraíso e o outro fazendo pequenos trabalhos na região.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levantar cedo, tomar café e caminhar pelas areias macias da praia, sempre com a emoção aflorando diante de tanta beleza, era rotina.

Nem precisava, mas usei alguns recursos amadores da fotografia na tentativa de mostrar o que a beleza do lugar proporciona.

Na praia em frente de casa, conheci um morador, João Batista, 67 anos. Ele contou como é viver uma vida no mesmo lugar, ganhando pouco, sem deixar de feliz. Ele disse que nunca gasta mais do que ganha e que se considera rico, por não dever nada a ninguém e ajudar os vizinhos com o pouco que tem. Ele me disse:

“conheço gente que tem várias fazendas, muito dinheiro, mas não é rico, vive ocupado e não aproveita a simplicidade e a beleza de cada dia”

Também conheci um pescador, jovem e sem ambições, que vende o que pesca para alguns clientes fidelizados. “É só limpar e entregar que eles me pagam”. Ele me ensinou a localizar os peixes no mar e jogar a tarrafa, mas ainda preciso de muito treino até pegar o peixe na rede, como ele faz com maestria.

Ficamos 10 dias de puro prazer no paraíso do Restaurante Paraíso, felizes e fazendo poses, tirando retratos da minha modelo preferida.

No pacote de rotinas, ainda estavam inclusos levantar de madrugada para ver o sol nascer e, ao anoitecer, apreciar a lua surgir onde a água encontra com o céu.

 

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