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10 A Maior Cachoeira do Mundo

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Quando nossa expedição ao Sul do Brasil foi planejada, o marco final da viagem era visitar o Parque Estadual do Turvo, noroeste do Rio Grande do Sul, onde fica a maior cachoeira longitudinal do mundo.

Para chegar em Derrubadas, município onde fica a maior cachoeira, fomos levados pelo GPS por uma estrada de terra e a Caca parecia estar em um terremoto a cada segundo, afinal, não é fácil para uma casa trafegar por costelas de vacas.

Ficamos hospedados num camping que já foi sítio, depois pesqueiro, depois lazer com piscinas, quadras de esporte e agora também quintal para motorhomes.

Dormimos bem e no domingo fomos visitar o rio que ronca.

Foram mais 15 km de estrada de chão, com velocidade máxima de 20km/h, em meio a exuberante floresta do Parque Estadual. No final da estrada começamos a ouvir o som das águas do rio que ronca, desaguando na enorme fenda em dezenas de saltos na divisa do Brasil com a Argentina.

Caminhamos por uma laje no leito do Rio Uruguai e chegamos bem perto do Yucumã, a maior cachoeira longitudinal do mundo.

A sequência de quedas percorrem 1,8 km de extensão, com alturas que variam conforme as cheias e o controle das usina hidrelétrica.  Na seca podem chegar a 20 metros de altura e na cheia, pode desaparecer.

Salto do Yacumã significa “grande roncador” no idioma do índio brasileiro. Do lado Argentino é chamado de Saltos Del Moconá, que significa “que tudo engole” no idioma do índio argentino. Os dois nomes representam bem o local. O Rio realmente ronca de forma permanente e engole os desavisados que desafiam sua fenda. Dizem que muitos já morreram navegando por aqui.

Do lado brasileiro é possivel observar a queda d’água por inteira, já do lado argentino, só é possível ver de baixo, em passeios de barcos que navegam por dentro da fenda, bem próximos das quedas d’água.

Assim como aconteceu com as Sete Quedas em Guaira no Rio Paraná, que desapareceu depois da construção de uma usina hidrelétrica, o Salto Yucumã também corre o risco de desaparecer. Já existe uma hidroelétrica rio acima, que interfere na visibilidade do Saldo conforme abrem ou fecham suas comportas.

É grande a preocupação dos ambientalistas com a mortalidade de peixes com o sobe e desce do nível das águas. Se deixar como está agora, os peixes continuam morrendo presos nas pedras, se construir a usina rio abaixo, salva os peixes, mas prejudica a fauna e a flora, além de acabar com a tamanha beleza do Salto Yacumã, tal qual aconteceu com as Sete Quedas.

Saímos da maior cachoeira do mundo e seguimos para dormir na cidade de Iraí, onde tem as melhores águas termais do Brasil e segunda de todo mundo.

Foram os índios que habitavam a região que descobriram a fonte de águas termais que brotam da terra, num ambiente cercado de colmeias, dai o nome Irai, que significa águas de mel. Depois os brancos chegaram, invadiram e descobriram que as águas tinham um poder de cura e começaram a explorar o potencial terapêutico.

Sobre as fontes foi construído um balneário que passou a ser frequentado por pessoas em recuperação da saúde, vindo de todas as partes do Brasil e dos países vizinhos.

O prédio que abriga o balneário foi construído ao estilo romano, em formato cilíndrico e foi planejado para suportar grandes enchentes. A porta de entrada é uma escotilha e quando acontece uma cheia, que não é muito raro, as águas quase cobrem o prédio e por dentro não inunda.

O prédio é todo vedado e na parede estão as marcas com as dias das maiores enchentes. Dentro do prédio, além da piscina com águas termais, tem pequenas salas para banhos individuais de hidromassagem, ducha escocesa, banho de lama e massagens terapêuticas.

Seguimos pelas estradas no oeste de Santa Catarina, daquelas que chega a causar revolta de tão ruim. No caminho paramos para comprar um dos melhores queijos finos produzidos no Brasil, onde se pode fazer uma deliciosa degustação.

Paramos para dormir na tríplice fronteira, onde ficam juntas e bem misturadas as cidades de Barracão no Paraná, Dionízio Cerqueira em Santa Catarina e Bernardo de Irigoyen, na Argentina, tudo com fronteira seca. A separação entre as cidades e países é por uma simples rua ou uma praça. Para evitar burocracia de fronteira, estacionamos a Caca de uma lado da praça e passamos para o outro lado já Argentina, em busca de vinhos, azeites e queijos.

Encontramos mais um camping em Barracão, onde já foi sítio, depois área de lazer e agora também quintal para campistas.

Seguimos viagem e, como estava em nosso roteiro, páramo para dormir no Parque Municipal de Santa Helena, no Rio Paraná, muito bonito e bem organizado. Ficamos uma noite e seguimos de volta para nossa casa branca na beira do rio.

 

Voltamos para nossa casa fixa na beira do rio, após 49 dias de viagem com 3.725 quilômetros rodados, felizes e já pensando no roteiro de inverno.

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