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4 Colhendo Frutas nas Montanhas


REMANSO DA LAGOA

Seguindo rumo ao Sul, escolhemos um novo quintal em Florianópolis, na Lagoa da Conceição, em Santa Catarina, para encontrar nossos filhos Paula e Igor, que também passam férias trabalhando pela internet. Tem muitas vantagens o trabalho remoto. É possível cumprir as obrigações, os prazos, atingir as metas e ainda poder parar para um banho de mar, apreciar um final de tarde e usufruir de belos ares.

Quando chegamos no camping, logo ví o motorhome do Martin, ali estacionado há mais 20 anos. Conta a lenda que ele trabalhou na marinha da Argentina e um dia parou por ali fazendo veraneio e nunca mais saiu. Hoje ele não mora mais no motorhome, mas continua pagando o aluguel para manter sua relíquia se decompondo com a força da maresia.

A Lagoa é especial. Tem praia de areia e de grama. São águas tranquilas que favorecem muito o banho e os esportes aquáticos.

Encontramos um casal que nos chamou a atenção e logo fizemos amizade. Ele carregam no motorhome uma enorme gaiola com um casal de calapsitas e, para nossa surpresa, os pássaros falam e o macho é o mais tagarela.  Eles são completamente apaixonados pelas aves e as tratam como verdadeiros filhos.

Já vimos muitos gatos e cachorros acompanhando campistas, mas calopsitas foi a primeira vez.

Passamos duas tardes em companhia de nossos queridos amigos Rô e Mauro, viajantes de carteirinha com muitas historias para contar de suas várias aventuras pelo mundo. Conversa muito agradável regada a vinho e comidas saborosas. Estes são experientes na vida como nômades temporários.

OS ENCANTOS DA SERRA

Deixamos o litoral e subimos novamente a serra para conhecer Urubici, a cidade mais fria do Brasil. Escolhemos um sítio onde os hospedes e voluntários podem colher amoras e framboesas, sob a orientação do Lucas, cara legal e proprietário do local que também tem uma pousada e o camping.

A propriedade é cadastrada em um dos sites que administram voluntários temporários.  Para quem se interessar, existem vários sites que organizam o voluntariado para quem deseja aprender a colher frutas, fabricar vinhos, queijos, colher cafés e muitas outras oportunidades para uma experiencia vivenciadas em diferentes formas de vida no campo.

Aqui encontramos dois voluntários que são hospedados e alimentados em troca do trabalho. Eles colhem frutas, limpam o pomar, cuidam do pátio e fazem limpeza em geral.  Muitos deles são empregados remotos e continuam trabalhando enquanto vivenciam novas atividades.  Os profissionais da tecnologia são os mais encontrados nestes lugares.

A maioria fica por alguns dias ou algumas semanas, mas alguns ficam por meses morando e trabalhando. São jovens inteligentes, muitos deles sustentáveis e independentes, que buscam novos experimentos. Geralmente são bons para uma boa conversa.

Fui sozinho conhecer uma cachoeira, 2 km de distancia e acabei não chegando até o local. Havia uma ponte interditada e fui informado que o caminho próximo a cachoeira é um tanto perigoso. Fiquei preocupado e segui uma das recomendações de segurança para fazer trilhas. Além de bem equipado com calçados adequados e um bom cajado, também é importante estar acompanhado para amenizar alguma possível situação de emergencia.

Já no caminho de ida eu quase desisti. Encontrei esta boiada estacionada à beira do caminho. Tentei falar “xô”, fiz barulho como beiço e elas não obedeceram. Mesmo assim, segui em frente ameaçando com meu cajado e elas foram saindo para os lados, mas deu medo.

SERRARIA AMBULANTE

Parei para ver uma serraria ambulante em plena atividade, fazendo caibros e tábuas das árvores retiradas em meia a mata de Araucárias, dezenas delas. Ao ver as árvores sendo serradas me deu pena e até um pouco de revolta pelo desmatamento, só que não. São árvores de Pinos e foram plantadas em reflorestamentos e os cortes são autorizados.

O comando da serraria é feito por uma mulher, que não mede esforços para movimentar as toras para cima da serra. Ela é muito forte. Ela reclamou dizendo que a madeira que ela serra com tanto esforço, são vendidas pelo dobro nos depósitos da cidade. Como ela disse: “o trabalho pesado é nosso e eles que ganham”.

Na minha recente experiencia com a construção civil, por vezes fiquei revoltado com o desperdício desta madeira usada na construção civil para forma de concreto, descartadas com pouco uso.

Aqui na serra as casas, cercas, galpões, moveis e artesanatos são feitos com madeiras de Pinos, retirados da mata próxima. Não é uma madeira de grande qualidade para edificações mas, como dizem por aqui, “se não tiver cupim, pode durar até 20 anos”.

Os moradores precavidos com as casas frágeis, continuam plantando para colheitas futura. Dizem que se um agricultor reservar 5% de uma boa área plantada, para colher após 30 ou 40 anos, deixará uma bela poupança para os netos.  Se cuidar das árvores com um bom manejo, a herança será ainda mais gorda.

COLHEITA DA MAÇA

Fomos colher maças no pomar carregado com as frutas do amor e símbolo de marcas históricas. Encontramos com o proprietário e eu logo perguntei se estavam precisando de colhedor, ele disse que sim. Pronto já temos emprego. Antes de começar eu pedi férias, ele sorriu e nos demitiu em seguida, mas deixou a gente fazer nossa colheita e levar as maças sem custo nenhum.

Mesmo com o Crocs cor de rosa, Ade se mostrou uma bela colhedora, enquanto eu ficava na prova.

 

O que é um pontinho preto na beira da estrada?  É Ade colhendo suculentos agriões hidroponicos, selvagens, germinados na valeta formada por um fonte que desce das montanhas. São ótimos. O buque que ela colheu virou uma saborosa salada no almoço do mesmo dia.

Os efeitos das amizades constantemente nos encantam. Darci e Rosiane, pais do Lucas dono do camping, nos levaram para ver de perto a maior cachoeira de Santa Catarina. Com 219 metros de queda, a Cachoeira do Rio Do Bugre, despenca e se dispersa por um dos cantos do cânion gigante.

O final de mais uns dias no quintal da serra catarinense, nos fez entender que viajando a gente se encontra com o que procuramos, sem contar com os encantos da surpresas.  Depois da curva, tem sempre uma emoção na rotina dos nômades temporários.

1 comentário sobre “4 Colhendo Frutas nas Montanhas”

  1. Que legal! Adoraria ter a experiência de colher algumas frutas também.
    Que bom que voltaram para a estrada, faz tempo que leio o blog de vocês, mas nunca comento, hoje resolvi comentar pois também comecei escrever sobre a vida na estrada, acho que desta forma fica melhor registrado para rever as aventuras no futuro.
    rayssaviajou.home.blog

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