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6. Nossa casa fixa em Porto Seguro


 

Passados 32 dias da nossa partida de Curitiba, chegamos finalmente ao nosso destino escolhido para morar um tempo maior, na cidade de Porto Seguro, na Bahia.

Viajar é muito mais do que chegar ao destino. No caminho tem muitas fontes de convívios e atrações que produzem conhecimento e felicidade, que devem ser considerados.

A placa na rodovia chamou a atenção e lá fomos nós até o Monte Pascoal, onde já tentamos escalar uma vez e não deu certo. Daquela vez desconfiamos do guia, não sentimos segurança para seguir a trilha. Desta vez estava chovendo na hora que chegamos e novamente não escalamos o “Terra a vista”, conforme a lenda do Cabral.

Seguindo os caminhos do “Terra a Vista”, atracamos em no Sul da Bahia, sol o ano inteiro e uma das boas estruturas para o turismo no Brasil.

Porto Seguro

Voos diários trazem turistas de todas as partes do mundo, que chegam para conhecer a história e aproveitar o excelente clima tropical o ano todo.

Por aqui viveram os índios tapuias que foram expulsos pelos tupis, que também foram derrotados e quase extintos depois do descobrimento “Terra a Vista”.

Oficialmente, Porto Seguro é onde o Brasil foi “descoberto” e ainda preserva uma cultura centenária.

Os índios ainda vivem por aqui e bem se adaptaram ao desenvolvimento. Hoje atendem turistas com visitas guiadas nas aldeias, restaurantes, artesanatos, alguns na agricultura e muitos sobrevivem com auxílios do Estado.

Na região toda a história da colonização é bem preservada por índios, negros e brancos. Nativos, africanos e europeus formaram comunidades, que carregam a fama de tranquilos.

Assim é a Bahia!

Quando chegamos em Porto Seguro a meteorologia previa chuvas e até um ciclone vindo do mar, passaria pela região. A marinha e a imprensa alertaram, as aulas foram suspensas e nada aconteceu. Era para chegar num dia, depois no outro e acabou que não veio nem a chuva e nem o ciclone. Uma moradora da cidade bem disse: esse ciclone tá cum manha.

Nossa experiência desta vez é viver com um mesmo quintal por um tempo maior, fazendo da nossa casa rodante, a nossa casa fixa.

Casa Fixa

Nos últimos 7 anos, Ade e eu já convivemos com muitos nômades que mudam de quintal frequentemente, mas mantem uma casa fixa na sua cidade de origem. Organizam suas vidas com débitos automáticos e algum responsável para emergências, planejam destinos distantes, seguem conhecendo novos quintais e, de tempos em tempos, voltam para a casa fixa.

Casa Rodante

A casa rodante é livre de CEP e só precisa de um espaço seguro, confortável e bonito para estacionar. Em Porto Seguro tem um lugar com todos estes atrativos.

Alugamos um espaço no Hotel & Camping Mundai, frente ao mar, com toda infra estrutura para motorhome, segurança, sombra e água fresca, sem contar os vizinhos que parecem velhos amigos.

Este é um dos campings mais concorridos do Brasil. Para alguns meses no inverno, são feitas reservas com até um ano de antecedência. O local é um belo atrativo para o sossego e para as amizades.

Muitos frequentadores, a maioria vindos do sul, já se conhecem há décadas, todos os anos se encontram aqui para viver e reviver a vida de campista, na cultura da Bahia.

O lugar é tão agradável, que alguns viajantes chegaram e foram ficando, ficando… e acabam ficando por aqui a maior parte do ano. A cada tempo deixam a casa rodante estacionada e voltam para casa fixa.

Alguns até já se desfizeram da casa fixa e refizeram o “lar-doce-lar” na casa rodante que, quando permanecem por muito tempo estacionadas, ganham o apelido de roda quadrada.

Muitos adaptam ou constroem sua própria casa rodante, com poucos investimentos. Outros viajam em casas enormes, montadas por empresas especializadas, com valores que ultrapassam um milhão de Reais.

O mercado de moradores em casas rodantes vem crescendo e cada vez mais pessoas apaixonadas por viagens, realizam seus sonhos à bordo de uma casa rodante, vivendo como nômades temporários.

Tendencia Mundial!

No Brasil o número de casa rodante aumenta a cada ano e assim vem ocorrendo no mundo todo.  A indústria já produz veículos em série.

Na foto abaixo, aquela pequena Van é montada em série na Europa. A casa é confortável para duas pessoas e custou 38 mil Euros, me disse o novo e temporário amigo alemão. Ele viaja sozinho com ela fazem dois anos, rodando pelas estradas do planeta. Sua despesa na estrada fica em torno de 2 mil Euros por mês com tudo incluído.

O mais caro ou o mais barato, o maior ou o menor não importa. A idéia é sair da zona de conforto, sem deixar o lar-doce-lar.

Para se locomover a curtas distancias, alguns alugam carros, motos, bugues outros trazem de casa. A maior parte tem bicicletas e trouxemos nosso Trotenete.

Os moradores viajantes vivem com suas esposas, já criaram seus filhos e vivem com saudades dos netos. Poucos são solteiros e a maioria estão com mais de 60 anos, mas podem chegar aos 90.

São livres e sustentáveis.

Levam a vida numa mescla entre o campismo e a rotina de um lar-doce-lar. A maioria já está aposentado, muitos são donos de empresas que outros cuidam, ou recebem soldos ou aluguéis.

Em comum, todos tem um pingo mensal na conta bancária. Os que já são donos do próprio tempo, viajam sem dia certo para voltar.

Apesar do estilo de vida em comum, cada vizinho temporário tem uma história exclusiva, que Ade e eu gostamos de conhecer e compartilhar a nossa.

No camping cada dia as amizades se consolidam por conta da afinidade, da solidariedade, das conversas, das brincadeiras e das guloseimas.

Troca de Culinária

Sempre chega ou sai um pratinho com bolos, tortas, doces, salgados e as inevitáveis trocas de receitas exclusivas.

Um dos vizinhos nos convidou para um churrasquinho na beira da piscina. Cada um levou e cuidou do seu espetinho. A conversa versou sobre quase tudo e durou uma tarde muito agradável.

Outro organizou um churrasco de meio frango e cada levou sua salada, com direito a um show exclusivo da talentosa campista, instrumentista e cantora, que encantou com sua qualidade musical e maestria no repertório.

Outro dia foi a vez do pernil de porco assado, oferta do dono do camping. Depois foi churrasco de dia e carreteiro a noite e no outro macarronada. Ainda vai acontecer o pão com linguiça, o filé de igreja, uma peixada e uma caranguejada.

Outras receitas irão surgir. Depois conto mais sobre a nossa experiência de viver na casa rodante como se fosse a casa fixa.

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