//10 – MADRI (I) – ESPANHA

10 – MADRI (I) – ESPANHA

Cruzamos a fronteira de Portugal com a Espanha por rodovias de excelente qualidade e com poucos veículos transitando. Caminhões são raros.

Paramos para um lanche, um breve descanso e seguimos viagem passando por cidades que somente avistávamos ao longe. 

Trafegar por rodovias pedagiadas é bom pela qualidade e liberdade na velocidade, no entanto, ela é toda fechada, existem poucas saídas, quase não tem movimentos e existem poucas lanchonetes ou lugares de parada. A estrada é quase deserta por que em quase toda a sua extensão existem estradas paralelas, sem pedágio e com muito movimento, mas são de boa qualidade também.


Chegamos em Madri em dia de festa. Feriado na cidade para celebrar San Isidro, padroeiro da cidade. Ao chegarmos precisamos ligar para a pessoa que nos alugou o apartamento e foi um drama. Nas poucas lojas abertas tive que usar meu fraco espanhol/luso/brasileiro para me comunicar com o fraco espanhol indiano ou chinês. Foi engraçado mas, depois da terceira loja, conseguimos nos entender.

Nosso anfitrião veio nos receber, explicou como funciona tudo que tem no apartamento de cozinha vermelha. Deu recomendações sobre a região e onde estacionar nossa carrinha. 

Nossa nova morada no velho continente: Calle Amparo, 22, Vivenda 2B, Madrid, España.


Instalados, malas arrumadas, saímos para um curto passeio pelas ruas em volta de casa. Encontramos com muitos africanos, árabes, indianos e orientais que vivem na região central da cidade. Ficam em pequenos grupos, alguns usam roupas de suas origens, falam alto e a impressão é que estão sempre alegres, especialmente os africanos.

Passeando sem rumo, encontramos o Mercado de la Cebada e o preço dos alimentos assustou. Muito mais caros do que em Portugal. Continuamos andando e encontramos um supermercado e aí sim, os preços ficaram equiparados. 

O Mercado la Cebada é daqueles mercados que os preços são altos por ser ponto de turistas, como o Mercado Municipal de Curitiba. Fizemos compras para abastecer o novo lar, almoçamos e saímos novamente a passear.


O Dia de San Izidro é comemorado não somente com shows, que acontecem por toda a cidade. Muitos dos madrilhenhos se vestem de forma tradicional, bem alinhados com o homem em tons de cinza  e as mulheres com uma rosa na cabeça. Em uma loja, dois vendedores vestidos a caráter, aceitaram meu convite e pousaram para uma foto com suas vestes típicas.

Fomos na Plaza Mayor, que é a designação da praça mais importante da cidade, onde centenas de pessoas vagueiam pelas lojas e lanchonetes, sem pressa alguma. A praça e cercada por todos os lados por apartamentos residenciais e comerciais e as entradas são por arcos, pelos quatro lados da praça.

 


Passamos por uma loja que nos chamou a atenção. Tinha uma fila de pessoas para comprar alpargatas, em uma Alpargateria que existe desde 1.845. 

Alpargatas são calçados daquele mesmo estilo que se usava no Brasil há 50 anos atrás. Claro que agora com cores e enfeites modernizados, mas o estilo é o mesmo.

Todo a centro da cidade é um reduto de artistas, com shows, cantores, instrumentistas, animadores, pintores e muitas estatuas vivas.  

Em Lisboa ficamos impressionados com o homem que levitava como estátua viva, aqui são vários e um querendo impressionar mais que o outro, Agora que descobrimos a técnica deles, perdeu um pouco a graça, mas a arte continua.

Aquele que paramos para olhar ou fotografar, damos uma moeda. Existe um pouco de assédio por parte dos fantasiados de homem-aranha, Mickey  urso, Smurf, cachorro, caveira, homem sem cabeça, monstro e tantos outros, que se oferecem para um foto. Basta um sorriso e avisar que não quer e eles se vão. Se dermos uma moeda para cada, vai custar um bom dinheiro.


Uma multidão circula por todos os lados entre a Plaza Mayor, Plaza da Espanha e a Puerta del Sol. Turistas, moradores e figuras estranhas circulam por todas as ruas da região.

São muitos os “artistas”, ou seriam animadores de rua e a maioria deles são latino-americano, principalmente bolivianos, argentinos e mexicanos.


A Puerta del Sol, ou Porta do Sol, é onde se encontra o marco zero das estradas espanholas. O ponto de encontro na praça é a estátua do Urso Madronho, tentando alcançar os frutos de uma árvore. 

Turistas fazem fila para fazer fotos de recordação de um dos símbolos de Madri.


Na praça também estão a Confeitaria Mallorquina, sempre cheia de gente a saborear seus deliciosos doces, e a Casa de Diego, uma das lojas mais tradicionais da cidade onde se vendem leques para abanar todos os gostos.


O Jamón (presunto) está em várias lojas, em quantidades que impressionam. Vendem a peça toda, por quilo, no sanduíche, como petisco e até em canudinho para você ir comendo pela rua. As lojas de Jamón estão sempre cheias de gente olhando e comprando. Os melhores são dos porcos negros, que basicamente se alimentam de castanhas. Quanto maior o tempo de cura, maior o valor e o sabor.

Fomos ao aeroporto buscar nossa filha Paula, que ficará um mês junto com a gente, e o amigo José, que veio passar alguns dias. A senhorinha ao lado do Zé só saiu na foto.


Quem tem tempo pode inovar ou ser criativo. Vendo guias com placas esperando seus passageiros, pedimos uma folha em branco e escrevemos “Paula & Zé, Bien Venidos”, somente para provocar um pouco mais de alegria na chegada deles.


O abraço de mãe e filha, apó 45 dias sem se verem, simboliza bem o carinho e a saudade que deixamos de todos no Brasil.


Depois de um belo e saboroso bacalhau a Gomes de Sá, vindo de Portugal, preparado pela Ade, saímos para um passeio a pé pela região central, passando pela Plaza Mayor, Puerta del Sol, até chegarmos a Puerta de Alcalá, na Plaza Independência.

 


Na Plaza de Cibeles, um imponente e bonito edifício encanta o local, ponto obrigatório para uma fotografia.


No caminho o ruído de buzinas e gritos de guerra das torcedores começaram a ecoar por todos os lados. A cidade se encheu de vermelho e branco, com torcedores uniformizados e carros com bandeiras por todos os lados. 


Era o Atlético de Madri, campeão de futebol, ganhando o campeonato do seu rival Barcelona, na casa do adversário. A cidade, que se auto denomina capital mundial do futebol, vibrou até a madrugada.

 


Torcedores se reuniram na Plaza da Lealdad, ponto tradicional da cidade, e em todas as ruas próximas para comemorar, sempre sobre a vigilância acirrada da polícia. 

Engraçado, os policiais tomaram as tampas das nossas garrafas de água. (?). Disseram que com a tampa a garrafa poderia ser cheia, tapada e arremessada, outro (?). Tudo bem, foram-se as tampinhas e restaram as águas.

 

Voltamos cansados e satisfeitos para um lanche da noite e um descanso merecido de quem muito viu, muito andou e muito gostou.

Dia seguinte passeio novamente pela Plaza Mayor, onde acontecia um show ainda em comemoração ao Dia de San Isidro.

 


Fomos conhecer Plaza Isabel II onde esta localizado o Teatro Real e depois a Plaza del Oriente, de onde já avistamos o imponente e luxuoso Palácio Real, que o Rei ainda usa para receber visitas oficiais.

O Palácio Real de Madrid foi construído sem o recurso da madeira para evitar um novo incêndio como o que destruiu o palácio que existia no local. Seu interior se destaca pela riqueza pelos vários materiais nobre, decorado por renomados artistas e arquitetos europeus.

Começa pelas escadarias em mármore, cada degrau construído com pedra única de 15 metros de comprimento. Em seus 4.318 cômodos, o Palácio abriga além dos aposentos privados, os salões de Colunas, de Porcelana, de Refeições de Gala, dos Espelhos, do Trono, a Real Biblioteca e a Capela Real.

Diversas coleções fazem parte do acervo real com peças de porcelana, armas, armaduras, cristais, tapeçarias, pinturas, esculturas, relógios, mobiliários e a maior coleção de violinos Stradivarius do mundo.


As fotos eram proibidas e mesmo assim, eu brasileiro e tantos outros, dávamos um jeitinho de enganar os vigilantes e, com a máquina escondida tentava captar algumas belezas, mas nada ilustra a emoção pessoal de presenciar tamanha riqueza de detalhes e valores inestimáveis.

Algumas fotos até deu para ajeitar o ângulo. No trono caprichei um pouco mais e, para a foto da mesa de jantar, dois jovens turcos turistas me disseram para tirar o barulho da máquina e como o vigia estava perto, eles começaram a tossir para disfarçar o barulho do clic. Foi divertido. Todas as vezes que nos encontrávamos dentro do Palácio, começamos a tossir.


Depois passamos pelo Jardine de Sabatini adornado com um lago, fontes e diversas estátuas de antepassados Reis da Espanha. As estátuas eram para ficar dentro do Palácio mas, devido ao peso muito grande, foi construído um jardim no lado norte do Palácio  para abriga-las

 

A Plaza da Espanha é uma das mais importante de Madri, ponto de encontro e de visitas de turistas e onde está a escultura de Dom Quixote, em homenagem a Miguel de Cervantes. 

Na praça inicia a Gran Via, principal avenida da cidade.


Depois que eu tirei uma foto do Zé tirando foto, comecei a observar outros fotógrafos em poses exóticas para acionar seus clic e fiz uma pequena amostra.

Paramos para almoçar na Gran Via, depois pegamos o Metrô para chegarmos até o Buen Retiro Park.

O Metrô de Madri é muito limpo e serve a quase todas as regiões da cidade. Em uma das estações, um cartaz indica que a cada trem, são 200 carros a menos no trânsito. Quem sabe em breve nossa Curitiba também possa contar com essa forma inteligente de trânsito urbano.

 


O Buen Retiro Park, ponto obrigatório dos turistas em Madri, é um enorme parque no centro da cidade onde os madrilenos se reúnem para piquenique, andar de barquinhos, praticar alguns esportes e para tomar banho de sol, como se estivessem na praia.

 

No Palácio de Cristal, diversas cadeiras de balanço, cada uma com um livro, é um espaço de relaxamento para quem visita o enorme parque. 

Pessoas estão por todos os lados, em baixo das árvores, nos bancos, caminhando, nos bares, tirando fotos nos jardins de flores e até um vidente consulta seus astros no celular.

 



Visitamos o Real Jardim Botânico de Madri, uma das mais referenciadas instituições de pesquisas da Espanha. Atualmente existem mais de 3.000 jardins botânico em todo mundo cuja principal missão é a preservação das plantas e estudos científicos relacionados à cura de doenças, perfumes, culinária ou pela pura beleza da espécie.

 

Visitamos o Museu Reina Sofia, onde obras de Pablo Picasso e Salvador Dali são os principais destaques. Pinturas, esculturas, maquetes, fotografias, desenhos e escritas fazem parte do acervo do museu em um enorme prédio que já serviu como hospital antigamente.


Conhecemos a famosa Estação de Comboios do Atocha, importante parada ferroviária da Europa, pegamos novamente o Metrô e fomos fazer um happy hour em uma praça com muito movimento no Bilbao. 

Encontramos um garçom brasileiro que muito facilitou na escolha de petiscos, bebidas e comidas. A cada nova cerveja, ele trazia um petisco diferente para provarmos.

 

Brindamos, pegamos o Metrô e voltamos cansados depois de caminhar por mais de 10 km, de praça em praça, se encantando com as belezas de Madri.

Fomos conhecer o Mercado Municipal de San Miguel, que fica lotado de pessoas comendo e bebendo as mais variadas comidas, quase tudo em pequenas porções e caras.

 


Pelas ruas mais atrações e fotos de recordação, no dia da despedida do nosso bom amigo Zé que voltou para o Brasil.

Dia seguinte, arrumamos nossas malas, acomodamos na carrinha e seguimos para a Catalunha, onde novas amizades, belas artes e antigas culturas nos esperam.