//24 – BORDEAUX – FRANÇA

24 – BORDEAUX – FRANÇA

Chegamos em Bordeaux, para nos instalarmos no Apart Hotel que alugamos e o dilema foi grande. O francês da recepção não falava espanhol e nem inglês. Foi uma conversa de desentendidos, mas ao final nos entendemos.

Nos arrumamos no belo apartamento e fomos para a Place des Quinconces, onde estava acontecendo a Bordeaux Fête Le Vin, a maior festa do vinho da Europa. 

Antes, paramos na Place de la Bource, onde existe um espelho d`água muito bem bolado. É o Le Miroir d’eau.  Ele é quase do tamanho de um campo de futebol, coberto com água que a cada hora se renova. 

Crianças e adultos se divertem na lâmina d`água com 2 cm que fica sobre um piso plano, onde todos podem entrar. A água é aquecida e, ao ser substituída, vem em forma de vapor, formando uma bela visão. 

 

A Festa do Vinho de Bordeaux, se repete a cada dois anos durante 4 dias, reunindo amantes do vinho de várias partes do mundo. Cada festa recebe em torno de 400 visitantes, que podem degustar os mais nobres vinhos e champanhes da França.

 


Para degustar, o visitante compra um carnê que dá o direito a provar os vinhos em dezenas de barracas, montadas em 2 km ao lado do Rio La Garonne. Na compra do carnê você recebe uma taça para provar os vinhos.

É muita gente bebendo e comendo os mais variados tipos de comida, quase todas na base de pão. 


A festa é civilizada, não existem extrapolações e o chato mesmo é a quantidade de pessoas, que dificulta até andar pelos corredores da festa.

Depois que eu e Ade provamos alguns vinhos, começamos a falar com os franceses como se soubéssemos seu idioma. Puxamos conversa com vários e, com um pouco de espanhol, um pouco de inglês e até um pouco de francês, fomos nos entendemos e nos divertimos. 


Até pousamos para fotos em uma empresa de turismo que fazia propagandas na festa e ganhamos os óculos azuis.


A multidão vai aumentando quando começa a chegar a noite e fica cada vez mais difícil conseguir chegar próximo aos balcões para provar os vinhos.


Trocamos algumas palavras com um artista francês que pintava caricaturas com vinho tinto. As brincadeira ficaram por conta dos jogos do Mundial de Futebol.


O show de rock acontece em uma área reservada, na Place dês Quinconces, com dois enormes e belos pilares na entrada. Jovens se esbaldam ao som de bandas francesas e algumas internacionais.


Na Place de la Bource, por volta das 11 horas da noite, começa um espetáculo de luzes a iluminar os prédios históricos, de uma beleza que emociona pela qualidade e perfeição das projeções.

 


Depois do show das projeções começou outro espetáculo tão belo quanto o primeiro. Fogos de artifícios surgiam do Rio La Garonne, cobrindo o céu durante 40 minutos, emocionando a multidão que assistia. 

Foi sem dúvidas o melhor show de fogos de artifícios que já presenciamos, depois de Gramado no Rio Grande do Sul, que também muito nos encantou nas festas de natal. Destaco que já assistimos shows pirotécnicos em Curitiba, Maringá, Balneário Camboriú, Florianópolis e Orlando na Disney. Não foi possível retratar fielmente a qualidade e a beleza do espetáculo.


Voltamos para casa descansar ainda com o gosto dos bons vinhos e champagner que provamos.

Manhã seguinte, sem ressacas, saímos conhecer as praias na região de Cap Ferret e Arcachon, numa ponta de terra entre o mar e um enorme lago. 

É um lugar de veraneio com casas de médio e alto padrão, onde a preservação da natureza é a grande privilegiada. 


A ponta de terra é urbanizada somente no meio. Às voltas das águas, as pequenas dunas são cercadas e a entrada é proibida. Para chegar até a praia os veículos ficam a uns 200 metros e o caminho é feito a pé, por trilhas de madeira ou tapetes de borracha.


A praia de areia muito fofa, em nada lembra a beleza das praias do Brasil. O mar é revolto, várias placas de proibido nadar e venta muito.

Os caminhos para chegar ao mar são estreitos, as lanchonetes ficam longe e as areias ficam como são, sem qualquer tipo de limpeza ou beneficio aos banhistas, como bancos, calçadas, chuveiros. A praia é totalmente preservada.
 

Visitamos várias praias, com muitos moradores, bom asfalto, estrutura de compras e lazer, mas  a preservação dificulta o acesso às areias e ao mar. Eu acho que preservar é legal mas acho também que o paraíso foi feito para o ser humano e nós deveríamos ser os privilegiados. 

Que bom visitar Jericoacoara, no Ceará ou os Lençóis Maranhenses. Lá a gente sobe nas dunas, escorrega na areia, anda de bugue, nada nas lagoas, aproveitando tudo que a natureza oferece e, continua lindo. Aqui não pode. O humano é somente espectador.

Na foto de baixo, naquelas areias depois das águas, nem pensar em entrar, é proibido e vigiado. 

 

Fomos comer um crepe em uma lanchonete e o francês com cara de quem está desgostoso com a vida, nos atendeu com cara fechada, errou o pedido e quase nem olhou para nós. 

Enquanto comíamos e reclamávamos do atendimento entre nós, um casal de portugueses e seus dois filhos, se aproximaram e vieram conversar conosco. Ficamos um bom tempo em um bom papo, ouvindo quase sempre eles não falarem bem dos franceses.

A mulher disse que quando reclamam de algo, eles dizem “você está na França e aqui é assim”, fazendo entender que se você não gosta, vá embora. É realmente um povo muito bairrista e ela disse que eles gostariam de ser os únicos na face da terra. 

Disse também que a qualidade de vida por aqui é algo que deveria ser copiado. Trocaram Portugal pela França, não gostam dos franceses, mas não querem voltar, por que vivem muito bem por aqui.


Em uma lagoa por onde passamos, com a maré baixa, fica uma imagem desoladora para uma praia. Os barcos ficam encalhados no mato.

Voltamos para assistir o jogo do Brasil na Copa do Mundo e ficamos mantendo contado com nossos amigos e parentes do Brasil, via Skype, para entrar no clima. 

Hasteamos nossa bandeira na janela e torcemos muito no jogo sofrido contra o Chile, tomando champanhe nacional.


Depois do jogo fomos novamente para a festa do vinho e, chegando na Esplanada dos Quinconces onde acontece a festa, estranhamos a pouca movimentação na mais famosa festa do vinho do planeta.

Estacionamos a carrinha no estacionamento e saímos para a praça. As barraquinhas que serviam os vinhos e as comidas, estavam fechadas. Estranho, numa festa de 4 dias, em pleno sábado, fechada? 

Só restava visitar a decoração da festa, como esta enorme rolha feita com rolhas.

 

A rolha gigante, com 9 metros de altura, foi construída com 285 mil rolhas, usadas e novas, foram usados 10 km de cola e o mosaico tem 150 m2.

 

Caminhamos pelas ruas em torno da festa, até que resolvemos perguntar o que estava acontecendo. Um policial francês que falava português, nos explicou. Disse ele que todas as atrações foram canceladas por que os organizadores previram chuvas para a noite, então, conforme disse ele “aqui na França é assim, ameaçou chuva eles cancelam tudo”. 


Ficamos impressionado com a péssima decisão dos organizadores. Centenas de pessoas que aguardavam, não tinham informações oficiais, não choveu e no momento em que aconteceria o show de luzes e fogos de artifícios, o céu estava estrelado. Ficamos pasmos. Como uma possível chuva, que não aconteceu, poderia atrapalhar uma festa que acontece a cada dois anos e atrai pessoas de várias partes do planeta. 

Passeamos pela cidade, observando as pessoas com suas taças de vinho penduradas no pescoço, caminhando passivamente como se a decisão fosse a mais correta. Restou o encanto da cidade durante a noite.

Lembro as festas que acontecem no Brasil. Em Balneário Camboriú, por exemplo, já há alguns anos, a festa de ano novo com fogos de artifícios e shows musicais, acontecem sob a chuva e todos participam e é sempre uma festa alegre e bonita.

Me desculpe os organizadores da famosa “Bordeaux Fête Le Vin”, vocês foram irresponsáveis acabando com a festa por culpa de uma chuva que não aconteceu, deixando milhares de pessoas passivamente à espera.

Voltamos para casa rindo, decepcionados e chateados com a péssima decisão dos franceses com base em previsões. 

Com medo de chuva, eles sequer consideraram o belo arco íris que surgiu no céu no final daquela tarde, praticamente começando ou terminando em cima de nossa carrinha estacionada no hotel, antes de sairmos para a festa.

Dia seguinte, passeamos novamente pelo centro de Bordeaux. Andamos por ruas limpas, belas calçadas, observando uma arquitetura que, apesar de quase tudo ser da mesma cor, os detalhes de cada construção encanta aos olhos.


Bordeaux foi fundada no século III a.C. e seu nome deriva de várias palavras que, traduzindo tudo, significa “fundição de ferro”.

 

A cidade é famosa em todo mundo pelas vinhas e pelo auge da sua história que remete ao século XVIII, quando viveu sua idade de ouro. 

Foi classificada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, pelo seu excepcional conjunto urbano.

O Rio La Ganonne que cruza a cidade, é onde os bordaleses comemoram suas melhores festas e dá acesso do porto ao mar. 

Além da festa do vinho, cada dois anos também realizam a grandiosa Festa do Rio.

Andamos por várias ruas e visitamos muitas lojas, a maioria com promoção de descontos. Roupas, relógios, artigos de decoração, quase todas com cartazes de descontos. A Ade quer comprar muitas das coisas legais que existem por aqui, mas eu sempre a alerto dizendo que não cabe na carrinha e ela se contém. Ainda bem que compramos um veículo compacto.

Em dia de jogo da França na Copa do Mundo de Futebol, a Cidade fica praticamente vazia e os bares lotados. É interessante, a cada boa jogada do time francês, eles aplaudem como se estivessem no estádio e os atletas pudessem ouvir.

Depois de brincarmos mais um pouco no espelho d’água, passeamos com o belo ônibus elétrico que não faz ruídos, tem conforto, quase todos sentam e o pagamento da passagem é na base da honestidade, mesmo que forçado. 

Forçado por que os demais passageiros ajudam a fiscalizar e olham sério para quem não paga, além do que, todos os vagões são equipados com câmeras para registrar tudo que se passa . Outro definidor da honestidade, é a multa que se paga por não pagar a passagem.

Um amigo nosso viajou sem pagar, foi pego, multa de 80 Euros. Como ele não tinha o dinheiro na hora, ficaram com o seu passaporte até que ele voltasse para pagar.

Antes de chegarmos em casa, entramos em uma mercearia e eu comprei algumas cervejas para eu e Ade provarmos. 

Uma doce demais, outra bem encorpada, outra bem fraquinha e uma malvada. A aquela do meio é um porrete. Para muitos, tomou tombou.


Dia seguinte, acordamos tarde, arrumamos as malas e pegamos o caminho de volta para a Espanha. Nosso destino, Bilbao, no país Basco.

Ainda voltaremos para outras cidades da França, onde o eterno lema deles, e só deles é:  Liberté, Égalité, Fraternité, traduzindo, liberdade, igualdade e fraternidade.


Fica mais uma foto do Le Miroir d’eau, o espelho d’água fantástico que poderia ser copiado por outras cidades para alegria e diversão das pessoas.