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5. Pedra Azul, que também pode ser verde, cinza, marrom…


O Espírito Santo é de uma riqueza reconhecida na culinária e nas belezas naturais. Conhecemos o litoral e as montanhas, antes de entrar na Bahia.

Até com a casa rodando pelas estradas é possível seguir degustando sabores regionais. Queijos, paçocas, açaí, torresmo, chocolates, frutas fazem parte do nosso caminho.

Algumas vezes, viajar numa casa rodante pode trazer desconforto, especialmente na hora de dormir. É preciso escolher o local que tenha segurança, conforto e beleza, nesta ordem.

É certo que na Caca tem o básico que precisamos para viver uma vida nômade.  Tem um quarto, uma cozinha, um banheiro, uma sala e uma varanda com um quintal peculiar a cada parada.

Ficamos alguns dias em Guarapari, no Camping Clube do Brasil. O CCB é uma rede de campings por todo País, de muitos anos, que oferece segurança com portaria 24 horas, conforto com boa infraestrutura e a beleza de estar numa praia praticamente exclusiva.

Passeamos pelas praias vizinhas, a pé, tirando fotos, escalando as pedras, entrando em piscininhas, caminhando pela areia, mais ou menos 5 km, ida e volta. As caminhadas, além de manter o corpo em forma, descortina surpresas no caminho.

Parece que fotografei um gigante surfando em alto mar?

Sempre atentos nas atrações regionais pela internet, buscamos também informações das pessoas que vivem na região. Por recomendação, fomos conhecer a Serra Capixaba.

Parque Nacional da Pedra Azul

O Parque possui 1.240 hectares, com belas pedras gigantes que despontam na floresta. Entramos pela Rota do Lagarto, estrada charmosa por 8km na mata nativa. Abriga cafeterias, restaurantes, pousadas e residências de veraneios, que não perdem em nada para os lendários cenários europeus.

A região foi colonizada pelos europeus, especialmente alemães e italianos, que ainda preservam sua cultura, nos costumes, na arquitetura e na culinária.

Paramos no Porto da Pedra Azul e o proprietário da loja de cafés e souvenires, nos ofereceu o estacionamento para pernoite. Dormimos aos pés da grande pedra.

Apenas 5% do Parque pode ser visitado. Existe uma trilha bem definida na mata que leva até a base da pedra, mirantes e piscinas naturais.

O Guarda Parques faz o registro do visitante e orienta a escalada, que pode ser feita com duas ou três horas, de fácil dificuldade.

Considerando toda beleza do Parque, a Pedra Azul é a atração principal. Durante o trajeto é possível tocar na grande pedra e perceber por que ela é azul e também aparece nos tons de verde, cinza ou marrom.

A coloração é por conta das algas e dos fungos que colonizam a rocha.

Uma parte da trilha é preciso escalar para chegar até as piscinas naturais. Nós fomos até o início da escalada, mas desistimos por que estava chovendo e o guarda recomendou que a gente não subisse pela pedra molhada.

As piscinas naturais se formam nas cavas das pedras, por onde descem as águas das nascentes no alto das montanhas. Existem várias cavas que podem chegar até 2,5mts de profundidade.

Em dias de sol , do alto da Pedra Azul é possível avistar o Pico da Bandeira, que fica a 110km e várias outras pedras gigantes com formações curiosas, que até parecem pegadas.

Na descida, passaram por nós duas mulheres sozinhas, em tempos diferentes, para fazer a trilha.

Muitas vezes já observamos mulheres encarando desafios de viagens sozinhas, homens, normalmente acompanhados.

Ao final do dia encontramos nossos amigos Carla e Fernando com seus dois filhos, Léo e Rafa, que também possuem o delicioso hábito de viajar.

Eles viajam no Projeto Van com Tudo, com milhares de seguidores por todo planeta.

O Parque oferece muitos atrativos além da trilha. Tem passeio a cavalo, de bicicleta, fazendas de guloseimas, colheita de morangos e dezenas de opções para pernoites e refeições.

Passamos pela Vila de Pedra Azul e na igreja tem uma janela curiosa. Ela fica no local onde seria o altar. A estratégica janela é para que os fiéis tenham uma visão da grande pedra, durante as orações.

São vários empreendimentos de lazer na Serras Capixaba. Fomos almoçar em um dos resorts, com farta infraestrutura de lazer, e tentamos uma parceira para dormir no estacionamento do hotel.  Eles aceitaram mas a um custo de 300 reais por dia. Achamos caro e partimos.

Seguimos até um camping indicado pelo excelente aplicativo IOverlander, mas, por conta da altura do portão, a Caca não passou. O proprietário ofereceu o quintal de sua casa para estacionarmos. Logo que nos instalamos a esposa ofereceu um café. Depois no jantar, fritou peixe e nos convidou.

Muita conversa, risadas, histórias pra ouvir e pra contar e a amizade flui de forma agradável com os vizinhos temporários.

Seguimos parando nos cantos bonitos e agradáveis, para fazer o café da manhã, ou almoço, ou um tempo para um alongamento, meditação e, claro, apreciar o cenário na beira do mar.

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