//31 TERESINA – PI

31 TERESINA – PI

 

Chegamos em Teresina e os hotéis que nos indicaram ficam concentrados em meio a um centro médico e hospitalar, com ambulâncias, doentes e parentes vistos a todo momento. 
 
Procuramos perto do rio e achamos um flat executivo de bom preço e boa qualidade. O hotel 5 estrelas que consultei cobra uma diária de 560 reais e me dava um desconto na promoção que ficava por 220 reais. Hotéis grandes, manutenção cara, poucos hóspedes, concorrência de boa qualidade ainda sem estrelas, fazem os preços despencarem. Esta é uma prática de muitos hotéis de grande porte. Baixar o preço para ter clientes. Este flat que estamos tem um bom restaurante e os preços são coerentes sem abusos, mesmo no frigobar.

 

O nome da cidade remete a imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon, que teria intermediado com o imperador Dom Pedro II a idéia de mudança da capital e, em sua homenagem, deu-se o nome da cidade, que é a mistura das palavras Teresa e Cristina. O lema da cidade é “Tudo pela caridade”.
 

 

Teresina, conhecida como a “Chapada do Corisco”, é a terceira cidade onde mais acontecem descargas elétricas no mundo.  Tivemos a oportunidade de presenciar tal fato em uma tempestade com ventos fortes, raios e trovões, que assistimos amendrontados da sacada do apartamento. Pedaços de papel, telhas e outros objetos voavam pelos ares acima dos edifícios de 20 andares. 
A energia elétrica ficou desligada por 3 horas e a sensação ficou ainda pior. 
Quando voltou, pensei: grande eletricista que percorreu a rede descobriu e consertou o defeito e que, certamente, nem percebeu o bem que fez a milhares de pessoas que se alegraram quando a energia voltou. Depois da chuva a calmaria, estrelas no céu e um sol brilhante na manhã seguinte.

 

 

Andamos por boas calçadas e ruas limpas e um trânsito educado. Passamos pelo Mercado Central onde a venda de grãos, verduras e artesanatos é bem mais organizado do que a parte que vende carnes, que tem um cheiro terrível . É notória falta de higiene em alguns pontos.

 

 

 

Fomos até as margens do Rio Paraíba, por uma pista de caminhada pensando em chegar até o encontro dos rios que é um ponto turístico da cidade. 
 
Pela orla do rio na calçada, dezenas de lavadores de carro tiram a água do rio e lavam carros na calçada como se fossem lava jatos e deixam as águas sujas com produtos químicos incorporados,  voltarem ao leito do rio.

 

 

Após andarmos 16 km pela cidade descobrimos que estávamos ainda a 7 km do hotel, pegamos um taxi e voltamos. 
 
Fomos a um enorme shopping que esta ainda em fase de construção as margens do rio. A região era uma parte abandonada da cidade e agora está sendo urbanizada com pistas para caminhadas, lanchonetes, um palco para shows, aparelhos de exercício e arborização. 
 
A cidade tem árvores em todas as ruas. Uma das avenida tem uma calçada no canteiro central muito bem arborizada, que produz uma sombra essencial no meio do dia. Por aqui a maior parte do ano a temperatura fica em torno de 40 graus centígrados.

 

 

Saímos para conhecer os pontos turísticos e foi uma lástima trafegar de moto pelas ruas de Teresina. Poderia ser preso os urbanistas que estão cuidando do asfalto da cidade. Cheio de buracos, com e sem remendos, desníveis desnecessários por puro erro de obras, bueiros a céu aberto, esgoto atravessando a rua, valetas construídas para escorrer as águas de 10x10x10 centímetros que mais servem para derrubar motociclista do que para escoar as águas.  A pé pelas calçadas, tudo bem. Na rua de moto, uma lástima

Os remendos feitos com seixos do rio e concreto, são tantos em alguns lugares que não dá para saber qual material é o original, os seixos ou o asfalto. 

Passeamos de moto pela cidade e conhecemos o encontro dos rios, almoçamos um bom peixe em um restaurante flutuante, onde o Rio Poty com águas claras desagua no Rio Parnaíba com suas águas barrentas, formando um bela divisão de cores. A região e rica na fauna e na flora.

 

 

 

 

 


No hotel, encontramos uma motocicleta do tamanho ideal para a Ade, mas ela preferiu a garupa.

 

Saímos para os Lençóis Maranhenses depois de perguntar para uma pessoa sobre o caminho a seguir, ele nos indicou uma estrada estadual que também o Google indica. Fomos por ela até a cidade  de  Miguel Alves, quando fomos informados que o asfalto terminava ali e que para seguir nosso trajeto teríamos que andar 82 km por estradas de terra e areia.

 

Que lástima. A moto não é adequadas para estradas sem asfalto e teríamos que voltar 100 km. Olhando o mapa percebi que estávamos perto da divisa com o Maranhão e que naquele Estado havia uma outra estrada paralela com a que trafegamos. Perguntando, descobri um caminho de terra, passando por uma balsa até chegar na rodovia com asfalto novo, já no Maranhão. 

 

 

Pela estrada sem asfalto, foram 12 km intensos, passando por areias, terras, buracos, poças dágua, pedras, lama e pisos escorregadios. Chegamos na balsa que estava ancorando vazia e o balseiro me disse que quiséssemos atravessar na hora, teríamos que pagar 9 reais se não ficaríamos esperando mais passageiros naquele lugar deserto e pagaríamos somente 3 reais.  Fomos na hora sem demora, por 9 reais, com a enorme balsa. 

 

 

 

Paramos para o almoço bem num entroncamento de estrada, numa cidade onde onde vimos uma enorme fila na tentativa de ficarem ricos ou ficarem ainda mais pobres pagando suas contas.


Dali entraríamos para a direita rumo Barreirinhas, nosso próximo destino. Lá conhecemos agricultores, que vieram do oeste do Paraná para lavrar a terra por estas bandas. Conversando, nos disseram que o caminho que  queríamos fazer seria por entre dunas e que a moto não passaria. Faltava 100 km para chegar e foi preciso andar mais 350 km para seguir pelo asfalto.

Numa outra parada, conversei com um representante comercial, viajante como chamam por aqui, e ele me deu uma dica de uma pousada no meio do caminho. 

 
Paramos, olhamos, gostamos e ficamos para um pernoite. Jantamos na pousada e fomos dormir cansados da bela aventuras que hoje vivemos. Foi cansativo e emocionante os quase 500 km que trafegamos.

 

 

A Pousada fica na cidade de Morros, muito limpa e com bom atendimento, com vários animais e insetos estranhos. 


As formigas são enormes, o camaleão tem cerca de um metro e, o mais bizarro, uma pequena cobra, minhoca ou lombriga, surgiu de dentro de uma barata que foi morta depois de uma pisada da simpática moça da pousada.

Foi muito estranho ver aquela cena. Uma cobra hospedeira de uma barata, mais parece coisa de extraterrestre. Mas ela disse que isso é normal e tem bastante por aqui. Se não tivéssemos visto certamente não acreditaríamos. Veja a foto da barata morta e seu hospedeiro ainda vivo.

 

A pousada é também um ponto de parada de quem vai para os Lençóis e retorna para São Luis no mesmo dia. Ali também se reúnem jipeiros que fazem trilhas de final de semana. Conheci vários deles, gente de recursos, com bons equipamentos para brincar de off road nas areias da região.


Foi na pousada em Morros que conhecemos e provamos um famoso refrigerante, que só é vendido no Maranhão e dizem por aqui que a Coca Cola comprou a marca para impedir que ela tomasse conta de todo país. É mais bonita do que gostosa. Não somente a cor mas também o nome chama a atenção: Jesus é o nome do refrigerante. 

 

Na Estrada fui picado por um marimbondo amarelo que ficou doendo umas três

horas. Logo que me picou, parei e, neste momento, passou por nos um morador da zona rural e eu perguntei a ele, o que seria bom para amenizar a dor, pensando que ele me indicaria algum remédio natural e ele me disse “é só esperar que desincha”. Mais natural que isto não existe.