//38 – SAN REMO E TAGGIA – ITÁLIA

38 – SAN REMO E TAGGIA – ITÁLIA

Saindo de Mônaco, entramos mais uma vez na França, na cidade de Menton, passamos pela fronteira sem fiscalização e, finalmente adentramos a Itália, destino recomendado por muitos que já visitaram a Europa.

 

Entramos pelo noroeste da Itália, numa região chamada Ligúria, entre as montanhas dos alpes e o Mar Mediterrâneo.
Chegamos em San Remo e a portuguesa GPS nos levou por caminhos que deu vontade de voltar. Nosso hotel fica no alto de uma montanha e os caminhos são íngremes e estreitos.

 

Chegamos no hotel enorme, em meio a um congresso, bem no intervalo. Homens bem vestidos falando alto, alegres e gesticulando muito, é claro, são italianos.  

Novamente o estresse divertido da comunicação. Agora falando com a simpática recepcionista que só fala italiano. No silêncio já seria difícil de se entender, no tumulto do congresso, foi ainda pior. 

A simpática recepcionista chamou então o careca que sabia falar um pouco de espanhol. Quando ele chegou, logo que eu disse as primeiras palavras, ele disse “vocês são brasileiros e eu falo português”, pronto, estamos em casa. A partir dai ele nos ajudou na conversa e pediu para trocar nosso apartamento para outro ainda melhor. Ficamos um tempo conversando com ele, que gosta de ser chamado de careca. 

O careca é apaixonado pelo Brasil, é corintiano de coração e morou um mês no Brasil. O Rapaz, que é o Barman do hotel e um gênio dos idiomas. Ele fala italiano, espanhol, francês, inglês, alemão e português.

 

 

Tudo resolvido, fomos para o apartamento satisfeitos com nosso primeiro contato com os italianos. Durante os dias que passamos no hotel, foram várias conversas agradáveis e divertidas com nosso novo amigo careca, poliglota e corintiano.

O apartamento tem uma bela vista das montanhas, do campo de golf, de uma enorme ponte e de um pequena cidade ainda mais no alto da montanha. Apesar de ver o mar do pátio do hotel, ele está há 650 metros de altitude e são dezenas de curvas na estrada estreita, com 5 km de distância da estrada principal, beira mar. 

 

Dia seguinte fomos ao supermercado abastecer nossa nova casa, como sempre fazemos no primeiro dia e ficamos encantados com os preços baixos e a variedade de massas, azeites, molhos, queijos e vinhos.

Fomos para San Remo, deixamos a carrinha em um estacionamento a 3 Euros por hora e saímos a pé explorar a simpática cidade, que está dentre os principais pontos turísticos da Itália. 

 

Saímos pelo novo centro, não tão novo, e pelo centro histórico, um pouco mal conservado, que conta uma história de invasões, batalhas e trocas constantes de poder, com muitas ruínas do passado.

 

 

Entramos em duas igrejas, as primeiras que entramos na Itália, um dos berços da religião, É certo que ainda vamos ver muitas.

 

 

 

Em uma das praças, uma estátua de Mike Bongiorno, que foi um dos principais apresentadores de televisão na Itália, simbolizando a alegria, assim como são os italianos. 

 

Entramos no Mercado para conhecer os costumes alimentares, onde encontramos uma variedade enorme de frutas, legumes, verduras e, especialmente massas, queijos e vinhos. 

Em quase todas as bancas eles oferecem degustação de seus produtos. Em uma delas o cidadão oferecia salames mas dizia em tom de brincadeira, “não é só para provar, tem que comprar”. A cada pedaço que oferecia, ele comia um.

 

Saindo do mercado, encontramos uma feira de artigos variados, com muita quinquilharia mas algumas bancas com roupas de qualidade, especialmente, cachecóis, toalhas de mesa e roupas de cama.

Reparamos muitos franceses frequentando a feira que acontece duas vezes por semana em San Remo.

 

Os africanos, como em todos os lugares, vendem bolsas e relógios falsificados, insistindo com os turistas, mudando os preços a toda hora, forçando você comprar. 

 

Paramos para nossa primeira pizza italiana, enorme e deliciosa. Prejudicou um pouco nosso passeio depois da pizza ou do vinho, não sei.

 

Passamos por outra atração de San Remo, que é o seu Cassino Municipal, fundado em 1.905.

 


San Remo é conhecida mundialmente pelo Festival da Canção, que acontece desde 1.957, patrocinada pelo Cassino. No Brasil a cidade ficou famosa depois que Roberto Carlos, até então o único estrangeiro a ganhar o festival, com a música “Canzone Per Te”, em 1.968. A música é de autoria do famoso compositor italiano, Sérgio Endrigo.
As canções que disputam o festival são todas italianas e diversos artistas de outros países já disputaram o consagrado troféu “Palmeira de Ouro”, como Louis Armstrong, Paul Anka, Sacha Distel, dentre outros.

Na foto da internet, Roberto Carlos e Sérgio Endrigo, recebendo o troféu em 1.968.

 

A cidade é um dos destinos mais procurados da Riviera italiana pelos turistas, especialmente pelas suas condições climáticas, descrita como uma eterna primavera, com dias quentes e noites frias. Apesar do clima convidativo, as praias da cidade não são muito atraentes, pequenas e de pedras.

Muitas lojas de marcas famosas e restaurantes populares estão nas ruas do centro. A beira mar, estão restaurantes requintados, quase todos servem somente comidas italianas, especialmente massas. 

 

Dentre as várias especialidades da culinárias, a focaccia alle cipolle, recheada com cebolas refogadas no azeite de oliva com ervas, é servida nos restaurantes e vendida em pedaços em bares e padarias. Muito boa. Bateu uma fome, sempre tem uma focaccia por perto.

 

Pelas ruas, antigos ônibus elétricos circulam por toda a cidade, com aqueles varões que parecem que vão se soltar, principalmente nas curvas. Quando solta, o motorista desce e, com uma vara, coloca nos trilhos novamente.

 

Outra atração da cidade, que não permite distração, são as motonetas. Dirigindo um carro ou andando a pé, a atenção deve ser constante para não atropelar ou ser atropelado por deles ou delas. 

A maior parte das vagas de estacionamentos no centro da cidade são reservados para as motonetas.

As mulheres por aqui encontram seu meio de transporte favorito, jovens e idosas circulam com suas motonetas, sem muita noção do perigo. Andam em alta velocidade, cruzam sinal vermelho, estacionam e andam pelas calçadas e o mais perigoso, circulam costurando o trânsito.

Nas motonetas eles carregam crianças, cachorro, compras e até materiais para construção. Andam de short, de terno, de saia, descalços mas sempre com capacetes. Esta que Ade pousou para foto é a mais comum, pequena e barulhenta.


Saímos como sempre, conhecer as cidades da região e chegamos em Ventimiglia, quase divisa com a França, sem muitas atrações. 

Na volta paramos em Bordighera, também beira mar, fundada no século IV a.C., famosa em toda Europa por sua produção de flores. 

Andando pela cidade, encontramos uma feira e percebemos que eram as mesmas barraquinhas de San Remo. Esta feira cada dia está em uma cidade diferente da região.


Na feira muito mais franceses se deliciando com as ofertas, comprando roupas usadas, relógios, óculos e bolsas falsificadas.

 

 

As praias nesta região são poucas e a maioria é privada. Em algumas você tem que consumir, em outras você paga 5 Euros por pessoa e pode usar a estrutura o dia todo.

 



Dia seguinte fomos conhecer Taggia, uma pequena comuna com um centro velho e com ruas estreitas e mal conservadas, certamente com mais de 500 anos. Os corredores que servem como rua tem cheiro de mofo e não é um bom lugar para pessoas morarem, mas esta toda ocupada.

 

 

As praias de Taggia, são as melhores, tem até algumas com areia, raridade na região. Lá também os espaços privados oferecem boa estrutura para um sossego à beira mar.


Até aproveitamos para fazer um ensaio fotográfico com a mais famosa modelo deste site, Ade Rocco. A modelo se esforça para compensar a pouca técnica do fotógrafo e, por enquanto, o cachê é dos melhores para o site, é grátis.

 

 

 


Saímos para uma caminhada pelas montanhas e passamos por duas pequenas comunidades até chegarmos no Santuário Nossa Senhora di Lampedusa, na encosta de uma das enormes montanhas.

 

No caminho paramos várias vezes para apreciar a bela vista do alto da montanha e para fotografar cantinhos encantadores nas pequenas vilas.

 

Encontramos muitas frutas maduras pelo caminho. Comemos figos maduros, uvas e romãs, inclusive uma que nasce no cactos. Perguntamos para uma senhora, ela confirmou que era uma fruta e avisou que tinha espinhos. Colhemos a fruta que o gosto lembra um pouco o mamão e, apesar do aviso, saímos com a boca e os dedos cheios de espinhos. Foi fácil de tirar, incomodou pouco e não doeu.

 

Na cidade e na região toda, existem centenas de barracões nas encostas das montanhas, que produzem flores. Na Ligúria são produzidas flores que servem toda Itália e alguns produtores, cultivam especialmente para servir as principais igrejas do País, inclusive o Vaticano.

 

 

Foi mais um dia fantástico e no hotel ainda assistimos um casamento, com italianos entre parentes, falando ainda mais alto e todo mundo ao mesmo tempo e, claro, todos gesticulando.
 

Cansados da caminhada e de tantas festas, fomos dormir. Dia seguinte ficamos na piscina, tomando sol para repor as energias, olhando o mar de cima e só olhando também a piscina. A água estava muito fria. 

 

 

 

Não sabemos se a Itália toda será tão parecida como esta região. Tudo muito antigo, pequenas vilas, muitas montanhas e, praticamente, nada de moderno.

Deixamos San Remo e agora vamos morar alguns dias em uma nova montanha, na comunidade de Gênova.