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4. A Cafeteria aos pés do Pico da Bandeira


Parada obrigatória na Passarela do Queijo, com variedades de artesanatos, queijos, bebidas, lanches, refeição e um simpático atendimento.

Provamos vários queijos de Minas e vindos da Europa. A parada tem ainda um hotel e uma bela cachoeira para o encanto dos clientes.

Provamos o Queijo das Almas, um belo parmesão. Conta a lenda que agricultores do Sul de Minas, descobriram a receita de um queijo, trancada em um baú. Resolveram testar a receita e, como ficou tarde da noite, deixaram para terminar no dia seguinte.

No dia seguinte foram para terminar a receita e descobriram que o queijo estava pronto e surgiu uma dúvida.

Teriam as almas ajudado?

Felizes e arrepiados, acreditando que as almas ajudaram, provaram o queijo, que ficou muito bom. Resolveram repetir a receita, sem a ajuda das almas, e conseguiram o mesmo sabor. Assim nasceu o Queijo das Almas. Tem uma casca preta e parece uma engrenagem.

Entrando na Serra do Caparaó, na cidade de Espera Feliz tem o patrimônio Pedra Menina, onde fica o Sítio Santa Rita, que foi nosso quintal por alguns dias.

A visita foi agendada pelo nosso filho Hugo, que trabalha com café e visitou o Sítio, que produz café de qualidade nas montanhas.

O café da região do Caparaó é da melhor qualidade e muitos agricultores praticam a colheita especial,  produzindo o mais puro café brasileiro. Tem muito café plantado nas montanhas. Os grãos mais bem premiados, quase sempre são da região.

Sítio Santa Rita

Fomos recebidos pelo Fred e sua esposa Miria, que cedeu um lugar no estacionamento com água, luz e ainda o prazer de sermos vizinhos.

Pela primeira vez, conhecemos uma cafeteira em plena área rural. Além da produção de excelentes cafés, no Sítio tem também o terreirão e a tulha para o preparo dos grãos, uma mine torrefação e a cafeteira, que por sinal chama A Cafeteria.

O Fred, barista profissional, nos mostrou a torrefação, que ele chama de laboratório, com tudo muito bem organizado. Fred é muito caprichoso e cuidadoso com a melhor torra. Ele comanda a cafeteria e logo preparou o nosso primeiro café.

O café já faz parte da nossa vida, por conta do Moka Clube, onde o Hugo comanda a torra e a venda dos melhores cafés especiais produzidos no Brasil.

O Moka é um clube de cafés especiais, que envia aos sócios, todo mês, um pacote com um café de diferentes produtores, todos da melhor qualidade. O Moka e o Sítio Santa Rita são parceiros no preparo dos melhores grãos do Brasil.

O café é mesmo uma bebida amada e idolatrada, cada vez mais por novos apreciadores. Quem prova não esquece e logo se acostuma com o sabor da qualidade dos grãos. 

O mundo do café e mesmo especial

Para saborear um bom café é preciso considerar a altitude, o grão, o manejo, a colheita, a secagem, a torra, a moagem e a forma do preparo. Qualquer das etapas que não obedecer a melhor forma, desclassifica a bebida.  

E ainda não basta!

É o barista que aplica a última carga no sabor da bebida. Ele usa termômetro para saber a temperatura ideal da água, balança de precisão para distribuir água e pó por peso, cronômetro para medir o tempo de infusão, além é claro, da técnica de jogar a água sobre o pó e fazer a leitura pelas bolhas e pelo aroma que exala do precioso líquido.

Convidamos os vizinhos para um queijos & vinhos e conversar até enjoar. Ficamos por horas proseando no aconchego da Caca.

Chegou o Senhor Tarcisio, o patriarca da família, o “Seo Tarciso”, como todos o chamam. Ele chegou, quando eu estava saboreando uma cachaça e ofereci, como de praxe. Ele aceitou e antes que eu pegasse um copo para lhe servir, ele bebeu no mesmo que eu estava bebendo, sem cerimonia.

Seo Tarciso é Gente Humilde.

Ele é responsável pela roça do café, dentro da cadeia produtiva do Sítio. Nos levou pelas montanhas para mostrar em detalhes, todo cuidado necessário para produzir um bom café.

Ali, no meio da roça, ele nos contou sua história, tão triste no começo que fez correr lágrimas dos olhos de Ade. Já foi muito pobre, sonhava que poderia mudar o mundo, reuniu parceiros, criou uma cooperativa e chegou a ser prefeito da cidade.

Hoje Seo Tarciso é a cara da felicidade. Prosperou, pagou as dívidas que todo prefeito honesto acumula e conseguiu unir a família num mesmo negócio.

Enquanto ele cuida da roça o filho cuida da qualidade do café especial, a filha e o genro cuidam da torra e da cafeteria e a outra filha vem para cuidar da pousada e turismo do café, tudo no Sítio.

Seo Tarciso, mesmo com toda humildade e boa vontade, ainda não conseguiu mudar o mundo todo como queria, mas percebi que ele muda seu próprio mundo para melhor a cada dia.

Seo Tarciso, prazer em conhece-lo!

Não estava em nossos planos mas, aproveitando a oportunidade e com apoio do Jorginho, um guia de montanha que conhecemos na cafeteria, resolvemos encarar mais um desafio em nossas expedições.

Escalar o Pico da Bandeira.

O Pico da Bandeira fica entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com 2.892 metros é a terceira maior altitude, 100 metros menor que o Pico da Neblina, maior do Brasil.

Em 1.859, o Imperador Pedro II determinou que fosse colocada uma bandeira do Império no topo do pico, imaginando que ali era o ponto mais alto e imponente do Brasil.

Como na Caca levamos sempre os equipamentos para trilhas, aceitamos o desafio e marcamos para o dia seguinte, a escalada até o cume, guiados pelo Jorginho.

Passamos na padaria, antes das 7 da manhã,  para tomar café e fazer um lanche para levar na escalada. Seguimos de carro até a portaria para o registro da subida, depois até a casa queimada, onde começa uma das trilhas que leva ao cume.

Algumas orientações do Guia Jorginho, alongamento e lá fomos nós, iniciando uma caminhada de 4.500 metros de distância até o cume, seguindo pelo Caminho Capixaba. Existe também o Caminho Mineiro, mais longo. mais fácil dificuldade.

A trilha do Caminho Capixaba é de moderada a difícil. A cada hora de caminhada, uma breve parada para descanso, tomar água e tirar fotos dos melhores momentos.

Após 4 horas de caminhada, com muita neblina impedindo a visão do horizonte, alcançamos o cume do Pico da Bandeira. Bem disse o Jorginho: “É boa a sensação de alcançar o topo mas, o caminho também é bom”.

Para nosso deleite e para homenagear o Hugo do Moka, Jorginho da terra do café, levou todo apetrecho e preparou um bom café especial há 2.892 metros de altura.

Um breve descanso e muita torcida para abrir uma janela do sol para apreciarmos a visão da região, que não abriu.

A descida é sempre um pouco mais perigosa do que a subida. Além do cansaço acumulado, o corpo exige ainda mais força e equilíbrio. Foram mais 4 horas de aventuras, correndo riscos de graves acidentes, mas felizes pela conquista de quem tentou e conseguiu, passo a passo, alcançar o cume.

Cansados, depois de um belo banho, “dormimos com as galinhas”. Eram 7 horas da noite e já estávamos dormindo. Só acordamos 12 horas depois. 

No outro dia as botas por limpar, lembravam o grande esforço e o nosso orgulho próprio de conseguir tamanha façanha, com nossos mais de 60 anos.

Enquanto estávamos no Pico, Miria e Fred pensaram em  um jantar na casa deles mas, considerando o grande desafio que é chegar ao cume do Pico, deixaram para dia seguinte.

Nos despedimos do Sítio Santa Rita com um agradável café da manhã com pão de queijo, bolo de rapadura, o delicioso café preparado pelo Fred e ainda ganhamos de presente um kit com alguns dos produtos do Sítio Santa Rita.

Fazer novos amigos, acampar no paraíso e vencer mais um desafio na montanha, foi nossa história nesta parada.

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