/2. Capitólio, a porta de entrada da Serra da Canastra

2. Capitólio, a porta de entrada da Serra da Canastra

Minas Gerais abriga, sem duvidas um dos povos mais hospitaleiros do Brasil. A simplicidade peculiar, a culinária exuberante e as belezas naturais, fazem do Estado um dos melhores do País para quem gosta de passeio.

Entramos em Minas pela região sul, até que uma placa nos chamou a atenção. Lá fomos nós conhecer um dos poucos produtores de azeite no País.  Luiz Yamaguti, um japonês vindo de Londrina no Paraná, comprou terras, plantou oliveiras, acreditando no novo e promissor negócio.

Luiz contou sua história e ofereceu para degustarmos, seus patês de azeitona e o azeite orgânico biodinâmico, armazenado em tanques de inox, de puro sabor, que encanta o paladar.

O Brasil, ainda durante a colonização portuguesa, foi impedido de plantar oliveiras e os agricultores preferiram outras culturas, como o café, por exemplo.

Perdemos muito tempo para produzir azeites.

Ainda existem poucos produtores no Brasil, concentrados no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. O Luiz disse que as oliveiras mais novas da Europa tem 100 anos. As nossas mais velhas tem ainda 10 anos mas, com vantagem reconhecida, principalmente pela qualidade do nosso terroá.

No caminho, parando nas paradas onde a comida é o carro chefe, provamos doces, salgados, frutas, verduras e queijos. Além da comida abundante, Minas produz as melhores cachaças do planeta.

Paramos em Itajubá, no mercado municipal para abastecer de iguarias e depois em Piranguinho, capital mundial do Pé de Moleque. E eu atesto: É mesmo o melhor, não sei do mundo todo, mas que é “bão é bão”.

Desviamos o caminho para dar um abraço na Priscila, gente boa que conhecemos na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.

Seguimos parando e ouvindo histórias até que chegamos em Capitólio, incrustada na região das nascentes. Após uns desencontros no caminho, conseguimos chegar no Camping Capitólio, dotado de uma boa estrutura e de gente hospitaleira.

A matriarca da casa nos ofereceu a mentira, para comer acompanhado de um bom café. A mentira é uma iguaria da região, parecido com bolinho de chuva. Obviamente fiquei curioso e quiz saber por que o nome do bolinho é mentira.

Adivinhem!

Ninguém soube informar a origem do nome do bolinho. A mentira faz parte do café da tarde de quase todas as casas da região, mas o nome é um mistério. Nem tudo é mentira, o bolinho é uma delícia, assim como as jabuticabas, coladas nos galhos da bela árvore.

Cercando a cidade fica o lago de Furnas, um dos maiores do Brasil em extensão e volume de água. O passeio de barco na lagoa dura um dia inteiro, onde se banha em belas cachoeiras, entrando por cânions, navegando por águas verdes e cristalinas.

Nos finais de semanas e feriados, a lagoa fica lotada de pessoas com barcos particulares e de empresas que exploram o turismo, navegando sem muito respeito às regras navais e até sem autorização. Nos principais pontos, chega haver engarrafamento de lanchas e filas para entrar na cachoeira.

O barco em que estávamos, socorreu um casal embriagados que brincavam num Jet ski, que virou após uma manobra. Outro piloto disse que quase aconteceram dois acidentes graves, com barcos de passageiros.

Em uma das paradas conhecemos o Raul, um peixe Mandy que nada de costas, talvez o único do mundo. Ele vive sob um bar flutuante na lagoa e ficou assim de tanto se alimentar no casco do bar. Ele ágil e tem a vantagem de já estar com a boca para cima quando jogam os alimentos.

Após o passeio nos principais pontos, o barco aporta em um belo restaurante, com sabores variados e servem um bom chopp, fabricado no próprio local.

Após o almoço, um bom descanso até a volta para o ponto de partida.

Depois de conhecer a lagoa por água, fomos conhecer os canions por cima. Apesar da exuberante beleza natural, o local não oferece segurança ou conforto aos visitantes. A exploração é privada, com pouco ou quase nada de investimentos em infraestrutura. Os caminhos são perigosos, com pedras soltas, sem sinalização, sem banheiros, guarda corpo e muito menos guarda vidas.

O turista fica à beira dos precipícios nos pontos das melhores fotos.

É possível contratar os serviços de turismo para o passeio, mas não é preciso. De carro se pode chegar bem próximo aos pontos de visita dos cânions.

Acho que o Estado não precisa da exploração turística, mas deveria regulamentar e fiscalizar os exploradores. Os guias não tem preparo, não sabem informar e sequer são receptivos. Os valores cobrados sim, são de atrações renomadas nos principais pontos turísticos do mundo.

Apesar da necessidade de melhorias, o lugar é belo e nos faz pensar em paraíso.

Na parte de cima, em um dos três caminhos para ver os cânions, acima da maior cachoeira, formam piscinas naturais com águas na temperatura agradável e transparentes.

Chegamos até a barragem que forma o Lago de Furnas, que alimenta uma usina hidrelétrica. Vendo aquele esplendor, me lembrei da Copel, onde trabalhei por 35 anos. Deu saudade do tempo em que eu frequentava as usinas da Copel, ministrando treinamento, sempre agradecido pelo previlégio de trabalhar naqueles pedaços de paraísos. A Copel também possui belas usinas, mas ainda pouco visitadas por turistas.

Seguimos até São Roque de Minas, aos pés da Serra da Canastra, famosa por abrigar várias nascentes. A mais famosa é a nascente do Rio São Francisco, orgulho do povo brasileiro por oferecer tanta qualidade de vida a milhões de pessoas que vivem às suas margens.

Nossa vontade era conhecer as nascentes do Rio São Francisco, o parque estava fechado por conta das fortes chuvas da semana anterior. Outro objetivo era brincar nas cachoeiras mas, nova chuva estava chegando e o escritório de turismo não recomendou o passeio.

Voltamos do beco sem saída que leva até a Serra da Canastra e paramos em uma das fazendas que produz o mais puro, original e artesanal Queijo da Canastra. O papo foi bom, assim como foi no alambique e nas lojas de queijos que paramos.

Enquanto eu dirijo e provo queijos, Ade prova os queijos e as cachaças.

Seguimos felizes, extasiados com tanta beleza concentrada na Serra da Canastra e no seu entorno, sem segredos, contamos tudo neste post, para que vocês não deixem de visitar este pedaço do paraíso.

Mauricio Rocco, nascido em 1957, casado com Adenilde Sousa Rocco em 1983, pai e avô, emprego formal por 35 anos na área de Recursos Humanos, acredita que os sonhos levam à realização, amante do novo, da viagem, do sabor e do prazer, adora uma boa conversa, esquece fácil o passado e sua opinião não é para sempre, dedicado às habilidades manuais e sua filosofia de vida é ajudar o próximo a se tornar cada vez melhor.