//36 MANAUS – AM

36 MANAUS – AM

 

Avistando muito verde da floresta e muitos rios, chegamos a Manaus e fomos hospedar na casa de minha irmã Darci e de meu cunhado Moisés que estão habitando por aqui temporariamente. 

 

Almoçamos e saímos para passear pela cidade rumo ao porto e ao mercado central. Muitos guias oferecendo passeios de barco a preços que variam até o dobro. Vendem passeios curtos e passeios longos com roteiros e atividades diversas. 

 

Passamos pelo mercado central, grande, movimentado, onde vendem frutas, verduras, comidas, bebidas e artesanato. A higiene por aqui também não é primordial. 

 

Fomos andar pelo centro histórico e chamou a atenção a quantidade de barraquinhas de camelôs, espalhadas pelas calçadas e ruas, atrapalhando o trânsito, tirando a beleza da cidade. São tantas barraquinhas e não tem gente para comprar. Os vendedores ficam apinhoados, parados, esperando o comprador de bugigangas e similares de eletrônicos, já empoeirados pelo tempo de estoque. 
 
Os camelôs ocupam espaço em frente as lojas que faziam parte da antiga Zona França de Manaus, que já não existe para o consumidor final, somente para os fabricantes. 
 
Hoje os produtos vendidos por aqui, quase todos vem da China via São Paulo e os preços não tem nenhum atrativo. 

 

Os índios são ambulantes especiais, ficam numa praça melhor localizada, suas barraquinhas são diferenciadas, vendem belas peças de artesanato e os brancos são seus empregados e ganham somente comissão do que vendem. Nenhum outro camelô pode entrar para vender na praça deles.  Os índios ficam na folga enquanto os brancos trabalham para eles. Passam para pegar o movimento financeiro do dia e já deixam a comissão para os vendedores.

 

 

Passamos pelo Teatro Amazonas, construído no final do século XVIII e totalmente recuperado recentemente pelo Governo do Estado. O Teatro é um símbolo da cidade, conhecido no mundo todo pela riqueza de seus detalhes e pelos grandes espetáculos aqui já apresentados. Dizem que muitos dos melhores artistas do mundo fazem questão de se apresentar por aqui. 

 

O Teatro foi construído pelo primeiro governador negro do Brasil, que também era engenheiro, com materiais de acabamento vindos da Europa. 

A construção foi em pleno ciclo da borracha e muito dinheiro estava nas mãos de poucos, que exigiam a criação de um teatro da melhor qualidade, mais para exibirem suas riquezas do que para apreciar as belas artes. 

No teatro existe um camarote que hoje é o lugar mais barato e que antigamente era o mais caro. Do camarote não é possível visualizar o palco totalmente, por isso hoje é o mais barato. Quem ali estiver sentado e visto por toda a platéia por isso no período colonial, era o lugar mais caro. O que importava era ser visto e mostrar seus dotes, não necessariamente ver o espetáculo. 

 

As mulheres, esposas dos barões da borracha, compravam seus vestidos na Europa e mandavam para lá novamente quando precisavam de lavar. Elas temiam que as águas do Rio Negro pudessem escurecer suas vestes. 
 
Os ricos estrangeiros exigiam grandes investimentos com detalhes belos e muitas vezes desnecessários, aproveitando a mão-de-obra barata ou gratuita dos nativos e escravos. Construíam caprichos em enormes casarões e monumentos que ainda hoje enaltecem a época dos aproveitadores da nossa riqueza. 

Uma obra que bem ilustra a éra soberba, foi o calçamento em volta do teatro, refeito com uma camada de borracha misturada com britas e a determinação de que as rodas das carruagens fossem cobertas com borracha, para diminuir o barulho em torno do teatro.

 

 

A cidade nos horários de pico vira um caos no trânsito com muitos carros, ônibus e motos, trafegando em velocidade muitas vezes não compatíveis, engarrafam e não respeitam o pedestre nem sobre as faixa de segurança. Buzinam muito e obrigam o pedestre a correr para não ser atropelado. 

Pela cidade as calçadas também não atendem requisitos de segurança. Assisti uma reportagem na TV que a opinião pública esta incomodada com a má qualidade das calçadas e cobram providências da prefeitura. 
 
Alugamos um barco por um dia, sob o comando do Capitão Mário, paramos para abastecer em um dos vários Pontões, que são postos de gasolina flutuantes e saímos para navegar pelo Rio Solimões. 

Passamos no encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões, uma beleza da natureza digna de uma forte emoção. Além das águas que não se misturam apresentando claramente a divisão das cores, a diferença de temperatura é bem distinta, com águas quentes do Negro e frias do Solimões, perceptíveis a poucos centímetros uma da outra. Hoje ainda pudemos ver a chuva proporcionando uma rara sensação de ficarmos no encontro das três águas: da chuva do Negro e do Solimões. 

 

 

Passeamos por igapós e igarapés contemplando um encanto e cada momento. A força da natureza se mostra poderosa não somente pela diversidade, mas também pelo tamanho.


Passamos por braços de rios que nos levaram até uma comunidade ribeirinha, onde se pode fazer a refeição, alimentar os macacos e contemplar as Vitórias Régias na lagoa. 

 

Vez ou outra durante a viagem o capitão parava o barco para nos mostrar os botos, camaleões, pássaros e jacarés. 

 

 

Em outra comunidade ribeirinha paramos para tocar em animais selvagens como o bicho preguiça, o jacaré e a cobra jibóia. Jamais imaginei que eu pegaria em uma cobra deste tamanho, ainda mais em plena floresta amazônica, sem estar domesticada.

 

 

 

Voltamos para o Porto terminando um passeio pela Amazônia com toda sua exuberância e mistérios, felizes e emocionados com a aventura na selva, menos o capitão Mário, sempre muito sério porém prestativo.

 

Alugamos uma kombi e voltamos para casa, eu, Ade, minha irma, meu cunhado, o professor e sua esposa, cansados e felizes com tantas belezas em um único dia. 
Fomos a um restaurante comer carne de tartaruga e foi muito estranho. Depois de passarmos em vários lugares pelo Brasil que tem o Projeto Tamar, onde são investidos milhões de reais e centenas de pessoas envolvidas na preservação das tartarugas, aqui na Amazonas ela é saboreada em restaurantes. 

O IBAMA autoriza a caça e o consumo. No casco da tartaruga servida tem um selo de autorização, mas acho que o mesmo casco serve para várias receitas.

A Ade, o cunhado e minha irmã só provaram e eu me servi com quatro receitas, preparadas no próprio casco do animal. O alimento é feito com muito tempero e tem muita proteína. 

Já provei e não preciso e nem pretendo comer novamente. É estranho comer um animal que tanta gente venera e busca preservar. Uma das desculpas é que a tartaruga daqui é uma fonte de alimento em abundância nos rios, por isso é autorizada a matança. É um alimento bom, mas a sensação de comer é ruim.

 

Meu cunhado e minha irmã que vieram a trabalho voltaram para o aconchego da família, depois de uma aventura de noventa dias a trabalho em Manaus.

Certamente estar próximo da família é muito mais vida com qualidade do que ganhar dinheiro. Manaus perdeu e Maringá ganhou duas pessoas queridas. 

 

Visitamos o Bosque da Ciência, localizado na área urbana de Manaus, projetado para promover a popularização da ciência, preservando a biodiversidade em uma enorme área de mata amazônica. 

Ariranhas, peixe boi, cotias, macacos, peixes, tartarugas, jacarés e uma diversidade de aves e plantas podem ser observados no local. Ade pousou para esta foto em frente da maior folha de árvore da Amazônia, a Coccoloba, medindo 2,50 x 1,44.

 

Na casa da ciência existem diversos animais empalhados e plantas exóticas que formam parte do ambiente da selva. 

Também é possível conhecer a forma sofrida em que viviam os seringueiros e uma singela alusão ao líder de maior destaque da região, conhecido como Chico Mendes. Injustiça.  Enquanto um homem que deu a vida por uma causa é lembrado em um museu apenas por um cartaz de papel, em Salvador na Bahia, existe um monumento enorme com os bustos de Dodo e Osmar, inventores do Trio Elétrico. 

 

Eu e Ade embarcamos em um navio para 150 passageiros, com apenas 17 pessoas: 2 alemães, 2 irlandeses, 4 chineses, 2 americanos, 2 russos e 5 brasileiros. 

 

Fomos recepcionados com um drink e levados até nossa cabine no terceiro andar do navio. Nos alojamos e subimos ao deck superior para um lanche, com o navio já navegando pelo Rio Negro. 

 

Antes do jantar teve uma palestra com instruções de segurança, roteiro dos passeios e apresentação da tripulação. 

Nos primeiros momentos já se instalou uma relação de amizade e as afinidade foram unindo as pessoas de forma aleatória, sem a menor rejeição de nacionalidades. 

 

Depois do jantar, no bar da piscina, fiquei conversando com o chinês e com o norte americano e a comunicação aconteceu aos trancos, falando um pouco de inglês e de espanhol e um traduzindo para o outro, numa relação divertida, jogando palavras, misturando gestos das mãos, olhares e sorrisos, somados aos drinks para ajudar na desenvoltura. Depois um sono reparador com os sensíveis balanços nas águas tranquilas do Rio Negro. 
 

Acordamos bem cedo para ver o dia amanhecer e depois do café da manhã saímos a bordo de lanchas rápidas e confortáveis, para caminhar na floresta.

A sensação e quase indescritível, caminhando mata adentro por trilhas já percorridas e outras que o guia construía com o facão. 

 

A mata é encantadora e o constante chiar dos insetos e pássaros dá uma sensação de paz e orgulho, de estar ali presente no pulmão do mundo. 

 

Conhecemos e provamos algumas plantas medicinais, conhecemos diversas texturas de folhas, espécies de pequenos animais, odores, plantas venenosas e até bebemos da água do cipó. 

O guia deu um pequeno pedaço de uma folha a cada um, pouco maior que a cabeça de um palito de fósforo, que amargou nossa boca de forma intensa, durante quase uma hora. Disse ele ser um excelente remédio contra a malária.

 

A cada  passo uma nova visão, uma curiosidade, um som, um cheiro ou um perigo diferente. Uma cobra, uma lagarta, um espinho, um veneno e até animais selvagens de porte maior poderiam aparecer, afinal, estávamos na selva.


Dentre as 30 mil espécies de árvores, 5 mil espécies de orquídeas, conhecemos também plantas altamente venenosas. Infelizmente não anotei os nomes, mas tirei as fotos.

 

 

Conhecemos uma palmeira que anda pela floresta. Disse o guia que durante sua vida útil, a palmeira chega a se deslocar até 3 metros.

A tarde saímos de lancha com dois motores de 125, um guia nativo e um piloteiro experiente, para um passeio de duas horas por um arquipélago, onde existem aproximadamente 400 ilhas, passando por igarapés, onde sequer dava para enxergar a divisa da água.

 

 

Um arroz bravo, como chamam por aqui e dizem ser trazido pelos japoneses que ainda habitem a região, foram espalhado pelos pássaros e tomam conta de vários braços de rios e nascem nos igapós, que é a floresta que fica nas águas durante a temporada de chuva. 

Foi preciso muita destreza e algumas manobras radicais para transpor o arrozal. É no meio dos ramos do arroz onde os jacarés, cobras e aranhas se deleitam em descanso a espera da caça. 

 

Fomos fazer focagem do jacaré em passeio noturno, com um guia nativo de uma experiência fantástica   Ele conseguia enxergar o jacaré na escuridão pelo brilho do olho do animal. Por duas vezes ele agarrou o jacaré e trouxe para dentro do barco para a gente conhecer. 

Já dentro do barco, pegamos o bicho na mão, tiramos foto e nos encantamos com a beleza selvagem do animal. 

 

 

Depois ele pegou uma rã e avistou com olhos de águia uma preguiça no alto de uma árvore. Votamos do passeio mais uma vez maravilhados com o encanto, agora da noite na selva. 

 

Fomos visitar o boto da Amazônia, também conhecido como boto cor de rosa, que é o maior dos golfinhos fluviais. O boto chega a medir ate 2,5 metros e pesa até 150 kg. Vive até 40 anos e tem um filhote a cada 3 anos.  Quando nascem dois a fêmea deixa um morrer por que não consegue cuidar dos dois.  
 
Os botos nascem de cor cinza e muda a cor conforme vão crescendo e fica de cor rosa. São tão flexíveis que podem encostar seu bico na calda.

 

Em Novo Airão, cidade ribeirinha, tem uma casa flutuante onde podemos observar a alimentação dos botos cor de rosa. Devido ao boto ser um tanto quanto cego fica proibido entrar na água junto com eles por que as vezes eles confundem  o braço das pessoas com alimentos e podem machucar. 
 
Os botos ficam livres no rio e somente a tratadora pode alimentá-los. Tudo começou depois que a filha da dona de um restaurante dava-lhes alimentos e eles passaram a frequentar o local e hoje eles tem até nome: Josefa, Dani,  Curumim, Fefa, Ví, Alexandre, Eide, Lawrence, Ricardo e Rafinha são freqüentadores mais assíduos do local. A menina com 17 anos, começou a brincar com os botos e, por não acreditar na lenda que o boto engravida mulheres, se aproximou deles. 
 
A lenda é contada com várias versões e uma delas conta que um velho político coronel, raposa velha da região, engravidava as meninas e dava-lhes dinheiro para colocar a culpa no boto. A crença que o boto engravida se espalhou pela região e muitas jovens mulheres ainda hoje evitam se aproximar do animal, com medo do boto, quando deveriam ter medo era da raposa velha.

 

Nos horários de descanso, muitos drincks, petiscos, banhos de sol, piscina e spa de hidromassagem.

 


Jogamos golfe no deck superior e cada um tinha direito a dar duas tacadas. O alvo era acertar três casinhas que valiam 1, 2 ou 3 pontos. Fui fazer minha primeira tacada e acertei no 3 por pura sorte por que não tenho nenhuma experiência com o jogo de golfe. Na segunda tacada, novamente com a ajuda da sorte, acertei o 2 e todos me saudaram numa alegria envolvente. Acabei como campeão com 5 pontos e recebi como prêmio uma piranha empalhada. 

 

 

Depois de muito destaque, de receber o codinome de rei da piranha e de pousar para fotos, doei meu troféu a um simpático casal chinês. Eles agradeceram muito, com apertos de mãos, beijinhos e abraços. Descobri depois que a chinesa fazia coleção de peixes empalhados. 

Apesar de eu ter ganho o torneio, o prêmio ficou nas melhores mãos. Foi gratificante e será inesquecível aquele momento. 

 

Saímos para visitar uma aldeia. Ainda existem índios totalmente selvagens que não aceitam a visita dos brancos, mas os  que visitamos já estão acostumados com o dinheiro e esperam ansiosos os vistantes para venderem seus artesanatos. Estes, como outros índios das selvas, passaram por mudanças culturais revolucionarias e hoje vivem em comunidades com os hábitos dos brancos. A aldeia agora se chama comunidade e os lideres são companheiros. 

Os lideres da comunidade foram apresentados e nosso guia fez um pedido formal para a visita.  O cacique deu a permissão e agradeceu a visita com um discurso político dizendo que existe uma mobilização para reconstruir sua cultura, recuperar seus dialétos e que a luta é grande e com muitas dificuldades. 

Perguntei ao cacique se eles lutavam por sua cultura na totalidade e ele respondeu que seria impossível retornar totalmente, por que eles já aprenderam a gostar dos costumes dos brancos e ele pensa que deverá ser uma mistura da cultura indígena com a brasileira. Não querem deixar o conforto agregado, mas querem manter seus laços de família. Disse o cacique que estão reaprendendo a ser índios, voltando com sua medicina natural, danças e rituais. Falou algumas palavras em seu dialéto e agradeceu toda ajuda que vem dos brancos. Agora eles querem ser índios brancos. 
 

Foram apresentados os professores da comunidade e alguns moradores incluindo crianças. A escola da comunidade recebe índios de toda a região e foi muito bem construída. Foi feita com recursos de grandes empresas que possuem sedes na Amazônia e leva o nome de uma grande multinacional, certamente a que mais contribuiu.

Os panfletos espalhados pela comunidade estão escritos em inglês, exigências dos patrocinadores que alegam que a maioria dos turistas são estrangeiros e decidiram usar somente o inglês nas escritas. Eu insisti para que eles procurem uma forma de não permitir a invasão que é contrária ao discurso feito pelo cacique.  O guia repetiu que era uma exigência dos patrocinadores com o apoio da secretaria de educação e pronto.

Os índios são bonitos, de olhos verdes, pele morena, cabelo grosso, baixos e com uma aparência de saudáveis. 

 

 

Os chineses que dei meu troféu do golfe, me deram um presente e outro para a Ade, que compraram na loja de artesanato dos índios. Novos abraços e carinhos por parte dos dois e novamente emocionante. A mulher fez uma declaração de amor para a Ade usando apenas gestos que todos entenderam.

 

Ainda pintados e enfeitados pelos índios, ficamos por mais de hora contemplando o pôr do sol numa beleza profundamente emocionante  do deck superior do navio. Ficamos até que o astro rei se escondesse num espetáculo único, diferente a cada dia. 

 

Logo que o sol sumiu no horizonte, uma bela lua prateada tomou seu lugar.

 

O espetáculo da lua, foi bruscamente interrompido com uma correria da tripulação pedindo a todos que entrassem e que fechassem todas as portas e janelas, por culpa de uma nuvem enorme de baratas voadoras que estavam atacando o navio. 

Eram milhões de barata atraídas pela iluminação do navio. As luzes foram apagadas e quando a nuvem maior passou ainda restaram centenas de insetos pelo chão, em cima das mesas, no bar, na piscina e foi preciso usar aspiradores para retirar as baratas invasoras. 

Uma hora depois já estava tudo normal e apenas algumas ainda estavam soltas pelos cantos tentando se encontrar e se livrar dos caçadores do hotel que se mobilizaram para refazer a normalidade. 

 

Depois das baratas foi um barato o show de musicas de barzinho que os guias fizeram no deck superior. Eu também peguei um instrumento e ajudei na percussão. Todos dançamos muito e fomos dormir felizes mais uma vez.

 

Ainda na madrugada, navegamos de barco para ver o sol nascer,  em um local no meio do rio com 23 km de langura, onde ele aparece majestoso no horizonte em cima do rio. 

O cenário é digno de registro todos os dias e nunca um será como o outro por que cada espetáculo se repete com cores e formas diferentes.

 

A pescaria de piranha aconteceu pela manhã. Fomos de barco, paramos no igapó, na sombra, enquanto o guia e o piloteiro se ocupavam em ensinar como pescar, onde jogar o anzol, colocavam a isca, distribuíam água geladinha, tiravam os peixes quando fisgados e ainda batiam as fotos. 

 

Os peixes foram devolvidos após serem fisgados, por isso não tiramos fotos da enorme quantidade de piranhas que pescamos. Foram tantas e por um azar a maior de todas as piranhas escapou. 

A Ade foi a campeã da pesca e o guia ficou com o braço doendo de tanto tirar os peixes fisgado e colocar iscas. Historias de pescador. Na verdade o guia esperou que cada um fisgasse dois ou três e voltou com o barco por riachos no meio da grande floresta. 

 

Passamos por um hotel que é um glamour na Amazônia, onde grandes personagens do mundo se hospedam.

Os apartamentos ficam no alto e os caminhos feitos de madeira costuram as copas das árvores.

 

 

No deck superior eu tentava com muita dificuldade, me comunicar com um casal de russos. Mesmo assim, conseguimos entender quantos anos cada um tinha, quantos filhos, a idade e nome dos filhos, sorrindo muito, mas sem muito entender tudo, até que chegou o guia prodígio, que fala todos os idiomas e que aprendeu sozinho, para traduzir nova conversa. Dai falamos de política, de turismo e da qualidade de vida nas nossas cidades. Ela disse que esta época o clima é bom na pequena cidade onde moram no interior da Rússia, menos 5 graus centígrados.

No passeio da tarde fomos nadar na praia em pleno Rio Negro, que de tão quente, sequer chega a refrescar.

 

Na recepção do restaurante para o jantar de gala, estavam um casal de artístas do boi e o comandante, que emprestou seu quepe para as fotos, mesmo sem a gente pedir. Depois o chefe de cozinha nos disse que ele nunca deixa ninguém colocar sua cobertura oficial. Foi uma honra.


No jantar oferecido pelo comandante a Ade quebrou o protocolo costumeiro, levantou-se e começou a brindar com as pessoas em todas as mesas. Em seguida todos levantaram e a alegria tomou conta ao som do tilintar das taças de cristais. 

Um dos garçons me disse que em 2 anos que trabalha no navio, nunca viu as pessoas de uma mesa se envolver com as outras e completou dizendo que esta foi a melhor viagem que ele trabalhou.

 

Após o jantar de gala teve um show maravilhoso dos bois Garantido e Caprichoso e o guias ficavam pedindo para que cada turista assumisse a cor de um dos bois, azul ou vermelho.


A festa do Vamos brincar de Boi, teve origem em uma lenda trazida pelos colonizadores, que diziam que a mulher de um morador da fazenda queria comer a língua de um boi por que estava grávida e ele foi e matou o boi preferido da filha do dono da fazenda. O fazendeiro queria matá-lo e deu-lhe uma chance, dizendo que não o mataria se ele trouxesse o boi de volta. Ele saiu buscando ajuda para não morrer e, com a magia dos índios, conseguiu trazer de volta o boi preferido da sinhazinha.  

 
Com a dúvida se era o mesmo boi, surgiu uma manifestação folclórica, onde o Boi Garantido e o Boi Caprichoso, hoje cada um com milhares de seguidores, comandam a festa. Durante os três dias de festejo um seguidor não pode conversar com o outro. Não podem conviver na mesma casa e nem mesmo falar o nome do boi que não é o dele. Assim, quando um quer falar o nome do outro boi que não é o dele, o chama de boi contrário.
A música que embala os bois é maravilhosa, os seguidores de cada boi participam dançando e exaltando suas cores, fantasias, carros alegóricos e bandeiras.  Apesar do contrário, a festa é de respeito, beleza e muita diversão, onde todos participam.

  

Conversando com o capitão do navio, descobri que existem outras festas similares pela Amazônia cada uma com apenas duas opções de torcida. Eu disse ao Capitão que não me lembraria dos nomes que ele me passou e, antes do jantar de gala, ele gentilmente me entregou um bilhete com o nome das festas. 
 
Em Alter do Chão acontece a disputa do Boto Tucuxi e do Boto Cor de Rosa. Em Barcelos acontece a disputa do Peixe Cardinal e do Peixe Caradisco. Depois fiquei sabendo que em outra cidade também tem uma festa dos contrários onde o animal que divide os dois grupos são Araras. Só não descobri o nome das Araras. Todas as festas tem as mesmas características. A lenda muda um pouco. 
Tiramos fotos e dançamos com os artistas e depois o salão se transformou numa pista de dança, quando todos entraram no clima e a noite se transformou em um baile.


Último dia no navio, acordamos cedo para ver o encontro das águas dos rios Solimões e Negro, antes do navio atracar no porto para o desembarque, passando por barcos, canoas, bajaras,  lanchas, navios, batelões e balsas, transportando pessoas, veículos e cargas em várias direções.

 

Foi um sonho este passeio. Não vou citar nomes, mas quero registrar e agradecer muito e sinceramente todos aqueles com quem convivemos nestes dias. Pessoas que nos emocionaram muito, proporcionando momentos que se possível fosse, pagaríamos tudo que temos pela emoção que sentimos. Os garçons, os confeiteiros, os guias, o comandante, os recepcionistas, os passageiros da China, da Rússia, dos Estados Unidos, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, da Alemanha e da Holanda, que nos proporcionaram um tratamento de pura amizade, que eu e Ade ficamos sem palavras para escrever tudo como foi. 
 
Uma coisa é certa, mais este presente que Deus nos deu também foi perfeito. Somente agradecer é pouco e ficamos a cada dia à inteira disposição do Senhor para que faça da gente voluntários de Sua paz. 

 

De volta a Manaus, ficamos em um hotel, que foi construído em 1.894 mas esta totalmente reformado, com uma bela visão da cúpula do Teatro. 

 

Pegamos o ônibus de turistas e trafegamos por duas horas, com poucas atracões a um valor muito alto para o que vimos, 60 reais por pessoa.

 

Paramos um pouco na Praia de Ponta Negra, onde recentemente aconteceu uma tragédia de graves proporções e hoje a praia esta interditada sob vigilância constante da policia. 

 

Ao fazer a reforma da praia, visando melhorias para a copa do mundo, trouxeram areias não compatíveis para aterrar a praia e aconteceu que criaram uma armadilha para os banhistas, que chamaram de areia movediça. Foram 16 pessoas engolidas por buracos na praia tão rapidamente que não foi possível o socorro. Todos morreram. 

 

Fomos para a área de Zona Franca comprar eletrônicos e os preços variam muito de uma loja para outra e o desconto é grande quando se paga em dinheiro. Um produto que paguei 280 no dinheiro ficava até 380 em outra loja, em um produto da mesma marca. Os vendedores das lojas ficam o tempo todo insistindo para você comprar.
 
Conheci um argentino que esta viajando pelo mundo para se acalmar um pouco. Me disse ele que tinha muito dinheiro em contas no Caribe e na Suíça quando acreditou fazer um bom investimento na bolsa de Nova York e perdeu 90% de tudo que tinha. Disse que parou de investir na bolsa e que os 10% que restaram, será o suficiente para ele passear pelo mundo até morrer. Estava assustado com tudo e com todos por que foi assaltado em Bangladesh e levaram sua máquina fotográfica e todos os dólares que tinha no bolso e isto certamente lhe causou grande atrapalho. Agora ele tem medo de andar pela rua em qualquer lugar do mundo e disse que nunca mais vai investir dinheiro na bolsa. 

Almoçamos, descansamos um pouco e voltamos para Belém deixando esta cidade com satisfação de ter estado aqui, levando na memória imagens inesquecíveis, como um pôr do sol pinck, por exemplo. Na foto não consegui captar toda beleza daquela tarde, mas fica uma amostra.


Para encerrar nossa alegria, o motorista do taxi foi contando a história de uma viagem que ele fez e deu um problema no avião e todos pensavam que iam morrer. Ele contou várias cenas que nos fez rir muito até chegarmos ao aeroporto.