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Donos do Próprio Tempo em Porto Seguro

 

Quando conquistamos a condição de ficar de férias o tempo todo, verdadeiros donos do nosso próprio tempo, nos damos o prazer de repetir passeios, sempre incluindo aventuras vivenciando novos atrativos. 

Aqui em Porto Seguro tem atrativos ao sul e ao norte pelo litoral, com praias e paisagens maravilhosas. Como quase todas as praias são bonitas, precisamos descobrir atrativos diferentes que tem em cada uma. 

Escolhemos Caraíva, não só pela beleza da pequena vila mas também pelo passeio de bugue até o Corumbáu, onde ainda nunca havíamos pisado.

No caminho, conhecemos a Índia Tanara e sua amiga, que esperavam o dono do comércio para um teste de emprego. Tanara não parava de falar. Ela nos contou um pouco da sua história e nos ensinou algumas palavra indígenas.

Chegamos em Caraíva por estradas de areia, muitos buracos e velocidade baixa. Como disse o Alexis, amigo e motorista, “prefiro perder tempo andando devagar com o carro do que ficar um tempo maior na oficina”.

Para chegar na vila foi preciso atravessar o rio com barcos de aluguel, que transportam de tudo, pessoas e suprimentos.  Nas pequenas ruas de areia não entram carros. A carroça e o carrinho de mão são os apoios logísticos mais utilizados.

A vila aconchegante convida o turista para o sossego, prato principal na região. A arquitetura simples é cheia de coloridos e adaptações que chega a ser bonito admirar.

Subimos na traseira do bugue e saímos sentindo o vento, a poeira, o sol e a paisagem a beira mar, até chegar no Corumbáu, com direito a parada para tomar água de côco e tirar fotos na árvore.

Corumbáu significa para o índio, “longe de tudo”. É verdade, mas chegar lá é um prazer. Fomos com a maré baixa para poder admirar a melhor aparição da  “ponta” do Corumbáu.

Até chegarmos na “ponta” atravessamos dois rios de canoa com pagamento controlado na ida e na volta. Um índio pilota canoa, outro dirige o bugue e vários outros para fiscalizar, cobrar ingresso, cuidar do bar, vender artesanatos e tem também os que ficam por ali esperando a vida passar.

No Corumbáu tem cabanas pé na areia que oferecem comida a base de peixes, bebidas geladas, chuveiros e redes para o descanso.

A “ponta” do Corumbáu é uma formação de areia que aflora das águas em centenas de metros mar adentro, que até parece uma estrada sem saída. A “ponta” do Corumbáu aparece com a maré baixa e desaparece com a maré alta.

Quem administra as terras demarcadas que pertencem à União e o turismo na região são os índios Pataxó, descendentes diretos de quem mora na região desde antes do Brasil ser de Portugal. O comando é do pobre e quase instinto Cacique que tenta preservar a cultura, dividindo as responsabilidades com associações, ambientalistas e donos do comércios na região. O Estado dita regras mas pouco fiscaliza.

Considerando que o índio motorista do bugue contou que o velho pai dele ensina que o dinheiro que se ganha ali é pra ser investido fora da reserva demarcada e a índia Tanara vai buscar emprego com carteira assinada, entendo que ainda não encontraram a melhor gestão sustentável, apesar das riquezas da terra.

Nos passeios pela orla sempre consultamos a Tábua de Marés, especialmente se for no Nordeste do Brasil. Como sabemos, a Tábua de Marés é o movimento periódico das águas que variam ao longo do dia, conforme influências do sol e especialmente da lua. A maré mais baixa acontece entre doze ou treze horas e são as mais propícias para caminhar pela praia e aproveitar piscinas naturais. Para ver a  “ponta” do Corumbáu é preciso chegar no horário da maré mais baixa, preferencialmente com a lua nova ou cheia.

Pesquisei mas não consegui descobrir por que a Tábua de Maré se chama tábua, se na verdade é um gráfico ou uma tabela.

Outro dia repetimos o passeio que vai de Belmonte a Canavieiras, navegando num barco pelos manguezais onde deságua o Rio Parnaíba. 

A beleza do local não dá para ser retratada. Por mais que você capriche numa foto, ela não expressa o sentimento de estar inserido na natureza daquele lugar. A sensação é de êxtase, de uma felicidade atoa. 

A parada obrigatória no meio do mangue é para colher e saborear ostras frescas, que crescem grudadas nas raízes. Depois mais uma parada onde o rio deságua no mar, para um belo banho nas piscinas naturais com águas mornas.

Chegando em Canavieiras é interessante um passeio a pé pela cidade histórica e depois caminhar até uma das cabanas pé na areia para saborear suculentos caranguejos fresco.

A volta deve ser antes do escurecer, respeitando os horário das marés altas para facilitar a navegação. Neste dia voltamos comendo mangusto e apreciando o pôr do sol.

Na lua nova, também por conta da maré baixa, fomos conhecer o “Caminho de Moisés” em Coroa Vermelha, outra “ponta” de areia que adentra o mar tal qual no Corumbáu.

Assim, continuamos aproveitando os prazeres de viver em férias a maior parte do tempo, vivendo numa casa carro com 10 metros quadrados, mas com um quintal enorme e maravilhoso, cercados de amigos e compromissos felizes.

DONOS DO PRÓPRIO TEMPO

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