Expedição 2020 (4) – Novos horizontes na Rua Cachara, 213


 

A vida depois do trabalho sempre reserva surpresas. Sabemos que, quem gosta de viajar vivendo como nômade, deve planejar Metas de Ocupação definindo rotinas e roteiros e Metas Financeiras, cultivando um “pingo” na conta bancária suficiente para as necessidades básicas.

Cada um tem planos pessoais que ditam as preferências para a ocupação e o respectivo investimento necessário para a realização. Com saúde, o importante é ter o pingo na conta e ser dono do próprio tempo.

Nosso plano é pé na estrada, viajando em busca de aventuras, gostos, sabores, culturas, amizades, paisagens, historias, emoções, perrengues, felizes a maior parte do tempo. Assim são nossas viagens.

Sustentáveis e donos do nosso próprio tempo, Ade e eu estávamos no inicio de mais uma Expedição pelo Brasil, com o plano de passarmos por oito estados brasileiros, durante seis meses em 2020.

Nossa vida nômade seguia planejada e tranquila a bordo da nossa Casa/Carro, que tem nos levado a tantos caminhos e lugares maravilhosos.

Estávamos no comando. A idéia era percorrer novamente alguns pontos turísticos e aprender a pescar. Saímos de Curitiba e seguimos rumo oeste, iniciando a expedição pelas margens do Rio Paraná. Logo surgiram os primeiros peixes.

 

“Derrepende, não mais que derrepente…”

SURPRESA!

Foi decretada a PANDEMIA MUNDIAL, causada pelo Coronavirus, obrigando um NOVO NORMAL no comportamento da humanidade. O isolamento social foi imposto e as áreas de convívio coletivo foram fechadas para prevenir a transmissão da doença. A mídia e os governantes se encarregaram de instalar o pânico em todo Planeta.

Estávamos em Missal, às margens do Rio Paraná, acampados no belo Balneário Municipal, quando nossos planos também foram alterados também por decreto.

O Prefeito Municipal notificou os motorhomeiros acampados, ditando um prazo para deixar o local, sob pena de severas multas no caso de descumprimento.

E agora?

Veio a ordem para o distanciamento social, instruindo para que todos permanecessem em suas casas e, mesmo estando em casa, fomos obrigados a mudar de quintal.

E agora?

Mesmo com tantas opções que existem, fecharam quase todos os ponto turísticos e ficamos sem opções de campismo.

Nossa morada fixa fica em Curitiba, onde já estava decretado não somente o distanciamento social, como também o isolamento total, quase um toque de recolher.

Pensando em evitar aglomeração, optamos por ficar em cidades menores, hospedados no quintal de parentes, mas sempre atentos nas poucas oportunidade de campismo.

Tudo fechado.

Após algumas semanas, mesmo fora do nosso roteiro inicial, encontramos um hotel de águas termais em Fernandópolis no Estado de São Paulo, onde já ficamos algumas vezes e tem uma bela estrutura para receber Motorhomes.

No caminho, cruzando o Rio Paranapanema que divide os estados do Paraná e São Paulo, deixamos a estrada e entramos em um condomínio residencial, às margens de uma represa. A parada foi mais uma tentativa para encontrarmos refugio.

Entramos e nossa vida mudou.

No primeiro condomínio não encontramos e no segundo encontramos um corretor. Contei a ele que estávamos procurando uma casa com quintal, se possível mobiliada, para alugarmos até que a pandemia se explicasse melhor.   Ele disse que tinha uma casa para aluguel mensal.

Negócio fechado!

Adoramos a nossa nova morada, isolada num lugar seguro e cheio de belezas naturais. Perfeito para o confinamento.

Além da praia exclusiva, tem muitos pássaros e um rio com muitos peixes. Tem muitas árvores e frutas. Tem acerola, pitanga, jaboticaba, ciriguela, amora, ameixa, cereja, carambola, alem de muita manga, abacate e goiaba e outras que eu ainda não identifiquei.

As surpresas não pararam. Duas semanas depois o mesmo exímio corretor nos apresentou uma proposta de bom negócio.

Desde muito antes de eu me aposentar, havia um sonho meu e da Ade, que se tornou plano, e estava previsto para acontecer quando estivéssemos perto dos setenta anos.  O sonho é ter uma casa fixa, segura, confortável e bonita, perto de uma montanha.

Sempre comentamos sobre como será a nossa casa.  O quintal, a horta, o ateliê, uma ampla área de convívio, uma garagem para a Caca, num terreno em torno de 500 metros quadrados em local seguro bonito e bem localizado.

Surgiu a oportunidade.

Fechamos mais um negócio e o nosso sonho de construir uma casa foi se concretizando, pelo menos cinco anos antes do plano. Começamos a desenhar nossa nova morada e logo compramos os primeiros tijolos.

Terraplanagem, engenheiro, mestre de obras, pedreiros, orçamentos, projetos, mudanças de detalhes, contratos, escolhas, pesquisas e o início do alicerce.

Bem instalados na casa que alugamos, onde vamos morar até a nossa ficar pronta, convidamos nossos filhos e netos para cumprir o isolamento social no nosso novo lar.

Que sorte a nossa, eles estão encantando nossos dias.

Assim, estamos enfrentando a pandemia, aprendendo sobre o Novo Normal, imposto para a quase toda a humanidade, mas não desistimos do nosso sonho de viver como nômades, viajando para os lugares que se estampam nos cartões postais, só estamos reprogramando.

Depois eu conto sobre os novos destinos. Agora estamos estacionamos para construir nossa casa dos sonhos, mesmo longe da montanha, na Rua Cachara 213.

3 comentários sobre “Expedição 2020 (4) – Novos horizontes na Rua Cachara, 213”

  1. Admir Fiori disse:

    Parabéns Maurício e Ada ,pela decisão em construir uma morada, num belo local. Aproveitem tudo que é bom.

  2. Mario Rogerio da Silva disse:

    Amigo Mauricio e Ade, aproveitem tudo que tem de direito, sonhar e poder realizar não tem preço. Abraços. Mario Rogerio.

  3. Fabiana Inácio da silva disse:

    Adoro muito ler sobre a história de viagens de vcs,me inspira 😘

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