//30 – MONTSERRAT – ESPANHA

30 – MONTSERRAT – ESPANHA

Valência foi um encanto, ficamos por 20 dias e saímos com gostinho de querer ficar mais, mas novas aventuras já estão programadas. 

Em breve vamos voltar a Valência, mas as estradas nos esperam e sempre é um prazer viajar por elas. 

Como sempre fazemos, paramos em vários lugares e, à beira mar, encontramos uma parada com mesas e uma bela visão do mar. Ali saboreamos a rica salada de viagem que a Ade sabe muito bem preparar. Enquanto fizemos nosso lanche, várias famílias e caminhoneiros fizeram o mesmo. 

Além de excelente cozinheira, Ade não perde a pose, mesmo fazendo a refeição com nosso talher de montanhismo, ela fica chique e charmosa.

Depois de um breve alongamento, continuamos passando pelas pequenas cidades, olhando tudo e quando avistávamos um lugar mais bonito, parávamos para conhecer. 

Em uma loja de artesanatos, ficamos por meia hora olhando a arte regional, a maioria feita com cerâmica, ali mesmo pela família.

 



A estrada é muito bonita e quando entramos pelas montanhas ficou ainda mais bela. Logo começamos a avistar a montanha mágica que estamos curiosos para conhecer.


Chegamos no resort, spa & golf, muito bom a um preço de oferta que reservamos. Conhecemos a bela estrutura do hotel, fizemos um lanche e fomos dormir para descansar da viagem. 

Da nossa cama, ficamos com uma visão fantástica da montanha mágica.

 

Quase todos os dias eu fotografei a montanha, com o ângulo do nosso quarto e uma das razões por que ela é chamada de mágica, acho que consegui registrar. 

A cada dia ela se apresentou diferente, mudou a cor, mudou o brilho e, às vezes, até sumiu da paisagem. 


Ela sumia por conta do nevoeiro da manhã em torno dela. No meio do dia ela reaparecia. Mais ela mágica também pela fé que nela ronda, mas essa história eu conto mais abaixo.

Dia seguinte fomos passear nas cidades próximas e uma chuva enorme se armou e caiu com muito vento que chegou a assustar. Próximo de onde estávamos, uma chuva de granizo destruiu parte de uma cidade, com pedras maiores do que um ovo de galinha.  

A chuva parou e continuamos passeando pela cidade. Paramos para uma foto na praça do vinho e passamos por uma rua com um bonito jardim no meio, onde dezenas de idosos conversavam, fazendo o tempo passar. 

Pela manhã resolvemos aproveitar a estrutura do hotel. Só saímos para o almoço, descansamos e voltamos no final da tarde.

Enquanto Ade navegava tomando sol, procurei conversa com outras pessoas para conhecer um pouco mais sobre tudo. Dentro da piscina conheci um rapaz e ficamos conversando. Ele me contava sobre ele e eu contava sobre a nossa viagem. Uma mulher que ouvia, entrou na conversa e ali, dentro da água, trocamos idéias por um bom tempo.


Fomos para a montanha. Escolhemos dar a volta nela com a carrinha para conhecer todos os lados e a cada ponto possível, no meio da serra, paramos para apreciar e fazer fotos. 

É uma montanha diferente com enormes pedra apontadas para o céu, que às vezes parece que vão cair. Em alguns pontos chega a dar medo. 

Chegamos no Monastério de Montserrat, principal ponto turístico da montanha, até onde o carro pode ir. Tem um estacionamento e o restante tem que ser a pé.

Ficamos encantados com as belas vistas que se tem, por todos os lados onde se olha.

 

 


Logo na entrada, pedras empilhadas, representam nossa passagem pela terra. São 9 blocos de concreto empilhado, ao lado de um precipício. A Ade, como sempre, se aventurou e subiu. Se cair é quase uma sentença de morte, mas ela subiu com todo cuidado. Ninguém segura essa aventureira. 

Analisamos juntos os perigos, ela sobe e eu fico torcendo por ela e tirando fotos.

Fizemos um lanche em um bar com muita gente comprando. O lanche estava ótimo e o preço foi de assustar. Abastecidos, pegamos o mapa da montanha e entramos por uma trilha com destino ao topo. 

Por uma cremalheira os turistas chegam até o topo, com a ajuda do funicular.  Entenderam? A cremalheira é trilho por onde o vagão se engrena e funicular é o sistema de vai e vem por cabos. Sempre que um sobe o outro desce, contribuindo para a compensação de esforço. É um sistema barato e seguro e, aqui em Montserrat, ele sobe a 65 graus. O sistema funicular sai dos pés da montanha e vai até o topo com três estações. Quando foi inaugura, em 1.892, ele fazia o trajeto em uma hora e cinco minutos e, com a modernização do sistema em 2.003, passou a fazer o mesmo trajeto em quinze minutos. 


Preferimos ir caminhando para sentir a montanha mais de perto e, realmente, é a melhor opção. Encontramos algumas pessoas fazendo o mesmo, subindo por escadas, passando sobre pedregulhos, no meio da mata e na beira de abismos.

Apesar das trilhas serem limpas e bem sinalizadas, não são muito seguras na beira dos precipícios. É preciso cuidado e atenção. Passos curtos, olhar onde pisa, descansar quando necessário e observar o ambiente para notar a presença de animais. 

Um calçado especial e uma mochila com água, lanterna e um apito, são importantes. Neste dia esquecemos os bastões no carro.

 

São 1.236 metros de altura até a estação funicular, por caminhos estreitos e íngremes. 

O cansaço chega a toda hora mas não faltam pedras para sentar. Chegamos na estação e uma chuva fina começou, para nos refrescar e amenizar nosso cansaço. Logo ela parou e o sol se abriu para brilhar nosso caminho de descida, pelo outro lado da montanha.

Estar no topo é ver a montanha de cima, é quase não enxergar as casas, rios e estradas, é muita emoção. 

Com o zoom da máquina é possível registrar uma parte de Barcelona, mais ou menos 50 km de distância.

 

 


Na descida a estrutura que encontramos é bem melhor. Subimos pelas trilhas e descemos por estradas concretadas. A maior parte das pessoas sobem por esta estrada mas nós recomendamos subir pela trilha.

Uma das loiras da foto abaixo, descendo pela estrada, estava de salto alto e a Ade foi falar para ela tomar cuidado para não torcer o pé. Ela falou, as alemãs não entenderam e ela fez por gestos, dizendo para ela tirar o sapato que ficaria mais seguro. Eu acho que elas não entenderam nada, apesar dos gestos engraçados da Ade, fingindo torcer o pé.

A montanha nos encantou e antes de chegarmos ao final da trilha já planejamos fazer a outra trilha que desce a partir do Monastério.


Na frente da catedral tem uma praça ampla, cercada por enormes pedras. Assusta em pensar que um pedaço pode se soltar. Na montanha tem marcas de pedaços que já se soltaram.

 

 

Ao entrar na catedral, túmulos estão em cada parede. Em uma das lápides está escrito assim a homenagem ao importante ali enterrado: “Sepulcro de Don Juan de Aragon, Príncipe De La Casa Real da Cataluña, sobrinho de Fernando El Catolico, Conde de Ribagorza, Primer Duque de Luna Señor de Aposta Virrey de Cataluña y Napoles”. Não falei que ele era importante. Ele morreu em 5 de julho de 1.528. A cada túmulo uma escrita que comprova a importância do morto. 


Depois da entrada, onde estão os túmulos, tem um pátio, como se fosse uma Plaza Mayor e, na fachada em frente, uma obra de arte impressiona os visitantes. Estátuas de Jesus com seus apóstolos, todos em pé.

A igreja é um encanto, com uma decoração agradável, cheia de detalhes ricos, verdadeiras obras de artes. 

 

Atrás do altar fica a imagem de Nossa Senhora de Montserrat, ou Virgem Negra de Montserrat, ou Mare de Déu de Montserrat. É uma escultura definida como sendo a de Maria, mãe de Cristo e conhecida popularmente por La Moreneta ou A Morena. 

Conta a lenda, que a pequena escultura foi feita por São Lucas e levada até a montanha por São Pedro, ainda no ano 50. Na montanha a escultura de uma mulher negra segurando uma criança, ficou por quase 900 anos sem que ninguém soubesse de sua existência. 

Um grupo de crianças brincando na montanha, encontrou a imagem e o Bispo da região, quando ficou sabendo, decidiu levá-la em procissão até a cidade. Durante o trajeto, a imagem ficou muito pesada que ficou impossível transporta-la, deixando evidente um milagre e que ali seria o lugar onde ela deveria ficar. Neste local foi construído o Monastério de Montserrat, onde a bela estátua continua até hoje.

Apesar de estudos comprovarem que a imagem foi esculpida no século VII, a fé do povo da Catalunha é mais forte e acredita na lenda. A Morena é também a padroeira da Catalunha, desde 1.881.

Uma fila enorme de pessoas se forma para passar as mãos na imagem, pagando promessas, fazendo pedidos ou simplesmente para agradecer pela vida que tem.

 

Ao lado da igreja, na saída de quem visita A Morena, vários nichos na rocha servem para depositar velas coloridas de agradecimentos ou de pagadores de promessas.

As velas ficam em um engradado e quem quiser pode adquirir uma do tamanho que lhe convier. Não tem ninguém para vender. Tem o preço marcado e, quem pega deposita a quantia em um recipiente. 


Tem também uma sala dos milagres, onde pertences de pessoas agraciadas são depositados em agradecimento. Muitos deixam apenas bilhetes.

A mesma lenda ou bem parecida, acontece em várias cidades, em vários países. Em nossas viagens descritas no blog www.roccomotobrasil.com e agora do www.roccoeuropa.com, já passamos por algumas cidades onde a crença é semelhante. No Brasil vimos no interior de Pernambuco, no interior do Maranhão e em Aparecida do Norte no interior de São Paulo. Em Portugal passamos por Fátima e agora na Espanha, o mito se repete em Montserrat. Deve ter mais.

A fé do povo é semelhante e os milagres acontecem, a partir da adoração de uma imagem. Na verdade, para muitos, proporciona excelentes resultados.

Apesar da exploração da fé com a venda de souvenires nas boutiques oficiais e nas banquinhas dos ambulantes nas proximidades dos santuários, sou a favor do fervor.

As imagens que vimos, não são necessariamente uma obra de arte esculpida, mas é uma poderosa âncora para as pessoas despertarem sua fé, que tanto Jesus Cristo insistiu para que usássemos. 

Muitos preferem cultuar imagens, astros celestiais, templos e outros tipos de âncoras para motivarem sua fé. Acredito que a fé é interna e desperta sem qualquer amuleto, se insistirmos nos bons pensamentos e nos bons hábitos. A fé é fundamental. É ela que aciona a lei da atração, proporcionando a melhoria no viver e afastando todos os males.

Descemos a montanha e voltamos para casa por outro caminho, concluindo assim a volta toda na montanha mágica que agora, após conhecer a montanha, acredito que seria mais oportuno chama-la de montanha da fé. 

Em várias partes da montanha existem santuários, quase sempre muito difícil de chegar, provavelmente para provocar a fé do fiel.

Passamos o dia no hotel, quase todo tempo na piscina tomando sol e olhando as pessoas brincando, a maioria franceses que estão hospedados no hotel.

Conheci um português e passamos longas horas conversando e filosofando. Ele é professor doutor da Universidade do Porto, psicólogo e tem muitas historias para contar. Falamos desde o surgimento da vida, até os costumes dos europeus, das civilizações, da geografia, da educação, da política, dos filhos, dos recursos humanos nas empresas e sobre o descobrimento do Brasil. 

Ele, e os portugueses, acreditam que os portugueses que descobriram o Brasil, eram heróis que arriscavam suas vidas nos mares, em prol da coroa portuguesa. Tem até um monumento enorme que conhecemos em Lisboa em homenagem aos descobridores. 


Ele não concordou quando eu disse que havia uma outra história, que os descobridores eram piratas, que não erraram o caminho das Índias, que invadiram a América do Sul e que expulsaram espanhóis e holandeses, que também queriam povoar nossa região.

Ele é também palestrante e consultor de RH, assuntos que eu também vivenciei e tenho experiências. Me contou um fato e agora foi minha vez de discordar. Ele disse que seus clientes, reclamam muito dos brasileiros. Dizem que fazer negócios com nosso povo é muito preocupante, por que somos desonestos e só queremos levar vantagens e, quando possível, enganamos. 

Expliquei a ele que esta não é uma verdade definitiva. Apesar de “espertos” nos negócios, nosso povo tem virtudes e uma minoria de desonestos, como em outros povos, induzem a um preconceito, que acaba carimbando a índole de todo povo. Mas a imagem que eles tem da gente é de desconfiança. Conversamos outras vezes, trocamos endereços e mais um amigo se instala em nossas vidas.

Mais um dia de piscina no hotel. Hoje teríamos que partir mas o hotel está muito bom e resolvemos renovar a estadia por mais alguns dias.

Saímos de Montesserrat e fomos a Barcelona, 1 hora de viagem, andar despreocupados novamente pela Rambla, a avenida mais famosa da cidade. 

Paramos a carrinha no estacionamento próximo ao porto e fomos visitar uma feira de antiguidades, com objetos muito antigos e algumas preciosidades.

 

Subimos a Rambla parando em cada atração dos artistas de rua. As estátuas vivas são as que mais chamam a atenção. Eles recriaram figuras estranhas e famosas e pousam para fotos em troca de moedas. 

Os caricaturistas e desenhistas também fazem sucesso expondo e criando belas obras de arte. Suas peças não irão parar no museu, mas a arte de suas obras é algo que os grandes pintores de telas do passado, certamente gostariam de ter feito. 

Acho que quase todos nós já pousamos para um desenho, que ficam expostos nas residências ou guardados nas gavetas, e ali permanecerão até que os netos ou bisnetos resolvam dispensar ou criar um comércio valioso no futuro, com essas verdadeiras obras de arte.

Entramos no Mercado San Josep, La Boqueria, lotado de turistas a observar a variedade dos produtos com qualidade e diversidade, vendidos em barraquinhas. Frutas, verduras, carnes, peixes, salgadinhos, refeições e especiarias, estão à disposição.

 


Voltamos para a Rambla assistir um pouco mais da agitação na avenida. Até a Marilyn Monroe apareceu numa janela.


São diversos shows, alguns de qualidade, com instrumentistas, mágicos e malabaristas. Paramos para assistir alguns e seguimos subindo a avenida onde quase tudo acontece, tal qual acontece também na Avenida Paulista em São Paulo ou na Rua das Flores em Curitiba. É um espetáculo a céu aberto.

Voltamos no restaurante, onde já estivemos na nossa outra passagem por Barcelona, para comer a melhor paella, indicada pelo nosso amigo Pepe que mora na cidade. 

O proprietário ficou um bom tempo conversando com a gente, enquanto saboreávamos um vinho, até que a paella ficasse pronta. A comida, os garçons e o proprietário são realmente de qualidade.

Voltamos para Rambla e lá encontramos um banco vago, onde ficamos por mais de uma hora observando tudo acontecer. 

Uma mulher passando mal, uma outra procurando alguém de forma impaciente, uma despedida de solteiro com o noivo vestido de toureiro tentando tourear as pessoas que passavam, grupos de turistas de várias nações, vimos policiais correndo para alguma emergência, roupas diferentes, casais do mesmo sexo circulando de mão dadas e mocinhas com shorts muito curto.

 

 

Ali conhecemos uma professora brasileira, que veio a trabalho e trouxe sua mãe para passear. Trocamos informações e endereços e mais amigos que colecionamos na viagem.

Ainda pesados com o almoço, descemos a Rambla, passando pelas ruas próximas até pegarmos a carrinha e ficarmos assustados com o valor do estacionamento.

Fomos até a praia barceloneta, ainda com muita gente que passou o dia sob o forte sol. No belo calçadão, pessoas se divertiam se exercitando sobre rodinhas.

 

Mais um dia de piscina. Estamos muito à vontade no hotel, estamos com muito tempo disponível e não é preciso sair correndo a conhecer tudo. Um dia de passeio outro de hotel, na bela piscina. 

Muitos franceses frequentam o hotel e eles são realmente diferenciados. Um deles, folgado, invadiu a sombra de nosso guarda sol, sem ao menos falar bom dia. Olhei seriamente para ele, meio que condenando sua atitude, e ele meio que sem jeito, se afastou, isso tudo sem palavras.

Conversa com nossos filhos pelo skype, estão todos bem e a única reclamação é a saudade. Ade falou com seus pais pelo viber e assim a internet vai amenizando a distância. Digo a todos que não ficaremos aqui para sempre. É só um projeto e nossa rotina certamente voltará. 

Por enquanto, folga na piscina, poses para foto e uma boa caminhada, descalços pela grama macia do campo de golf do hotel.

 

Voltamos a subir na montanha da fé, que também é mágica por que ela encanta. No outro dia subimos, hoje descemos por outra trilha que leva até o santuário, cravado na montanha, onde foi encontrada A Morena ou Mare de Déu de Montserrat


Dentro da capela, alem da bela visão, muitos objetos origem de milagres e a história da Santa contada em cartazes com desenhos. Uma réplica da Santa fica no altar, com um detalhe que os cartazes não explicam. Ela foi esculpida por um renomado artista, só que, de olhos fechados.

 

No caminho que leva à capela, estátuas e portais contam a história de Jesus, desde o nascimento até a ascensão do Espirito Santo.

O passeio até a capela é feito em duas horas de subidas e descidas e é tudo muito bonito. 

Bem que poderiam melhorar a segurança das pessoas que por ali transitam. Quase não existem muros de proteção, quando existem são baixos e em vários pontos o parapeito está danificado. Existe tanto o risco de quedas de pessoas para o precipício como de pedras que podem cair. Tem muitos sinais de desmoronamentos pela montanha toda. 

Certamente A Morena protege, mas recomenda cuidado.

Em uma das paradas, olhando para o alto da montanha é possível, com um pouco de imaginação, visualizar um elefante e uma múmia formados pelas rochas gigantes. Um cartaz informa a localização exata.

Paramos para fotografar o monumento lá no alto da montanha, ao lado do Monastério, onde a Ade mostrou coragem na escalada. Antes dela subir liguei para a seguradora e aumentei o seguro. Brincadeira. Se não fosse seguro eu não permitiria que ela subisse.


Montanhas por aqui não faltam e os que gostam de escaladas, se divertem. Passamos por um casal de ingleses, se deliciando com tantas opções.

Descansamos um pouco na praça do Monastério e voltamos para casa por um outro caminho, apreciando mais ângulos da montanha. 

Dia de piscina e tenho que falar novamente dos franceses. No hotel existem regras para o uso da piscina. A piscina abre as 11 horas e não pode reservar lugares, eles levantam cedo e colocam suas toalhas nas cadeiras. Não pode fazer lanche na beira da piscina, eles levam comidas e bebidas em sacolas do mercado. Todos devem tomar um banho no chuveiro antes de entrar na piscina, eles não. Por duas ou três vezes, discutiram com o rapaz que cuida do pátio por conta das irregularidades que eles cometem. Falam alto e dizem que tem direitos por que estão pagando. Esse povo precisa de Upgrade.

Fomos para a praia de Sitges, a 52 km do hotel, seguindo por belas estradas e plantações de uvas que se perdem no horizonte.

Chegando em Sitges, paramos para abastecer e um espanhol se colocou na minha frente e eu fiquei muito bravo. Comecei a me queixar com ele e a Ade pediu para que eu deixasse assim mesmo. No fundo ela estava com a razão mas eu queria esganar o malcriado, que também precisa de Upgrade na educação.

Na cidade algo nos chamou a atenção. A enorme quantidade de GLS. Quase todos muito bonitos, simpáticos, bem vestidos, alguns rapazes com crianças, fortões de mãos dadas, se abanando com um lindo leque, bandeiras coloridas com as cores do arco íris no comércio, enfim, ainda não estamos acostumados com tanta exposição, mas foi alegre nosso passeio pela cidade. Admirados por tudo que vimos, concluo que agora somos nós que precisamos de Upgrade na cultura.

 

Paramos um pouco para eu fumar um cachimbo com dois paradões que estavam na praça e seguimos passeando pelas ruas movimentadas e becos desertos de Sitges.

 

Paramos em uma praia afastada do centro, com poucas pessoas onde não tinha areia, somente pedras. E a idéia foi a melhor que encontramos por que ventava muito a areia incomodava e nas pedras só tinha o vento forte, poeira de areia não.


Enquanto Ade bronzeava o corpo já bronzeado, eu brincava com as pedras emitindo sons batendo uma na outra, fazendo tiro ao alvo, jogando na água e fazendo montinhos.

 

Voltando para casa, paramos para ver e ficamos encantados com os cachos de uvas que já começam a madurar. Bem na hora que fazia algumas fotos, o dono apareceu com um carro, acenou com a mão e foi embora, assim sendo, peguei um cacho, que mesmo pequenas já são doces.

Mais um dia de piscina e computador, dia antes de partirmos.

Pela manhã, sem pressa, arrumamos as malas para seguir mais um pedacinho do trajeto em zigzag que estamos fazendo pela Europa. Agora vamos rumo a Andorra, um principado que está cravado nas montanhas dos Pirineus, entre a Espanha e a França.