//14 – TERMAS DO URUGUAI (III) – ARAPEY

14 – TERMAS DO URUGUAI (III) – ARAPEY

Não visitamos todas as piscinas de águas termais nas regiões de passando e Salto, mas não poderíamos deixar de conhecer a mais famosa. Seguimos mais 100 km até chegarmos nas Termas del Arapey, às margens de um rio afluente do Rio Uruguai.

O complexo conta com um parque municipal, um camping com ótima estrutura, um centro comercial, um hotel de poucas estrelas e dois hotéis de muitas estrelas.

A vila tem uma população de 256 habitantes, quase todos funcionários da prefeitura ou dos hoteis. O local recebe 150 mil turistas a cada ano. O auge de visitantes acontece no carnaval e na Semana Santa.

A temperatura das águas chegam a 39 graus centígrados.

O movimento é grande e as piscinas ficam lotadas nos finais de semana, ano todo. No meio da semana, cada uma delas é esvaziada, lavada e enchida novamente.

A água potável do aquíferos Guarany, uma das principais reservas do planeta, jorra por todos os lados, causando uma desagradável visão de desperdício.

No meio do dia, quando a temperatura ambiente está altíssima, com sol a pic, as piscinas com águas quentes não é boa opção. É nesta hora que surgem fumaça de todo lado, todo mundo fazendo seus assados. Alguns dormem depois do assado e outros ficam despreocupadamente conversando sobre tudo. Ade sempre encontra uma cadeira do vizinho para conversar.

Um dia, enquanto fazíamos nosso churrasco na nossa minúscula churrasqueira, notei uma família do Rio Grande do Sul assando uma ovelha inteira, com muita lenha, ocupando duas grelhas. Fui até eles e disse ao gaúcho churrasqueiro mor, que a minha churrasqueira iria humilhar a dele. Ele me olhou de lado e falou, meio desconfiado:

Pode ser, tchê!

Eu convidei ele e seus familiares para verem a nossa churrasqueira minúscula. Caíram na gargalhada. O churrasqueiro mor é advogado e disse que vai usar essa história no Tribunal do Juri, ainda não sabe como, mas disse que vai tentar parafrasear algo sobre:

 o tamanho nem sempre faz diferente.

Taí a família que riu da nossa minúscula mini churrasqueira.

Acho que o churrasqueiro mor não acreditou na eficácia da nossa minúscula e a cada momento vinha com um pedaço da carne deles feita na churrasqueira gigante. A nossa carne e a deles ficaram ótimas.

Acordamos cedo para ver o sol nascer. Em um deck de frente para o rio, Ade fez poses mil e eu ia só clicando.

Fomos em um dos hotéis 5 estrelas do complexo e falamos com o Marcelo, gerente do Arapey Thermal Resort & Spa. Pedimos para fazer algumas fotos, falamos do nosso projeto e ele abriu as portas dizendo para nós ficarmos à vontade. Fizemos imagens, ficamos na piscina a tarde toda e jantamos no hotel.

O Resort & Spa tem muitas opções de lazer, descanso e relaxamento. Além das várias piscinas, tem diversas duchas, saunas, massagens, academia, salão de jogos, salas para crianças, salão de convenções, lago para pesca e um belo restaurante.

Dá para cavalgar, andar de bicicleta, passear de barco e os animadores coordenam atividades o dia todo. Difícil mesmo é nadar sobre as águas como esse cara da foto abaixo.

No outro dia voltamos para pagar o delicioso jantar, agradecer o Marcelo e entregar as fotos e o filme que eu editei. Marcelo não quis receber e a despesa ficou como cortesia.

Surpresa agradável

Chegou e estacionou bem perto da Caca, aquele casal que encontramos na Praia do Cassino, no começo da expedição. São alemães e adoram viajar de motorhome. Já vieram para América do Sul tantas vezes que até compraram uma casa em Punta del Este para servir de base enquanto viajam pela América do Sul.

Foram várias conversas sobre tudo e sempre com muitas risadas e histórias. Imaginem eu contando piadas em espanhol para um alemão. Só isto já é engraçado.

Ainda em fevereiro irão retornar para Alemanha para preparar uma nova expedição. Trocamos endereços e tomara que possamos nos encontrarmos no Brasil, na Alemanha ou em qualquer outro ponto do planeta por onde andam os nômades na melhor idade.

Em nossa caminhada, quase que diária, encontramos trilhos de trem abandonados e resolvemos seguir por eles até uma velha ponte de ferro que avistamos ao longe. Foi muita adrenalina caminhar sobre tábuas podres, a uma altura de 20 metros, segurando sempre e com muito cuidado a cada passo.

Foi tenso ficar nas melhores posições para uma bela foto numa ponte de ferro. A cada pose, uma mistura de pânico e satisfação por estarmos naquele local singular, com muitos riscos. Eu tinha que escolher o melhor ângulo, cuidar e torcer para Ade não vazar pela frestas.

Falando em trem, durante nossa trajetória pelo Uruguai vimos muitas ferrovias abandonadas. Não vimos trens, mas existem. O País possui 2.993 km de trilhos, mas somente 1.640 km são utilizados atualmente.

O inicio das ferrovias no Uruguai foi às custas de muitas discussões políticas, vários projetos não saiam do papel até que houve uma intervenção britânica (como sempre), que emprestou dinheiro, vendeu as máquinas e ainda trouxe empresas de Londres para administrar o transporte no Uruguai. Com o passar do tempo, os britânicos foram vendendo a administração para os uruguaios, que ficaram com os altos custos de manutenção de um sistema ultrapassado, caro, com falta de peças para reposição e dívidas com os fornecedores britânicos.

Mesmo considerando que trens são fundamentais para economia de qualquer país, que o Brasil também saiba disso, aqui no Uruguai as ferrovias continuam se deteriorando.

Chegou o final de semana de carnaval e resolvemos ficar por mais alguns dias para conhecer a festa do momo uruguaio. Chegou uma multidão de pessoas lotando todos os espaços do camping.

Muitos brasileiros

O dia todo e toda noite, foi uma miscelânea de sons dos mais variados estilos, todos com volume nas alturas e, claro, fumaça do churrasco por todo lado.

No sábado pela manhã, aos poucos, foi iniciando uma verdadeira batalha que se intensificou no passar do dia. Eram muitos soldados atirando las bombitas. Os alvos eram todos que carregavam las bombitas em caixas, nas mão, nos bolsos, a pé, nos carros ou nas motos. A todo momento se viam las bombitas voando pelos ares de encontro aos oponentes.

Uma das batalhas mais intensas que presenciamos foi bem em frente nossa casa. Guerreiros do Setor 2 invadiram o Setor 8 e a guerra foi intensa e apareceram novas armas, mangueiras e baldes.

Eu e Ade ficamos no meio da batalha. Nos sentimos em plena Avenida Brasil, torcendo para não ser vítima de uma bala perdida, ou melhor, bombita perdida, mas uma me acertou. Ade saiu ilesa na intensa batalha, em meio a dezenas de guerreiros atirando em todos os alvos.

Você sabe o que é uma bombita?

São pequenas bexigas cheias com águas térmicas das torneiras, enchidas e atiradas por crianças, jovens e adultos, homens e mulheres, que participam da batalha onde cada um forma um exército de um soldado só. Todos são alvos, amigos e desconhecidos, numa diversão alegre e refrescante com calor acima de 30 graus.

As bexigas são próprias para bombitas, bem pequenas, vendidas no comércio local. Durante a batalha, quase todas as torneiras ficam ocupadas pelos guerreiros preparando suas munições.

Ao final das batalhas as munições espalhadas e as ruas manchadas de águas quentes do aquíferos Guarany.

Na noite de domingo aconteceu um show na praça principal. Os primeiros artistas, foram dos velhinhos que cantavam desafinados e alegres. Ao final das várias músicas que cantaram o senhorzinho perguntou ao público:

más uno o no, más uno o no, más uno o no

Todos respondiam em coro: NO, e ele se fez entender e disse: “entonces una más” e cantou mais uma. Depois começou a agradecer tanto que o apresentador teve que interromper para que ele saísse do palco.

Estas pessoas estavam assistindo o show, animados e quando me viram com a máquina fotográfica, fizeram pose e pediram para eu fotografar. Só atoa.

Ficamos mais alguns dias no belo camping mantido pela prefeitura de Salto, na vila de Arapey, esperando uma resposta do nosso primeiro patrocinador.

 

 

Quer visitar as termas do Uruguai?

As termas estão abertas o ano todo. No verão o fluxo de turistas é bem maior e nas demais estações a água quente é sempre um belo convite. Os viventes do Rio Grande do Sul já conhecem as termas. Vários nos disseram que frequentam as águas uruguaias há anos, sempre voltam.

Fica a nossa sugestão para quem procura águas termais, que venham para o Uruguai ou, também muito bom, o sudoeste de Santa Catarina onde também tem bons hotéis e piscinas com águas quentes naturais, todas são extraídas do aquíferos Guarany, que além de oferecer este prazer é

uma das maiores reservas de água potável do planeta