Expedição 2020 – Balneário em Missal, no Lago de Itaipú, onde a expedição foi interrompida


 

Paramos para conhecer o balneário na pequena cidade de Missal, uma das principais cidades do Estado do Paraná com colonização alemã.

Passando pelo centro, fomos convidados a parar numa blitz que divulgava a grande festa alemã da cidade. Paramos e já fomos servidos com um copo de chopp, músicas típicas e muita conversa, alta e alegre.

Um deles, no mais puro sotaque alemão, falou que a cidade precisa de mais fábricas de chopp, “só as cincos que existem não dá conta”. O outro disse: “não pode montar mais uma fábrica por que o rio já está secando de tanto que tomam chopp por aqui”. Um outro achou a solução: “vamos furar mais poços artesianos”.

Seguimos para o Balneário Vila Natal, a bela praia dos moradores de Missal.  Gostamos do lugar, fizemos novos amigos e decidimos ficar por alguns dias.

Naquele final de semana a prainha estava cheia, muita gente fazendo churrasco e colocando seus barcos na água para passear pelo lago formado pela Usina Hidrelétrica de Itaipú.

Nós pescamos, colhemos frutas e compramos mandioca, galinha caipira e hortaliças nos sítios vizinhos. O local é mesmo um paraíso para os moradores de Missal e também para quem gosta de campismo.

Enquanto Ade prepara o almoço eu converso com os netos para amenizar um pouco a saudade. É sempre divertido, apesar da distancia e das telinhas.

Tudo estava bem até que chegou a notícia que todos já esperavam. O Novo Coronavírus chegou ao Brasil, provocando a Covid 19, uma doença respiratória letal, especialmente aos maiores de 60 anos.

Os primeiros casos foram relatados e a mídia começou um processo de informação, que eu chamo de terrorismo, apavorando a todos, mostrando números que crescem de forma exponencial a cada dia. Só se fala disso em todo mundo.

O governo tomou decisões rápidas e ordenou que todos os parques fossem fechados para o público. E agora? Estávamos em 6 campistas, instalados um longe do outro, sem grandes riscos de contaminação. Os primeiros dias foram de incertezas. As notícias eram desencontradas, uma hora todos deveríamos sair, outra hora diziam que quem já estavam poderiam ficar.

Dúvidas se instalaram.

Na cidade o ciúme tomou conta da população que questionavam o prefeito alegando que se eles não podem frequentar a prainha, outros de fora da cidade também não poderiam.

O prefeito tomou a decisão.

A vigilancia sanitária veio até nós, trazendo um decreto municipal. Todos fomos obrigados a assinar o documento e deixar o Parque em até 24 horas, sob pena de multa de 5 mil Reais e seguida por prisão se houvesse desobediência.

Mas a prefeitura não nos deixou na mão. Sem termos para onde seguir, com todos os parques, campings e hotéis fechados por todo Brasil, nos ofereceram o galpão do Centro de Eventos, onde acontece a grande festa da cidade, já adiada por conta do Vírus que nasceu na China e se espalhou pelo mundo todo.

Fomos para o Centro de Eventos, com a infraestrutura que muito bem nos atendia. Dormimos a primeira noite e na manhã seguinte veio a ordem da prefeitura.

Vocês não podem sair pela cidade.

Se precisarem de algum alimento ou remédio, devem entrar em contato e nós os atenderemos. Pela primeira vez na vida, me senti privado dos meus direitos de ir e vir.

Sem pestanejar, nós e outro casal, pedimos para abrirem os portões e seguimos pela estrada. nós para a pequena cidade de Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul, onde moram alguns parentes e o outro casal, de volta para Brasilia, onde possuem residência fixa.

Barreiras na estrada.

Fiscais da vigilância sanitaria em conjunto com a polícia, paravam todos os veículos, faziam perguntas e mediam a febre de cada um. Caso houvesse desacordo, seriamos recolhidos para investigação.

Comércio fechado.

Ninguém pelas ruas, clima tenso nas cidades. Com estradas vazias, conseguimos chegar em Itaquiraí, sem qualquer problema.

Atualizados com as notícias da carnificina prometida pelos repórteres, começamos a sentir o peso de uma Pandemia, a primeira de nossas vidas. A TV a toda hora atualiza os números de casos e a quantidade de mortes por país. O mundo todo está ficando vermelho.

Dormimos na casa de minha irmã e na manhã seguinte vi uma notícia na internet, contando que numa pequena cidade de Goias uma casa foi apedrejada por moradores. Um dos moradores que chegou de viagem, foi taxado como infectado com o vírus mais famoso do momento, mesmo sem estar.  A fofoca espalhou pela cidade e a população alvejou a casa.

Agora veio o pavor.

Pensando em não deixar em risco para minha irmã, que tão bem nos recebeu, sem contar a ela o verdadeiro motivo, levantamos novamente o acampamento com o intuito de voltarmos para Curitiba e enfrentarmos o confinamento social dentro de nosso apartamento.

A caminho, passamos por Maringá, uma cidade já bem maior e paramos na casa da irmã de Ade, num condomínio fechado, com toda segurança. Fomos novamente bem recebidos e convencidos de aguardar um tempo em segurança.

Apelo dos filhos.

Nossos filhos pediram que parássemos de viajar e ficássemos no interior do Estado, pois as notícias da Capital eram ainda mais alarmantes. Resolvemos ficar por uns dias na bela Cidade Canção, esperando que nas próximas semanas, ou meses, o comércio possa reabrir.

Talvez possamos concluir nosso roteiro planejado para conhecermos todo oeste do Paraná, Bonito, Pantanal, Barra do Garça, Caldas Novas, Carolina no Maranhão, Maragogi e até aportarmos por algumas semanas em Porto Seguro, acampados até o inverno terminar no Sul do País, em agosto de 2020.

Acho que ainda não sabemos o tamanho do estrago que está por vir, não só pela doença que pode ser fatal, mas também pela economia mundial, após tantos dias com o comércio parado, sem poder arrecadar, provavelmente surgirão desemprego, encerramento de empresas, aumento de dívidas e histeria.

Deus cuide de nós e nos livre da pandemia natural e, especialmente, da pandemia social que pode estar por vir.

Nossa expedição da pesca foi interrompida, mas o sonho ainda não. Vamos aguardar e replanejar o roteiro.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Post