O Adorável Dourado Terceiro Passageiro


 

Tudo Pronto! O mais difícil seria a concordância dos pais. Aprovado. O terceiro passageiro da Caca foi muito bem vindo e ficou sob nossa responsabilidade 4 semanas.

A primeira parada foi em Blumenau, para participarmos novamente da maior festa alemã no Brasil, a Oktoberfest. Ficamos hospedados no Clube Cultural, onde algumas bandas e grupos folclóricos ficam alojados, com festas e ensaios quase todos os dias.

Ao entardecer o Centro de Eventos era nosso destino para comer, beber e dançar, fazendo esforço para seguir as coreografias. O desfile foi também um grande destaque do nosso passeio.

Depois seguimos para a pequena e bela Itá, no sul de Santa Catarina, divisa com o Rio Grande do Sul, onde fica um belo complexo de águas termais e um camping com toda infraestrutura que precisamos.

O pôr do sol é uma das atrações, admirado à bordo de um barco, que nos leva a conhecer as barragens da usina e a principal atração da cidade, as torres da antiga Igreja Matriz de Itá.

Com a construção da usina, a antiga cidade de Itá foi quase que totalmente encoberta pelas águas, restando apenas as torres da Igreja Matriz . Na visita noturna o turista aprecia um show pirotécnico. No dia que lá estivemos, havia alternância das luzes dos fogos de artifícios com os relâmpagos que anunciavam uma tempestade.

Durante o dia, as torres da antiga Igreja Matriz ficam também muito belas, preservando a única lembrança da cidade engolida pelo Rio Uruguai.

Antes da formação do lago da usina,  a cidade foi desmontada e transportada para para uma colina mais alta, com uma nova infraestrutura e com um belo planejamento urbano. A mudança ocorreu por conta da empresa que construiu a usina, que ofertou novas moradias a todos que tinham direitos.

Na praça central fica a pedra fundamental e uma palmeira curiosa. Conta a lenda que um antigo morador, em uma de suas caçadas, atirou em um animal e acertou a palmeira. Tempos depois voltou ao local e percebeu que a bala da sua espingarda havia dividido a palmeira em três pontas, talvez a única em todo mundo.

 

Depois seguimos pelo o Oeste de Santa Catarina, entrando no Paraná e estacionando em Foz do Iguaçu, uma das três principais cidades turísticas do Brasil.

Visitamos as cataratas, uma das 7 maravilhas do mundo, num dia em que os turistas estavam em grande número. Como Ade e eu já passamos dos 60 anos, estacionamos na sombra, na vaga de idosos, compramos ingressos no guichê reservado, pagamos a metade do valor e ainda embarcamos de forma preferencial. É certo, a terceira idade tem suas vantagens, por isso eu prefiro chamar de melhor idade.

Depois nos tornamos vizinhos de parentes em Itaquiraí na Mato Grosso do Sul e em Maringá no Paraná, onde participamos de dois agradáveis aniversários. Dois anos do Théo e um ano do Lorenzo, começamos a notar um pouco de… melancolia talvez, mas era na verdade saudades do papai Hugo, da mamãe Bruna, da irmã Sophia e da tandara, uma gata, nova integrante da família do nosso passageiro dourado.

Durante a viagem, Ade é a comandante e cuida da comida, do banho, da roupa, da hora de dormir e de tudo que uma criança precisa por parte de uma mãe/avó. Eu cuidava da diversão e queima de energia, revivendo muitos momentos da minha infância.

O carinho dele é incondicional. Hora comigo, hora com Ade e o tempo todo nosso dourado passageiro tinha uma surpresa. Ele é atencioso, carinhoso, participativo, inteligente, obediente, alegre, inteligente, sem manhas, dorme e acorda cedo, come de tudo, encanta o tempo todo, além de bonito e de chamar a atenção pelo comportamento exemplar e pelos cabelos ruivos.

É um pouco reservado com terceiros, mas logo se solta.

Nas aventuras foi parceiro, navegou de barco, ajudou a fazer churrasco, resistiu a todas as caminhadas e quase se jogou na tiroleza, só não desceu por que estava muito vento, segundo ele. Eu concordei.

Nosso Dourado é mesmo esperto pelos seus 4 aninhos. Foi ele que fez a foto abaixo e tocou como gente grande na bateria feita de panelas, na casa da Tia Beth. Um balde ficou furado e a tampa da panela toda amassada, mas Tia Beth não se importou.

Ele sempre está disposto a ajudar. Quando precisei fazer uma pequena manutenção na Caca, ele se portou como um mecânico, testando as chaves em todos os parafusos, entrou por baixo e não se incomodou com as marcas de graxa de um profissional.

Nosso passageiro surpreende até na hora de pedir presentes. No aniversário de 4 aninhos ele me pediu uma Bandeira do Brasil e, na nossa visita ao Paraguai, pediu um guarda-chuva.

Foi um privilégio viajar com nosso neto, mas a felicidade maior foi conviver 24 horas com uma criança exemplar, verdadeira semelhança que o Senhor nos ensinou, um “Anjo Barroco de Deus”, como nos disse uma senhora, numa das paradas da viagem.

Nosso Dourado passageiro, infelizmente não é só nosso e chegou a hora de devolve-lo.  Fica nossa gratidão aos Pais e, especialmente ao João Mauricio Rocco, nosso neto dourado, detentor de uma grande capacidade de encantar, nosso Anjo Barroco de Deus.

 

 

 

 

 

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